O homo sapiens, a erva daninha e o fim da espécie

Edival Lourenço, Revista Bula

“Por mais industrioso e criativo que seja o Homo sapiens, esse animau çinixtro que se irrompeu agora por último do ramo evolutivo da vida, ele não consegue criar coisa alguma sem que desmanche outra. E o que é mais grave: quase sempre lançando mão de um desperdício extraordinário. Qualquer criação humana implica sempre num desmanche de riquezas naturais. Do tipo assim: para se obter uma posta que seja de picanha é preciso derrubar um sem número de metros cúbicos de árvores, consumir não sei quantos carros-pipas de água potável, assorear quilômetros de rio, espalhar pelo céu toneladas nuvens de gás de efeito estufa e assim por diante.

E é neste contexto que caminhamos inexoravelmente rumo ao limiar da singularidade; aquele ponto fatídico a partir do qual as leis naturais demudam de forma radical, não podendo mais haver uma ação eficiente para evitar uma situação de desastre. Ocorre que a população humana, além de se achar desastrosamente grande, vem adotando hábitos de produção e consumo potencialmente letais para que nós próprios continuemos tocando a vida, tal qual a conhecemos. Especialmente neste intervalo geológico que a natureza nos concede um clima propício no planetinha azul, neste recanto ínfimo de universo enorme e ainda em expansão.

É um oximoro: quanto maior a multidão de indivíduos humanos, menor a nossa racionalidade. Quanto mais razões somadas, maior a nossa ação por instintos. É o efeito manada, tão ao gosto dos manipuladores de massas. O antropólogo, estatístico e matemático inglês Francis Galton (1822-1911), primo de Charles Darwin (1809-1882), afirmou ser isto “a lei da suprema desrazão”. Ele constatou que a racionalidade de um grupo tende a buscar a média. Não contemplando nem o mais ladino, nem o mais estulto, mas ficando a meio caminho, como um pêndulo no ponto em que cessa os movimentos. Mas hoje em dia, com a população atingindo as raias do apinhamento, podemos afirmar, com alta dose de convicção, que a racionalidade de todo o grupamento humano, em última instância, tende, não ao meio como queria o primo de Darwin, mas ao ponto morto. O ponto zero da racionalidade é que é a situação mais apropriada para receber o título dado por Galton, mais totalizante que medianeiro, de a “suprema desrazão”.
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