Humorismo brasileiro é uma piada

Eberth Vêncio, Revista Bula

“Rir. Rir pra não chorar. Numa era em que a violência, o estresse e a corrida tresloucada contra o tempo transformam a vida urbana num inferno, por que não sucumbir à tentação e escancarar um sorriso?

Sorrir. Dar trégua ao coração e à bile. É possível que o riso seja bem melhor que sessões de psicoterapia. Afinal, conhecer a si mesmo, enxergar os defeitos não têm graça nenhuma. Vou me ater somente ao humorismo televisivo. Quanto ao teatro, num país com dimensões continentais como o Brasil, certamente há bons atores encenando textos de humor refinado, ao ponto de extasiar a plateia provocando cólicas no baço e urgência urinária.

Porém, o que me parece evidente é que existe uma onda, uma epidemia de “stand up comedy” (tradução plausível: comédia caça-níquel?!) pipocando em território nacional. Apostando no improviso, jovens atores lotam auditórios com platéias também muito jovens, o que não deixa de ser um mérito, desde que o conteúdo tenha suporte. Bem, na pior das hipóteses, ensina-se à juventude o endereço do teatro. Quanto ao humor na internet, assumidamente, sou ignorante. Não acho tempo nem pra manter atualizado o meu correio eletrônico... É surpreendente como milhares de internautas dedicam-se a vasculhar “orkuts e twiters”. Seguir e ser seguido nas trilhas virtuais... Quem sabe, ao abdicar dos livros impressos, do contato com as pessoas e do sexo (uma das mais interessantes diversões que a vida animal pode proporcionar), sobra tempo suficiente para se embrenhar na rede. Já pensaram se toda esta gente comprasse e lesse livros?! Seria a salvação da lavoura para os escritores brasileiros... Utopia. Há que se baratear bastante os preços para permitir o consumo.

Humorismo de rádio, eu nem sei se existe mais. De soslaio, aqui na minha região, verifico que há várias equipes de radialistas (ou seriam oportunistas?) conversando livremente aos microfones, falando tudo o que vem à cachola. Ao menos para as trupes que fazem tais programas, as conversas improvisadas parecem mesmo muito hilárias, pois a algazarra das próprias gargalhadas torna a compreensão do áudio um desafio. Rir de si próprio — como diria o poeta — é puro desespero?!”
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