Para que serve a ação política

Mauro Santayana, JB Online

“O que fascina os historiadores, no exame do breve relâmpago que foi o sistema ateniense, é a descoberta, simultânea, e ali, das ideias da liberdade, da lógica, das artes e da justiça. A ação política, vista como exercício da ética, tinha como objetivo manter o Estado a serviço da sociedade, na construção do que se considerava ser o bem comum. As vicissitudes históricas destruíram a polis, a partir das derrotas militares, mas o fulgor do projeto permaneceu como inspiração recorrente da civilização ocidental. Os romanos foram os primeiros a assimilar alguns dos princípios estatais gregos (a legislação de Sólon). A elaboração do Direito Romano, ao longo dos séculos, e sua magnífica codificação no Digesto de Justiniano constituem o núcleo das ideias jurídicas modernas. Essas ideias tiveram que adaptar-se – sem prejuízo de seu sêmen ético – aos novos regimes de poder, a partir da razão elementar de que as sociedades fazem as leis.

Os políticos gregos e romanos eram, em sua maioria, homens de ideias e de ação. Em carta notável, dirigida a Einstein, Benedetto Croce lembra que a filosofia não basta para fazer estadistas, e dá o exemplo de Sócrates: antes de discutir os problemas do Estado e da política, o filósofo combateu em Potideia. Mas, se a política é ação, ou práxis, ela se desenvolve melhor quando está fundada nas ideias.

Em nossos dias contamos com Estados poderosos. Eles, ao contrário do que pregam os neoliberais, não minguaram nos últimos anos. A diferença é que o seu poder é exercido preferencialmente em favor do sistema capitalista de produção. Na ponta desse sistema sempre se encontram as empresas de produção bélica.”
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