
José Carlos Ruy, Vermelho.org
Na tarde do dia 27 de agosto de 1980 uma explosão na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, no Rio de Janeiro, matou a secretária Lyda Monteiro da Silva, que tinha 60 anos de idade.
Era uma carta bomba detonada pela própria vítima ao abrir o pacote enviado pelo Correio. No mesmo dia ocorreram outros atentados: uma carta semelhante feriu gravemente, na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, José Ribamar de Freitas, assessor do vereador carioca Antônio Carlos de Carvalho (PMDB), que perdeu um braço e um olho em consequência da explosão. Outras cinco pessoas foram feridas. Antes, na madrugada daquele dia, outra bomba havia destruído a redação carioca do jornal Tribuna da Luta Operária, publicado pelo Partido Comunista do Brasil, que se encontrava em uma situação de semiclandestinidade. Duas outras bombas não chegaram a explodir: uma enviada para a sede da Associação Brasileira de Imprensa e outra, de alto poder explosivo (tinha capacidade para destruir um prédio de quatro andares), em um edifício da Sunab, no Rio de Janeiro.
A ditadura militar estava em crise terminal. A aprovação da anistia, exatamente um ano antes (em agosto de 1979), permitiu uma atividade dos partidos e lideranças democráticos e de esquerda que, embora limitada pela perseguição policial da ditadura que ainda não chegara ao fim, intensificava a luta pela democracia e pelo fim do arbítrio. Era uma situação ambígua onde, graças à anistia "recíproca" adotada pelos dirigentes da ditadura, os agentes do aparato repressivo continuavam ativos contra o avanço da luta democrática.
Um levantamento publicado em setembro de 1980 pelo jornal Movimento ilustra como o aparato repressivo no período do crescimento da luta de massas contra a ditadura mudou a forma de agir. Com menor espaço para atuar sem controle, como ocorria no auge da repressão, partiu para ações armadas contra pessoas e organizações que, nos anos anteriores, eram alvo de prisões, torturas e assassinatos nos porões da ditadura.”
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