O pastor incendiário e a mídia

Eliakim Araujo, Direto da Redação

“O personagem da semana nos EUA, cuja projeção extrapolou as fronteiras do país, foi um ilustre desconhecido pastor de uma igreja no interior da Flórida que não tem mais do que cinquenta ovelhas em seu rebanho. O tal pastor, Terry Jones, esteve a ponto de criar uma guerra religiosa de consequências imprevisíveis se tivesse levado adiante sua idéia maluca de queimar exemplares do Alcorão neste sábado, por ocasião do aniversário de nove anos dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Terry Jones não foi o autor da idéia. Em 2008, na cidade de Topeka, Kansas, um outro pastor tão extremista quanto ele, anunciou que queimaria o Alcorão em praça pública no aniversário de sete anos dos atentados. Esperava que a queima fosse filmada e ganhasse as telas de TV do país e, certamente, do mundo. Quebrou a cara, não lhe deram a mínima bola e seu projeto não foi adiante.

No caso de Terry Jones, ele soube aproveitar a polêmica que tomou corpo nas últimas semanas envolvendo a construção de um centro cultural muçulmano, incuindo uma mesquita, a apenas duas quadras do local onde ficavam as torres gêmeas do World Trade Center, no Ground Zero (marco zero). Desde que anunciou seu plano, em julho, o pastor fundamentalista deu mais de 150 entrevistas. Redes de TV e jornais de todos país e até do exterior enviaram jornalistas para cobrir o que seria uma provocação sem precedentes ao mundo islâmico. Jones conseguiu se colocar no centro dos debates e repentinamente virou o líder da causa anti-Islam, manifestando sua visão extremista sobre a lei da Sharia.

À medida que o sábado se aproximava e aumentava significativamente a cobertura da mídia na cidade de Gainesville, onde está a congregação de Jones, a Casa Branca começou a se preocupar com aquela figura marginal com tão poucos seguidores. Mas como este é um país de fanáticos – quem se lembra de um outro pastor americano com o mesmo sobrenome, Jim Jones, que levou 918 pessoas ao suicídio coletivo na Guiana inglesa em 1978 - Washington tinha toda razão em se preocupar.”
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