Os horizontes da esperança

Mauro Santayana, JB Online

“Quando os homens se tornaram eretos, a visão dos horizontes os impeliu a caminharem sempre em frente. Adiante, no desconhecido, há surpresas, aventuras, alguma coisa que faz a vida mais agradável ou mais plena. Sendo uma astúcia ótica, a linha, que segue adiante, quando a buscamos, é apenas uma referência no espaço. Nada nos pode garantir que ela nos possa servir a glória, ou a fortuna.

Os campos petrolíferos do Oriente Médio têm sido horizonte norte-americano desde a Primeira Guerra Mundial. Ontem, com a retirada de grande parte das tropas enviadas por Bush ao Iraque, o horizonte se abateu, mas não definitivamente. É certo que os norte-americanos, cerrada a passagem do Iraque, como se vedará, em breve, a do Afeganistão, irão usar outras armas para o domínio da região.

Milhares e milhares de pessoas, entre elas, soldados invasores, morreram e se tornaram inválidas, para que, depois de tantos anos, os estrategistas se convencessem de que o horizonte era ilusório. Enfim, lutaram, mataram, chacinaram, morreram, para nada. Deixam o Iraque levando como troféu a miserável glória de terem mandado enforcar Saddam Hussein, e deixando no país a perspectiva de um acerto de contas brutal entre sunitas, xiitas e curdos.

Na linha do horizonte abrem-se as miragens, com seus lagos sedutores. Nela, como na bela descoberta de El Greco, a perspectiva se altera, para que todas as coisas pareçam maiores. Dois jovens mineiros – se outros não houver entre os mortos de San Fernando – abandonaram os horizontes próximos, mais seguros, e, iludidos pelo sonho americano, ouviram o canto dos traficantes de ilusões. Viram o mundo desabar, antes mesmo de pisarem a terra que lhes prometeram. Talvez não conhecessem a advertência de Vicente de Carvalho, de que a árvore da felicidade deve ser posta onde nós estamos, e não alhures.”
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