Para depois de 3 de outubro

Urariano Motta, Direto da Redação

“Por enquanto, Dilma reina soberana. Nada lhe escapa. Por enquanto, mal conseguimos escrever algumas linhas, sem que nas linhas, pelas linhas, sobre as linhas, nas próprias linhas ela não esteja. Mal nos pomos diante da tela em branco, nos assaltam torturantes e cruciais dúvidas: O que dirá a próxima pesquisa? Onde foi que o Datafolha forçou e manipulou? Qual a jogada do Ibope? Que calúnia de prata virá? Que notícias/armações jogam até sexta-feira? No último debate, que pegadinhas, Serra e sua aliada Marina vão fazer? O que indivíduos serenos, sensatos (como se nesta altura houvesse algum), o que pessoas mais distantes, equidistantes (como se nestes dias houvesse este ponto), o que analistas frios (excluídos, é claro, os analistas muito frios, porque mortos), o que os sensitivos, aqueles videntes infalíveis, que possuem nas mãos o nosso destino, vaticinam sobre o domingo que vem?

Por enquanto, somente podemos adiar as atividades pessoais mais graves, como se o destino de um povo já não fosse uma atividade gravíssima. Por enquanto, fazemos de conta que estamos de férias, em férias, leves, ledos e livres, despreocupados como gringos de camisas floridas no sol dos trópicos. A esperança de vencer nos sorri. Por enquanto a vida se transforma em dois tempos: no primeiro, assistimos à luta eleitoral e política. No segundo, no segundo, bom, a vida que nos assista. Mas isso apenas no segundo tempo. Ainda estamos no primeiro. Pois não é mesmo bom viver a vida em dois tempos, quando todos julgávamos que só possuíamos um, e estávamos na altura do 45º. minuto final? Pois ganhamos mais que uma prorrogação – temos dois tempos. (O que lembra aquelas casinhas pequenas, que o engenho humano separa por cortinas em dois ambientes.)”
Artigo Completo, ::Aqui::
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