Eleições: A mídia que torcia e distorcia

Nelson Varón Cadena, Portal IMPRENSA

“A mídia sempre teve influência marcante na escolha de nossos governantes, também foi pensada com esse objetivo, além do estritamente pragmático: a publicação de atos de Governo e das transações mercantis que se avolumaram logo após a abertura dos portos brasileiros para as nações amigas e outras nem tanto; negócios de conveniência ao sabor dos ventos da política. A mídia foi pensada para influir no processo de formação de um novo modelo de governo para o Brasil. Daí o surgimento de mais de trinta periódicos, no período entre 1.820 e 1.823, ou seja, entre os acontecimentos da Revolução do Porto em Lisboa e a expulsão do exercito português da Bahia, último reduto de resistência, pelo exercito mercenário financiado pela Maçonaria.

Então surge o Parlamento e esse grupo de pessoas que deveriam assessorar o Rei é escolhido por um pequeno colegiado. A imprensa tenta influir nessa escolha e muitos, a maioria, dos títulos "jornalísticos" nascem com esse objetivo. E por isso mesmo desaparecem logo que ocorrem as eleições. Viviam efemeramente, apenas para os dois momentos aqui relatados: a escolha do colegiado e depois a escolha dos deputados. Com o surgimento dos partidos a mídia, que já tinha uma clara opção política, agora também veste a camisa. Os jornais se autodenominam órgãos dos partidos Conservador, ou Liberal e mais tarde Republicanos. Aceitam anúncios dos candidatos, mas somente dos aliados. As questões partidárias estavam acima das questões financeiras.

O fim do título partidário

Com o advento da República as eleições continuam indiretas e a mídia menos engajada, já que seu caráter era também menos efêmero. O conceito de jornal-empresa já se disseminara no Brasil e com ele também a idéia da mídia como quarto poder, ou seja, capaz de influenciar este, ou aquele Governo. O Jornal do Brasil, por exemplo, nasce Monarquista (defende a volta do sistema parlamentarista com o Rei como coadjuvante), mas, torna-se logo Republicano e em seguida Democrata quando Floriano Peixoto manda para o exílio Ruy Barbosa, um de seus diretores, dentre outras personalidades que divergiam de seu Governo. A mídia com título partidário deixa de existir, mas a sua linha editorial continua a refletir essa clara, e na época, transparente opção por este, ou aquele candidato.”
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