A onda verde foi uma onda, mas não é verde

Rodolpho Motta Lima, Direto da Redação

“E chegamos ao segundo turno. Antes de mais nada, é preciso reconhecer que essa segunda etapa eleitoral apenas acontecerá em função do que se convencionou chamar “onda verde”, movimento eleitoral que, somado à abstenção a que se refere o excelente artigo de Rui Martins, acabou tendo consistência suficiente para alterar os rumos da eleição, que já parecia definida a favor da candidata Dilma. O irônico, no caso, é que a candidata do PV vai acabar por propiciar, agora, aquilo que pretensamente questionava: um plebiscito entre os governos de FHC e Lula.

É do ambiente democrático o surgimento da chamada “terceira via”, com linhas programáticas e propostas que fujam de um esquema rígido de polarização de ideias . O problema é saber-se até que ponto uma terceira via acaba funcionando, com ou sem intenção, como “linha auxiliar” de um desses polos. No caso presente, outra ironia foi perceber, na reta final, a grande imprensa privilegiando espaços para Marina Silva., cuja ascensão eleitoral, sem os riscos de ultrapassar os votos do Serra, poderia garantir para esse, como aconteceu, o desejado segundo turno.

Não vejo os votos na Marina como resultados de uma “onda verde”, mas de uma “onda Marina”, fruto de positivas características pessoais da candidata e de muitos interessados em repercuti-las. Em sã consciência, não se pode atribuir, no contexto nacional, uma importância política que o PV não tem, restrito que está a um ou dois nomes que, por expressivos que sejam, não criam uma força partidária. Basta, em termos globais, examinar os números e os nomes de expressão desse partido. No Rio de Janeiro, por exemplo, onde Marina teve expressiva votação (e mesmo Gabeira) , o partido como tal obteve um total aproximado de pouco mais de 300 mil votos para deputados federais (elegeu dois) e de 230 mil para os estaduais (idem), o que, convenhamos, não caracteriza uma onda, em um cenário de 11 milhões e meio de votantes. Aliás, alianças como as realizadas no Rio , entre Gabeira e César Maia (grande derrotado, por sinal), aproximando os verdes das posturas direitistas do DEM, colocam em discussão a verdadeira linha ideológica que o PV pretende incorporar ao seu projeto político-ambiental. Numa posição que assumo como bem pessoal, admito minha desconfiança de que certos ideários ecológicos estão aí para escamotear, no cenário da política, questões mais importantes.”
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