O drama de Maria, José e Jesus

Eliakim Araujo, Direto da Redação

“Na semana que passou, uma jovem mãe brasileira que vive no sul da Flórida recebeu em casa a visita de seis agentes da Imigração americana e só não foi levada presa porque tem um bebê de apenas dois meses, mas foi notificada de que terá que comparecer a uma Corte, junto com o marido, para justificar-se perante um juiz da sua permanência nos Estados Unidos, sem a devida documentação legal.

Os agentes, na verdade, procuravam por uma outra brasileira que morou anteriormente na mesma casa alugada, ou seja, atiraram no que viram e acertaram no que não viram. E a nossa jovem mãe, ao provar que não era ela a mulher procurada, acabou revelando sua vulnerabilidade legal. Os únicos documentos que possuia, os passaportes brasileiros dela e do marido, foram apreendidos pelos visitantes inesperados e indesejados.

Maria e José, vamos chamá-los assim, vivem há vários anos nos EUA e sonham em voltar para o Brasil com algum pé-de-meia. Para isso trabalham duro de sol a sol, ele como handyman – aquele que faz serviços gerais em uma casa – e ela como manicure em um salão de beleza de brasileiros (trabalho do qual está afastada para cuidar de Jesus, o filho recém-nascido). Todo dinheirinho que juntam é mandado para a família no Brasil.

Maria, José e Jesus formam uma típica família brasileira nos Estados Unidos, gente honesta e humilde que veio geralmente do interior do Brasil em busca de uma oportunidade no país do qual ouviram dizer maravilhas, onde não falta trabalho e é fácil construir fortuna e ter acesso ao carro e à casa própria. Mas não têm acesso à mídia, a não ser quando cometem ou são vítimas de algum crime.

Em busca do sonho americano, todos os anos milhares de brasileiros, como Maria e José, correm atrás dele. Entram na terra do Tio Sam clandestinamente, correndo todos os riscos possíveis e imagináveis, até mesmo de morte, como aconteceu recentemente com quatro brasileiros que foram fuzilados por narcotraficantes no México, junto com dezenas de latinos que pretendiam atravessar a fronteira. E, se escapam dos sicários mexicanos, ainda têm que fugir da polícia de imigração americana, quando não morrem de fome e sede no deserto.

O drama de Maria, José e Jesus aconteceu na mesma semana em que o presidente Lula participava de uma festa no Itamaraty, no Rio, quando foi empossado o Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior (CRBE), nome pomposo para uma entidade de utilidade praticamente nenhuma.”
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