João, o historiador

Roberto Porto, Direto da Redação

“João Jobim Alves Saldanha (1917-1990) foi meu companheiro em dois períodos em que passei pela faraônica sede do Jornal do Brasil, no número da Avenida Brasil. João, a rigor, era o que simplesmente poderíamos chamar de contador de histórias, que Sandro Moreyra (1919-1987), seu companheiro de inúmeras jornadas, sabia de cor e salteadas. Sabia e contava relativamente em segredo para todos nós, sempre rindo da presença constante de João em todas efemérides (perdoem o termo) importantes.

A primeira delas, para obedecer a uma certa ordem cronológica, ocorreu em 1912, quando o então ministro da Saúde – botafoguense de coração, Miguel Couto – cedeu, a título precário, o terreno de General Severiano, pois o alvinegro já não tinha mais campo para jogar – todos lhes tinham sido tomados. Quando eu, no JB, estava escrevendo uma matéria especial sobre a venda de General Severiano à Vale do Rio Doce, João aproximou-se de mim e perguntou discretamente:

- Roberto, o que você está escrevendo?

Respondi que era a venda de General Severiano e a consequente ida para Marechal Hermes (no distante subúrbio do Rio). De imediato, João decidiu dar um colorido especial à matéria (a melhor do esporte do ano de 1976 no JB). E passou a me dar detalhes da tomada do terreno, um matagal abandonado.

- Em 1912 – disse João – havia um português que consertava carruagens e tílburis no meio do terreno. E não queria sair. Eu então chamei uma rapaziada, Sandro, inclusive, e tocamos fogo no barracão. Só assim pudemos fazer o campo...”
Artigo Completo, ::Aqui::
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