Novo consenso: por um mundo habitável para todos

Federico Mayor, Martí Olivella, Roberto Sávio / IPS, Envolverde

"A história nos julgará severamente se não formos capazes de dar resposta aos desafios e às oportunidades que a crise global nos apresenta. Em lugar de financiar US$ 50 bilhões para a redução da pobreza, pactada como um dos Objetivos do Milênio, o consenso governante dedicou 50 vezes mais para salvar os bancos especuladores que são muito grandes para se deixar quebrar, contradizendo sua própria doutrina neoliberal de que o mercado se autorregula e que os governos não devem intervir. Os resgatadores empobrecidos agora se veem acossados pelas instituições financeiras que, por meio de agências de qualificação de duvidosa objetividade, levam a especulação ao máximo. Está clara a necessidade de elaborar um novo consenso que substitua o fracassado Consenso de Washington, principal causador da crise múltipla (financeira, de meio ambiente, política, democrática e ética) que vivemos.

Em lugar de regular o sistema financeiro, eliminar os paraísos fiscais e iniciar um processo de desarmamento próprio de uma nova estratégia de defesa, continua sendo permitida uma economia de especulação e guerra (US$ 4 bilhões por dia em armas e em gastos militares enquanto morrem de fome 70 mil pessoas). É uma situação eticamente inadmissível.

Depois das “bolhas” das tecnologias de informação e comunicação, em 1993, e da imobiliária em 2007, agora ocorre que, apesar de terem sido “resgatadas” com o dinheiro de todas as instituições financeiras, estas não só não concedem créditos como continuam especulando e assediando os próprios poderes públicos que lhes estenderam a mão.

A crise provocada pelo atual consenso – por sua ação, por sua omissão ou por sua cumplicidade – ainda aumentou o número de seres humanos que passam fome. Somos cúmplices do “homicídio involuntário” dos que por inanição e por viverem em condições humanamente inadmissíveis formam o “caldo de cultivo” do qual surgem fluxos de emigrantes desesperados, que tentam chegar, com risco da própria vida, à costa da abundância ou, em outros casos, recorrem à violência armada contra a violência estrutural que sofrem. A pobreza nem sempre gera violência. A fome sim, com frequência, porque é violência.

A civilização do carbono está muito arraigada e corremos o risco de continuar vivendo acima de nossas possibilidades, desperdiçando a energia do Sol acumulada há milhões de anos em forma de combustíveis fósseis (carvão, gás, petróleo). Os próprios países que mudaram os princípios democráticos pelas leis do mercado e as Nações Unidas por grupos dos países mais ricos e poderosos da Terra (G7, G8...), continuam pensando que os benefícios das empresas multinacionais são mais importantes do que a vida da atual população empobrecida ou das gerações que virão. Ignorando reiteradas advertências, não empreendem ação alguma para uma mudança de cultura da energia (redução, eficiência, renovável, etc.), nem para moderar a mudança climática que afeta a sobrevivência de todos, ricos e pobres.”
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