Teoria dos jogos perdidos


 Vicente Escudero, Digestivo Cultural

“Não me recordo de quando fui apresentado à criptografia, mas desconfio que nessa ocasião o conteúdo da mensagem escondida pela aplicação de diversos algoritmos era importante o bastante para tomar o tempo de seus pais matemáticos por noites a fio. Talvez eu também tenha relacionado a ideia de esconder uma mensagem ao caráter confidencial de seu conteúdo e, finalmente, a sua origem em algum órgão de espionagem, como num filme de suspense em que agentes secretos carregam segredos roubados e se comunicam através de códigos, evitando o vazamento de suas operações.

Talvez essas expectativas não façam parte do mundo real, pois foi nesta frágil dimensão que surgiram os telegramas diplomáticos vazados a conta-gotas pelo WikiLeaks. De um lado estão as informações diplomáticas do país que possui como maior empregador de matemáticos um órgão público, a Agência Nacional de Segurança (NSA), famosa por ser muito maior do que a CIA e ninguém conhecer suas atividades. Do outro está um site formado por jornalistas e hackers que publica informações sensíveis de qualquer país. O resultado do confronto dessas forças revela a fragilidade do sistema de informações da maior potência militar do mundo, mesmo ainda não havendo a confirmação segura da autoria dos vazamentos pelo analista militar preso, Bradley Manning.

Segundo Adrian Lamo, o hacker que delatou Bradley ao FBI e teria conversado com ele sobre os vazamentos em um chat, o analista fingiu que ouvia e cantava "Telephone", de Lady Gaga enquanto copiava as informações dos servidores do Exército em Bagdá, onde estava alojado. O analista ainda teria dito que a segurança era "vulnerável pra cacete... ninguém suspeitou de nada... =L meio triste... servidores fracos, logging fraco, segurança física fraca, contra inteligência fraca, rastreamento das operações inexistente... uma tempestade perfeita". Também esclareceu sua intenção em copiar os telegramas "e se eu estivesse mal intencionado?". Questionado sobre a possibilidade da venda das informações à Rússia e China, teria dito "as informações são públicas... deveriam circular livremente".

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