Como se fazem os heróis


Menalton Braff, Revista Bula

“Nunca dou muito crédito às histórias que o Adamastor me conta, mas algumas delas são interessantes. Esta que aí vai é exemplar. E as histórias exemplares tanto podem ser verdadeiras como ficção que isso pouco importa. O Aristóteles já dizia que o poeta está mais próximo da filosofia do que o historiador. Não sou ninguém para duvidar do Aristóteles.

Na cidade onde o Adamastor nasceu, ele me conta que conheceu um vizinho, bombeiro, homem pacato, sem vocação nenhuma para gestos grandiosos, altos cometimentos. Um bombeiro que não se tratava propriamente de um gigante.

Uma tarde terrivelmente quente de verão, a corporação de seu conhecido foi convocada para debelar as chamas de um incêndio e tentar, ao mesmo tempo, o resgate de duas, três pessoas que ainda permaneciam lá dentro, por trás do fogo, o que era mera ilação justificada pelos gritos que se ouviam e que pareciam vindos do inferno.

Sob o comando de um sargento, alguns bombeiros começaram a jogar água no prédio em chamas, enquanto outros entravam desassombradamente pelos corredores escuros de fumaça. A multidão, em volta, olhava pasma para tudo aquilo, sem nada poder fazer. Alguns, para chegar um pouco mais perto, traziam lenços molhados com que aliviar o calor do rosto e evitar muita fumaça nos pulmões.”
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