Confissão de um fraco


Menalton Braff, Revista Bula

“Nunca me imaginei tão fraco como agora me descubro. Sem querer imitar o Estrangeiro que não parava de fazer perguntas ao Teeteto, para que entre ambos houvesse comunidade de entendimento, preciso começar determinando com mais clareza que tento me referir. É claro que existem muitos tipos de fraqueza e só me confesso fraco para alguns dos tipos. Se me ausculto, por exemplo, procurando fraquezas físicas, não encontro grande coisa. O desgaste natural da máquina, lógico, vai-se tornando evidente. Também não tenho mais dezenove anos. Um joelho perrengue, já farto de tanto trabalho e exigindo sua aposentadoria, uma vista da qual as principais virtudes debandaram, o ouvido que fica procurando lábios alheios com a insistência de quem gostaria de não perder o que se diz, e por aí vai. Nada que um bom geriatra não consiga lenir. E, se não conseguir, devo encarar como natural a curva descendente.

Não, não é na carcaça que encontro a fraqueza, mas em órgão que geralmente não se mostra em público, e que, às vezes, quando cheio, ameaça estourar. Enfim, ainda não se fabricam de aço. E um presidente da república, um dia, disse que o tinha roxo. Mas a cor não interessa, no caso, e sim sua resistência. Do meu já anda perto do fim.”
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