Dois personagens do carnaval



Marcel Pilatti, Revista Bula

Aproveitando a época de Carnaval, vale analisar duas figuras que serão homenageadas pelas principais escolas de samba do Rio de Janeiro em seus desfiles: Nelson Cavaquinho (tema da Mangueira, em virtude de seu centenário) e Roberto Carlos (que completa 70 anos em abril e receberá homenagem da Beija-Flor).

São dois personagens distantes e próximos: distantes pelo sucesso comercial, mas próximos pela simplicidade, qualidade e reconhecimento no meio musical.

Muitas pessoas, até hoje, torcem o nariz ao ouvir falar de Roberto Carlos: “acho brega”, “é produto da Globo”, e “quem compunha pra ele já morreu” são algumas das principais pérolas; da mesma forma, ainda há grande quantidade de pessoas que expressam espanto quando escutam o nome de Nelson Cavaquinho: “quem?!”.

É provável que o leitor da Revista Bula se encaixe no primeiro grupo. Virou uma espécie de senso-comum as pessoas, para se mostrarem refinadas ou alternativas, irem contra algo que seja muito popular, conhecido ou comentado: evocando famosa frase de Tom Jobim, “fazer sucesso no Brasil é ofensa pessoal”.

Já quanto a Cavaquinho, a culpa é da pouca divulgação de seu trabalho e de sua memória. Fiquei intrigado, por exemplo, ao ler o belíssimo texto da colega Carolina Mendes e não ver nenhuma vez o nome de Nelson citado, ainda que seja ele o autor de duas das canções por ela mencionadas como essenciais.

É desnecessário fazer aqui um resumo da trajetória de ambos. Mas é preciso que se faça justiça às suas relevâncias históricas: Roberto Carlos nada deve a Chico Buarque, Caetano Veloso, ou Gilberto Gil. E Nelson Cavaquinho não é menor que Noel Rosa, Cartola ou Vinícius de Moraes. Falamos aqui de astros, todos, de primeira grandeza.”
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