A doença de todos nós

Rodolpho Motta Lima, Direto da Redação

“Não queria escrever sobre isso. Pelo menos não o queria fazer agora, quando minhas palavras correm o risco de se confundir com o macabro e oportunista show midiático que, à exaustão, inundou os olhos e ouvidos dos brasileiros e massacrou os nossos corações,em uma quinta-feira que marcará para sempre um dos episódios mais tristes da história recente do país.

Mas sou professor, vivo nas salas de aula desde os anos 60, sou pai e avô, julgo-me um cidadão consciente, e penso que, em qualquer dessas condições, o massacre de Realengo me diz respeito diretamente.

Muitos adjetivos foram aplicados ao jovem que, premeditadamente, a sangue frio, protagonizou o massacre, baleando com requintes de perversidade crianças inocentes e indefesas e, no final, dando fim à própria vida. Autoridades referiram-se a ele como “animal” – o Presidente do Senado caracterizou o ato como “terrorista” - e, a julgar pelas reações populares, é esse o sentimento geral a respeito da figura do assassino.

Pessoalmente, a despeito da repugnância que me move, não quero adjetivá-lo, nem poderia fazê-lo , sob pena de estar levianamente falando sobre o que desconheço. Muito difícil entender logicamente e aplicar um vocabulário lógico a um comportamento que escapa à razão e cujos fundamentos estão lá no abismo ainda pouco conhecido da mente mal formada, ou, quem sabe, deformada por outras mentes. Sinto-me, sim , profundamente desconcertado, entristecido e enlutado, ao perceber como a morte estúpida de tantas crianças, abortando-lhes o futuro, deixa exposta a nossa impotência.

Em todas as manifestações oficiais, menciona-se o repúdio à violência e eu fico aqui pensando na obviedade vazia dessas palavras de indignação. Eu fico aqui pensando que tipo de violência devemos repudiar como causadora de uma tragédia como essa. Será a que se manifestou em um tiroteio cruel promovido por uma pessoa vulnerável, ou aquela muito mais ampla que tem a ver com uma sociedade planetariamente adoentada?”
Artigo Completo, ::Aqui::
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