A ficção na Globo está esquisita, muito esquisita...

Vera Lucas, adNews

“Confesso que sou noveleira de carteirinha, ao ponto da minha dissertação ter sido sobre o tema. Mas especificamente, sobre as novelas que marcaram época na Vênus Platinada. Discuto personagem, trama, coerência e fico muito chateada quando não adivinho quem é o assassino. Essa minha atração pelos folhetins vem desde pequena. Ao invés de desenhos, eu preferia assistir as histórias interpretadas por Yoná Magalhães e Carlos Alberto. Eu podia não entender nada, mas prestava uma atenção... Por isso, décadas de telespectadora, estou achando as coisas estranhas lá para os lados do Projac.

Com certeza, não sou a única. O Ibope divulgou que a Record atingiu metade do share – participação entre os aparelhos de TV ligados – da Globo. Na semana de 11 a 17 de abril, a Record marcou média de 18 pontos diante dos 36 obtidos pela Globo, em São Paulo. Não é pouca coisa, não. Vale lembrar que até pouco tempo, a emissora carioca reinava absoluta. E o seu carro-chefe é justamente as novelas. Elas continuam primando pelo excelente elenco e padrão de qualidade. Mas os enredos...

Vou começar pela nova temporada de Malhação. Escrita por Emanuel Jacobina – autor do projeto inicial e também de programas consagrados como “Casseta & Planeta Urgente!” e “Sai de Baixo”, a novela para adolescentes poderia se chamar, bem ao estilo Glória Magadan, Tragédias e doenças. Tudo bem que a informação é fundamental para os jovens. Mas não é preciso esclarecer e tratar de tudo em uma mesma obra.Acaba-se explicando mais ou menos, sem aprofundamento.

Pois é... Já tivemos a morte da adolescente grávida, o jovem que foi empurrado e bateu com a cabeça em uma pedra, a blogueira que usou o anonimato para difamar uma família e mais casos de câncer, aids, bipolaridade, anorexia, bulimia, epilepsia, dependência de drogas, alcoolismo, bullying, preconceito social, racial, sexual... Ufa! Alguém disse que, em determinadas situações, menos é mais. Essa é uma delas. Com tantos problemas não sobra tempo para a leveza, a ternura, o romantismo. E, volto a lembrar, é uma novela para jovens! Está faltando equilíbrio. A vida não é um mar de lágrimas.

De Walcyr Carrasco, estamos assistindo a Morde & Assopra. Posso falar de cadeira... Gosto tanto desse autor que fiz um curso de roteiro com ele. Walcyr escreveu, entre outras, “O Cravo e a Rosa”, “Chocolate com Pimenta” e “Alma Gêmea”. Já ouvi críticos falarem que ele só se sai bem nas novelas das 18 horas. Não concordo. Em “Caras & Bocas”, das 19, Walcyr Carrasco colocou um chimpanzé como um dos protagonistas e o último capítulo da trama atingiu 61 por cento de share. Então fica a pergunta, que raio aconteceu com o escritor? Diariamente Júlia (Adriana Esteves) tem longos pesadelos com dinossauros que querem devorá-la. Como ela conseguiu se formar em Paleontologia? Parece médico que não pode ver sangue... E a química entre ela e Abner (Marcos Pasquim) ainda não rolou. Como também não aconteceu, até agora, o personagem Ícaro (Mateus Solano).”
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