O Poderoso Chefão 4


Euler de França Belém, Revista Bula

“Nunca houve uma mulher como Gilda (do filme “Gilda”, com Rita Hayworth). Assim como nunca houve um filme com uma legião de admiradores tão intensa quanto “O Poderoso Chefão”, a trilogia de Francis Ford Coppola que melhorou, à larga, o romance do americano Mario Puzo

Nunca houve uma mulher como Gilda (do filme “Gilda”, com Rita Hayworth). Assim como nunca houve um filme com uma legião de admiradores tão intensa quanto “O Poderoso Chefão”, a trilogia de Francis Ford Coppola que melhorou, à larga, o romance do americano Mario Puzo. A história, como a Máfia, parece inesgotável. Tanto que a revista “Gentlemen’s Quarterly” (“GQ”) dedica oito páginas, escritas por Andy Morris, à possibilidade de Coppola, ou outro diretor, continuar a saga, com “O Poderoso Chefão 4”. Críticos severos avaliam que as partes 1 e 2 são o que de melhor o cinema americano produziu em toda a sua história e, em geral, torcem o nariz e os olhos para a parte 3. O diretor teria errado a mão, na história e na escolha de pelo menos uma atriz, Sofia Coppola. Os cinéfilos, ou “poderófilos” (ou “poderéfilos”), não dão a mínima importância aos anatomistas das telas e amam os três “filhos” como “perfeitos” e interdependentes. Mas é possível fazer o quarto “Chefão”? Claro que é — se os produtores e financistas perceberem que poderá render muito dinheiro. Poderófilos, como o poeta Carlos Willian Leite, são contrários. Por quê? Porque avaliam, ao modo de Anton Tchekhov e Henry James, que as histórias não precisam ter fechos totalizantes. As continuidades poderão tão-somente reforçar ou ampliar possíveis pequenas falhas do filme, mas não servirão para iluminar, ainda mais, a grande história da família Corleone, que, originária da Sicília, “tomou” conta dos Estados Unidos, física ou imaginariamente.

Andy Morris recolhe de Coppola: “Nunca pensei em ‘O Poderoso Chefão’ como uma série. O livro era bem completo. Só houve pressão para continuar fazendo porque rendeu muito dinheiro. Essa é a fórmula do negócio dos filmes de hoje em dia, em que as continuações rendem mais que o original. Eu não queria mais nenhum ‘O Poderoso Chefão’ depois do primeiro. E, certamente, eu não queria filmar nem o terceiro nem o quarto”. O leitor pode pensar: Coppola foi claríssimo — não veremos nenhum “O Poderoso Chefão 4”. Mas o mundo real, o das finanças, é outro. As palavras-chaves são: se render muito dinheiro, o filme sai, independentemente de quaisquer interpretações de críticos ou poderófilos.”
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