A propaganda das raposas

Rodolpho Motta Lima, Direto da Redação

“Uma das tendências de um certo segmento que finge não fazer política em nosso país é a de desqualificar o debate ideológico , privilegiando sempre as pessoas envolvidas e raramente os processos que as envolvem. Quando o assunto tem a ver com fraudes, falcatruas, corrupção, demonizam as pessoas corrompidas, mas raramente vinculam os fatos a uma ideologia dominante que, fundada no lucro e no egocentrismo, estimula a sede dos ganhos ilícitos. Seria leviano eu dizer aqui que o roubo é exclusividade do capitalismo, mas que o ambiente é propício, isso é...

Mas não creio que essas posturas, de privilégio do individual, existam apenas para esconder o processo que vincula as pessoas e seus atos. Penso que, no caso, há , paradoxalmente, admitam ou não os seus atores, um forte viés ideológico. A nova indumentária da direita (não tão nova assim, reconheçamos) passa por essa roupagem que tudo centraliza no “eu”, para o bem ou para o mal.

Para os ideólogos do capital e do mercado, é óbvio que não pode nem deve haver um organismo estatal forte, que faça dos programas sociais o seu móvel maior, que rejeite as privatizações oportunistas (pois há as que se justificam), que enxergue o plural na frente do singular e não queira deixar simplesmente ao sabor de uns poucos especuladores multimilionários o destino dos componentes da sociedade como um todo.

Essas considerações vêm a propósito dos debates que estão sendo sugeridos a respeito do que seria, de fato, em uma sociedade democrática, a defesa dos direitos do cidadão e, dentro disso, do maior deles: a liberdade. É um debate importantíssimo, e dele não devemos fugir.

Em primeiro lugar, penso que não se deve confundir liberdade com egocentrismo. É muito antiga e sábia a afirmação de que a liberdade de um indivíduo esbarra nos prejuízos que pode causar ao semelhante, no plano pessoal ou social. Ultimamente, a grande mídia tem repercutido seminários e alugado colunas para bater na tecla de liberdades que estariam sendo arranhadas, ameaçadas ou suprimidas em nosso país, por força da ação do Estado. Será?”
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