A radiação que ingerimos diariamente

Denise Grady, The New York Times

“Uma das coisas mais amáveis sobre meu marido é que ele tem cinco contadores Geiger.

Não os usava muito até que comecei a escreve sobre a radiação dos reatores nucleares danificados da usina de Fukushima Daiichi no Japão. Recentemente, uma das minhas entrevistas foi no mínimo estranha. Eu perguntei a um cientista sobre os possíveis efeitos sobre a saúde causados materiais radioativos que vazavam da usina e ele começou a falar sobre bananas.

“Por que nós ingerimos material radioativo todos os dias?”, disse ele em tom de dúvida. “As bananas são a fonte mais potente”. Ele explica que essas frutas contêm uma espécie de potássio radioativo desenvolvido naturalmente, mais do que qualquer outra fruta.

“Isso fica em nosso corpo, em nossos músculos”, disse o cientista. “A cada segundo, nossos corpos, seu e meu, recebem radiação”.

As castanhas-do-pará são ainda mais radioativas do que as bananas, ele acrescenta em tom quase regozijado. “O conteúdo radioativo está por toda a parte!” Tentei retomar o foco da entrevista para os reatores nucleares e, por alguns minutos, parecia ter dado certo. Ele disse que exposições desnecessárias à radiação deveriam ser evitadas, mas logo completou: “Adoro bananas. Não desistirei delas”.

Dias depois, tentei conversar com outro especialista, do outro lado do país em que residia o primeiro. Perguntei a ele sobre a descoberta de iodo e césio radioativos no leite e em alguns frutos japoneses. Ele disse que não era muito perigoso, mas que provavelmente ainda era melhor não ingerir os alimentos. E depois ele disse: “Acabei de comer uma banana como almoço”.
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