A humanidade na lata de lixo


Eberth Vêncio, Revista Bula

“A não ser os lunáticos (seres animados que vivem a salvo das agruras deste mundão véio e sem porteira) e os celerados (criaturas praticamente sem classificação plausível na escala animal), todos se sentiram muito chocados com o episódio da mulher que abandonou a filha recém-nascida dentro de uma caçamba de entulhos numa cidade do interior paulista.

Por mórbida curiosidade, pesquisando na internet, eu constatei inúmeras estórias similares de abandono de crianças em locais os mais escusos, como latrinas, bueiros, lixeiras, matagais, fossas e lotes baldios. Por que carga d’água simplesmente não se entrega a criança renegada numa delegacia, hospital ou igreja é algo pouco compreensível... Capturada pelos detentores das leis mundanas, a mulher justificou o ato agarrando-se à condição de vitimada pela “depressão pós-parto”.

Nos últimos anos, com o avanço da humanidade (e o aparente retrocesso das relações humanas) a depressão tem se tornado uma das doenças mais prevalentes no planeta, disputando espaço pau a pau com a diarréia, a verminose, o bicho-de-pé e o alcoolismo. Piadinhas à parte, o incremento das doenças mentais faz supor (na minha sincera opinião, praticamente jogam sobre a raça humana uma pá de cal) estarmos trilhando caminhos equivocados que nos conduzem à desesperança e, pior que tudo, ao vazio existencial. O que pode ser pior do que o nada?

A Depressão Pós-Parto é um transtorno relativamente frequente durante o puerpério (dias que sucedem ao parto) que pode se apresentar em graus variados, desde uma melancolia branda (baby blues) até quadros psicóticos em que a mãe, se não tratada e contida pelos seus pares, atenta contra a integridade do neonato, podendo até mesmo matá-lo por abandono ou dano físico.”
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