Eu, eu mesma e minha vagina


Carolina Mendes, Revista Bula

“Cara Vagina,

Não está fácil o mundo aqui fora. Como você deve saber, somos mulher, e isso não exatamente ajuda.

Há quem discorde, e diga que mulheres têm muito mais facilidades do que homens. Porque somos fisicamente mais fracas, e porque a sociedade machista quer nos agradar e nos levar para cama, o que deveria abrir certas portas. Talvez, mas implica em te usar quando os outros querem, e não quando eu quero. Te colocaria meio que a serviço deles. Te curto vagina, e levo a sério seus sentimentos e vontades. Tento sempre que possível, atendê-los. Ouço e levo em consideração.

(Sigo te devendo o Javier Bardem. Tá difícil, mas não desisti).

Não é tarefa fácil. O mundo não exatamente curte o tipo de relação que nós temos. O mundo prefere que a gente não se entenda e que eu não te dê ouvido ou voz. Que eu não consiga te entender e te agradar. O mundo fica mais tranquilo quando mulheres e vaginas são inimigas.

O mundo mina nossa relação tratando meu temperamento quase insuportável como se fosse consequência de negligenciar suas vontades e desejos. Ah, se eles soubessem o que se passa aqui...

Mas não sabem. E não só no que diz respeito a você. O mundo não entende nada de mulher. E prefere assim. Prefere fingir que tudo se resume a TPM, muito sexo, pouco sexo, nenhum sexo, vontade de procriar e competitividade entre vaginas. Eles acham que é assim simples. Que somos assim óbvias.”
Artigo Completo, ::Aqui::
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