A vida aprisionada nas redes sociais?


Eberth Vêncio, Revista Bula

Eu não espero que você entenda
Depois de ter causado tanta dor
Mas, de novo, você não é culpado
Você é apenas um humano, uma vítima do insano
Estamos com medo de todo mundo
Com medo do sol
(Isolamento)
O sol jamais desaparecerá
Mas o mundo pode não ter tantos anos
(Isolamento)
“Isolation”, John Lennon

Foi bonito o show de Guilherme Arantes com a Orquestra Filarmônica de Brasília. Além de ouvir novamente música popular brasileira de boa qualidade (coisa das mais difíceis para quem gosta de rádio), eu me identifiquei bastante com o cantor. Primeiro, porque ele também está ficando careca. Segundo, por conta dos preâmbulos divertidos, estórias contadas antes da execução de cada música.

Eu não sei se o Guilherme é assim na maior parte do tempo (ninguém é 100% feliz, por mais que pareça), mas o bom humor foi contagiante, transformou a noite. Dentre tantos depoimentos humanistas (às vezes me esqueço que artistas são feitos de carne, osso, dor e um monte de fraquezas), um deles, em particular, foi hilário e, ao mesmo tempo, provocativo.

Referindo-se às questões da modernidade e do uso cada vez mais intenso das chamadas “redes sociais na internet”, Guilherme Arantes declarou-se meio avesso a elas. “Sou do tempo do orelhão e da carta. Espero, sinceramente, que um dia a gente volte a sentar nos bancos da praça pra conversar, olhando nos olhos, sentindo os odores uns dos outros...”.

Dizem que este tipo de pensamento saudosista é sintoma inequívoco de velhice. Deve ser isto mesmo. A cada dia sento-me mais pressionado pela velocidade das engrenagens mundanas e da rasura nas relações interpessoais.

É praticamente certo que a tecnologia não encontre limites. O homem é inteligente. Ele constrói, mas também destrói. Tudo é uma questão de tempo, até que alguém surja com alguma novidade, uma descoberta para deixar a vida da gente mais confortável, ainda que vazia, meio sem sabor.

Em matéria de comunicação, o futuro permanece aberto ao imaginário. A tecnologia se transmuta numa velocidade tão alucinante que fica difícil a gente absorver as mudanças, compreendê-las e, mais importante que tudo, encontrar locais onde expurgar tanto lixo industrial. O que os olhos não veem, o coração não sente... Então, os mananciais de água são lugares perfeitos para imergir tralhas e sucatas.”
Artigo Completo, ::Aqui::
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