House e o retorno dos fãs


Carla Ceres, Digestivo Cultural

“O final da sétima temporada de House deixou milhares de fãs furiosos com os roteiristas. Redes sociais, fóruns e blogs fervilharam com comentários do tipo: "Como puderam fazer isso com o House? Esses roteiristas ficaram doidos! O House pode ser tudo, mas não é um assassino. Nunca mais assisto essa série."

Com o objetivo de obrigar os roteiristas a rever suas posições, pipocaram sugestões de boicotes, abaixo-assinados eletrônicos, pressões via Twitter, Facebook e e-mail. Parte dos fãs, a parte que realmente merece ser chamada de fanática, queria dar um Ctrl+Z no último episódio, desfazer aquele erro inaceitável. "E daí que já foi ao ar? Podem dizer que foi tudo um sonho", garantiam.

As mudanças no perfil do telespectador brasileiro vêm acontecendo na mesma velocidade dos avanços tecnológicos, desde o surgimento das primeiras telenovelas, quando era comum haver uma certa confusão entre ator e personagem. Ainda em 1977, a atriz Léa Garcia, intérprete da vilã Rosa, em A escrava Isaura, era hostilizada na rua.

Em poucas décadas, o autor passou a ser visto como o contador solitário de uma história fechada, na qual atores e espectadores não podiam interferir. O espectador mais atento até sabia da existência de pesquisas de opinião encomendadas pelas emissoras, para decidir o destino de personagens, mas isso estava longe de ser um Você Decide, programa interativo da rede Globo, exibido na década de 90, no qual o público optava por telefone, entre dois finais para uma história.

Com a internet, as pessoas vêm se acostumando à interatividade e à customização do conteúdo. Quem ainda não posta fotos e vídeos na rede, com certeza conhece alguém que faz tudo isso e muito mais. O espectador atual sabe muito bem que uma história pode ter mais de um autor e que o fim da trama pode ser alterado a qualquer momento.

As próprias séries mudaram. No intuito de cativar um público que zapeia sem cerimônia, adotaram características de novela. Os episódios ainda contêm histórias individuais, independentes. Contudo não podem mais ser exibidos fora de ordem, porque estão presos a uma história maior, que se desenvolve lentamente, ao longo da temporada. Desse modo, as próprias temporadas exigem a ordem correta de exibição. Quem gosta de House costuma estar mais preocupado com o romance entre o Dr. House e a Dra. Cuddy do que com qual doença misteriosa atingiu seus pacientes.”
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