Kony 2012: o nocivo e inconsequente ativismo de sofá


Raphael Tsavkko, Revista Bula

“Quem não gostaria de fazer parte de uma iniciativa mundial (quase) sem sair do sofá para colocar na cadeia um dos maiores genocidas do século XXI?

Pois é isto que milhões de pessoas estão fazendo ao ajudar na viralização do vídeo da ONG Invisible Children que busca dar fama ao sanguinário líder do Exército de Resistência do Senhor (Lord's Resistance Army) de Uganda, Joseph Kony.

A campanha intitulada "Kony 2012" agregou milhares de pessoas que, sem sair do seu lugar, buscam pressionar o governo dos EUA a enviar tropas para capturar ou ao menos auxiliar na prisão de Kony.

 A ONG basicamente nasce da iniciativa de um rapaz que, abismado e revoltado com a violência em Uganda perpetrada por Joseph Kony e pelo LRA, resolve agir.

O problema do chamado "slacktivism", ou "militância de sofá" parece o mais óbvio. Cria a ideia de que não só para este caso, mas para qualquer outro, basta assinar petições e gritar nas redes sociais que é possível mudar o mundo. De fato, em alguns casos a militância on-line pode resolver problemas, mas questões de geopolítica mundial precisam de muito mais do que um esforço igual ao que muitos fazem para reclamar de uma empresa que presta um serviço ruim.

Não basta sentar, apertar um botão e esperar que o mundo mude. Mas acredito que essa discussão seja a menos importante de todas, especialmente quando nos deparamos com um problema que não é isolado e cuja solução não é simples.

 Não vou me alongar no debate sobre o vídeo em si, que de fato é muito bem feito, nem sobre a campanha muito bem feita e a mobilização alcançada, que é realmente digna de nota, mas apontar aquilo que considero como extremamente negativo, afinal, o alcance do vídeo e seu sucesso falam por si dos pontos positivos.”
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