Por que não dou dinheiro para a cerveja do trote

Marília Moschkovich, Mulher Alternativa / Outras Palavras

“Essa semana começaram as aulas na Unicamp. Desde ontem pode-se ver “bixos” em vários semáforos de Campinas pedindo “contribuições” em dinheiro para festejar a chegada ao desejado ensino superior público paulista. Jovens de todos os cantos do país, tamanhos, formatos. Mas nem de todas as cores e com apenas algumas exceções em relação ao grupo social predominante (algumas pessoas gostam de chamar de “classe”, mas eu prefiro não usar esse termo aqui). O chamado “pedágio” é uma das atividades mais tradicionais do trote universitário, pelo menos no estado de São Paulo.

Enquanto opção pessoal – contribuir ou não com a compra da cerveja para bixos e/ou veteranos (depende do curso) – não há grandes controvérsias. Cada pessoa faz o que acha melhor e o que acha que deve. Penso, porém, que esta opção pessoal seja também uma opção política. Na minha posição política me recuso a dar dinheiro para a cerveja do trote.

Sim, já fui caloura. Sim, participei de pedágio. Sim, tomei cerveja com dinheiro arrecadado. Meu problema está longe de ser a cerveja – que não considero um motivo mais ou menos legítimo que nenhum outro pra se pedir grana em farol. A questão pra mim é outra: a universidade pública e o trote são privilégios sociais.”
Artigo Completo, ::Aqui::
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