Memórias de um embaixador inglês: Brasil, ainda povo de segunda classe


Bob Fernandes, Terra Magazine

“O livro é da Penguin Books e na capa leva o selo BBC. Lançado em 2011, boa carreira nas livrarias, causou e causa furor nas hostes diplomáticas Europa e mundo afora. Muitos amam, outro tanto odeia. O Brasil está retratado em contundentes quatro páginas e meia. Os autores são dois. Matthew Parris já foi diplomata, trabalhou no Foreing Office, é colunista, escritor, e no ano passado ganhou o British Press Awards Best Columnist. Andrew Bryson é jornalista da BBC.

"Parting Shots", que pode ser traduzido como "Atirando na saída", é definido na capa como "Diplomatas nada diplomáticos – as cartas de embaixadores que você nunca deveria ler".

O livro é uma preciosa coletânea de despachos reservados de diplomatas ingleses no final dos anos 60, início dos 70. Sobre o Brasil, quem escreveu foi o embaixador John Russel, que deixava o posto e o Rio de Janeiro em junho de 1969.

Como leitura já valeria a pena. Pelos erros grosseiros, mas também pelos acertos, pela contundência nas avaliações, conclusões e opiniões, e por permitir a prospecção de como o embaixador inglês percebia o país. E como informava o governo da Inglaterra sobre o que, na sua percepção, era o Brasil.

Seis meses depois da rainha Elizabeth e o príncipe Philip serem ovacionados nas ruas de Copacabana, e recebidos pelo ditador de plantão, Costa e Silva, o embaixador inglês mandava seu último despacho. O título:

- (Brasil) Ainda tremendamente um povo de segunda classe.
O despacho, como relatado no livro, foi "calorosamente analisado" pelos superiores de Russel no governo inglês.

Resumo de como foi recebida a carta de John Russel:

- Neste muito legível e altamente pessoal despacho, Sir John Russell descreve o caráter extraordinário do Brasil e lança ocasionalmente um bem merecido insulto ao seu povo.

Logo no segundo parágrafo da carta, diz Russel:

- Numa porção do arco-íris brasileiro você tem tribos da idade da pedra vivendo nas profundezas das florestas e ainda praticando atos de canibalismo e sacrifício humano e que ainda não (para alegria deles) encontraram os homens brancos…

Prossegue o embaixador:

-…No outro extremo, você encontra São Paulo, que já ultrapassou a marca dos seis milhões e agora é a terceira maior cidade da America Latina.”
Artigo Completo, ::AQUI::
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