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Estou fazendo
economia para ver
se compro teus
chinelos’, diz a
carta de Jorge
Amado à mulher
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‘Vira e mexe alguém comenta que ninguém
mais escreve cartas. Falei disso aqui na semana passada quando Caio Fernando
Abreu disse isso há 25 anos atrás numa crônica publicada pelo Caderno 2 do
Estadão. Nem eu que escrevi mais de mil cartas nos anos de chumbo durante seis
anos em Paris não escrevo mais. Tenho aqui guardadas todas que escrevi para o
meu irmão porque ele teve o cuidado de guardá-las e um dia me dar de presente.
De vez em quando abro meu velho baú de
prata e dou uma folheada nelas. Cartas escritas à mão em papel de seda que hoje
soam revolucionárias. “Tem horas que sinto vontade de pegar uma metralhadora e
desembarcar no aeroporto de Recife e sair atirando em um por um dos
torturadores e acertar em cheio na cabeça daquele que matou José Carlos Novaes
da Mata Machado”, escrevi no dia 27 de março de 1975.
Cartas foram sumindo do mapa para entrar
para a história. Desde aquela de Pero Vaz em que ele dizia “Posto que o Capitão-mor
desta Vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia
do achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta navegação achou, não
deixarei de também dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor
puder, ainda que – para o bem contar e falar – o saiba pior que todos fazer! E
portanto, Senhor, do que hei de falar começo”.
Artigo Completo, ::AQUI::
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