A prostituição no masculino


No Hôel Marigny, descrito em
livro e exposição, o amigo Le
Cuziat organizava sessões de
Voyeurismo para Proust
Leneide Duarte-Plon, CartaCapital


“A prostituição masculina na Paris do século XIX e dos primeiros anos do século XX era clandestina, mas abundante. Praticada intramuros, em hotéis especialmente previstos para encontros discretos de homens em busca dos chamados garçons de joie (rapazes alegres), a atividade era ilegal, ainda que mais ou menos tolerada. A pederastia, palavra empregada na época para designar o homossexualismo, embora bastante praticada, via-se hipocritamente reprimida. Esses lugares secretos funcionavam como as maisons closes da prostituição feminina.

O escritor francês Marcel Proust (1871-1922), um dos habitués dos garçons de joie, ia buscar nesses hotéis prazeres tidos como inconfessáveis pela boa sociedade que os frequentava. Eventualmente, ele apenas praticava o voyeurismo de um ângulo privilegiado, como inspiração para as cenas de seus romances.

Uma exposição retrata em Paris os famosos hotéis de prazeres entre homens por meio de fotografias, objetos e um livro de arte organizado por Nicole Canet. Para escrever a obra, Nicole reuniu material iconográfico que abrange um século. E fez uma pesquisa detalhada nos arquivos da polícia de Paris com o objetivo de reconstituir a história da prostituição masculina na capital entre 1860 e 1960. O livro tem 376 páginas, 335 ilustrações e uma tiragem de 950 exemplares numerados, todos autografados pela autora. Pode ser adquirido na Amazon ou na própria galeria. O lugar da exposição, perto do Opéra de Paris, é uma galeria de arte erótica intitulada Au Bonheur du Jour. A exposição se chama Hôtels Garnis, Garçons de Joie, Prostitution Masculine: Lieux et Fantasmes à Paris de 1860 a 1960.

Os famosos hotéis a que a exposição se refere são o Hôtel de Madrid, o Hôtel de l’Alma ou o Hôtel Marigny. Seria mera coincidência que tanto na língua de Shakespeare quanto na de Molière os rapazes dados a prazeres com o mesmo sexo sejam chamados de “garotos alegres” (gays, garçons de joie)?

Nicole Canet não esconde a felicidade em falar sobre seu livro, sua galeria e a exposição. “Os rapazes podiam estar apenas em hotéis para homens, mas havia também grupos de quatro ou cinco que faziam uma espécie de encenação, como se tratasse de pequenos sketches para os clientes masculinos dos bordéis de mulheres. E, em alguns casos, o cliente podia escolher entre um rapaz ou uma moça”, ela conta.”
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