Quando eu crescer quero ser concurseiro


Eberth Vêncio, Revista Bula

Nem médico, nem bombeiro, nem jogador de futebol, nem líder de banda de rock. Quando eu crescer quero ser concurseiro. Um dia, eu quis ser o Elvis. Hoje não. Hoje eu quero ser concurseiro.

Eu devo estar ficando muito chato, louco, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Se não, há qualquer coisa de muito errado, um equívoco sub-reptício acontecendo na história recente do Brasil. O país está crescendo ou é só a máquina estatal inchando?

Quando eu era criança, meti na cachola que me tornaria um médico. Bem, podia ter sido pior, quem sabe: padre, policial, garoto de programa, sei lá. A decisão precoce e romântica deu-se por pura influência de um parente que eu amava à beça, um tio-padrinho, sujeito velho, médico parteiro das antigas, um drenador de apostemas infectados, exímio tirador de balas de revólver nas violentas cidadezinhas do interior do Estado. Enfim, meu parente era um legítimo doutor faz-de-tudo, daqueles que não vemos mais hoje em dia, senão em áreas de exceção e guerra. Se existe um Céu, este tipo de gente está lá dentro, sentado ao lado de Jesus e do próprio Elvis.

Teimei na fantasia pueril, viajei na maionese, fiz-me doutor e posso lhes assegurar que, lamentavelmente, não guardo hoje aquele mesmo élan de sonhador das priscas eras. Eu devia mesmo é ter sido concurseiro, se houvesse esta profissão à época. Na pior das hipóteses, quem sabe, sei lá, um padre, um policial ou um michê.”
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