Twitter: A Crítica Como Vocação


Regina Lacerda,  Digestivo Cultural

“Em 2013, segundo projeção do Ibope, 2 bilhões de pessoas no mundo inteiro estarão conectadas à internet. Em dezembro de 2012 éramos 94,2 milhões de brasileiros internautas, sendo que desses 38% acessam a rede mundial diariamente, de acordo com o mesmo levantamento. A internet é, sem dúvida, o território de maior liberdade de circulação das notícias, ideias, opiniões. Esse livre fluxo de informações trocadas diretamente entre as diversas fontes é tanto instantâneo e vultoso quanto veloz.

As redes sociais são as principais vitrines humanas da era digital. Quem as frequenta, ou a uma delas, quer ver, mas, sobretudo, quer ser visto, ainda que restrinja de algum modo escolhendo quem pode visualizar sua atividade. A maioria dos seus usuários, portanto, pretende adquirir visibilidade sobre si, e claro, almeja conquistar a admiração dos demais de forma a ser esta uma das principais razões e também consequências de sua exposição. Ninguém se expõe por excesso de timidez ou por excesso de modéstia. Então, por que não dizer, há no ambiente das redes sociais o componente "vaidade", tal como é intrínseco ao ser humano, qualquer que seja sua proporção conforme as características de cada um.

O que no ambiente virtual extrapola os limites da civilidade que encontramos na vida social, é a vocação para a detração. Ainda não se pode precisar os motivos pelos quais o universo das redes sociais tende, em primeiro lugar, à crítica. Em se tratando do Twitter, então, a obrigatória objetividade de pensamento e síntese exigidas pelos seus 140 caracteres, torna-o um terreno profícuo para o embate. Ou, ataque.

Passando das reclamações do consumidor, pelas sátiras bem-humoradas, por manifestações sistemáticas em desfavor de algo ou alguém até os registros contumazes de ódio, o internauta vai à internet para se posicionar criticamente. A palavra do nosso vocabulário coloquial que sintetiza essa tendência é "bronca". O internauta põe em prática, no Twitter como em nenhum outro lugar, a crença em seu sagrado direito de colocar, trocadilho em riste, "a bronca no trombone".
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