Lançamento de livro enseja debate sobre a 'nova classe média'


Os intelectuais presentes, entre eles Sonia Fleury, Cândido Grzybowski e o português Elísio Estanque, discutiram a a real situação da dita nova classe média, a inclusão pelo consumo, os interesses por trás da elaboração da ideia de que há uma classe média diferente hoje, qual pode ser o papel político dela.

Rodrigo Mendes, Carta Maior

Aconteceram na última terça-feira (27) dois debates que marcaram o lançamento do livro “A ‘Nova Classe Média’ no Brasil como conceito e projeto político”, organizado pelo diretor no Brasil da Fundação Heinrich Böll, Dawid Danilo Bartelt. O livro traz uma série de investigações que se debruça sobre fatos como a real situação da dita nova classe média, a inclusão pelo consumo, os interesses por trás da elaboração da ideia de que há uma classe média diferente hoje, qual o papel político dela, entre diversos outros temas.

O debate foi dividido em duas partes, e os autores que tiveram textos incluídos no livro compuseram as mesas. Na primeira mesa estavam Waldir Quadros, Sonia Fleury, Christiane Uchôa e o português Elísio Estanque.

A professora da Universidade Federal Fluminense Christiane Uchôa apresentou uma série de dados que demonstram, de maneira bastante evidente, como a inclusão dos setores sociais que passaram a ser denominados classe média tem limites, na verdade, muito restritos. É possível verificar-se, por exemplo, como a essa classe média ainda falta muito em termo de educação e saúde, por exemplo.

Já Waldir Quadros, que é professor da Unicamp, classificou a “nova classe média” como um “grande marketing”. Da parte dos setores mais conservadores da sociedade, que nunca tiveram nenhuma preocupação com “os pobres”, segundo ele, o discurso que revigora a ideia de nova classe média permite afirmar que é possível se fazer inclusão social mesmo com essa política econômica. “É uma defesa, pelo social, do caráter conservador da política econômica”, afirmou.

Já Sonia Fleury, da FGV, ligou a ideia de classe média à política dos grandes eventos, como Copa do Mundo e Olimpíadas, e explicitou que a ideia de classe média está ligada à ideia de qual democracia queremos.

O português Elísio Estanque falou sobre o valor político da classe média. Segundo ele, muitos dos movimentos mais progressistas ao longo da história foram animados por ela. Ele falou ainda que há um discurso dominante que diz que a classe média está aí, em crescimento. Mas em Portugal, na Europa, e principalmente na Europa do Sul, “há um impulso para o descontentamento diante do empobrecimento da classe média”.

No período da tarde, o debate foi mais participativo. A partir das falas de Cândido Grzybowski, Ligia Bahia e Nina Madsen, a temática se ampliou, com mais questionamentos às políticas de governo. Nina Madsen, por exemplo, falou do impacto do projeto de desenvolvimento econômico para negros e negras, jovens e, principalmente, mulheres, os três grupos considerados os principais componentes dessa nova classe média.

Outro tema tratado foi a existência de um ambiente de grande regressão, a partir da aliança do governo com setores muito conservadores e religiosos.”
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