Antes de aprender a agradar os homens, as mulheres precisam aprender a agradar a si mesmas

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 Laís Montagnana, DCM

"Inspirada por um comentário de uma amiga – que dizia sentir que os homens, aparentemente, não estão sabendo “satisfazer” suas mulheres -, semana passada trouxe uma coluna com 14 atitudes que as mulheres odeiam no sexo, já que essas se mostram ainda como um grande impeditivo ao prazer feminino completo. Assim que publicada, alguns gentis cavalheiros me cobraram a recíproca masculina: “Que tal as 14 ATITUDES QUE OS HOMENS ODEIAM NO SEXO?”.

Até considerei pesquisar com amigos, conversar com quem estivesse à vontade para colaborar sobre o tema a fim de puxar esse assunto mas, de maneira alguma, forçar ser porta-voz dos homens. Entretanto, refleti melhor e, como quase sempre essa sugestão de pauta vinha em tom de alfinetada e não de curiosidade/esclarecimento, e eu, como mulher, sempre escrevo do meu ponto de vista feminino, cheguei à conclusão de que esse texto seria desnecessário.

Eu não preciso escrever sobre as 14 atitudes que os homens não gostam no sexo porque esse tópico já foi e é constantemente explorado. Porque não há simetria nessa comparação para eu me sentir na obrigação de discorrer uma recíproca para o público masculino.

A mídia e os grandes veículos de comunicação sempre foram falocentristas. Desde a indústria ponográfica até o conteúdo ~destinado às mulheres.

Discorda? Então abre aí uma revista Cláudia ou Nova e leia aquele manual lacrado (risos) de 35-maneiras-de-como-levar-seu-homem-a-loucura. Digite aí no seu navegador “pornohub”, “xvideos” ou qualquer outro site de porn pra ver uma mina chupando um cara por meia hora, receber a recíproca por 2 minutos e ainda gozar rapidão com um britadeira man. Não importa o meio, a abordagem é essa: o prazer do macho no centro dos holofotes. O que eu teria para acrescentar nessa discussão?

Enquanto não só 14, mas 1001 atitudes que os homens odeiam e o que também gostam são disseminadas, ninguém fala abertamente sobre o que as mulheres gostam. No campo sexual, ainda não alcançamos esse privilégio masculino. Até em um ambiente democrático como uma mesa de bar, que seja, você percebe que os homens sentem muito mais liberdade pra falar sobre o assunto que o sexo oposto – visto, por exemplo, que masturbação feminina AINDA é tabu e muitas mulheres nem se tocam enquanto os caras parecem que já nascem aprendendo como bater uma punhetinha. O que eu poderia acrescentar a vocês ao endossar o coro?

A mulher é catequizada desde menina a reprimir sua sexualidade e a se moldar aos padões do que “é bonito” e do que os homens gostam, mesmo sem se dar conta que está sendo. Por conta disso, tem muita mulher madura que ainda tá nos baby steps pra se sentir liberada. De ter que pegar o espelhinho, se conhecer, saber o que te dar prazer e aprender a gozar sozinha para, aí sim, conseguir gozar com o outro e então ser capaz de sincronizar orgasmos com o seu parceiro.

Antes de aprender a agradar os homens, creio que as mulheres precisam aprender a agradar a si mesmas. Há muitas mulheres que NUNCA tiveram UM orgasmo na vida. A repressão da sexualidade feminina gerou esse “atraso”, que nos impede de estar no mesmo patamar de liberdade sexual que os homens.

As mulheres são sempre rotuladas por suas escolhas comportamentais. Se for sexual, aí a etiqueta tem o dobro do peso. Se ela se monta toda é travesti, se raspa a cabeça é sapatão, se dá pra quem quer é promíscua, se dá do jeito que quer: libertina. Mulher livre, aparentemente, é um bicho MUITO assustador. Creio que me faço muito mais últil ao trazer para a roda essas irmãs.

Veja bem, não quero dizer as mulheres não erram. Só acho que o meu papel não é o de apontar esses erros. Tenho muito mais a contribuir trazendo essas questões renegadas para os holofetes sob a minha óptica feminina. Os homens que falem, com mais propriedade que eu, do ponto de vista deles. Estamos ansiosas para ouvir."
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About Antonio Ferreira Nogueira Jr.

Contato- nogueirajr@folha.com.br
Revista- WMB

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