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A febre dos super-heróis ajudou a Marvel a sair de um purgartório financeiro |
Da BBC
Vingadores 2: A Era de Ultron é o 11º filme da Marvel Cinematic Universe. Estreou na Europa e no Brasil nesta quinta-feira, uma semana antes dos Estados Unidos.
Se as previsões se confirmarem, o novo filme se tornará o terceiro da série a arrecadar pelo menos US$ 1 bilhão nas bilheterias, o que colocaria Marvel à frente dos oito filmes do bruxinho Harry Potter, que renderam US$ 7,7 bilhões e de franquias como 007, Guerra nas Estrelas e Senhor dos Anéis.
Isso é uma grande virada de jogo para uma companhia que, além de quase ter fechado as portas, por décadas ocupou o segundo lugar na disputa com sua grande rival no mundo dos super-heróis, a DC Comics, dona de personagens como Super-Homem e Batman.
Depressão
Personagens mais promissores, como o Homem-Aranha e o Capitão América continuaram inexplorados.
"Muita gente pensou em fazer filmes da Marvel, mas os custos eram simplesmente muito altos", disse Sean Howe, autor do livro Marvel Comics: a História Não Contada.
"Certamente, antes de O Exterminador do Futuro 2 (1991), não havia tecnologia para fazer algo de forma convincente em termos de efeitos especiais", disse o autor.
Mas, no momento em que a tecnologia chegou a um estágio capaz de tornar os filmes de super-heróis viáveis (e críveis), a Marvel estava à beira da falência.
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A Marvel já tem um portfólio de 11 filmes e sete séries televisivas |
A empresa foi salva por uma fusão com a companhia de brinquedos ToyBiz – cujo chefe, Avi Arad, foi nomeado presidente da divisão de filmes da Marvel.
Arad analisou tentativas de licenciar filmes da Marvel na década de 1990 e tomou a decisão de que, no futuro, a empresa assumiria as tarefas de criar roteiros, contratar diretores e negociar com atores.
Depois, esse pacote seria vendido a um grande estúdio, que se encarregaria de filmagens e distribuição do produto.
A estratégia deu certo: a Fox, por exemplo, comprou os filmes dos X-Men; a Sony, os do Homem-Aranha. E a New Line comprou a trilogia Blade.
O problema é que a Marvel não se beneficiou muito dos lucros. Segundo um artigo da revista americana Slate, a companhia lucrou "míseros" US$ 25 mil com o primeiro filme Blade e, dos US$ 3 bilhões arrecadados com os filmes Homem-Aranha 1 e 2, a Marvel só ficou com US$ 62 milhões.
Para piorar, enquanto Hollywood embarcava na moda dos super-heróis, filmes baseados nas histórias de personagens como Elektra, Justiceiro e Demolidor tiveram recepção comercial e crítica decepcionantes. Foi aí que a companhia decidiu fazer seus próprios filmes.
Conta própria
Howe afirmou que a empresa deu como garantia aos investidores os direitos sobre os personagens, caso os filmes não fizessem sucesso.
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Graças a Robert Downey Jr. "Homem de Ferro" alavancou uma indústria bilionária |
Esse tom alegre serviu de modelo para o "novo" universo cinematográfico da Marvel – onde personagem e comédia recebem ênfases iguais.
A aparição de Samuel L. Jackson no papel do agente secreto Nick Fury depois da exibição dos créditos de Homem de Ferro indicou a possibilidade de um primeiro filme dos Vingadores.
"Você pensa que é o único super-herói no mundo?", pergunta Fury ao iniciar o processo de construção do super grupo de heróis.
"Sr. Stark, o senhor se tornou parte de um universo maior".
Este universo, além dos 11 filmes, tem sete séries de TV e mais uma penca de filmes planejados até 2020. Todos alinhavados, com um arco narrativo criado por um time de produtores liderado por Kevin Feige.
"Logisticamente, é um milagre que tenhamos conseguido", diz Downey Jr.
Mas Howe avisa que a história de sucesso da Marvel também traz avisos para o futuro.
"Essa bola de neve narrativa pode ficar grande demais. Isso já aconteceu nos quadrinhos: as tramas ficam intrincadas demais e desestimulam os novos fãs".
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