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Marco Feliciano. Foto: Nilson Bastian/Câmara dos Deputados |
por Kiko Nogueira, DCM -
De
todas as excrescências que temos testemunhado no pós-normal brasileiro,
o caso da psicóloga e “missionária” Rozangela Alves Justino bateu
alguns recordes.
Rozangela foi a autora de uma ação na Justiça do Distrito Federal pedindo autorização para a “cura gay”.
Funcionária do deputado Sóstenes
Cavalcante (DEM-RJ), ela se diz presidente de uma certa Associação
Brasileira de Psicólogos em Ação, Abrapsia.
Rozangela compartilha nas redes trechos de suas pregações.
“Estão instituindo o caos social. Poucos
vão estar sobrevivendo (sic). Está sendo preparada uma ilha para poucos
desfrutarem de todas as riquezas das nações. Vejo que esta questão da
liberação sexual de crianças é um problema de soberania nacional”, diz
numa delas.
Num vídeo de 2014, ela afirmava que a
resolução do Conselho Federal de Psicologia que proibia o tratamento de
“reversão de sexualidade” era “discriminatória, preconceituosa,
nazista”.
Sóstenes é pastor da Assembleia
de Deus Vitória em Cristo, liderada por Silas Malafaia, um guerreiro do
povo brasileiro contra “gayzistas”.
Rozangela odeia homossexuais tanto Silas e
seus colegas. Esses lixos humanos não podem ser o que são. Em nome de
Deus, ela vai sanar a moléstia, por bem ou por mal. E ganhar uma grana,
evidentemente.
Noves fora o fato de que a pastora tem
claramente alguns parafusos a menos, ela não está sozinha nessa fixação.
Muito pelo contrário. Nem aqui, nem lá fora.
Esta se tornou uma questão central para evangélicos fundamentalistas no mundo todo.
De acordo com o professor americano
Austin Cline, da Universidade da Pensilvânia, “o ‘pecado’ da
homossexualidade é importante porque a direita evangélica precisa de
algum grupo para atacar como parte de seu esforço para restaurar sua
dominação social, cultural e política”.
A desculpa é a defesa dos “valores da
família”. “Não é mais socialmente aceitável atacar judeus, os antigos
bodes expiatórios destes cristãos”, diz Cline.
“Ateus e humanistas continuam alvos
fáceis, mas eles não têm o mesmo impacto emocional dos gays (embora os
três possam ser alvejados da mesma maneira que os judeus costumavam
ser)”.
Um pastor episcopal chamado Tom Ehrich, escritor, baseado em Nova York, fez uma autocrítica.
Afirma que a “agenda política ‘cristã’
tornou-se nada mais do que eleger candidatos que irão lidar corretamente
com temas como o aborto e a homossexualidade”.
“Nós falamos que nos importamos com as
Escrituras, mas os versos que pegamos da Bíblia sobre, digamos,
homossexualidade não significam reverência pelas Escrituras. Prova: nós
nos sentimos livres para ignorar o que o resto da Bíblia prega”.
Para ele, “denominações religiosas
inteiras reduziram sua mensagem pública a regulamentações sobre sexo. É
como se os quatro evangelhos não fossem suficientes. Seria necessário
escrever um novo livro para Deus, em que o propósito da humanidade se
reduzisse aos genitais e aos gêneros”.
Tente pedir para um fanático religioso explicar o que é
“ideologia de gênero” e ganhe um pirulito se compreender. Só não peça
para ele te dar.
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