Mauro Santayana, JB Online
“O rápido olhar para as notícias do mundo, nesta semana que anuncia agosto, dá a impressão de que o homem procura fugir de si mesmo, para longe de sua condição humana. A ciência anda em busca do truque de Deus, a famosa partícula de Bóson, e, nesse orgulhoso desafio, já consumiu, no acelerador de partículas do centro da Europa, mais de 10 bilhões de dólares. Esta mesma e orgulhosa ciência, que pretende reproduzir o momento exato da criação do Universo, ainda não foi capaz (ou não teve interesse) de salvar o homem da fome, das endemias e da insânia, que se manifesta, com maior gravidade, entre os grandes da Terra.
Da França, que um dia iluminou a Europa com sua razão, chega a notícia da mãe que matou, um após outro, seus oito filhos recém-nascidos, apesar de seu rosto sereno.
Ainda que o homem identificasse, no acelerador de partículas, o momento preciso do nascimento do Universo, de nada isso lhe valeria para guardar a memória de seu grande feito. Ao que dizem outras notícias, a vida, pelo menos a do homem e dos mamíferos superiores, parece caminhar para o fim. Segundo medições criteriosas, realizadas durante o século passado e na primeira década deste, diminuiu em 40% a existência dos fitoplânctons na superfície dos oceanos. Isso me lembra o sorriso irônico de um cientista brasileiro, em Estocolmo, na Primeira Conferência do Meio Ambiente – em 1972 – quando alguém vociferava, já então, contra a devastação da Amazônia, com o argumento de que a floresta era o “pulmão do mundo”. O pulmão do mundo, explicou o brasileiro, é o mar, porque mais da metade do oxigênio do planeta é produzido pelos plânctons. O mar, nestes últimos decênios, se tornou o grande depósito de lixo do planeta. No Pacífico, de acordo com o oceanógrafo norte-americano Charles Moore, calcula-se em 100 milhões de toneladas o mingau de plástico que cobre área equivalente a duas vezes os Estados Unidos, vagando entre a Califórnia e o Japão.”
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30 Julho, 2010
29 Julho, 2010
Quem tem medo da celulite?
Leila Cordeiro, Direto da Redação
“Considerada um verdadeiro pesadelo por dez entre dez mulheres do planeta, a celulite reina como a mais abosulta vilã de todos os tempos no corpo feminino. Não há quem não consiga identificá-la, apesar de não ter sintomas, mas a aparência de casca de laranja, cheia de furinhos, principalmente nas coxas e quadris das mulheres, faz com que seja reconhecida à léguas de distância.
No mercado atual onde corpos sarados podem valer até um bom papel numa novela ou um lugar de destaque na apresentação de um programa de variedades, mostrar que tem celulite na praia é como um pecado mortal. Tem algumas mulheres que até preferem abrir mão de tomar um refrescante banho de mar a ter que revelar que tem os malditos furinhos mal escondidos por algum biquini mais cavado ou um maiô ousado.
Para a vítima da celulite, convite para ir à piscina na casa de algum amigo descolado, nem pensar. Afinal estarão ali beldades de ambos os sexos com tudo em cima em corpos esculpidos à muita malhação que nunca ouviram falar de tal “sacrilégio” corporal.
As anônimas sofrem naturalmente por questão de vaidade. Quem aguenta ouvir comentários maliciosos sobre como deveria se cuidar melhor, o que não comer para evitar cellulite, o que fazer para combatê-la e etc... Quanto às famosas, essas, coitadas, são cobradas dia e noite pela mídia quando deixam à mostra algum defeito no corpo. O risco de fotos desfavoráveis e notinhas maldosas nas colunas de "celebridades" passa a ser um pesadelo diário.
Ouso dizer que a Internet criou ou agravou essa neura de cobrança de corpos perfeitos. É muito comum se ver nos milhares de sites da WEB, principalmente dos grandes jornais, fotos de artistas que, sem saber, são fotografadas mostrando o lado humano da sua silhueta, com direito às compreensíveis marcas da passagem do tempo ou de algumas gordurinhas a mais.”
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“Considerada um verdadeiro pesadelo por dez entre dez mulheres do planeta, a celulite reina como a mais abosulta vilã de todos os tempos no corpo feminino. Não há quem não consiga identificá-la, apesar de não ter sintomas, mas a aparência de casca de laranja, cheia de furinhos, principalmente nas coxas e quadris das mulheres, faz com que seja reconhecida à léguas de distância.
No mercado atual onde corpos sarados podem valer até um bom papel numa novela ou um lugar de destaque na apresentação de um programa de variedades, mostrar que tem celulite na praia é como um pecado mortal. Tem algumas mulheres que até preferem abrir mão de tomar um refrescante banho de mar a ter que revelar que tem os malditos furinhos mal escondidos por algum biquini mais cavado ou um maiô ousado.
Para a vítima da celulite, convite para ir à piscina na casa de algum amigo descolado, nem pensar. Afinal estarão ali beldades de ambos os sexos com tudo em cima em corpos esculpidos à muita malhação que nunca ouviram falar de tal “sacrilégio” corporal.
As anônimas sofrem naturalmente por questão de vaidade. Quem aguenta ouvir comentários maliciosos sobre como deveria se cuidar melhor, o que não comer para evitar cellulite, o que fazer para combatê-la e etc... Quanto às famosas, essas, coitadas, são cobradas dia e noite pela mídia quando deixam à mostra algum defeito no corpo. O risco de fotos desfavoráveis e notinhas maldosas nas colunas de "celebridades" passa a ser um pesadelo diário.
Ouso dizer que a Internet criou ou agravou essa neura de cobrança de corpos perfeitos. É muito comum se ver nos milhares de sites da WEB, principalmente dos grandes jornais, fotos de artistas que, sem saber, são fotografadas mostrando o lado humano da sua silhueta, com direito às compreensíveis marcas da passagem do tempo ou de algumas gordurinhas a mais.”
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28 Julho, 2010
Qual o legado da crise com os pedófilos na Igreja?
Leonardo Boff, Adital
“No século XVI no auge do poder dos Papas renascentistas em Roma envoltos em escândalos de toda ordem, surgiu um clamor em toda a Igreja de "reforma na cabeça e nos membros". Esse clamor vinha dos leigos, do baixo clero e dos teólogos como Lutero, Zwinglio e outros. Em resposta veio a Contra-Reforma que transformou a Igreja Católica num baluarte contra o movimento dos Reformadores, enrijecendo ainda mais suas estruturas de poder.
Agora o escândalo dos padres pedófilos em vários países católicos fez com que surgisse também um vigoroso clamor por reformas estruturais na Igreja. Ele não vem apenas de baixo como no tempo da Reforma, mas principalmente de cima, de cardeais e bispos. Primeiramente, este pecado, este crime gerou uma desastrosa gestão do Vaticano. Inicialmente tentou-se desqualificar os fatos como "fofocas mediáticas"; depois, procurou-se ocultá-los, usando até o "sigilo pontifício" a pretexto de salvaguardar a presumida santidade intrínseca da Igreja; em seguida, minimizaram-se os fatos, ou criou-se o factóide de um complô de obscuras forças laicistas contra a Igreja e por fim, face à impossibilidade de qualquer via de desculpa e de fuga, a verdade incômoda veio à tona.
O Papa tomou medidas severas contra os pedófilos, consideradas insuficientes por muitos da própria Igreja. Pois, não basta a "tolerância zero" e as punições canônicas e civis. Tudo isso vem a posteriori, depois de cometido o delito. Nada se diz como evitar que tais escândalos se repitam e que reformas introduzir na vivência do celibato e na educação dos candidatos ao sacerdócio. Não se coloca como prioritária a salvaguarda das vítimas inocentes, muitas delas revelando um tenebroso vazio espiritual, fruto da traição que sentiram da Igreja, num misto de culpa e de vergonha.”
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“No século XVI no auge do poder dos Papas renascentistas em Roma envoltos em escândalos de toda ordem, surgiu um clamor em toda a Igreja de "reforma na cabeça e nos membros". Esse clamor vinha dos leigos, do baixo clero e dos teólogos como Lutero, Zwinglio e outros. Em resposta veio a Contra-Reforma que transformou a Igreja Católica num baluarte contra o movimento dos Reformadores, enrijecendo ainda mais suas estruturas de poder.
Agora o escândalo dos padres pedófilos em vários países católicos fez com que surgisse também um vigoroso clamor por reformas estruturais na Igreja. Ele não vem apenas de baixo como no tempo da Reforma, mas principalmente de cima, de cardeais e bispos. Primeiramente, este pecado, este crime gerou uma desastrosa gestão do Vaticano. Inicialmente tentou-se desqualificar os fatos como "fofocas mediáticas"; depois, procurou-se ocultá-los, usando até o "sigilo pontifício" a pretexto de salvaguardar a presumida santidade intrínseca da Igreja; em seguida, minimizaram-se os fatos, ou criou-se o factóide de um complô de obscuras forças laicistas contra a Igreja e por fim, face à impossibilidade de qualquer via de desculpa e de fuga, a verdade incômoda veio à tona.
O Papa tomou medidas severas contra os pedófilos, consideradas insuficientes por muitos da própria Igreja. Pois, não basta a "tolerância zero" e as punições canônicas e civis. Tudo isso vem a posteriori, depois de cometido o delito. Nada se diz como evitar que tais escândalos se repitam e que reformas introduzir na vivência do celibato e na educação dos candidatos ao sacerdócio. Não se coloca como prioritária a salvaguarda das vítimas inocentes, muitas delas revelando um tenebroso vazio espiritual, fruto da traição que sentiram da Igreja, num misto de culpa e de vergonha.”
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27 Julho, 2010
Para acabar com a impunidade em crimes de gênero
“De acordo com Nalu Faria, da Marcha Mundial das Mulheres, o sistema judiciário brasileiro apresenta falhas graves em relação à plena execução da Lei Maria da Penha. Para ela, além dos entraves jurídicos, uma das maiores dificuldades para combater a violência de gênero é lutar contra a sua naturalização.
André Rossi, Revista fórum
Apesar de ter sido sancionada em 2006 pelo presidente da República, a Lei Maria da Penha ainda não consegue assegurar proteção plena às mulheres vítimas de violência. De acordo com a Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), a nossa legislação de proteção ao sexo feminino está entre as três melhores do mundo, mas encontra obstáculos para ser executada. “Temos uma formação social que reforça o machismo, ainda vemos casos de mulheres que procuram as autoridades para denunciar e são tratadas como culpadas, como se elas tivessem ocasionado essas agressões”, argumenta Nalu Faria, da Marcha Mundial das Mulheres.
Os casos de Eliza Samudio e Mércia Nakashima ganharam destaque por apresentarem elementos de forte potencial midiático. Mas, infelizmente, eles não são exceção na realidade brasileira. “Qualquer um pode procurar pelos homens que foram presos por matarem mulheres, e não vai achar nenhum. Eles podem até terem sido condenados, mas presos não”, sustenta Nalu. Confira a íntegra da entrevista com a ativista abaixo.
Fórum - De acordo com dados da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), as denúncias recebidas pela Central de Atendimento à Mulher aumentaram 49% entre 2008 e 2009. Como você enxerga esse aumento, apesar da promulgação da Lei Maria da Penha, em 2006?
Nalu Faria - Hoje a Lei Maria da Penha é muito conhecida e a Central de Atendimento à Mulher está mais atuante. Antes (da promulgação da lei) os casos de violência contra as mulheres eram mal notificados, mas agora isso está mudando porque as mulheres têm conhecimento dos seus direitos e se sentem mais encorajadas a denunciar. Sempre que há um grande número de denúncias de violência contra o sexo feminino vem a pergunta: será que aumentou a violência ou aumentaram as denúncias? Então, o aumento das denúncias quer dizer também que as mulheres estão mais informadas e conscientes dos seus direitos, pois sabem que a lei deve defendê-las.
Outro dia vi na televisão, num desses programas policiais, um policial perguntando a um homem, que havia batido em sua esposa, se ele conhecia a Lei Maria da Penha. Isso demonstra que as autoridades conhecem a lei e a estão fazendo cumprir. Mesmo assim, ainda existe um trabalho de debate e reflexão com as autoridades sobre isso, juntamente com a sociedade.
Fórum - O Estado está preparado para aplicar a Lei Maria da Penha e a legislação de amparo à mulher?
Nalu – Completamente preparado, não. O Brasil é muito grande, e isso dificulta a disseminação de informações. Estaríamos preparados se o debate estivesse realmente implantado em todo país. Temos uma formação social que reforça o machismo, ainda vemos casos de mulheres que procuram as autoridades para denunciar e são tratadas como culpadas, como se elas tivessem ocasionado essas agressões. Sei de casos de mulheres irem à delegacia e ouvirem dos policias: "você deve ter feito alguma coisa pra ter apanhado".
Temos que implantar o debate em todos os níveis da sociedade e do governo. No Poder Judiciário, por exemplo, os erros são visíveis. Muitas mulheres são assassinadas mesmo após pedirem proteção das autoridades. Por não reconhecerem a situação de desigualdade de gênero que existe no Brasil, muitos de nossos juízes questionam até mesmo a constitucionalidade da Lei Maria da Penha.”
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26 Julho, 2010
Com o dedo na ferida
Luciano Martins Costa, Observatório da Imprensa“A ombudsman da Folha de S.Paulo, Suzana Singer, comenta na edição de domingo (25/7) mensagem de um leitor que diz o seguinte: "Sai do armário, Folha". O texto se refere a reportagem publicada na semana anterior, na qual o jornal, aparentemente sem qualquer fato motivador, reafirmava seus princípios editoriais, destacando sua determinação de ser "crítico, apartidário, moderno e pluralista" na cobertura da disputa eleitoral.
Oficialmente, a Folha diz que resolveu reafirmar seus princípios editoriais porque, com o fim da Copa do Mundo, as atenções voltariam a se concentrar na política, com as polêmicas aumentando naturalmente.
A reação dos leitores não foi favorável. Para a maioria deles, a Folha privilegia um dos candidatos a presidente da República. Das 25 mensagens analisadas pela ombudsman, 24 acusam a Folha de favorecer o candidato do PSDB José Serra, enquanto uma afirma que o jornal é favorável à candidata petista, Dilma Rousseff.”
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25 Julho, 2010
Clariceando o mistério
Brasigois Felício, Revista Bula“Tão estranha como foi, e estranho o olhar com que via os mistérios do mundo, que parece não ter existido, a não ser pelos estranhos personagens que inventou ou viu, nas praças e ruas de cidades do Brasil e do estrangeiro, em epifanias brotadas de uma sensibilidade antenada com o inesperado. Pois Clarice não interpelava o inesperado, aceitando-o, não como um estrangeiro atrevido, mas como um visitante familiar a si própria, e a todo e qualquer vivente desta nave planetária que habitamos. No dizer de Manoel de Barros sobre si próprio, pode-se intuir que Clarice “carregava seus primórdios num andor, e vivia a abrir descortinos para o arcano”.
Dizem que Clarice Lispector, a estranha, nascida Haia Lispector (Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma escritora brasileira, nascida na Ucrânia. Autora de linha introspectiva, buscava exprimir através de seus textos, as agruras e antinomias do ser. Suas obras caracterizam-se pela exacerbação do momento interior e intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a própria subjetividade entrar em crise.
De origem judaica, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. A família de Clarice sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921. Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de emigração ao continente americano. Chegou ao Brasil quando tinha dois anos de idade.”
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O Novo Transcendente
Frei Betto, Adital
“A história da humanidade é uma história de sujeições. No período pré-moderno, sujeição aos deuses do politeísmo, ao Deus do monoteísmo, ao Rei da monarquia e ao Povo (sujeito abstrato) da República. Havia sempre uma figura do Outro ao qual todos deveriam se reportar.
Esse Grande Outro prescrevia o certo e o errado, o bem e o mal, a graça e o pecado, a lei e o crime. O mundo se configurava de acordo com os preceitos do Grande Outro. As alternativas eram simples: sujeitar-se sob promessa de recompensa ou rebelar-se sob risco de punição.
Na modernidade, o Outro se multiplicou, adquiriu várias faces, descentralizou-se na diversidade de ideologias, sistemas de governo e crenças religiosas. Tanto a antiguidade quanto a modernidade nos remetiam à transcendência, ainda que fundada na razão. Se não era Deus, era o Partido, o líder supremo, as ideias inquestionáveis. Algo ou alguém nos precedia e determinava o nosso comportamento, incutindo-nos gratificação ou culpa.
A pós-modernidade, em cuja porta de entrada nos encontramos, promete fazer de nós sujeitos livres de toda sujeição. Seria a volta ao protagonismo exacerbado, em que cada indivíduo é a medida de todas as coisas. Já não se vive em tempos de cosmogonias e cosmologias, teogonias e ideologias. Agora todos os tempos convergem simultaneamente ao espaço reduzido do aqui e agora.
Graças às novas tecnologias de comunicação, tempo e espaço ganham dimensão holográfica: cabem em cada pequeno detalhe do aqui e agora.
Será que, de fato, a pós-modernidade nos emancipa do transcendente e da transcendência? Introduz-nos no "desencantamento do mundo" apontado por Max Weber?
A resposta é não.”
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“A história da humanidade é uma história de sujeições. No período pré-moderno, sujeição aos deuses do politeísmo, ao Deus do monoteísmo, ao Rei da monarquia e ao Povo (sujeito abstrato) da República. Havia sempre uma figura do Outro ao qual todos deveriam se reportar.
Esse Grande Outro prescrevia o certo e o errado, o bem e o mal, a graça e o pecado, a lei e o crime. O mundo se configurava de acordo com os preceitos do Grande Outro. As alternativas eram simples: sujeitar-se sob promessa de recompensa ou rebelar-se sob risco de punição.
Na modernidade, o Outro se multiplicou, adquiriu várias faces, descentralizou-se na diversidade de ideologias, sistemas de governo e crenças religiosas. Tanto a antiguidade quanto a modernidade nos remetiam à transcendência, ainda que fundada na razão. Se não era Deus, era o Partido, o líder supremo, as ideias inquestionáveis. Algo ou alguém nos precedia e determinava o nosso comportamento, incutindo-nos gratificação ou culpa.
A pós-modernidade, em cuja porta de entrada nos encontramos, promete fazer de nós sujeitos livres de toda sujeição. Seria a volta ao protagonismo exacerbado, em que cada indivíduo é a medida de todas as coisas. Já não se vive em tempos de cosmogonias e cosmologias, teogonias e ideologias. Agora todos os tempos convergem simultaneamente ao espaço reduzido do aqui e agora.
Graças às novas tecnologias de comunicação, tempo e espaço ganham dimensão holográfica: cabem em cada pequeno detalhe do aqui e agora.
Será que, de fato, a pós-modernidade nos emancipa do transcendente e da transcendência? Introduz-nos no "desencantamento do mundo" apontado por Max Weber?
A resposta é não.”
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23 Julho, 2010
"Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo": Vidas Áridas
“Dupla de cineastas nacionais, Karin Ainouz/Sérgio Machado, transforma filme em viagem ao sertão cearense em flagrante da vida dos marginalizados
Cloves Geraldo, Vermelho.org
...na verdade o filme de estrada, o roadmovie, é uma vertente da contracultura que sobrevivi sem ter o mesmo impacto. Perdeu o clima de contestação do sistema, a tentativa de mudar a sociedade e o sonho de criar novas estruturas político-ideológicas. O frescor então se foi, restando apenas a fórmula destituída de sentido que poderia levar os deserdados a repensar suas vidas. Diante disto, a elaboração visual da dupla Sérgio Machado/Karin Ainouz, “Viajo Porque Preciso,Volto Porque Te Amo”, gera desconforto, devido ao inquieto olhar lançado sobre a realidade brasileira.
Mas não se enquadra no roadmovie como tal, por fugir às citadas características. Inexiste uma contestação em si, mas comentários sociais e mergulhos em conflitos amorosos. Assim, torna-se um filme de estrada por contingência. Uma opção da dupla de diretores/roteiristas, sustentada pela câmera subjetiva que registra a epopéia do geólogo Zé Renato (Irandhir Santos), pelo sertão cearense.
Em off, ele vai dialogando consigo mesmo, num fluxo de memória que o liga à amada para situar-se e ao espectador, enquanto demarca áreas onde, no futuro, correrão as águas transpostas do fictício rio das Almas. Às vezes, o diálogo interior, joyceano, substitui o fluxo de memória, com o personagem se impondo aos sitiantes, na primeira parte do filme, pois estes tão só o observam, não dialogando com ele, Zé Renato. Duplicidade de linguagem pouco comum no cinema atual, pouco dado à complexidade e elevação do nível narrativo, que tiraria o espectador da passividade.”
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Cloves Geraldo, Vermelho.org
...na verdade o filme de estrada, o roadmovie, é uma vertente da contracultura que sobrevivi sem ter o mesmo impacto. Perdeu o clima de contestação do sistema, a tentativa de mudar a sociedade e o sonho de criar novas estruturas político-ideológicas. O frescor então se foi, restando apenas a fórmula destituída de sentido que poderia levar os deserdados a repensar suas vidas. Diante disto, a elaboração visual da dupla Sérgio Machado/Karin Ainouz, “Viajo Porque Preciso,Volto Porque Te Amo”, gera desconforto, devido ao inquieto olhar lançado sobre a realidade brasileira.
Mas não se enquadra no roadmovie como tal, por fugir às citadas características. Inexiste uma contestação em si, mas comentários sociais e mergulhos em conflitos amorosos. Assim, torna-se um filme de estrada por contingência. Uma opção da dupla de diretores/roteiristas, sustentada pela câmera subjetiva que registra a epopéia do geólogo Zé Renato (Irandhir Santos), pelo sertão cearense.
Em off, ele vai dialogando consigo mesmo, num fluxo de memória que o liga à amada para situar-se e ao espectador, enquanto demarca áreas onde, no futuro, correrão as águas transpostas do fictício rio das Almas. Às vezes, o diálogo interior, joyceano, substitui o fluxo de memória, com o personagem se impondo aos sitiantes, na primeira parte do filme, pois estes tão só o observam, não dialogando com ele, Zé Renato. Duplicidade de linguagem pouco comum no cinema atual, pouco dado à complexidade e elevação do nível narrativo, que tiraria o espectador da passividade.”
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22 Julho, 2010
Oliver Stone desmascara Larry Rohter
Mair Pena Neto, Direto da Redação
“Vou me permitir ocupar esse espaço com a carta enviada pelo cineasta norte-americano Oliver Stone ao The New York Times para refutar crítica a seu documentário “Ao sul da fronteira” (South of the Border), escrita pelo jornalista (se é que se pode chamá-lo assim) Larry Rohter.
Para quem não se lembra, Rohter é aquele jornalista que tentou desqualificar o presidente Lula, apresentando-o como um bêbado, incapaz de dirigir os destinos de um país. O New York Times deveria enquadrar a matéria de Rohter sobre Lula e pregá-la na parede junto a várias outras, de diversas publicações, que exaltam Lula cada vez mais e o apresentam como um dos maiores estadistas da atualidade.
Rohter é especializado em tentar desconstruir personagens ligados às causas populares, e o que fez com Lula já havia feito com Rigoberta Menchu e continua a tentar fazer com Hugo Chávez. Certamente o documentário de Oliver Stone, que trata das mudanças na América do Sul conduzidas por gente como Lula, Chávez e Evo Morales, incomodou Rohter, assim como a crítica que o cineasta faz às distorções dos fatos promovidas pela mídia.
O jornalista do The New York Times escreveu uma crítica intelectualmente desonesta, que foi desconstruída, item a item, por Oliver Stone e os roteiristas do filme Mark Weisbrot e Tariq Ali. Não vou me estender mais, pois o melhor são os argumentos dos autores do filme. A tradução é minha e pode conter algumas imprecisões. Quem quiser lê-la no original é só ir à página do filme http://southoftheborderdoc.com/oliver-stone-responds-to-attack-from-the-new-york-times-larry-rohter/
Larry Rohter atacou nosso filme "South of the Border" por "erros, imprecisões e perda de detalhes". Mas um exame cuidadoso dos detalhes revela que os erros, imprecisões e perda de detalhes são dele, e que o filme é factualmente preciso. Nós vamos documentar isso para cada um dos seus ataques. Nós vamos mostrar, então, que há evidência de hostilidade e conflito de interesses na sua tentativa de desacreditar o filme. Finalmente, nós pedimos que sejam considerados os muitos erros factuais nos ataques de Rohter, assinalados abaixo, e que o The New York Times publique a correção integral desses numerosos erros.
1) Ao acusar o filme de informação incorreta, Rohter escreve que "um vôo de Caracas para La Paz passa na maior parte sobre a Amazônia e não sobre os Andes..." Mas a narrativa não diz que o vôo passa na maior parte sobre os Andes, mas apenas que passa sobre os Andes, o que é verdade. (Fonte: Google Earth)
2) Também na categoria de má informação, Rohter escreve "os Estados Unidos não 'importa mais petróleo da Venezuela do que qualquer outra nação da Opep', honra que pertenceu à Arábia Saudita durante o período 2004-10".
A citação mencionada por Rohter aqui foi feita no filme pelo analista da indústria do petróleo Phil Flynn, que aparece por cerca de 30 segundos em um clip da TV americana. E revela que Rohter está errado e Flynn, certo. Flynn está falando em abril de 2002 (o que está claro no filme), então é errado Rohter citar a data entre 2004-2010. Se nós olhamos para o período entre 1997-2001, que é a data relevante para o comentário, Flynn está correto. A Venezuela liderou as importações de petróleo dos EUA entre os países da Opep nesse período. (Fonte: US Energy Information Agency for Venezuela).”
Matéria Completa, ::Aqui::
“Vou me permitir ocupar esse espaço com a carta enviada pelo cineasta norte-americano Oliver Stone ao The New York Times para refutar crítica a seu documentário “Ao sul da fronteira” (South of the Border), escrita pelo jornalista (se é que se pode chamá-lo assim) Larry Rohter.
Para quem não se lembra, Rohter é aquele jornalista que tentou desqualificar o presidente Lula, apresentando-o como um bêbado, incapaz de dirigir os destinos de um país. O New York Times deveria enquadrar a matéria de Rohter sobre Lula e pregá-la na parede junto a várias outras, de diversas publicações, que exaltam Lula cada vez mais e o apresentam como um dos maiores estadistas da atualidade.
Rohter é especializado em tentar desconstruir personagens ligados às causas populares, e o que fez com Lula já havia feito com Rigoberta Menchu e continua a tentar fazer com Hugo Chávez. Certamente o documentário de Oliver Stone, que trata das mudanças na América do Sul conduzidas por gente como Lula, Chávez e Evo Morales, incomodou Rohter, assim como a crítica que o cineasta faz às distorções dos fatos promovidas pela mídia.
O jornalista do The New York Times escreveu uma crítica intelectualmente desonesta, que foi desconstruída, item a item, por Oliver Stone e os roteiristas do filme Mark Weisbrot e Tariq Ali. Não vou me estender mais, pois o melhor são os argumentos dos autores do filme. A tradução é minha e pode conter algumas imprecisões. Quem quiser lê-la no original é só ir à página do filme http://southoftheborderdoc.com/oliver-stone-responds-to-attack-from-the-new-york-times-larry-rohter/
Larry Rohter atacou nosso filme "South of the Border" por "erros, imprecisões e perda de detalhes". Mas um exame cuidadoso dos detalhes revela que os erros, imprecisões e perda de detalhes são dele, e que o filme é factualmente preciso. Nós vamos documentar isso para cada um dos seus ataques. Nós vamos mostrar, então, que há evidência de hostilidade e conflito de interesses na sua tentativa de desacreditar o filme. Finalmente, nós pedimos que sejam considerados os muitos erros factuais nos ataques de Rohter, assinalados abaixo, e que o The New York Times publique a correção integral desses numerosos erros.
1) Ao acusar o filme de informação incorreta, Rohter escreve que "um vôo de Caracas para La Paz passa na maior parte sobre a Amazônia e não sobre os Andes..." Mas a narrativa não diz que o vôo passa na maior parte sobre os Andes, mas apenas que passa sobre os Andes, o que é verdade. (Fonte: Google Earth)
2) Também na categoria de má informação, Rohter escreve "os Estados Unidos não 'importa mais petróleo da Venezuela do que qualquer outra nação da Opep', honra que pertenceu à Arábia Saudita durante o período 2004-10".
A citação mencionada por Rohter aqui foi feita no filme pelo analista da indústria do petróleo Phil Flynn, que aparece por cerca de 30 segundos em um clip da TV americana. E revela que Rohter está errado e Flynn, certo. Flynn está falando em abril de 2002 (o que está claro no filme), então é errado Rohter citar a data entre 2004-2010. Se nós olhamos para o período entre 1997-2001, que é a data relevante para o comentário, Flynn está correto. A Venezuela liderou as importações de petróleo dos EUA entre os países da Opep nesse período. (Fonte: US Energy Information Agency for Venezuela).”
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21 Julho, 2010
O homo sapiens, a erva daninha e o fim da espécie
Edival Lourenço, Revista Bula“Por mais industrioso e criativo que seja o Homo sapiens, esse animau çinixtro que se irrompeu agora por último do ramo evolutivo da vida, ele não consegue criar coisa alguma sem que desmanche outra. E o que é mais grave: quase sempre lançando mão de um desperdício extraordinário. Qualquer criação humana implica sempre num desmanche de riquezas naturais. Do tipo assim: para se obter uma posta que seja de picanha é preciso derrubar um sem número de metros cúbicos de árvores, consumir não sei quantos carros-pipas de água potável, assorear quilômetros de rio, espalhar pelo céu toneladas nuvens de gás de efeito estufa e assim por diante.
E é neste contexto que caminhamos inexoravelmente rumo ao limiar da singularidade; aquele ponto fatídico a partir do qual as leis naturais demudam de forma radical, não podendo mais haver uma ação eficiente para evitar uma situação de desastre. Ocorre que a população humana, além de se achar desastrosamente grande, vem adotando hábitos de produção e consumo potencialmente letais para que nós próprios continuemos tocando a vida, tal qual a conhecemos. Especialmente neste intervalo geológico que a natureza nos concede um clima propício no planetinha azul, neste recanto ínfimo de universo enorme e ainda em expansão.
É um oximoro: quanto maior a multidão de indivíduos humanos, menor a nossa racionalidade. Quanto mais razões somadas, maior a nossa ação por instintos. É o efeito manada, tão ao gosto dos manipuladores de massas. O antropólogo, estatístico e matemático inglês Francis Galton (1822-1911), primo de Charles Darwin (1809-1882), afirmou ser isto “a lei da suprema desrazão”. Ele constatou que a racionalidade de um grupo tende a buscar a média. Não contemplando nem o mais ladino, nem o mais estulto, mas ficando a meio caminho, como um pêndulo no ponto em que cessa os movimentos. Mas hoje em dia, com a população atingindo as raias do apinhamento, podemos afirmar, com alta dose de convicção, que a racionalidade de todo o grupamento humano, em última instância, tende, não ao meio como queria o primo de Darwin, mas ao ponto morto. O ponto zero da racionalidade é que é a situação mais apropriada para receber o título dado por Galton, mais totalizante que medianeiro, de a “suprema desrazão”.
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20 Julho, 2010
O ouro de Washington
Mário Augusto Jakobskind, Direto da Redação
“Sob total silêncio dos meios de comunicação conservadores brasileiros, foi divulgada a informação oficial segundo a qual veículos de imprensa e jornalistas venezuelanos receberam mais de quatro milhões de dólares nos últimos dois anos. Objetivo: desestabilizar o governo da República Bolivariana da Venezuela. A Lei de Acesso à Informação permitiu a divulgação de documentos do Departamento de Estado norte-americano. A grana foi distribuída através de três entidades públicas estadunidenses, a Fundação Panamericana para o Desenvolvimento, a Freedom House e a Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (Usaid).
Mas a documentação não foi totalmente liberada, pois o Departamento de Estado censurou a maioria dos nomes das organizações e jornalistas contemplados com o ouro de Washington. É isso aí, não tem mais ouro de Moscou, de Pequim ou de qualquer outra capital de país socialista, como “informavam” os jornalões na época da Guerra Fria. Mas o ouro de Washington continua a ser distribuído em vários quadrantes do planeta com o objetivo de desestabilizar governos que contestem a dominação da potência hegemônica.
Nesta etapa, a distribuição das benesses ficou a critério de organizações venezuelanas Espaço Público e Instituto de Imprensa, segundo ainda os documentos do Departamento de Estado norte-americano. Ou seja, não há dúvidas de que as campanhas antichavistas renderam bons frutos($) para grupos que há anos tentam de todas as formas impedir o aprofundamento da revolução bolivariana.
Tendo em vista tais fatos, não será surpresa alguma se amanhã novos documentos do Departamento de Estado mostrarem que em outros países, inclusive nas plagas abençoadas por Deus e bonitas por natureza, o ouro de Washington segue rolando com toda a intensidade. Quem acompanha os noticiários de televisão e os colunistas de sempre desconfia que o ouro de Washington recheie os bolsos dos referidos. Mas qualquer problema, a Sociedade Interamericana de Imprensa está aí para isso mesmo, ou seja, defender incondicionalmente as organizações midiáticas e jornalistas que venham eventualmente a ser denunciados por recebimento de polpudas verbas.”
Artigo Completo, ::Aqui::
“Sob total silêncio dos meios de comunicação conservadores brasileiros, foi divulgada a informação oficial segundo a qual veículos de imprensa e jornalistas venezuelanos receberam mais de quatro milhões de dólares nos últimos dois anos. Objetivo: desestabilizar o governo da República Bolivariana da Venezuela. A Lei de Acesso à Informação permitiu a divulgação de documentos do Departamento de Estado norte-americano. A grana foi distribuída através de três entidades públicas estadunidenses, a Fundação Panamericana para o Desenvolvimento, a Freedom House e a Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (Usaid).
Mas a documentação não foi totalmente liberada, pois o Departamento de Estado censurou a maioria dos nomes das organizações e jornalistas contemplados com o ouro de Washington. É isso aí, não tem mais ouro de Moscou, de Pequim ou de qualquer outra capital de país socialista, como “informavam” os jornalões na época da Guerra Fria. Mas o ouro de Washington continua a ser distribuído em vários quadrantes do planeta com o objetivo de desestabilizar governos que contestem a dominação da potência hegemônica.
Nesta etapa, a distribuição das benesses ficou a critério de organizações venezuelanas Espaço Público e Instituto de Imprensa, segundo ainda os documentos do Departamento de Estado norte-americano. Ou seja, não há dúvidas de que as campanhas antichavistas renderam bons frutos($) para grupos que há anos tentam de todas as formas impedir o aprofundamento da revolução bolivariana.
Tendo em vista tais fatos, não será surpresa alguma se amanhã novos documentos do Departamento de Estado mostrarem que em outros países, inclusive nas plagas abençoadas por Deus e bonitas por natureza, o ouro de Washington segue rolando com toda a intensidade. Quem acompanha os noticiários de televisão e os colunistas de sempre desconfia que o ouro de Washington recheie os bolsos dos referidos. Mas qualquer problema, a Sociedade Interamericana de Imprensa está aí para isso mesmo, ou seja, defender incondicionalmente as organizações midiáticas e jornalistas que venham eventualmente a ser denunciados por recebimento de polpudas verbas.”
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19 Julho, 2010
Violências contra a mulher
Frei Betto, Adital
“O hediondo crime que envolve o goleiro Bruno -a mulher, após ser assassinada, teve o corpo destroçado e devorado por cães, segundo denúncia- é a ponta do iceberg de um problema recorrente: a agressão masculina à mulher.
Entre 1997 e 2007, segundo o Mapa da Violência no Brasil/2010, 41.532 mulheres foram assassinadas no país. Um índice de 4,2 vítimas por cada grupo de 100 mil habitantes, bem acima da média internacional. O Espírito Santo apresenta o quadro mais grave: 10,3 assassinatos de mulheres/100 mil.
O Núcleo de Violência da Universidade de São Paulo identifica como assassinos maridos, ex-maridos e namorados inconformados com o fim da relação. Ao forte componente de misoginia (aversão à mulher), acresce-se a prepotência machista de quem se julga dono da parceira e, portanto, senhor absoluto sobre o destino dela.
A Central de Atendimento à Mulher (telefone 180) recebeu, nos primeiros cinco meses deste ano, 95% mais denúncias do que no mesmo período do ano passado. Mais de 50 mil mulheres denunciaram agressões verbais e físicas. A maioria é de mulheres negras, casadas, com idade entre 20 e 45 anos e nível médio de escolaridade. Os agressores são, em maioria, homens com idade entre 20 e 55 anos e nível médio de escolaridade.
Acredita-se que o aumento de denúncias se deve à Lei Maria da Penha, sancionada em 2006 pelo presidente Lula, e que aumenta o rigor da punição aos agressores. Apesar desse avanço, tudo indica que muitos lares brasileiros são verdadeiras casas dos horrores. A mulher é humilhada, destratada, surrada, por vezes vive em regime de encarceramento virtual e de semiescravidão no trabalho doméstico. Sem contar os casos de pedofilia e agressão sexual de crianças e adolescentes por parte do próprio pai.”
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“O hediondo crime que envolve o goleiro Bruno -a mulher, após ser assassinada, teve o corpo destroçado e devorado por cães, segundo denúncia- é a ponta do iceberg de um problema recorrente: a agressão masculina à mulher.
Entre 1997 e 2007, segundo o Mapa da Violência no Brasil/2010, 41.532 mulheres foram assassinadas no país. Um índice de 4,2 vítimas por cada grupo de 100 mil habitantes, bem acima da média internacional. O Espírito Santo apresenta o quadro mais grave: 10,3 assassinatos de mulheres/100 mil.
O Núcleo de Violência da Universidade de São Paulo identifica como assassinos maridos, ex-maridos e namorados inconformados com o fim da relação. Ao forte componente de misoginia (aversão à mulher), acresce-se a prepotência machista de quem se julga dono da parceira e, portanto, senhor absoluto sobre o destino dela.
A Central de Atendimento à Mulher (telefone 180) recebeu, nos primeiros cinco meses deste ano, 95% mais denúncias do que no mesmo período do ano passado. Mais de 50 mil mulheres denunciaram agressões verbais e físicas. A maioria é de mulheres negras, casadas, com idade entre 20 e 45 anos e nível médio de escolaridade. Os agressores são, em maioria, homens com idade entre 20 e 55 anos e nível médio de escolaridade.
Acredita-se que o aumento de denúncias se deve à Lei Maria da Penha, sancionada em 2006 pelo presidente Lula, e que aumenta o rigor da punição aos agressores. Apesar desse avanço, tudo indica que muitos lares brasileiros são verdadeiras casas dos horrores. A mulher é humilhada, destratada, surrada, por vezes vive em regime de encarceramento virtual e de semiescravidão no trabalho doméstico. Sem contar os casos de pedofilia e agressão sexual de crianças e adolescentes por parte do próprio pai.”
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18 Julho, 2010
A mídia na formação mental
“Já se foi o tempo em que a TV podia contribuir na formação mental de um público carente de informação geral e de exemplos enobrecedores do comportamento humano. Ajudava a família a debater com os filhos temas que tocavam os sentimentos mais profundos que ultrapassavam as experiências do dia-a-dia por meio de notícias ou novelas bem orientadas.
Zillah Branco, Vermelho.org
Hoje a informação é transmitida com base nos princípios do mercado publicitário, visando lucro financeiro ou político. Para que o entrevistador se liberte do ultrajante “dever”(estratégico) de atenuar o aspecto criminoso de um famoso goleiro de grande clube de futebol que conduziu a ex-namorada a uma morte horrorosa com requintes de crueldade abjectas, convidam um especialista em psicologia que vai dizer que “a quebra da visão mítica que as crianças têm de um ídolo é importante para não ficarem alienadas em relação à realidade humana como quando acreditaram em Papai Noel”. Refiro-me ao que assisti no dia 7 de Julho no Jornal das Dez (22h) da Globo que convidou um eminente profissional da elite para explicar a surpresa que a sociedade vive diante do comportamento do goleiro Bruno considerado uma figura pública promovida a ídolo da juventude das torcidas de futebol no Brasil.
Este caso esclarece uma prática aplicada à estratégia da mídia, em especial da Globo que congrega bons profissionais e excelente técnica jornalística, que manipula os seus valores (sobretudo dos seus funcionários mas, o que é pior, pela ação deles o do conteúdo ético das mensagens) parecendo uma empresa de comunicação neutra e deixando que um especialista (que deve entender do assunto para ensinar cientificamente aos telespectadores o lado certo das coisas) explique a normalidade de um ídolo nacional da juventude que se torna um criminoso capaz de sequestrar, ameaçar de morte, impor um abortivo até chegar ao comando de um assassinato. A quem pedir que proteja a população brasileira da desinformação midiática e também dos especialistas irresponsáveis? A Deus?”
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Zillah Branco, Vermelho.org
Hoje a informação é transmitida com base nos princípios do mercado publicitário, visando lucro financeiro ou político. Para que o entrevistador se liberte do ultrajante “dever”(estratégico) de atenuar o aspecto criminoso de um famoso goleiro de grande clube de futebol que conduziu a ex-namorada a uma morte horrorosa com requintes de crueldade abjectas, convidam um especialista em psicologia que vai dizer que “a quebra da visão mítica que as crianças têm de um ídolo é importante para não ficarem alienadas em relação à realidade humana como quando acreditaram em Papai Noel”. Refiro-me ao que assisti no dia 7 de Julho no Jornal das Dez (22h) da Globo que convidou um eminente profissional da elite para explicar a surpresa que a sociedade vive diante do comportamento do goleiro Bruno considerado uma figura pública promovida a ídolo da juventude das torcidas de futebol no Brasil.
Este caso esclarece uma prática aplicada à estratégia da mídia, em especial da Globo que congrega bons profissionais e excelente técnica jornalística, que manipula os seus valores (sobretudo dos seus funcionários mas, o que é pior, pela ação deles o do conteúdo ético das mensagens) parecendo uma empresa de comunicação neutra e deixando que um especialista (que deve entender do assunto para ensinar cientificamente aos telespectadores o lado certo das coisas) explique a normalidade de um ídolo nacional da juventude que se torna um criminoso capaz de sequestrar, ameaçar de morte, impor um abortivo até chegar ao comando de um assassinato. A quem pedir que proteja a população brasileira da desinformação midiática e também dos especialistas irresponsáveis? A Deus?”
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Anima Mundi exibe mais de 450 filmes no Rio e São Paulo
“Festival comemora crescimento da animação brasileira e novas tendências do setor no mundo
Marco Tomazzoni, iG
Um dos mais tradicionais eventos da animação mundial, o Anima Mundi começa nesta sexta-feira (16) no Riode Janeiro e depois segue para São Paulo, no dia 28, com centenas de curtas-metragens na bagagem, maisprecisamente 452. Aos 18 anos de vida, o festival reflete com propriedade o boom da animação brasileira e o bom momento do mercado em todo o mundo. Há filmes dos mais diversos tipos e técnicas, e o melhor é queeles têm conquistado janelas para serem exibidos e consumidos, principalmente na televisão a cabo.
Uma das diretoras e fundadoras do Anima Mundi, Aída Queiroz lembra foram justamente esses os objetivos que motivaram a criação do festival: movimentar o mercado e o circuito exibidor. "O que o festival buscou nesses anos todos foi facilitar o acesso para as pessoas conhecerem o que está sendo feito no mundo inteiro, e não só o que era visto na TV, com Disney e Hanna Barbera", explica. "Como consequência, hoje quando o mercado lança alguma coisa, é mais fácil de absorver essa demanda. O festival é uma vitrine para isso acontecer, uma mola propulsora." O público do Anima Mundi dá uma ideia do interesse pela animação: são quase 1 milhão de espectadores desde 1992.”
Foto: Divulgação
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16 Julho, 2010
Escritos nas Estrelas
Leila Cordeiro, Direto da Redação
“Cada uma à sua maneira, emissoras de TV estão investindo em novelas ou minisseries que, de alguma forma, estão ligadas à fé das pessoas . Recurso, aliás, infalível quando se trata de discutir o assunto em público, garantindo preciosos pontos a mais na audiência. Na Record são histórias da Bíblia, na Globo, a saga dos espíritos, encarnados ou não, que vivem suas vidas em planos diferentes.
Na primeira, a margem de erro é minima, na medida em que a representação dos personagens e do texto é fiel ao original com um toque natural de romance e modernidade, mas que não chega a comprometer o resultado final da obra.
Mas na Globo, diretores, autores e produtores se arriscam muito mais. Afinal quando se trata de falar sobre espiritismo e todas as suas verdades e mentiras o assunto fica ainda mais delicado. Não é a primeira vez que a emissora carioca envereda sobre a polêmica da vida após a morte, reencarnação e outros temas ligados ao assunto.
Interessante que quando se fala do que está sacramentado na Bíblia não há discussão. É assim que deve ser e que foi contado pelos homens santos da época. Mas quando a polêmica de uma outra vida do ser humano vem à tona, os ânimos se exaltam e os céticos ou beatos armam-se de revolta para discutir e negar qualquer coisa que não esteja nas escrituras,ou seja, essa história de morrer e depois voltar em outro corpo é ficção.
Por isso, a Globo precisa ter muito cuidado ao abordar o tema que está em uma de suas novelas atuais, a trama das seis "Escrito nas Estrelas". Sem dúvida, algo que mexe com “corações e mentes” do público, mas, verdade seja dita, ela até que tem colocado o assunto de maneira delicada e o mais fiel possível aos preceitos do espiritismo. Entretando o mesmo não tenho visto em programas da emissora que levam atrizes e atores da novela para falarem sobre o tema.”
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“Cada uma à sua maneira, emissoras de TV estão investindo em novelas ou minisseries que, de alguma forma, estão ligadas à fé das pessoas . Recurso, aliás, infalível quando se trata de discutir o assunto em público, garantindo preciosos pontos a mais na audiência. Na Record são histórias da Bíblia, na Globo, a saga dos espíritos, encarnados ou não, que vivem suas vidas em planos diferentes.
Na primeira, a margem de erro é minima, na medida em que a representação dos personagens e do texto é fiel ao original com um toque natural de romance e modernidade, mas que não chega a comprometer o resultado final da obra.
Mas na Globo, diretores, autores e produtores se arriscam muito mais. Afinal quando se trata de falar sobre espiritismo e todas as suas verdades e mentiras o assunto fica ainda mais delicado. Não é a primeira vez que a emissora carioca envereda sobre a polêmica da vida após a morte, reencarnação e outros temas ligados ao assunto.
Interessante que quando se fala do que está sacramentado na Bíblia não há discussão. É assim que deve ser e que foi contado pelos homens santos da época. Mas quando a polêmica de uma outra vida do ser humano vem à tona, os ânimos se exaltam e os céticos ou beatos armam-se de revolta para discutir e negar qualquer coisa que não esteja nas escrituras,ou seja, essa história de morrer e depois voltar em outro corpo é ficção.
Por isso, a Globo precisa ter muito cuidado ao abordar o tema que está em uma de suas novelas atuais, a trama das seis "Escrito nas Estrelas". Sem dúvida, algo que mexe com “corações e mentes” do público, mas, verdade seja dita, ela até que tem colocado o assunto de maneira delicada e o mais fiel possível aos preceitos do espiritismo. Entretando o mesmo não tenho visto em programas da emissora que levam atrizes e atores da novela para falarem sobre o tema.”
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14 Julho, 2010
Crimes, machismo e vinganças
“Os brasileiros mais atentos sabem que inúmeras mulheres apanham, algumas são torturadas, outras mortas e todas são desvalorizadas diariamente pelas grandes e pequenas mídias. Nestas, são tratadas como carne, bichos ou brinquedos masculinos.
Luís Carlos Lopes, Carta Maior
As grandes mídias já esqueceram os crimes rumorosos de ontem e já escolheram um novo para continuar o espetáculo de sangue e de ódio. Afinal, o show não pode parar. A idéia é esta: juntar a oportunidade ao script de sempre. Os ingredientes são bem conhecidos, tornam-se ainda mais fortes quando se trata de pessoas que já haviam alcançado alguns degraus da fama e do dinheiro fácil.
Os grandes assuntos que perpassam estes acontecimentos funestos estão presentes nas palavras usadas para noticiar os fatos. Mas, esta presença não é interpretada, o que interessa é narrar o horror e ganhar audiência com os detalhes sórdidos. Estes atraem o grande público, já corrompido com a lógica irracionalista do mundo cão do cotidiano de suas vidas e o descrito no universo alucinado das reportagens.
Quando menos se esperava, o Brasil parou. Parece que agora só existe um crime e que aquele fato é o único assunto a ser consumido. A cobertura das emissoras de Tv e de rádio, dos jornais e das revistas impressas é cerrada. Tudo ecoa na Internet, repetindo-se interminavelmente até o cenário final do julgamento. Ninguém é poupado dos detalhes, por mais escabrosos que sejam. Os operadores da Justiça e da Polícia dão inúmeras entrevistas focando o drama deste último caso, como ocorreu nos anteriores. Tudo se repete melancolicamente, sem qualquer reflexão.
O crime escolhido agora para representar o Brasil nas mídias tem o poder aparente de se fazer esquecer de todo o resto. Não há mais uma eleição em curso. A tragédia do Golfo do México sumiu do mapa midiático. A Copa do Mundo acabou, porque o Brasil foi desclassificado. Os mil e um problemas do Brasil são reduzidos a um único episódio, com farta mobilização das pessoas que clamam por justiça e gritam xingamentos para os acusados que desfilam frente às câmeras. A catarse, obtida com muita emoção alienada, paralisa o pensamento, impedindo qualquer espaço para o advento de uma visão racional.”
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Luís Carlos Lopes, Carta Maior
As grandes mídias já esqueceram os crimes rumorosos de ontem e já escolheram um novo para continuar o espetáculo de sangue e de ódio. Afinal, o show não pode parar. A idéia é esta: juntar a oportunidade ao script de sempre. Os ingredientes são bem conhecidos, tornam-se ainda mais fortes quando se trata de pessoas que já haviam alcançado alguns degraus da fama e do dinheiro fácil.
Os grandes assuntos que perpassam estes acontecimentos funestos estão presentes nas palavras usadas para noticiar os fatos. Mas, esta presença não é interpretada, o que interessa é narrar o horror e ganhar audiência com os detalhes sórdidos. Estes atraem o grande público, já corrompido com a lógica irracionalista do mundo cão do cotidiano de suas vidas e o descrito no universo alucinado das reportagens.
Quando menos se esperava, o Brasil parou. Parece que agora só existe um crime e que aquele fato é o único assunto a ser consumido. A cobertura das emissoras de Tv e de rádio, dos jornais e das revistas impressas é cerrada. Tudo ecoa na Internet, repetindo-se interminavelmente até o cenário final do julgamento. Ninguém é poupado dos detalhes, por mais escabrosos que sejam. Os operadores da Justiça e da Polícia dão inúmeras entrevistas focando o drama deste último caso, como ocorreu nos anteriores. Tudo se repete melancolicamente, sem qualquer reflexão.
O crime escolhido agora para representar o Brasil nas mídias tem o poder aparente de se fazer esquecer de todo o resto. Não há mais uma eleição em curso. A tragédia do Golfo do México sumiu do mapa midiático. A Copa do Mundo acabou, porque o Brasil foi desclassificado. Os mil e um problemas do Brasil são reduzidos a um único episódio, com farta mobilização das pessoas que clamam por justiça e gritam xingamentos para os acusados que desfilam frente às câmeras. A catarse, obtida com muita emoção alienada, paralisa o pensamento, impedindo qualquer espaço para o advento de uma visão racional.”
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12 Julho, 2010
Ataques a Dilma ilustram a grave situação da mulher no Brasil
Eduardo Guimarães, Blog da Cidadania “Com o recrudescimento da disputa eleitoral, vai ficando clara a antevisão do presidente Lula ao indicar uma mulher para a sua sucessão. O tipo de ataque que Dilma Rousseff vem sofrendo ilustra bem a situação da mulher no Brasil. Elas continuam sendo alvos de preconceito e de violência por parte dos homens em pleno século XXI.
Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo do último dia 4, “Em dez anos, dez mulheres foram assassinadas por dia no Brasil, média que fica acima do padrão internacional”. Os dados foram extraídos de estudo intitulado Mapa da Violência no Brasil 2010, realizado pelo Instituto Zangari, com base no banco de dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS).
“Entre 1997 e 2007, 41.532 mulheres morreram vítimas de homicídio – índice de 4,2 assassinadas por 100 mil habitantes. Elas morrem em número e proporção bem mais baixos do que os homens (92% das vítimas), mas o nível de assassinato feminino no Brasil fica acima do padrão internacional”, diz a reportagem.
“Quanto mais machista a cultura local, maior tende a ser a violência contra a mulher”, afirmou a psicóloga Paula Licursi Prates, doutoranda na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, que realiza estudos sobre homens autores de violência.
Já no âmbito das condições de trabalho, a diferença nos ganhos de uma mulher e de um homem continua grande no Brasil, segundo indicou o índice de desigualdade entre os sexos, publicado pelo Fórum Mundial de Economia em 2008. O salário de uma mulher é, em média, 58% do que ganha um homem.
Socialmente, a mulher continua sofrendo preconceitos no que diz respeito à sexualidade. Isso fica claro na charge insultuosa do cartunista Nani que o blogueiro da Folha de São Paulo, Josias de Souza, publicou recentemente, que retratava Dilma como prostituta por seu partido estar fazendo alianças políticas com partidos que sempre tiveram diferenças ideológicas com o PT, como o PMDB.”
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Os Malaquias
Alex Sens Fuziy, Revista Bula “Para quem conhece Andréa del Fuego, escritora nascida em São Paulo mas quase mineira, com um olho de cada cor e as mãos encharcadas de palavras, sabe de seu trabalho visceral e divergente na literatura contemporânea. Na via principal da escrita há quase sete anos, Andréa se tornou a mãe dos minicontos, começando nessa escrita aparentemente fácil, mas que em poucas linhas, ou numa linha só, revela e esconde, mostra-se rasa no tamanho, mas profunda na possibilidade quase absurda de muitos sentidos. O que sua literatura traz, antes de qualquer coisa, é mais do que o palco à mostra, as cortinas descerradas e os atores curvando-se para a ovação; ela traz o que o espectador de alma observadora consegue absorver do urdimento, das pateras, da ribalta, do proscênio. O conjunto nunca é objetivo, e por isso torna-se mais encantador.
Depois de publicar quatro livros de contos e minicontos, um de crônicas e dois romances, um juvenil e outro infantil, Andréa fugiu dos atalhos e se enredou na trilha tortuosa e às vezes íngreme que pode ser o romance adulto, sempre de maior peso, de tempo mais largo e que pede concentração e foco redobrados. “Os Malaquias” (Língua Geral, 272 páginas) veio como prato de entrada e dependendo de leitura e leitor, pode satisfazer todo o jantar e dispensar o resto, inclusive bebida, garçom e bons modos à mesa onde nossos olhos derramam nos 73 capítulos: curtos como já é marca da escritora, mas longos na representação literária, na simbologia linguistica e acima de tudo na qualidade.
Resgatando seus antepassados e fatos verídicos que foram sendo amassados e ficcionados, “Os Malaquias” conta a história da vida de três irmãos que perdem seus pais para um raio, num lugar chamado Serra Morena e que se mostra cada vez mais enigmático ao longo das páginas. Durante uma tempestade, descrita com a lenidade de um poema, a família Malaquias está deitada, dormindo, quando um raio cai sobre a casa e fulmina o casal que tem seus corações na sístole, instante em que a aorta se fecha, não permitindo o raio passar e aterrar-se. Ao contrário dos pais, os três filhos, deitados juntos numa mesma cama em outro quarto, estão no momento da diástole, permitindo a passagem da descarga e sofrendo assim “queimaduras ínfimas, imperceptíveis”. A partir daí o romance é vertigem e tempo. Cada criança tem seu destino arranjado por Geraldo Passos, dono da Fazenda Rio Claro, na mesma serra, lugar onde se passa boa parte do romance. Nico, o mais velho, fica com ele para ajudar no trabalho rural, ao passo que Antônio e Júlia vão para um lar de irmãs francesas, que cuidam de crianças órfãs, educando-as e alimentando-as. Nico cresce longe dos irmãos, conhece o amor, deixa o espírito de Serra Morena o tomar e guiar seu caminho, ele próprio vertiginoso como o romance se apresenta do meio para o fim. Júlia, a mais nova, é adotada por uma mulher rica, enquanto Antônio, o irmão do meio, continua no lar das irmãs, crescendo na idade, mas não na altura, por ser finalmente diagnosticado com nanismo.”
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11 Julho, 2010
Feiras do livro
Frei Betto, Adital
“Participei, nos últimos meses, de várias ferias do livro e outros eventos literários, como o Programa TIM Grandes Escritores. Entre outubro e novembro passados, estive nas feiras de Gravataí (RS), Caxias do Sul (RS), Belém (PA) e no Fórum das Letras, em Ouro Preto (MG). Em todos esses eventos constatei o empenho dos promotores em promover o livro, despertar o interesse pela literatura e facilitar o contato entre leitores e escritores.
Ler é percorrer todos os períodos da história, penetrar conhecimentos científicos e técnicos, dar asas à imaginação, sem sair do lugar. Basta abrir o livro. É conhecer qualquer tema, da fabricação de vinhos à vida dos papas, bastando decifrar o código alfabético em folhas de papel ou no monitor de um equipamento eletrônico. Ler é sonhar, poetar, divagar, expandir a fantasia e cultivar a sensibilidade.
A diferença entre ler e ver TV é que, no primeiro caso, o leitor escolhe o que lhe interessa. Com a vantagem de não se submeter à avalanche publicitária e adequar a programação -no caso, a leitura- ao ritmo de sua conveniência. E, considerando a baixa qualidade de conteúdo na TV brasileira, ler é absorver cultura.
No Brasil, o consumo de livros ainda é ínfimo: 2,7 por habitante/ano. Na Argentina, 6. Há em nosso país cerca de 3 mil livrarias, 50% no estado de São Paulo. Aqui, o livro sofre o efeito Tostines: é caro porque vende pouco e vende pouco porque é caro. O governo, excetuando a compra de livros didáticos, não incentiva a produção e circulação de livros. Raros os municípios com bibliotecas públicas, e as poucas existentes nem sempre primam pela conservação das instalações e atualização do acervo. A informatização ainda engatinha e o leitor enfrenta, por vezes, barreiras burrocráticas para ter acesso ao livro.”
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“Participei, nos últimos meses, de várias ferias do livro e outros eventos literários, como o Programa TIM Grandes Escritores. Entre outubro e novembro passados, estive nas feiras de Gravataí (RS), Caxias do Sul (RS), Belém (PA) e no Fórum das Letras, em Ouro Preto (MG). Em todos esses eventos constatei o empenho dos promotores em promover o livro, despertar o interesse pela literatura e facilitar o contato entre leitores e escritores.
Ler é percorrer todos os períodos da história, penetrar conhecimentos científicos e técnicos, dar asas à imaginação, sem sair do lugar. Basta abrir o livro. É conhecer qualquer tema, da fabricação de vinhos à vida dos papas, bastando decifrar o código alfabético em folhas de papel ou no monitor de um equipamento eletrônico. Ler é sonhar, poetar, divagar, expandir a fantasia e cultivar a sensibilidade.
A diferença entre ler e ver TV é que, no primeiro caso, o leitor escolhe o que lhe interessa. Com a vantagem de não se submeter à avalanche publicitária e adequar a programação -no caso, a leitura- ao ritmo de sua conveniência. E, considerando a baixa qualidade de conteúdo na TV brasileira, ler é absorver cultura.
No Brasil, o consumo de livros ainda é ínfimo: 2,7 por habitante/ano. Na Argentina, 6. Há em nosso país cerca de 3 mil livrarias, 50% no estado de São Paulo. Aqui, o livro sofre o efeito Tostines: é caro porque vende pouco e vende pouco porque é caro. O governo, excetuando a compra de livros didáticos, não incentiva a produção e circulação de livros. Raros os municípios com bibliotecas públicas, e as poucas existentes nem sempre primam pela conservação das instalações e atualização do acervo. A informatização ainda engatinha e o leitor enfrenta, por vezes, barreiras burrocráticas para ter acesso ao livro.”
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09 Julho, 2010
O goleiro Bruno já está condenado
João Ibaixe Jr, Última Instância
"Pronto! Mais um caso solucionado pelo melhor setor de investigação criminal do país: a mídia. Claro, com amplo apoio da Polícia Civil e, no caso, de dois Estados da Federação.
O assassinato da jovem Eliza Samudio, que efetivamente tem características de crueldade, provocou a mídia de todo o mundo, em face de envolver uma personalidade futebolística, um ídolo dos torcedores do supostamente (digo isto em virtude do resultado da copa para nós) maior esporte brasileiro, enfim, uma celebridade.
Uma primeira observação tangencial: quem milita na área penal ou acompanha questões criminais sabe que há casos muito mais graves e muito, mas muito, mais cruéis, que são esquecidos por envolverem desconhecidos e permanecem mofando em prateleiras de departamentos burocráticos jurisdicionais. E pior, casos em que as provas já foram produzidas e analisadas e apontam determinantemente para o criminoso e nada com ele acontece. Deste modo, só resta mostrar eficiência em casos de repercussão.
E dá-lhe eficiência: provas técnicas de moderníssima geração, exames em veículos, comparação de exames de sangue e de DNA, aviões e viaturas à disposição para conduzir os envolvidos e os policiais, superando a distância entre duas unidades federativas, cujos agentes dos órgãos de polícia judiciária demonstram-se incansáveis. Uma parafernália gigantesca, praticamente cinematográfica – não se sabe se hollywoodiana ou bollywoodiana, talvez até digna de cinematografia nacional, apesar desta se preocupar mais com a criminalidade relacionada a uma estética da pobreza.”
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"Pronto! Mais um caso solucionado pelo melhor setor de investigação criminal do país: a mídia. Claro, com amplo apoio da Polícia Civil e, no caso, de dois Estados da Federação.
O assassinato da jovem Eliza Samudio, que efetivamente tem características de crueldade, provocou a mídia de todo o mundo, em face de envolver uma personalidade futebolística, um ídolo dos torcedores do supostamente (digo isto em virtude do resultado da copa para nós) maior esporte brasileiro, enfim, uma celebridade.
Uma primeira observação tangencial: quem milita na área penal ou acompanha questões criminais sabe que há casos muito mais graves e muito, mas muito, mais cruéis, que são esquecidos por envolverem desconhecidos e permanecem mofando em prateleiras de departamentos burocráticos jurisdicionais. E pior, casos em que as provas já foram produzidas e analisadas e apontam determinantemente para o criminoso e nada com ele acontece. Deste modo, só resta mostrar eficiência em casos de repercussão.
E dá-lhe eficiência: provas técnicas de moderníssima geração, exames em veículos, comparação de exames de sangue e de DNA, aviões e viaturas à disposição para conduzir os envolvidos e os policiais, superando a distância entre duas unidades federativas, cujos agentes dos órgãos de polícia judiciária demonstram-se incansáveis. Uma parafernália gigantesca, praticamente cinematográfica – não se sabe se hollywoodiana ou bollywoodiana, talvez até digna de cinematografia nacional, apesar desta se preocupar mais com a criminalidade relacionada a uma estética da pobreza.”
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08 Julho, 2010
"Os Gritos das Gaivotas"
Jairo Junior, Vermelho.org
Com este trecho do belo livro “O Planalto e a Estepe” do escritor angolano Pepetela homenageamos um homem que sem dúvidas estava entre estes “poucos” que sabem traduzir os gritos das gaivotas.
Paulo Jorge, quadro político, militante, estrategista e liderança do MPLA e da sociedade angolana, veio a falecer neste ultimo final de semana, deixando um legado de lutas e contribuição ao que Angola e seu povo são hoje, mas com certeza ainda para o que este país será no futuro.
Paulo Teixeira Jorge que será enterrado nesta quinta-feira no cemitério Sant`Ana na capital Luanda. Foi um dos quadros mais tradicionais do MPLA.
Remanescente do grupo fundador do partido militou ao lado de Agostinho Neto nos primórdios do movimento em Lisboa.
Quando os primeiros apoios ainda eram poucos, vindos das vanguardas mais lúcidas da diáspora angolana e dos internacionalistas que se aliavam à luta contra o colonialismo.
Eram tempos muito diferentes dos atuais, quando o MPLA, com os seus quatro milhões de militantes espalhados pelo país, como disse o Paulo Jorge em entrevista pouco antes de sua morte. Estes milhões de militantes do Partido cujo amor e cuidado sempre obteve deste que sem dúvidas foi um dos seus mais destacados dirigentes.”
Artigo Completo, ::Aqui::
“Os continentes são convenções, apenas existem terras separadas por mares”.
Nos bolsos dos seres marinhos sempre há monte de terras seca.
Nós desconseguimos de chegar aos bolsos aferroalhados.
Na loucura do pôr do Sol, gaivotas gritam avisando as rotas.
Uns poucos sabem traduzir os gritos das gaivotas.
Estes chegam à terra firme”
Nos bolsos dos seres marinhos sempre há monte de terras seca.
Nós desconseguimos de chegar aos bolsos aferroalhados.
Na loucura do pôr do Sol, gaivotas gritam avisando as rotas.
Uns poucos sabem traduzir os gritos das gaivotas.
Estes chegam à terra firme”
Com este trecho do belo livro “O Planalto e a Estepe” do escritor angolano Pepetela homenageamos um homem que sem dúvidas estava entre estes “poucos” que sabem traduzir os gritos das gaivotas.
Paulo Jorge, quadro político, militante, estrategista e liderança do MPLA e da sociedade angolana, veio a falecer neste ultimo final de semana, deixando um legado de lutas e contribuição ao que Angola e seu povo são hoje, mas com certeza ainda para o que este país será no futuro.
Paulo Teixeira Jorge que será enterrado nesta quinta-feira no cemitério Sant`Ana na capital Luanda. Foi um dos quadros mais tradicionais do MPLA.
Remanescente do grupo fundador do partido militou ao lado de Agostinho Neto nos primórdios do movimento em Lisboa.
Quando os primeiros apoios ainda eram poucos, vindos das vanguardas mais lúcidas da diáspora angolana e dos internacionalistas que se aliavam à luta contra o colonialismo.
Eram tempos muito diferentes dos atuais, quando o MPLA, com os seus quatro milhões de militantes espalhados pelo país, como disse o Paulo Jorge em entrevista pouco antes de sua morte. Estes milhões de militantes do Partido cujo amor e cuidado sempre obteve deste que sem dúvidas foi um dos seus mais destacados dirigentes.”
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07 Julho, 2010
No ambiente da discórdia
Editorial, Jornal do Brasil
“Nos últimos anos, um dos conflitos que ganharam mais destaque na sociedade brasileira é o que opõe dois fortes grupos de interesse: os ruralistas, liderados por grandes proprietários de terra, cuja representação política no Parlamento remonta à origem do Brasil como nação, e os ambientalistas, cada vez mais atuantes na arena pública, seja por meio de um partido político próprio, o PV, seja pela pressão de organizações não governamentais (ONGs) – nacionais ou internacionais.
O embate no campo não é novo. O que mudou foi um deslocamento, ou melhor, uma superposição de conflitos que revela o surgimento de novas prioridades. O latifúndio, antes atacado exclusivamente sob um viés economicista, no contexto da luta de classes, tendo a reforma agrária como bandeira, passou a ser duplamente questionado, por meio dos movimentos ambientalistas.
Um novo flanco se abriu. Grandes propriedades de terras não seriam só um retrato da desigualdade no campo, mas também a ponta de lança de uma prática ambiental danosa, que derruba impiedosamente grandes extensões de matas e de florestas. Quanto à primeira acusação, os ruralistas sempre se apoiaram no direito à propriedade. Quanto à segunda, o argumento é algo semelhante a um direito de produção, cuja defesa é bradada pelas exportações recordes e a geração de divisas ao país.”
Editorial Completo, ::Aqui::
“Nos últimos anos, um dos conflitos que ganharam mais destaque na sociedade brasileira é o que opõe dois fortes grupos de interesse: os ruralistas, liderados por grandes proprietários de terra, cuja representação política no Parlamento remonta à origem do Brasil como nação, e os ambientalistas, cada vez mais atuantes na arena pública, seja por meio de um partido político próprio, o PV, seja pela pressão de organizações não governamentais (ONGs) – nacionais ou internacionais.
O embate no campo não é novo. O que mudou foi um deslocamento, ou melhor, uma superposição de conflitos que revela o surgimento de novas prioridades. O latifúndio, antes atacado exclusivamente sob um viés economicista, no contexto da luta de classes, tendo a reforma agrária como bandeira, passou a ser duplamente questionado, por meio dos movimentos ambientalistas.
Um novo flanco se abriu. Grandes propriedades de terras não seriam só um retrato da desigualdade no campo, mas também a ponta de lança de uma prática ambiental danosa, que derruba impiedosamente grandes extensões de matas e de florestas. Quanto à primeira acusação, os ruralistas sempre se apoiaram no direito à propriedade. Quanto à segunda, o argumento é algo semelhante a um direito de produção, cuja defesa é bradada pelas exportações recordes e a geração de divisas ao país.”
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06 Julho, 2010
Armai-vos uns aos outros.
Eliakim Araujo, Direto da Redação
“Lunáticos, terroristas e serial killeres de toda espécie devem estar vibrando com a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou inconstitucional o controle de armas pelo Estado. Trocando em miúdos, armai-vos uns aos outros e continuem se matando indiscriminadamente.
É a velha e obssessiva cultura americana que é capaz de dar um passo à frente quanto elege um negro para a presidência e retroceder dois quando seu tribunal maior adota uma medida retrógrada como essa.
A decisão da Suprema Corte foi eminentemente política. De um lado, os cinco juizes conservadores votando pela liberação do porte de armas, uma reinvindicação da Smith & Wesson, da ala mais radical do Partido Republicano e de remanescentes da Ku Klux Klan. De outro, os quatro mais progressistas, inclusive Sonia Sotomayor, recentemente nomeada pelo presidente Obama, votando pelo controle de armas, na prática uma tentativa de desarmamento da população civil.
Os juizes se basearam em um dispositivo legal arcaico e em completo desacordo com a realidade atual do país, a Segunda Emenda, introduzida da Constituição dos Estados Unidos, em 1791, que estabelece: “sendo necessária à segurança de um Estado livre uma milícia bem organizada, o direito do povo de possuir e usar armas não poderá ser impedido”.
Ora, falar em “milícia bem organizada” nos dias atuais é regredir aos tempos do faroeste americano, uma época abundantemente retratada nos filmes do faroeste americano, quando as platéias de todo mundo prestigiavam os filmes de mocinho e bandido, com o xerife que defendia a incipiente cidade dos assaltos a bancos e diligências, e com os duelos ao sol em que os cidadãos resolviam suas diferenças pessoais à bala, na falta de um sistema judicial organizado.”
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“Lunáticos, terroristas e serial killeres de toda espécie devem estar vibrando com a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou inconstitucional o controle de armas pelo Estado. Trocando em miúdos, armai-vos uns aos outros e continuem se matando indiscriminadamente.
É a velha e obssessiva cultura americana que é capaz de dar um passo à frente quanto elege um negro para a presidência e retroceder dois quando seu tribunal maior adota uma medida retrógrada como essa.
A decisão da Suprema Corte foi eminentemente política. De um lado, os cinco juizes conservadores votando pela liberação do porte de armas, uma reinvindicação da Smith & Wesson, da ala mais radical do Partido Republicano e de remanescentes da Ku Klux Klan. De outro, os quatro mais progressistas, inclusive Sonia Sotomayor, recentemente nomeada pelo presidente Obama, votando pelo controle de armas, na prática uma tentativa de desarmamento da população civil.
Os juizes se basearam em um dispositivo legal arcaico e em completo desacordo com a realidade atual do país, a Segunda Emenda, introduzida da Constituição dos Estados Unidos, em 1791, que estabelece: “sendo necessária à segurança de um Estado livre uma milícia bem organizada, o direito do povo de possuir e usar armas não poderá ser impedido”.
Ora, falar em “milícia bem organizada” nos dias atuais é regredir aos tempos do faroeste americano, uma época abundantemente retratada nos filmes do faroeste americano, quando as platéias de todo mundo prestigiavam os filmes de mocinho e bandido, com o xerife que defendia a incipiente cidade dos assaltos a bancos e diligências, e com os duelos ao sol em que os cidadãos resolviam suas diferenças pessoais à bala, na falta de um sistema judicial organizado.”
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05 Julho, 2010
O fino do sangue-com-açúcar
“Livros com vampiros românticos embalam lançamentos Antonio Luiz M. C. Costa, CartaMaior
Claro que os escritores e as editoras nacionais não iam deixar de tentar tirar proveito da mania das adolescentes por amores proibidos com vampiros românticos, desencadeada pela série de Stephenie Meyer. O perigo era o de a ânsia por não perder a oportunidade de um ganho fácil resultar em produtos de baixa qualidade, imitações apressadas e diluídas de um estilo já duvidoso – reciclagens de cenários e personagens conhecidos, mesmo com outros nomes.
Sem deixar de mirar esse público-alvo na mosca – a capa não deixa ninguém mentir –, a coletânea Meu Amor é um Vampiro, da Editora Draco (R$ 31,90, 160 páginas), organizada por Eric Novello e Janaína Chervezan, superou essa tentação e é capaz de resistir ao teste de uma leitura mais adulta. A maioria dos contos visa leitoras adolescentes sem subestimá-las e nenhum se reduz a mera imitação. Todos usam linguagens simples, muitos deles coloquialmente adolescentes, mas também expressam vontade e dedicação da editora e das autoras (todas mulheres) de dar o melhor de seu talento para apresentar histórias criativas e interessantes, com personalidade própria. São assumidamente sangue-com-açúcar, mas o teor de glicose varia. Alguns deveriam vir com advertência aos diabéticos, mas outros se contêm e permitem sentir melhor a presença de outros temperos.
A primeira noite de neblina, de Adriana Araújo, começa bem. É bem escrito, a linguagem é rica, a protagonista soa inteligente, tem uma voz autêntica e característica. Pena que o encontro vai pouco a pouco se acomodando aos lugares-comuns do romantismo mais desbragado, com direito a um passeio por um reino de contos de fadas ao lado de um príncipe encantado para Bela Adormecida nenhuma botar defeito, um e outro sem os toques originais e pessoais que o início prometia. Um tanto frustrante, também, que a experiência – que culmina na tradicional relação sexual metafórica – não afete em nada a heroína, que retoma seus hábitos como se nada houvesse acontecido.
O presente, de Valéria Hadel, é também ingênuo e irônico, mas mais divertido e, no fim das contas, mais satisfatório. Desta vez, a protagonista é uma vampira de muitos séculos (ela nos diz ter sido modelo da Moça com Brinco de Pérola que Johannes Vermeer pintou em 1665), que convive com bruxos e lobisomens, mas tem uma cabeça de menina vaidosa – com a agravante de ter sua insegurança de adolescente multiplicada pela impossibilidade de se ver ao espelho, como é de praxe entre os vampiros desde Bram Stocker. O conto e sua inesperada resolução giram em torno desse pormenor.”
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04 Julho, 2010
O sonho acabou
Mário Augusto Jakobskind, Direto da Redação
“No futebol, o sonho do hexa acabou. Mas quase alguns minutos depois, o mercado, leia-se a Brahma, patrocinadora da seleção brasileira, determinou que não deu desta vez, o negócio agora é 2014. Podem imaginar o que vem por aí em matéria de negócios futebolísticos?
Como não poderia deixar de ser, a “agredida” TV Globo, via Galvão, não perdoou Dunga pela derrota mortal para a Holanda. O treinador volta para casa e antes de qualquer coisa já avisou que o seu contrato era de quatro anos. Mesmo se o Brasil ganhasse o seu destino na CBF estava selado, porque quem “atrapalha” os negócios, ainda mais envolvendo a Globo, não tem vez na seleção do Teixeira (Ricardo), ou melhor, brasileira.
A imprensa saudou o fim da Era Dunga, mas não se atreveu a pedir o fim da Era Ricardo Teixeira, na prática o proprietário da CBF, que sai ano entra ano está sempre no comando de tudo que diz respeito ao futebol brasileiro e aos negócios dele advindos.O cidadão acima de qualquer suspeita nunca é cobrado pelos eventuais desempenhos medíocres da seleção. Dunga só existiu porque Teixeira quis, mas ninguém cobrou do big-shot da CBF a mediocridade.
Mas é isso aí, o mundo não acabou por causa de uma desclassificação da seleção brasileira. Futebol é assim mesmo. O Uruguai, depois de 40 anos, voltou ao primeiro escalão do futebol mundial. Joga com a Holanda nesta terça-feira, numa parada dura de roer, sendo a camisa laranja franca favorita, mas futebol é futebol.
Depois de esfriada a cabeça pela derrota com a Holanda, neste país continente a campanha presidencial vai mesmo começar a esquentar. Nos 45 minutos do segundo tempo para a escolha de quem preencheria a chapa tucana-demo-pepesista(PPS) e petebista (PTB do Jeferson), o candidato da direita brasileira, José Serra, encontrou um vice, o emergente da Barra, Índio da Costa. Esse cria político de Cesar Maia, o tal ex-prefeito do Rio que na sua última administração abandonou a cidade para se dedicar integralmente ao seu blog, foi possivelmente indicado pelo filho do padrinho político, de nome Rodrigo Maia.”
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“No futebol, o sonho do hexa acabou. Mas quase alguns minutos depois, o mercado, leia-se a Brahma, patrocinadora da seleção brasileira, determinou que não deu desta vez, o negócio agora é 2014. Podem imaginar o que vem por aí em matéria de negócios futebolísticos?
Como não poderia deixar de ser, a “agredida” TV Globo, via Galvão, não perdoou Dunga pela derrota mortal para a Holanda. O treinador volta para casa e antes de qualquer coisa já avisou que o seu contrato era de quatro anos. Mesmo se o Brasil ganhasse o seu destino na CBF estava selado, porque quem “atrapalha” os negócios, ainda mais envolvendo a Globo, não tem vez na seleção do Teixeira (Ricardo), ou melhor, brasileira.
A imprensa saudou o fim da Era Dunga, mas não se atreveu a pedir o fim da Era Ricardo Teixeira, na prática o proprietário da CBF, que sai ano entra ano está sempre no comando de tudo que diz respeito ao futebol brasileiro e aos negócios dele advindos.O cidadão acima de qualquer suspeita nunca é cobrado pelos eventuais desempenhos medíocres da seleção. Dunga só existiu porque Teixeira quis, mas ninguém cobrou do big-shot da CBF a mediocridade.
Mas é isso aí, o mundo não acabou por causa de uma desclassificação da seleção brasileira. Futebol é assim mesmo. O Uruguai, depois de 40 anos, voltou ao primeiro escalão do futebol mundial. Joga com a Holanda nesta terça-feira, numa parada dura de roer, sendo a camisa laranja franca favorita, mas futebol é futebol.
Depois de esfriada a cabeça pela derrota com a Holanda, neste país continente a campanha presidencial vai mesmo começar a esquentar. Nos 45 minutos do segundo tempo para a escolha de quem preencheria a chapa tucana-demo-pepesista(PPS) e petebista (PTB do Jeferson), o candidato da direita brasileira, José Serra, encontrou um vice, o emergente da Barra, Índio da Costa. Esse cria político de Cesar Maia, o tal ex-prefeito do Rio que na sua última administração abandonou a cidade para se dedicar integralmente ao seu blog, foi possivelmente indicado pelo filho do padrinho político, de nome Rodrigo Maia.”
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Serventias da Literatura
Edival Lourenço, Revista Bula“Quem milita com Literatura neste mundo de coisas utilitárias, às vezes se vê instigado a responder de pronto: Para que serve mesmo a Literatura? A resposta parece óbvia, mas na hora de responder assim de chofre e de forma objetiva, acaba-se caindo em apuros.
Em primeiro lugar, para se dar uma resposta que convença minimamente, será preciso admitir que há certos fatores que entram na composição das forças do mundo que são, digamos, imateriais. Como a força do Papa, por exemplo, que não tem nenhuma divisão de brigada, mas conseguiu interferir em muitas guerras ao longo da História. São forças não passíveis de avaliação imediatamente em peso, medida ou valor monetário. São coisas que não entram no cálculo do PIB, mas são primordiais. Como o ar , que ninguém calcula o seu preço, mas sem ele não existiríamos para dar preços às outras coisas. Com uma diferença significativa: o ar é natural; a Literatura é invenção da cultura humana.
Seja como for, valendo-me de um ensaio de Umberto Eco, aí vão alguns exemplos de utilidade da Literatura que consegui elencar:
1º — A Literatura contribui para a formação, estabilização e desenvolvimento de uma língua, como patrimônio coletivo. O que seria da língua portuguesa sem Luiz de Camões? O que seria do Italiano sem Dante Alighieri? O que seria do Espanhol sem Cervantes? O que seria do Inglês sem Shakespeare? O que seria da Civilização e da língua grega sem Homero? O que seria da língua russa sem Puchkin? É bom lembrar que línguas que não tiveram uma Literatura que sobressaísse entraram em decadência sem alcançar o apogeu.”
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03 Julho, 2010
Futebol é arte e religião
Frei Betto, Adital“Sou um analfubola. Ou seja, nada entendo de futebol. Todas as vezes que me perguntam para qual time torço, fico tão constrangido como mineiro que não gosta de queijo.
Torci, na infância, pelo Fluminense, do Rio, e o América, de Belo Horizonte. Influência materna. Mais tarde, fui atleticano por um detalhe geográfico: minha avó morava defronte do estádio, na avenida Olegário Maciel, na capital mineira. E só. Sem contar a emoção de ter estado no Maracanã na noite de 14 de novembro de 1963 para assistir, misturado a 132 mil torcedores, aquele que é, por muitos, considerado o jogo dos jogos, a disputa entre Santos e Milan pelo Mundial Interclubes!
Hoje, me dou ao luxo de assistir, pela TV, às decisões de campeonato. Escolho para quem torcer. E não perco Copa do Mundo. Jogo do Brasil é missa obrigatória.
Eu disse missa? Sim, sem exagero. Porque, no Brasil, futebol é religião. E jogo, liturgia. O torcedor tem fé no seu time. Ainda que o time seja o lanterninha, o torcedor acredita piamente que dias melhores virão. Por isso, honra a camisa, vai ao estádio, mistura-se à multidão, grita, xinga, aplaude, chora de tristeza ou alegria, qual devoto que deposita todas as suas esperanças no santo de sua invocação.
O futebol nasceu na Inglaterra e virou arte no Brasil. Na verdade, virou balé. Aqui, tão importante quanto o gol são os dribles. Eles comprovam que nossos craques têm samba no pé e senso matemático na intuição. Observe a precisão de um passe de bola! No gramado, imenso palco ao ar livre, se desenha uma bela e estranha coreografia. Faça a experiência: desligue o som da TV e contemple os movimentos dos jogadores quando trombam. É uma sinfonia de corpos alados. Fosse eu cineasta, editaria as cenas mais expressivas em câmara lenta e as adequaria a uma trilha sonora, de preferência valsa, ritmando o flutuar dos corpos sobre o verde do gramado.”
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01 Julho, 2010
Valores que constroem a cidade
Frei Betto, Adital
“A cidade se articula, basicamente, em sociedade civil (poder popular) e sociedade política (poder público). Na sua forma mais expressiva de cidadania, a sociedade civil atua através de movimentos sociais, organizações da sociedade civil que pressionam a sociedade política (Estado e instituições afins) visando a defesa e/ou conquista de direitos (humanos, civis, políticos, econômicos, ecológicos etc.).
Há movimentos sociais espontâneos e efêmeros (o recente protesto de jovens da periferia francesa contra o consumismo, através da queima de carros), bem como os que se prolongam no tempo e adquirem formas distintas para reivindicar um único direito, como a isonomia das mulheres em relação aos homens (são exemplos a peça "Lisístrata", do grego Aristófanes, nascido no século V a.C., e o movimento feminista da segunda metade do século XX).
A organização da sociedade em movimentos sociais é inerente à sua estrutura de poder. O teatro teve na Grécia antiga o papel político de dotar a população de razão crítica através de uma expressão estética, como o comprova a obra de Sófocles: Antígona desafia Creonte (a consciência do indivíduo calcada na justiça perante a legalidade do poder respaldada na tradição).
Os movimentos sociais adquirem, ao longo da história, distintas expressões: estética, religiosa, econômica, ecológica etc. A partir do século I, o Império Romano teve suas bases solapadas por um movimento social de caráter religioso - o Cristianismo - que se recusou a reconhecer a divindade de César e propalou a radical dignidade de todo ser humano, chamado à comunhão de amor com os semelhantes e com Deus, segundo a mensagem proferida por uma vítima do Império - Jesus de Nazaré - em quem os adeptos da nova fé reconheciam a presença de Deus na Terra.
Desde a Revolução Francesa a sociedade civil passou a se mobilizar mais frequentemente em movimentos sociais. Porém, é recente a noção de que a sociedade civil deve se organizar para pressionar o poder público, e não necessariamente para almejar também "a tomada do poder". Isso ensejou o caráter multifacetado dos movimentos - indígenas, negros, mulheres, migrantes, homossexuais etc. - e o fato de constituírem instâncias políticas nem sempre partidárias.”
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“A cidade se articula, basicamente, em sociedade civil (poder popular) e sociedade política (poder público). Na sua forma mais expressiva de cidadania, a sociedade civil atua através de movimentos sociais, organizações da sociedade civil que pressionam a sociedade política (Estado e instituições afins) visando a defesa e/ou conquista de direitos (humanos, civis, políticos, econômicos, ecológicos etc.).
Há movimentos sociais espontâneos e efêmeros (o recente protesto de jovens da periferia francesa contra o consumismo, através da queima de carros), bem como os que se prolongam no tempo e adquirem formas distintas para reivindicar um único direito, como a isonomia das mulheres em relação aos homens (são exemplos a peça "Lisístrata", do grego Aristófanes, nascido no século V a.C., e o movimento feminista da segunda metade do século XX).
A organização da sociedade em movimentos sociais é inerente à sua estrutura de poder. O teatro teve na Grécia antiga o papel político de dotar a população de razão crítica através de uma expressão estética, como o comprova a obra de Sófocles: Antígona desafia Creonte (a consciência do indivíduo calcada na justiça perante a legalidade do poder respaldada na tradição).
Os movimentos sociais adquirem, ao longo da história, distintas expressões: estética, religiosa, econômica, ecológica etc. A partir do século I, o Império Romano teve suas bases solapadas por um movimento social de caráter religioso - o Cristianismo - que se recusou a reconhecer a divindade de César e propalou a radical dignidade de todo ser humano, chamado à comunhão de amor com os semelhantes e com Deus, segundo a mensagem proferida por uma vítima do Império - Jesus de Nazaré - em quem os adeptos da nova fé reconheciam a presença de Deus na Terra.
Desde a Revolução Francesa a sociedade civil passou a se mobilizar mais frequentemente em movimentos sociais. Porém, é recente a noção de que a sociedade civil deve se organizar para pressionar o poder público, e não necessariamente para almejar também "a tomada do poder". Isso ensejou o caráter multifacetado dos movimentos - indígenas, negros, mulheres, migrantes, homossexuais etc. - e o fato de constituírem instâncias políticas nem sempre partidárias.”
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