30 Junho, 2010

Ainda e sempre, o doutor Getulio

Mauro Santayana, JB Online

“Rigoroso senhor de sua privacidade, Getulio Vargas só se revelou, em toda sua modéstia, em dois grandes momentos: o do exílio em sua fazenda de Itu, no Rio Grande do Sul, e ao disparar contra o coração, na manhã de 24 de agosto de 1954.

No depoimento que deixou – e não teve a repercussão merecida quando editado – sobre aqueles 20 dias de agosto, o embaixador José Sette Câmara, que trabalhava com Lourival Fontes, na Casa Civil da Presidência – durante o mandato constitucional de Getulio – revela como o presidente vivia. Naquela manhã desesperada, ao entrar no quarto amplo de Getulio, ficou espantado com a singeleza do aposento. “Impressionou-me a austeridade e quase pobreza dos móveis negros e pesados. Uma cama de casal de madeira lisa, cinco armários, uma cômoda, um espelho. Nenhuma alfaia, nenhum tapete de luxo”.

Há poucos meses, Villas-Bôas Corrêa lembrava a modéstia de sua vida na estância, longe da família, entre 45 e 50. Ao visitá-la, Villas ficou surpreso: os amplos cômodos com os poucos e indispensáveis móveis rústicos, o quarto com a cama de solteiro, desarrumada, a cadeira que servia de cabide para a roupa de todos os dias, a mesa de trabalho. Assim era o doutor Getulio.”
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29 Junho, 2010

Herzog, o último diálogo

Frei Betto, Adital

“- Então, cara, não vai entregar nomes e endereços de seus camaradas no Partido Comunista?

Vladimir Herzog havia sido torturado horas no DOI-CODI de São Paulo. Ao ser intimado a prestar depoimento, a 24 de outubro de 1975, não vivia clandestino, morava em endereço fixo, trabalhava como jornalista, era casado e pai de dois filhos. Ao ser convocado à polícia, imaginou que ficaria ali tempo suficiente para prestar esclarecimentos. Retornaria para dormir em casa. Agora, tinha os pulsos marcados por fios de corrente elétrica e lesões provocadas pelos choques na uretra, no ânus e sob as unhas.
- Já disse que não estou ligado a nenhum partido - insistiu Vlado. - Tenho formação de esquerda, sou contra a ditadura, mas não exerço militância.

- Você não tem escolha, cara! Ou abre o bico ou te suicidamos. Se quer bancar o heroi, vai se dar mal.

- Quem vai se dar mal são vocês. Morrer sei que vou mesmo, um dia, como todo mundo. Mas vocês, torturadores, assassinos, morrerão execrados. Nenhuma ditadura é eterna. Quando o Brasil retornar à democracia, terão de prestar contas do assassinato de Rubens Paiva, do martírio de Frei Tito, e de tantos desaparecimentos e eliminações extrajudiciais.

- Você acredita mesmo nisso? Deixa de ser trouxa, cara. Antes que a democracia volte, os generais farão uma lei nos eximindo de qualquer responsabilidade. Uma anistia geral e irrestrita. Porque, no Brasil, oficiais superiores são inimputáveis. Então, ninguém vai poder apurar nada. Se combatemos a subversão do nosso jeito, é para defender o Estado. A lei somos nós. Nós decidimos o que é certo ou errado.

- Engano seu. O futuro não esquece. Os crimes dos nazistas foram investigados e penalizados ao findar a Segunda Guerra Mundial. Enquanto houver um carrasco nazista refugiado mundo afora, ele será procurado e, capturado, sancionado. Tortura e extermínio extrajudicial são crimes de lesa-humanidade, imprescritíveis.”
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28 Junho, 2010

O mundo gira, apesar da Copa

Mário Augusto Jakobskind, Direto da Redação

“Enquanto nós, mortais, estamos com os olhos e corações voltados para a Copa do Mundo na África do Sul, a situação no Oriente Médio vai se deteriorando, com os meios de comunicação conservadores sonegando informações. São poucas as agências internacionais que informam, por exemplo, que navios de guerra dos Estados Unidos, com foguetes e submarinos nucleares e a colaboração militar israelense, estão navegando através do Canal de Suez rumo ao litoral do Irã.

É possível que essa movimentação seja manobra intimidatória contra o Irã, mas não é impossível que essas forças belicosas decidam agir de alguma forma ou, quem sabe, orquestrar uma ação interna contra o regime dos aiatolás e desestabilizar o governo de Mahmoud Ahmadinejad. O Irã se declarou em estado de guerra para fazer frente a qualquer eventualidade.

Concomitante ao deslocamento, a Câmara de Representantes dos Estados Unidos, seguindo a trilha do Senado, aprovava mais sanções contra o Irã, além daquelas decididas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Ou seja, os tambores da guerra estão ressoando com mais força na região mais conflagrada do Planeta. O jogo de interesse do complexo industrial militar estadunidense não se contenta apenas em escoar a sua produção no Afeganistão e Iraque, quer ainda mais, sempre mais. O Irã, que não é o Iraque, não se intimidará assim tão facilmente e se ocorrer alguma precipitação dos acontecimentos reagirá em sua defesa. Em havendo algum confronto, as consequências serão sentidas em todo o planeta.

Brasil e a Turquia quando procuravam resolver a “crise” nuclear através de um acordo com o Irã tentavam exatamente conseguir o relaxamento da tensão. A resposta veio imediatamente com a aprovação das sanções contra o Irã pelo Conselho de Segurança e segue agora com o deslocamento das forças militares dos EUA e Israel.”
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27 Junho, 2010

O verso do cartão de embarque

Felipe Pena, Jornal do Brasil

“Penso em você sempre que faço o check in nos aeroportos de minhas turnês literárias. Não é a partida, nem a chegada. Muito menos a viagem ou a imaginação de tua companhia nos lugares onde nunca estás. Tampouco a nostalgia das noites em que tua presença parecia eterna. Pra ser sincero, o que te traz à memória é preencher o verso do cartão de embarque.

A moça da companhia aérea, com aquele sorriso morno e o cabelo passado a ferro no tintureiro, solicita que eu escreva nome e telefone de um contato para emergência. Que tipo de emergência? – pergunto, retoricamente, já sabendo o significado. E cravo o teu número no papel.

Poderia ser o número lá de casa. Ou de alguém da família. Quem sabe o daquele primo distante com fama de resolver todo tipo de problema, o que, sem dúvida, inclui resgatar parentes desaparecidos no ar. Mas não consigo ser tão pragmático. É o teu nome que me vem à cabeça.

Nome não. O que escrevo são as poucas letras do teu apelido, imaginando a tua reação com o telefonema de um estranho pronunciando a palavra cujo significado é tão íntimo para nós. Tão cúmplice de nossas manias. De nossos erros. De nossas festas. O apelido que surgiu naquela noite iluminada, entre colchas roubadas e garrafas vazias. O apelido pequeno, mas definitivo. O apelido que agora ouvirás de um senhor de terno, com formação em psicologia e a voz pausada. Mas que, mesmo assim, ainda vai te fazer pensar que sou eu ao telefone.

Não haverá desespero ou sofrimento. Ninguém é obrigado a acreditar no que parece impossível. Temos a eternidade, não temos? A realidade não importa, meu amor. São os versos do Baudelaire, as músicas do Renato e as frases de Gabriel que nos unem neste umbigo literário onde habitamos. Não somos carne, somos letra. E nos momentos em que fomos carne, também houve letra.”
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26 Junho, 2010

Poteiro, o Velho

Ademir Luiz, Revista Bula

“Creio que estava no início da adolescência quando vi pela primeira vez uma tela de Antônio Poteiro. Representava uma cena de festa no interior. Uma quermesse talvez. Sabia vagamente quem era o autor. Sua figura barbuda, excêntrica, meio Papai Noel, era folclórica. Lembro-me que, sendo tolo e pretensioso como quase todo adolescente, pensei algo como: “Horrível! Eu desenho melhor que ele”. Naquela ocasião não pude decodificar o sentido íntimo daqueles traços rústicos e cores fortes. Amarelo manga, vermelho sangue, verde limão maduro. A aceitação, ou compreensão, do conceito de primitivismo artístico passava longe de meu imaginário caipira de goianinho caipora, (mal) acostumado que estava com pequenos manuais de divulgação do tipo “Da Vinci por ele mesmo” ou “O pensamento vivo de Picasso”. Não tinha olhos para ver. Mas não apenas eu.

Antônio Batista de Sousa, o Poteiro, concedeu um hilário e comovente depoimento no documentário “Mudernage”, lançado no início de 2010, dirigido por Marcela Borela, onde conta como entrou no estranho mundo da arte “sofisticada”, da arte acadêmica, da arte de mercado. O filme trata da introdução da modernidade em Goiás, um Estado caracterizado pela força da tradição. Nesse sentido, devemos lembrar que o estilo primitivista só pode ser entendido como ação artística em um cenário cultural moderno, dotado de uma percepção capaz de separá-lo da simples produção artesanal. De fato, antes de estabelecer-se como artista cult, Poteiro foi um reconhecido artesão.”
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24 Junho, 2010

Os militares e a política

Mauro Santayana, JB Online

“Ao demitir, ontem, o general Stanley McChrystal do comando das tropas norte-americanas no Afeganistão, o presidente Obama venceu o primeiro grande teste de autoridade em seu governo. A los militares, disse o presidente argentino Arturo Illia – “o se les manda, o se les obedece”. Obama mandou. Mandou, como Truman, em abril de 1951, demitiu o general MacArthur, velho herói da Guerra na Ásia, responsável pela democratização manu militari do Japão, por desobediência às diretrizes políticas estratégicas da Casa Branca no caso da Guerra da Coreia.

O argumento de Truman foi definitivo: a Constituição estabelece que os militares têm que se subordinar ao comando civil. Se não demitisse MacArthur, estaria faltando ao juramento que fizera, de sustentá-la e defendê-la. O general McChrystal, com toda a sua importância, se encontra a anos-luz da personalidade de MacArthur.

São difíceis as relações entre militares e o poder civil, em todos os tempos e em todas as latitudes. Já se tornou lugar-comum lembrar o aviso de Clemenceau de que a guerra é assunto muito grave para ser confiado aos militares. Mas há momentos em que o homem de Estado se vê obrigado a suportar militares petulantes. Nas discussões de ontem sobre o caso McChrystal, a historiadora Doris Kearis lembrou a desfeita sofrida por Lincoln, em 1862. Percebendo que o general McClellan, comandante das tropas da União contra os confederados, não estava atuando de acordo com suas diretrizes, resolveu visitar o chefe militar em sua residência, em companhia de dois auxiliares, para uma conversa amistosa. O general não estava, e os visitantes esperaram mais de uma hora. McClellan chegou, viu-os, passou por eles sem os cumprimentar, subiu as escadas, e mandou avisar que já se recolhera ao leito. O grande presidente engoliu a ofensa: não lhe convinha demitir logo o insolente militar, porque não tinha como substituí-lo no comando. Esperou dois anos para fazê-lo. McClellan estava sendo eficiente na luta, e chegou a ser chamado de Little Napoleon. Quando começou a esmorecer, foi facilmente substituído.”
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23 Junho, 2010

Saramago e o Vaticano

Mauro Santayana, JB Online

“Há dias (Coisas da Política, 4/6, A compaixão e a esperança) comentávamos, neste mesmo espaço, texto do Dalai Lama sobre a visão de Deus como a essência da compaixão. Os humanistas, agnósticos ou ateus, tampouco desdenham a compaixão, que é a forma mais profunda, mais radical, da solidariedade entre os seres humanos. Compadecer-se é padecer em comum, é compartir do mesmo pão do sofrimento, chorar as mesmas lágrimas e, em casos extremos, comungar da mesma agonia, como ocorreu a Cristo e seus dois companheiros do Calvário.

O escritor José Saramago tem admiradores e críticos. Muitos o identificam com predecessores que marcaram a literatura, com seu estilo próprio, sua “oralidade”, que despreza alguns cânones da língua e subverte a pontuação. Como a estética (aesthesis) é sensação, cada um de seus leitores vê em Saramago aquilo que quer ver, ou pode ver. O escritor só se completa com o leitor e, também nesse ato, há uma forma de “compaixão”. Quem lê pode sentir ou não o autor, compartir ou não de seu juízo, de sua comiseração ou de seu desdém para com os personagens. Há quem chore diante de uma passagem de Bach, e quem sofra com um poema de John Donne. E há quem deteste uma página de Saramago.”
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22 Junho, 2010

Onde está Sokratis Papastathopoulos?

Alexandre Gama, O Estado de S.Paulo

“Para tudo. A grande festa do futebol mundial não devera ter dado o pontapé inicial. Nada a ver com as obras de infraestrutura incompletas na África do Sul. Também não é o fato de Ganso e Neymar não estarem lá com a seleção do Dunga ? seleção que, como ele mesmo disse, é dele e não do Brasil. Não. Tudo isso já está assimilado. Matei essas notícias no peito e saí jogando.

O problema é que a abertura da Copa decretada na sexta, dia 11, quando o apito do árbitro em Johanesburgo iniciou oficialmente o primeiro jogo, aconteceu sem Sokratis Papastathopoulos aparecer. Sokratis é grego, 22 anos, joga no Gênova da Itália e é beque central na seleção da Grécia com o numero 19 na camisa. Mas é o número 168 que ele ostenta no álbum de figurinhas da Fifa que está me tirando do sério.

É isso mesmo. Sokratis Papastathopoulos é a última figurinha ? aquela derradeira ? que preciso para preencher meu álbum. Só falta ele: um grego com nome de jogador corintiano da década de 80 que agora se esconde em alguma banca de jornais pelo Brasil, teimando em não comparecer à página 20 do meu álbum.

As piadas infames dos amigos só fazem aumentar a dor dessa ausência: "Você cortou ele do time sem querer na hora que rasgou o saquinho" disse um. "Ele foi pego no exame antidoping por cheirar cola de figurinha" disse outro. Ouço resignado, com sorriso amarelo, e sigo encarando aquele vazio tático e fotográfico nas páginas da seleção da Grécia.

Onde está você, Sokratis? Estou com o número 168 na cabeça o dia inteiro, vivendo aquela aflição de parente de pessoa desaparecida. Já tentei trocar as muitas dezenas de figurinhas repetidas que tenho, mas ninguém tem a 168 repetida para trocar comigo. Já cheguei a dizer que dou todas as minhas em troca de uma do Sokratis, o que se configuraria certamente na maior transação da história do futebol mundial envolvendo uma figurinha da Fifa. Mas até agora, nada.”
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21 Junho, 2010

O adeus do editor

Luiz Schwarcz, Observatório da Imprensa

Reproduzido da Folha de S.Paulo, 19/6/2010; publicado originalmente no blog da editora Companhia das Letras

“Acabo de ver o escritor José Saramago morto. Quando a notícia apareceu na internet, liguei pelo Skype para Pilar, que sem que eu pedisse me mostrou José deitado na cama, morto. Tenho falado com Pilar quase todos os dias. Sabia que não havia chance de recuperação, o destino de José já estava traçado, os médicos não acreditavam mais na possibilidade de um novo milagre, como o do ano passado, quando venceu, contra todas as expectativas, os problemas pulmonares que o acometiam.
Posso dizer que José Saramago era um grande amigo meu e da minha família. Quando vinha ao Brasil hospedava-se em minha casa, no quarto que foi da Júlia, minha filha. Detestava hotéis. Viu meus filhos crescerem. Fui conhecer sua casa em Lanzarote logo que se mudou com Pilar, abandonando Portugal.

Assisti emocionado à cerimônia do Nobel em Estocolmo – pouco antes, no hotel, aprovamos, Lili e eu, o vestido de Pilar para o evento. Estava em Frankfurt quando ele recebeu a notícia do prêmio; celebramos juntos.

A obra de Saramago veio para a Companhia das Letras por acaso. No fim da Feira de Frankfurt de 1987, ao me despedir de Ray-Gude Mertin, uma amiga pessoal e agente literária de muitos autores brasileiros, comentei que José era dos meus autores favoritos. Conversa à toa, de fim de feira. Não fazia ideia de que ela representava o escritor português, junto com a editora Caminho, e que estava para mudar Saramago de editora no Brasil.

Atrasei minha partida e voltei, com a bagagem no porta-malas do táxi, para falar com Zeferino Coelho sobre a Companhia das Letras.
Foi tudo muito rápido, "Jangada de Pedra" foi o primeiro livro, lançado em abril de 1988 com a presença do autor no Brasil, junto com Pilar, jornalista que conhecera em 1986 e que mudou tanto a sua vida. A empatia foi imediata, apesar da minha gafe inicial -perguntei-lhe em plena praia de Copacabana se era verdade que, em Portugal, "Psicose", de Hitchcock, fora intitulado "O Filho que Era Mãe", e "Vertigo", "A Mulher que Morreu Duas Vezes".
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20 Junho, 2010

Futebol e esquizofrenia

Mário Augusto Jakobskind, Direto da Redação

“É tempo de futebol, e também do esquizofrenia na área midiática quando os locutores pregam a “defesa da pátria” nas quatro linhas. E isso os galvões buenos e outros menos votados o fazem nos mesmos canais que se alinham ao que é há de mais antipatriótico no espectro político brasileiro.

Já virou rotina as tentativas da mídia em estabelecer o esquema pão e circo. Não que o futebol em si seja alienante, mas o que há em redor cumpre esse papel com a colaboração inestimável dos meios de comunicação conservadores. Exemplo mais recente nesse sentido ocorreu, para variar, na TV Globo, em uma reportagem de Nova York com argentinos lá residentes acordando cedo para assistir um jogo da seleção de Maradona.

Em determinado momento o repórter foi ouvir um indiano torcendo pela Argentina e dizendo que tinha ”ódio do Brasil”, pois “se ama a Argentina tinha que ter ódio do Brasil”. Mas o pior da história foi que o indiano não apareceu falando, sendo apenas “traduzido” pelo repórter.

Ficou claro que os “patriotas” da TV Globo aproveitaram o embalo para envenenar, ou seja, colocar o tema não como uma rivalidade normal de disputa futebolística, mas jogar um país contra o outro, como fazem ao longo dos anos. Na prática essa gente joga contra a integração latino-americana, que tem como ponto relevante a aproximação brasileiro-argentina.

A mídia conservadora preferiu ignorar que a seleção argentina ao se despedir dos torcedores numa apresentação em Buenos Aires ergueu uma faixa informando que os jogadores apoiavam a indicação das Avós da Praça de Maio para o Prêmio Nobel da Paz. Ou seja, a seleção comandada por Maradona deu toda força a um grupo de senhoras mobilizadas desde 1977 para cobrar o desaparecimento político de netos e filhos durante a ditadura. Já imaginaram uma seleção brasileira defendendo direitos humanos erguendo uma faixa o que faria a mídia conservadora?”
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50 anos de um clássico

Camila Alam, Carta Capital

“Em 16 de junho de 1960, estreava nos cinemas americanos o thriller Psicose, maior sucesso de público do diretor inglês, naturalizado americano, Alfred Hitchcock (1899 – 1980). Assistir a este suspense na semana em que comemora 50 anos talvez seja pouco diferente da experiência à época de sua estreia. Muito se deve ao fato de que este meio século só tenha colaborado para manter a essência do longa, apesar das mudanças sofridas pela indústria cinematográfica desde então. Psicose é, em suma, atemporal.

Naquela época, as sessões aconteciam de maneira contínua. Era comum entrar e sair dos cinemas a qualquer horário. Em cada sala de exibição, contudo, o diretor pediu que fossem distribuídos cartazes, onde pedia ao público que entrasse na sala apenas no começo da sessão. Como todo bom filme de suspense, este teria uma surpresa ao final, que definitivamente não deveria ser estragada. O anúncio do diretor seria importante para atiçar a audiência, atraindo ainda mais espectadores e gerando maior curiosidade acerca da trama do Motel Bates e os envolventes personagens de Anthony Perkins (1932-1992) e Janet Leight (1927-2004).

Assim como a maioria dos filmes de Hitchcock, este é cercado de curiosidades de bastidores. A marcante cena do assassinato no chuveiro, uma das mais famosas da história do cinema, também é vítima de mitologias. Fato é que Hitchcock era de poucos amigos e tratava seus atores, em especial as atrizes, com desprezo incomum. Parte dessa trajetória curiosa que envolve as mulheres é tratada pelo pesquisador Donald Spoto em Fascinado pela Beleza (Ed. Larousse, 2009). Spoto, também autor de outros livros sobre o diretor, discorre neste volume sobre o tratamento hostil dedicado às atrizes e mulheres que passaram pela vida do inglês, incluindo esposa e filha. Algumas atrizes, que cruzaram com o mestre do suspense ainda em início de carreira, no cinema mudo, teriam desistido de atuar depois de conviver com o diretor. Histórias curiosas são narradas e demonstram uma relação ambígua que envolvia o diretor e suas musas.”
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18 Junho, 2010

O pragmatismo, a ética e o dever

Mauro Santayana, JB Online

“No monólogo da abertura de seu Doctor Faustus, Christopher Marlowe adverte: “Si peccasse negamus, fallimur, et nulla in nobis veritas”. Se não reconhecemos os nossos pecados, nada da verdade existe em nós.

A campanha eleitoral está se transformando em triste confronto entre o pragmatismo e a ética. Uma corrente de humanistas defende o princípio de que o verdadeiro pragmatismo é o que respeita os fundamentos imemoriais da ética. Esse pensamento encontra eco no conselho de que, na dúvida, devemos sempre apostar na honra.

Uma coisa, na construção do poder, é a concessão doutrinária. Para encontrar o centro – e não se governa senão pelo centro – os partidos podem ceder em seus programas e estabelecer pactos em que todos os contratantes ganham alguma coisa para perder outras. Mas há limites para esses acordos, quando envolvem a comunidade, e esses limites estão sendo esquecidos nas candidaturas presidenciais e em quase todas as estaduais.

Tanto o PSDB quanto o PT nasceram do discurso ético. Os dissidentes do PMDB, paulistas e mineiros, que se levantaram contra o poder dos governadores eleitos em 1986, apelaram para a social-democracia, em nome da moralidade política. O PT foi ainda mais autêntico em sua gênese, quando se reuniram os sonhadores com a igualdade social e os defensores dos bons costumes na administração do Estado. De repente, nos dois partidos, a luta por minutos e segundos nos programas de televisão conduz a arriscadas e pecaminosas concessões. Quando o PSDB negocia o apoio de Roberto Jefferson e cata os votos dos seguidores de Arruda no Distrito Federal, e o PT de Minas se vê tangido a apoiar o candidato do PMDB ao governo do estado, os princípios deambulam no deserto, escorraçados pelo ilusório pragmatismo.”
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17 Junho, 2010

O brilho da terceira idade

Leila Cordeiro, Direto da Redação

"Durante a Copa do Mundo, escrever sobre qualquer assunto que não seja relacionado ao futebol que se joga nos estádios da Africa do Sul é quase uma perda de tempo, já que todo mundo só quer falar de quem jogou bem ou de quem decepcionou, das seleções que foram bem ou mal na primeira rodada e qual delas tem mais chance de levar o caneco.

Mesmo assim vou ousar escrever sobre outra preferência de público: a novela. Apesar de estigmatizada por nove entre dez telespectadores como produto de pouco conteúdo intelectual, a novela continua sendo um dos maiores faturamentos das emissoras de TV com números expressivos no Ibope.

Desde que apareceram os reality-shows, as novelas ficaram um tanto esquecidas pelo departamento comercial das emissoras porque o público ficou mais ligado em ver pessoas comuns representando-se a si mesmas do que ver atores em uma vida real criada nos estúdios e locações.

Apesar da audiência, esses reality-shows jamais irão superar o reinado das novelas. São programas que mostram desconhecidos em atitudes pueris, formulando pensamentos como se fossem grandes autoridades. Mas não passam de modismo rídiculo que duram algum tempo e depois cairão no esquecimento, enquanto os folhetins televisivos têm fôlego pra dar e vender e continuarão dominando por muitos anos o horário nobre das TVs.

Curioso é que muita gente tem preconceito em dizer que assiste novela, mas não nega que sai correndo do trabalho para acompanhar as baboseiras dos reality-shows que, não tem nada melhor a mostrar do que papos sem nexo entre os participantes que viram celebridade da noite para o dia por exporem sua intimidade via satélite.”
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16 Junho, 2010

1958: reis de copas

Ademir Luiz, Revista Bula

“O jornalista Milton Leite, autor do livro “As Melhores Seleções Brasileiras de Todos os Tempos” (Contexto. 223 páginas), escreveu que “a seleção que conquistou em definitivo a Taça Jules Rimet entrou para história como o melhor time já montado na história dos mundiais”. Uma opinião absolutamente crível, canônica até. É possível que os mais exaltados, resgatando a memória do comentarista esportivo Nelson Rodrigues, chamem de “óbvio ululante”. É possível, reconheço. Porém, respeitosamente, discordo.

Em minha opinião, e não acho que seja difícil provar, a maior seleção de todos os tempos é a escrete canarinho da Copa de 1958. Os campeões de 1970 ficariam com o mais do que honroso segundo lugar, levando-se em conta que o time de 1962, vencedor no Chile, é praticamente o mesmo de quatro anos antes. Era, portanto, uma equipe já montada.

Não tenho certeza quanto ao 3º lugar. Teoricamente, a seleção de 1982 possui todos os predicados para ocupar a posição, mas a dura verdade é que o festejado time de Telê Santana fracassou miseravelmente. O pior: fracassou duas vezes. Diferentemente de outras grandes seleções que não venceram a Copa, como a Hungria de 1954 e a Holanda de 1974, ambas derrotadas na final pela sempre combativa Alemanha, o Brasil, tanto na Espanha quanto no México, em 1986, caiu nas quartas-de-final, perdendo para seleções consideradas inferiores, respectivamente Itália (que foi campeã) e França. Nas duas ocasiões, sequer disputou a anticlimática partida pelo 3º lugar. O Brasil auto-intitulado “campeão moral” da Copa da Argentina de 1978 teve esse direito e cumpriu seu dever. A tão criticada seleção de 1974 ficou em quarto. Tanto em 1982 quanto em 1986 o Brasil amargou a 5º posição. Fracassos piores, só o 11º lugar da seleção que jogou a Copa da Inglaterra de 1966, misto de novatos inexperientes e envelhecidos veteranos do time dos sonhos de 1958, e o 9º lugar alcançado em 1990 pela turma da Era Dunga. Apesar da forma vexatória, e suspeita, como ocorreu, o vice-campeonato na França, em 1998, perdendo para a anfitriã, não foi uma posição desonrosa. A armada Brancaleone de 2006 não foi para Alemanha pensando em jogar. Sequer treinaram. Sua queda foi uma crônica de uma morte anunciada.

Minha geração, que cresceu hipnotizada pelas infinitas repetições dos grandes lances de Zico, Sócrates, Falcão e companhia, parece se esquecer do contexto geral. Talvez o mais justo fosse dar o 3º lugar para o pragmático time de 1994 ou ainda para os campeões de 2002. Mas, apesar de tudo, não é o caso. A Copa dos Estados Unidos foi um mundial medíocre. O Brasil era o menos fraco dos competidores. Era disciplinado taticamente, tinha o elenco unido e contava com um gênio em sua melhor forma: Romário. Copa é momento e o Brasil de Parreira soube aproveitar o seu. A vitória na Copa da Ásia — Japão e Coreia — foi fruto do imponderável. Quem poderia imaginar que o maior destaque da competição seria um atleta que se recuperava de uma contusão gravíssima, Ronaldo? Acho que em 2002, pela primeira vez na história dos mundiais de futebol, os jogadores não foram os principais responsáveis pela vitória. Dessa vez o mérito maior cabe ao técnico: o xerife Felipão. Assim, sem negar o fator emocional, apesar de ser um time que não soube ganhar e, pior, não soube perder, 1982 fica em terceiro. De resto, 1994 ficaria em quarto e 2002 em quinto.”
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Mário Augusto Jakobskind, Direto da Redação

Cerco ao Irã

“Os Estados Unidos conseguiram aprovar no Conselho de Segurança das Nações Unidas as sanções contra o Irã. Madame Hillary Clinton sentiu-se vitoriosa, da mesma forma que o governo de Israel. O que se deve perguntar é como a Rússia e a China também aprovaram as medidas punitivas, mesmo, como dizem eles, não tão duras? O que terá acontecido nos bastidores, teria havido alguma compensação financeira?

Em termos concretos, pergunta-se: ações dessa natureza, que já foram adotadas desde 2006, resolvem alguma coisa? Qual a moral que têm os cinco países detentores de bombas atômicas que integram o Conselho de Segurança para se posicionar contra quem desenvolve energia nuclear? E o que fará a ONU se Israel atacar o Irã com o sinal verde dos Estados Unidos e a Arábia Saudita abrindo o seu espaço aéreo para a passagem de aviões militares israelenses, segundo noticiou o jornal britânico Times.

Cada um faz a leitura que quiser do acordo nuclear que envolveu os governos do Brasil, Turquia e Irã. Fato curioso, o candidato das forças conservadoras nacionais, José Serra, não deu uma palavra sobre o que aconteceu, tampouco foi cobrado pelos jornalistas da mídia conservadora.

Serra, que tem sido um crítico contumaz da política externa independente do atual governo prefere se alinhar no esquema Cardoso & Láfer, que aceita passivamente as pressões de Washington e chega ao cúmulo de achar normal que um ministro de Estado do Brasil seja revistado vexatoriamente pela alfândega estadunidense. Para Serra, bom mesmo é o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, objeto de rasgados elogios por parte do candidato a Presidente pelo PSDB-Demo-PPS.

Enquanto isso, em matéria de violências contra representantes dos movimentos sociais, a Confederação Sindical Internacional (CSI) revelou em seu relatório de 2009, que 101 sindicalistas foram assassinados, em todo o mundo, tendo havido um aumento de 30% em relação ao ano de 2008. O recorde ficou com a Colômbia, onde foram mortos 48 sindicalistas, enquanto no Brasil foram assassinados quatro, segundo ainda a CSI, entidade que representa 176 milhões de trabalhadores de 155 países.”
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14 Junho, 2010

Emergência Turca

Rui Martins, Direto da Redação

“De todas as dúvidas e incertezas, guerra de comunicados e de vídeos, sobre a frotilha dita humanitária, uma única coisa certa e verdadeira aparece – a emergência da Turquia no cenário do Oriente Médio.

Não se pode dizer ser novidade, porque o império turco-otomano ali dominou por seis séculos. Essa a razão pela qual nossos avós qualificavam todos os emigrantes vindos da região, desde libaneses, persas aos árabes como turcos.

E a nota marcante de um retorno de uma supremacia da Turquia na região é a de ser um país democrático (o que não é a norma naqueles lados), cujo poder político é vigiado pela Justiça e pelas Forças Armadas, e sem se deixar dominar pelos religiosos, como ocorre no Irã, pois é um país laico.

Essa emergência turca é decorrente de um clima de deterioração dos antigos detentores da supremacia. O Egito soube manter uma liderança na região tanto como potência de esquerda na época do panarabismo ateu de Nasser, como ao mudar de posição com os presidentes Sadat e Mubarak. Impedindo a propagação islamita fundamentalista dos Irmãos Muçulmanos, que acabou sendo exportada, o Egito pôde atuar, durante anos, como mediador nas crises envolvendo Israel e a questão palestina.

O Iraque, outra grande potência, foi praticamente aniquilado pelos EUA que, procedendo como um mau jogador de xadrez, não viu ao derrubar Sadam Hussein, ressurgir o Irã. Resta a Síria, porém sem a mesma força do passado, comprometida com a colonização do Líbano e pelas relações com o Irã.

Erdogan sabe navegar melhor que as frotilhas, pois suas vibrantes condenações de Israel não significaram que defendesse o Hamas, teocrático e fundamentalista, quando sua história o aproxima muito mais do Fatha também laico de Arafat, hoje minoritário entre os palestinos.”
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13 Junho, 2010

A lenda dos sem-programa

Ainda que nenhum dado de realidade possa lastrear essa crença – e ainda que sucessivas pesquisas mostrem que o eleitorado não vê o mundo assim – persistem as vozes dizendo que as identidades entre Serra e Lula seriam mais profundas que as contraposições. Uma expressão desse fetiche é falar que ao tucano falta um programa. Assumir essa fábula como verdade, no entanto, pode desorientar muito. São três os elementos que enviam a tese ao depósito dos erros políticos. O artigo é de Artur Araújo.

Artur Araújo, Carta Maior

A operação de marquetagem “Serra-continuador-de-Lula” vem tendo sucesso nas hostes jornalísticas. Ainda que nenhum dado de realidade possa lastrear essa crença – e ainda que sucessivas pesquisas mostrem que o eleitorado não vê o mundo assim – persistem, dizendo que as identidades seriam mais profundas que as contraposições. Uma expressão desse fetiche é falar que ao tucano falta um programa.

Que veículos de comunicação partidarizados assim procedam, é do jogo. Interessa-lhes dar guarida à linha de marketing de seu candidato e criar uma pauta que confunda os adversários. Assumir essa fábula como verdade, no entanto, pode desorientar muito.

São três os elementos que enviam a tese ao depósito dos erros políticos. O primeiro é uma avaliação realista do que foram e são as gestões de Serra em São Paulo (a municipal prossegue através de procurador). Geração contínua de reservas de caixa, aplicadas a juros amigos da banca, e estrangulamento financeiro e de gestão dos serviços públicos - educação, saúde, segurança, transportes - sintetizam o modo tucano de governar.

Muito emblemática foi a recusa de Serra e Kassab, ao longo de 2009, a pôr em prática qualquer ação de viés anticíclico. Às eficazes medidas do governo federal – injeção de liquidez, expansão do crédito via bancos públicos, desonerações tributárias emergenciais, estímulo explícito ao consumo das famílias – retrucaram com crítica contínua e inação continuada.

Um segundo indicador da existência do Programa Serra são as “análises” emitidas por seu entorno. Bastou o Brasil demonstrar o acerto da política de combate à crise proposta por Lula, que nos livrou do retrocesso econômico e social bem antes dos países capitalistas centrais, que a grita se estabeleceu.”
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Mediocridade e caráter

Brasigois Felício, Revista Bula

“O homem comum é sem caráter porque é medíocre, ou o é medíocre por que não tem caráter? A rigor, não existe, neste termo, o malsinado “mau caráter”, que vive a empestear a atmosfera mental e emocional das pessoas normais, nas favelas, condomínios de luxo, de campos e cidades. O que existe é a criatura de caráter deformado.

A diferença entre o homem de gênio e o homem medíocre é de caráter. O primeiro o tem bem formado, e o segundo também o possui, mas deformado. Pelo ambiente, pela sagrada família, ou por si próprio. Uma pergunta não quer calar em mim: o destino de uma pessoa é construído por seu caráter, ou é seu bom ou mau caráter o autor de seu destino?

Assim como for o caráter, assim será o destino. O segundo é consequência do primeiro. Assim como existe a vocação do gênio, também há a vocação para a mediocridade. Para realizar a primeira é preciso talento, trabalho e vontade. Para sucumbir à segunda, basta sucumbir à inércia, e à lei da gravidade.

Em todos os segmentos da sociedade, e talvez principalmente no cenário onde pontificam escritores, professores pós-graduados, artistas e os deploráveis pseudos destes nichos, abundam casos de mediocridades que alcançaram a consagração dos prêmios, e o reconhecimento tanto de seus pares quanto das praças associadas.

Muitos são chamados a assumir, fazer que nasça e cresça a semente do gênio em si, mas não dão escuta, preferindo a comodidade de uma mediocridade premiada, ou tornada celebridade de verão. É o que assinala o psicólogo James Hillman, em seu livro “O Código do Ser” (Editora Objetiva): “Nós, da maioria mediana, também somos chamados, mas não seguimos a vocação por muitas razões: os pais inibem-na, os médicos diagnosticam-na, a pobreza estraga-a, ninguém a reconhece, a fé vacila, acontecem acidentes. A gente se acomoda, dá um jeito. A mediocridade de um sapato velho”.
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12 Junho, 2010

Carta a um amigo petista

Frei Betto, Adital

“Meu caro: sua carta me chegou com sabor de velhos tempos, pelo correio, em envelope selado e papel sem pauta, no qual você descreve, em boa caligrafia, a confusão política que o atormenta.
Pressinto quão sofrido é para você ver o seu partido refém de velhas raposas da política brasileira, com o risco de ser definitivamente tragado, como Jonas, pela baleia..., sem a sorte de sair vivo do outro lado.

A política é a arte do improviso e do imprevisto. E como ensina Maquiavel, trafega na esfera do possível. O sábio italiano foi mais longe: eximiu a política de qualquer virtude e livrou-a de preceitos religiosos e princípios éticos. Deslocou-a do conceito tomista de promoção do bem comum para o pragmatismo que rege seus atores - a luta pelo poder.

Você deve ter visto o célebre filme "O anjo azul" (1930), que imortalizou a atriz Marlene Dietrich e foi dirigido por Joseph von Stemberg e baseado no livro de Heinrich Mann, irmão de Thomas Mann. É a história de uma louca paixão, a do severo professor Unrat (Emil Jannings) por Lola-Lola, dançarina de cabaré. Ele tanta aspira ao amor dela, que acaba por submeter-se às mais ridículas e degradantes situações. Torna-se o bobo da corte. Nem a cortesã o respeita. Então, cai em si e procura voltar a ser o que já não é. Em vão.

Me pergunto se o PT voltará, algum dia, a ser fiel a seus princípios e documentos de origem. Hoje, ele luta por governabilidade ou empregabilidade de seus correligionários? É movido pela ânsia de construir um novo Brasil ou pelo projeto de poder? Como o professor de "O anjo azul", a paixão pelo poder não teria lhe turvado a visão?
Você se pergunta em sua carta "onde o socialismo apregoado nos primórdios do PT? Onde os núcleos de base que o legitimavam como autorizado porta-voz dos pobres? Onde o orgulho de não contar, entre seus quadros, com ninguém suspeito de corrupção, maracutaias ou nepotismo?".

Nunca fui filiado a nenhum partido, como você bem sabe e muitos ignoram. É verdade que ajudei a construir o PT, mobilizei Brasil afora as Comunidades Eclesiais de Base e a Pastoral Operária, participei de seus cursos de formação no Instituto Cajamar e de seus anteparos, como a Anampos e o Movimento Fé e Política.”
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10 Junho, 2010

Torcedora Bissexta

Leila Cordeiro, Direto da Redação

“Dizem que em época de Copa do Mundo até mesmo aquele que nem sabe o nome dos jogadores da seleção arrisca palpites, antes e depois de cada jogo. A torcedora bissexta (pode ser torcedor também) pega carona no comentário de um ou outro amigo e veste a camisa amarelinha pra valer, se julga o maior especialista em futebol, apesar de totalmente neófito nos anos seguintes. Nas rodas de amigos não deixa a peteca, ou melhor, a bola cair e finge que sabe tudo sobre o futebol da nossa seleção.

E é no resultado das pesquisas, sempre promovidas em eventos esportivos, que a gente pode constatar que no Brasil, mesmo aqueles que chamam de tênis as tradicionais chuteiras dos jogadores, viram torcedores fanáticos torcendo, vibrando e acreditando que dessa vez mais uma estrela vai brilhar no firmamento do nosso futebol.

A prova está numa enquete promovida pelo Instituo de Pesquisas Nielsen onde 86% dos brasileiros dizem entender de futebol e por isso mesmo acham que a seleção de Dunga vai conquistar o hexa. Mas pelo visto não são só os brasileiros que estão otimistas com a volta do caneco para o Brasil.

Entre as vinte e sete mil pessoas ouvidas em 55 países pelo Nielsen, o resultado é claro e objetivo : o Brasil é de longe o grande favorito da competição – tanto para europeus como asiáticos, na África e na América do Norte ou do Sul. Segundo ainda a pesquisa, 84% dos brasileiros vão assistir aos jogos da Copa, um record também em todos os países pesquisados.

Nosso primeiro jogo é no dia 15 contra a Coréia do Norte. As comunidades brasileiras espalhadas pelo mundo já estão se preparando, promovendo encontros em restaurantes, bares ou até mesmo com grupos de amigos em casa para torcer pelo Brasil.”
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09 Junho, 2010

Socialismo e Liberdade

Frei Betto, Adital

“O socialismo é estruturalmente mais justo que o capitalismo. Porém, em suas experiências reais não soube equacionar a questão da liberdade individual e corporativa. Cercado por nações e pressões capitalistas, o socialismo soviético cometeu o erro de abandonar o projeto originário de democracia proletária, baseado nos sovietes, para perpetuar a maldita herança da estrutura imperial czarista da Rússia, agora eufemisticamente denominada "centralismo democrático".

Em países como a China é negada à nação a liberdade concedida ao capital. Ali o socialismo assumiu o caráter esdrúxulo de "capitalismo de Estado", com todos os agravantes, como desigualdade social e bolsões de miséria e pobreza, superexploração do trabalho etc.

Não surpreende, pois, que o socialismo real tenha ruído na União Soviética, após 70 anos de vigência. O excessivo controle estatal criou situações paradoxais, como o pioneirismo dos russos na conquista do espaço. No entanto, não conseguiram oferecer à população bens de consumo elementares de qualidade, mercado varejista eficiente e uma pedagogia de formação dos propalados "homem e mulher novos".

Nesse cenário, Cuba é uma exceção. Trata-se de uma quádrupla ilha: geográfica, política (é o único país socialista da história do Ocidente), econômica (devido ao bloqueio imposto criminalmente pelo governo dos EUA) e órfã (com o fim da Guerra Fria e a queda do Muro de Berlim, em 1989, perdeu o apoio da extinta União Soviética).”
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08 Junho, 2010

O corpo no corpo no corpo

Frei Betto, Adital

“Na festa de Corpus Christi convém lembrar que há um corpo dentro de um corpo dentro de um corpo. De uma explosão inicial, chamada Big Bang, o Universo surgiu há 13,7 bilhões de anos e continua a se expandir em velocidade constante. Há 10 bilhões de anos uma estrela chamada supernova deu origem ao nosso sistema solar. Um pedaço dela, sem calor suficiente para ser considerado estrela, resfriou, e hoje é conhecido como planeta Terra, embora nele haja mais água que terra.

Sutis combinações ambientais se somaram para permitir, na Terra, o surgimento da vida, há 3,5 bilhões de anos. Em seu processo evolutivo, o pai-universo, que gerou a ninhada de filhos conhecida como sistema solar, e no qual se destaca a filha Terra, viu irromper, no seio de nosso planeta, o fenômeno vida que, em suas variadas manifestações, gerou um ser dotado de inteligência e sede de transcendência conhecido como humano.

Milênios após o aparecimento do homem e da mulher - olhos e consciência do Cosmo - aparece no Oriente Médio um pregador ambulante que, herdeiro da tradição religiosa hebraica, nos revela que Deus é amor e habita os nossos corpos, somos templos divinos, dotados de irredutível sacralidade.

Muitos não prestaram atenção nas palavras de Jesus. Continuaram a procurar a semente fora da árvore. Não perceberam que Deus se incorporou em nosso corpo, que vive se alimenta do corpo da Terra, que rodopia em torno do corpo do sistema solar, situado na extremidade do corpo de uma galáxia conhecida pela belo nome de Via Láctea, uma entre bilhões de colares estelares expandindo-se pelo incomensurável corpo do Universo.”
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07 Junho, 2010

Netanyahu é também Kamikase ?

Rui Martins, Direto da Redação

“Daniel Cohen Bendit deu a ênfase necessária, num discurso pronunciado no Parlamento Europeu, no lançamento, em maio, da campanha por uma paz durável entre israelenses e palestinos, num abaixo-assinado que circula entre judeus principalmente da Europa.*

Daniel Cohen Bendit, o Daniel Vermelho da revolta estudantil de maio de 68, em Paris, agora Daniel deputado Verde na União Européia, fez uma comparação pertinente – o ódio entre israelenses e palestinos é o equivalente ao que existia entre alemães e franceses e, hoje, disso ninguém mais se lembra.

O abaixo-assinado, chamado de Apêlo à Razão, já tem quase 7 mil assinaturas e viu confirmados seus temores, no episódio da frotilha comandada pelo navio Mavi Marmara, do qual sai reforçado o apêlo de tantos intelectuais judeus para que Israel mude sua política e evite o atual isolamento, numa espécie de suicídio diplomático e político de Netanyahou e do governo israelense.

O apelo condena a política de implantação de novas colônias na Cisjordânia e na parte árabe de Jerusalem, por constituir uma falta moral e política e por constituir uma deslegitimação de Israel como Estado. O documento deplora também a manutenção do bloqueio de Gaza, com o objetivo de obter a libertação do soldado Guilat Shalid, que produz como resultado o refôrço do movimento Hamas e do fundamentalismo islâmico.

Bernard-Henry Levy, filósofo francês judeu, assinou o manifesto e lamenta a política atual de Netanyaou que, pelo jeito, « está pouco ligando para o que pensa o mundo ». É verdade que são assinaturas de judeus de esquerda e Daniel Cohen Bendit afirma não ter feito sua bar mitzva e que sete assinaturas é muito pouco num país onde vive uma enorme comunidade judáica, de um milhão de pessoas, mas serve para mostrar que entre os intelectuais judeus da diáspora européia existe um clima de oposição à política de Netanyahou, qualificada de perigosa para a própria existência de Israel.”
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06 Junho, 2010

"Cem Anos de Solidão" será traduzido para língua indígena

Folha Online / EFE

"Cem Anos de Solidão", a obra máxima do prêmio Nobel de Literatura de 1982, Gabriel García Márquez, será traduzida em menos de um ano para a língua wayuunaiki dos indígenas Wayúu, informou hoje o encarregado da tradução, Félix Carrillo.

Os Wayúu compartilham a fronteira norte entre a Colômbia e a Venezuela.

A língua dos indígenas Wayúu de La Guajira da Colômbia e El Zulia da Venezuela é o 36º idioma para o qual a obra de 'Gabo' é traduzida.

A ministra de Cultura colombiana, Paula Marcela Moreno, disse que o wayuunaiki é uma das línguas mais vivas do país e por isso é importante iniciar esse projeto.

O trabalho também estará a cargo de alguns indígenas Wayúu da Colômbia e da Venezuela, sob a coordenação de Carrillo.

O tradutor acrescentou que já têm preparados os trâmites legais e administrativos para que em menos de um ano os Wayúu possam ler em sua língua a obra de Márquez.”

Sinfonia de corpos

Frei Betto, Adital

“Na festa do Corpo de Cristo, deixarei meu corpo flutuar em alturas abissais. Acariciei uma por uma de minhas rugas, desvelarei histórias, apreenderei, na ponta dos dedos, meu perfil interior.

Não recorrerei ao bisturi das falsas impressões. Nem ao espectro da magreza anoréxica. O tempo prosseguirá massageando meus músculos até torná-los flácidos como as delicadezas do espírito.

Suspenderei todas as flexões, exceto as que aprendo na academia dos místicos. Beberei do próprio poço e abrirei o coração para o anjo da faxina atirar pela janela da compaixão iras, invejas e amarguras.

Pisarei sem sapatos o calor da terra viva. Bailarino ambiental, dançarei abraçado à Gaia ao som ardente de canções primevas. Dela receberei o pão, a ela darei a paz.

Acesas as estrelas, contemplarei na penumbra do mistério esse corpo glorioso que nos funde, eu e Gaia, num único sacramento divino. Seu trigo brotará como alimento para todas as bocas, suas uvas farão correr rios inebriantes de saciedade.

Na mesa cósmica, ofertarei as primícias de meus sonhos. De mãos vazias, acolherei o corpo do Senhor no cálice de minhas carências.

Dobrarei os joelhos ao mistério da vida e contemplarei o rosto divino na face daqueles que nunca souberam que cosmo e cosmético são gregas palavras, e deitam raízes na mesma beleza.”
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05 Junho, 2010

Crise, eleições e partidos

Em meio a um extraordinário vendaval financeiro internacional o Brasil resiste, demonstra vigor econômico e mantém uma perspectiva de crescimento de mais de 6% do seu PIB ainda este ano, exatamente o ano em que a crise atinge a Europa em cheio como uma bomba.

Eduardo Bomfim, Vermelho.org

Mas é preciso que o País adote medidas de precaução em relação ao nebuloso cenário mundial. Um quadro de grandes instabilidades econômicas e uma perigosa sucessão de conflitos geopolíticos provocados pela resistência, que se amplia, de vários povos à diplomacia de porrete dos Estados Unidos da América.

A política externa dos EUA mais parece com as atitudes de uma pessoa em crise e descompensada, seguida de perto pelas recentes e violentas agressões do seu aliado incondicional no Oriente Médio, o Estado de Israel. Como se não bastassem os episódios do navio afundado entre as Coréias, a preparação midiática de um ataque anunciado contra o Irã.

Ora, esse cenário não é brincadeira porque mistura tensão militar com econômica em altas proporções e que são suficientes para concluirmos que há no ar cheiro de nitroglicerina pura.

É nesse contexto que o Brasil deve adotar todas as medidas cautelares necessárias a fim de proteger o crescimento econômico tendo como um dos seus pilares o substancial mercado interno, um dos responsáveis fundamentais para que a nação venha atravessando a tempestade em pleno ritmo de economia vitoriosa.”
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03 Junho, 2010

Um ataque desumano

Pedro Estevam Serrano, Última Instância

“A questão do conflito Palestino-israelense não é de fácil compreensão e de muito difícil deslinde. Ambos os povos ocupam o mesmo território e ambos dizem lastrear sua legitimidade em razões ancestrais que se confundem com as respectivas crenças religiosas.

Estive pessoalmente por lá no começo do ano e visitei toda a área. O conflito e a beligerância são evidentes. A história de ambos os povos muito rica, inclusive com origem comum. Árabes e judeus, ao contrário do que se pode pensar, historicamente, tiveram boas relações até a fundação do Estado de Israel, afinal, são povos irmãos. Ambos semitas.

As razões e fatos relatados por cada parte em conflito são tão díspares e radicalizados que é difícil tomar partido “a priori”.

Inobstante tal assertiva, é inaceitável o ataque israelense a comboio humanitário internacional que procurava levar mantimentos e remédios ao povo palestino sob bloqueio.

Por mais que se argumente com a tese jurídica da soberania do Estado Israelense, esta soberania não lhe dá o condão de aviltar valores fundamentais e normas principiológicas dos organismos internacionais dos quais Israel participa e, volta e meia, pede socorro e auxílio.

Redijo este texto no primeiro dia de notícias sobre o ataque que Israel argumenta ter sido feito em águas de seu território. Os integrantes do comboio, cidadãos de várias nacionalidades, desmentem a versão israelense. Segundo estes, o ataque se deu em águas internacionais.”
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02 Junho, 2010

"É duro ser estátua" e a busca pelo Santo Graal do humor


Terra Magazine

“Tudo que o cartunista, desenhista, design gráfico, jornalista e poeta Nildão criou, fez e perambulou foi sob a máxima: "Faz o que gosta ou será um bosta".

Sempre inquieto, como ele mesmo define, Nildão cursava o segundo ano de medicina, quando percebeu que estava no "caminho errado", rumou para o curso de jornalismo, onde se formou, acalentando o projeto de ser cartunista em jornais.

"Mas mesmo assim, eu percebi que eu queria mais do que isso". Partiu para o design gráfico, quando ganhou inúmeros prêmios em Salões de Humor. São dessa época os livros "Me segura qu'eu vou dar um traço", de 1980, e "Bahia - Odara ou desce". Nildão achou que esse último seria um grande sucesso, mas o livro demorou tanto a ser impresso (cinco anos) que, quando saiu, Nildão já estava em outra.

"Eu achei que o cartum era uma coisa limitada por precisar de códigos e de ajustes, eu precisava buscar novas linguagens no humor".

Logo depois da abertura política, o artista decidiu levar o grafite para as ruas de Salvador "dizendo coisas que, na época, eram inadmissíveis, falsas notícias, bem cruéis".
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01 Junho, 2010

A saudade do servo na velha diplomacia brasileira

Leonardo Boff, Adital

“O filósofo F. Hegel em sua Fenomenologia do Espírito analisou detalhadamente a dialética do senhor e do servo. O senhor se torna tanto mais senhor quanto mais o servo internaliza em si o senhor, o que aprofunda ainda mais seu estado de servo. A mesma dialética identificou Paulo Freire na relação oprimido-opressor em sua clássica obra Pedagogia do oprimido. "Com humor comentou Frei Betto: "em cada cabeça de oprimido há uma placa virtual que diz: hospedaria de opressor". Quer dizer, o oprimido hospeda em si o opressor e é exatamente isso que o faz oprimido". A libertação se realiza quando o oprimido extrojeta o opressor e ai começa então uma nova história na qual não haverá mais oprimido e opressor, mas o cidadão livre.

Escrevo isso a propósito de nossa imprensa comercial, os grandes jornais do Rio, de São Paulo e de Porto Alegre, com referência à política externa do governo Lula no seu afã de mediar junto com o governo turco um acordo pacífico com o Irã a respeito do enriquecimento de urânio para fins não militares. Ler as opiniões emitidas por estes jornais, seja em editoriais seja por seus articulistas, alguns deles, embaixadores da velha guarda, reféns do tempo da guerra-fria, na lógica de amigo-inimigo é simplesmente estarrecedor. O Globo fala em "suicídio diplomático" (24/05) para referir apenas um título até suave. Bem que poderiam colocar como sub-cabeçalho de seus jornais: "Sucursal do Império", pois sua voz é mais eco da voz do senhor imperial do que a voz do jornalismo que objetivamente informa e honestamente opina. Outros, como o Jornal do Brasil, têm seguido uma linha de objetividade, fornecendo os dados principais para os leitores fazerem sua apreciação.”
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