30 Junho, 2011

Quem matou Caylee?

Leila Cordeiro, Direto da Redação

“Mais do que qualquer novela em horário nobre da TV brasileira, mais do que BBBs e Fazendas da vida, o julgamento de Casey Anthony, a jovem mãe acusada de matar a própria filha de 2 anos, já virou líder de audiência nos Estados Unidos.

Não há quem não comente os depoimentos das dezenas de testemunhas (mais de 70 até agora) ouvidas no palco jurídico deste verdadeiro reality show que tem câmeras estrategicamente espalhadas pela sala do julgamento mostrando a reação dos envolvidos no evento, desde o juiz até a ré, passando evidentemente pelas testemunhas que são as personagens chave desse intrincado processo de homicídio. É proibido apenas mostrar os jurados.

Para quem não acompanhou o caso desde o início vale a pena fazer um rápido resumo. Casey Anthony, mãe solteira que morava com os pais e a filha Caylee, em Orlando, na Florida, depois de passar 31 dias sumida com a filha, apareceu em 16 de julho de 2008 dizendo que uma babá tinha sequestrado Caylee.

A partir daí o caso, cheio de contradições, polêmicas e mentiras, passou a ser alvo de grande atenção da mídia e opinião pública americanas, pois Casey fora desmascarada pela polícia que descobriu que a tal babá nunca havia existido .

Com base em indícios de que a mãe seria a principal suspeita do sumiço da menina, ela está presa desde outubro de 2008, sem direito à fiança. A Corte, que tem sessão todos os dias, menos aos domingos, entrou nesta quarta-feira em seu trigésimo-segundo dia. E não tem previsão para acabar.

Desde o início, o julgamento de Casey tem sido transmitido em rede nacional, por um canal da CNN e outro jurídico. Começa pontualmente às nove da manhã e vai até às cinco da tarde, apenas com intervalo para almoço. Aos sábados, as seções são feitas só na parte da manhã.”
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28 Junho, 2011

Fé cega, faca amolada

Jean Wyllys, Envolverde

“O episódio envolvendo o projeto Escola Sem Homofobia do MEC e a marcha cristã contra o PLC 122 (que revê punições para quem viola a dignidade e os direitos de minorias vulneráveis, como idosos, pessoas com deficiências e LGBTs) me suscitaram uma questão que está ligada ao crescimento do fundamentalismo religioso e aos esforços deste para converter seus dogmas em leis para todos. A questão nos leva a crer que o Estado laico e de direito, as liberdades civis e o humanismo estão ameaçados pelo fundamentalismo cristão (católico e, sobretudo, evangélico neopentecostal).

Em primeiro lugar, quero ressaltar que não estou me referindo à totalidade dos crentes cristãos, mas apenas aos fundamentalistas. Conheço muitos crentes católicos e evangélicos que comungam do respeito (e até se sacrificam) pelas liberdades, pela justiça e pela humanidade. Eu mesmo fui educado no cristianismo católico e herdei, do catecismo e das comunidades eclesiais de base, o humanismo e o amor pelo outro que hoje defendo, embora não seja mais católico. Há muitos outros crentes que defendem o mesmo. Mas não é o caso dos fundamentalistas.

Cristãos fundamentalistas são aqueles que creem na Bíblia sem interpretá-la. Acreditam nos fundamentos de sua religião como verdades absolutas e inquestionáveis – e a Bíblia, como um texto literário escrito em contexto histórico e social bastante diferente do nosso, na maioria de suas passagens não deve ser tomada ao pé da letra. O fundamentalismo religioso tem, então, total identidade com o fanatismo e com o obscurantismo.”
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27 Junho, 2011

O cão da meia-noite

Ser gay hoje em dia é a mesma coisa que servir ao exército em outros tempos: quase que uma obrigação moral e cívica”

Marcelo Mirisola, Congresso em Foco

Quase nove da noite, eu estava lá no Estadão comendo um sanduíche de pernil e tentando lembrar o título de um conto do Marcos Rey. Era a história de um detetive que seguia um cachorro boêmio, a sanha do cara era eliminar o vira-latas, algo assim.

Se não me engano, o detetive (talvez não fosse um detetive...) atendia no edifício São Vito, extinto treme-treme localizado na Baixada do Glicério, perto do Mercadão. Pois bem, eu estava em paz e respirava a fumaça noturna de São Paulo, eu & meu sanduíche de pernil, quase feliz da vida e outra vez intrigado com a gíria local dos manos. É curioso como eles trasladaram (e assassinaram) o erre de ponta de língua - típico paulistano macarrônico dos anos 50 - prum lugar que é a mistura de uma Pirituba ressentida com ônibus lotado, como se fosse o esmegma de um sotaque, como se urubus falassem a língua do bota-fora. Tá certo que aquele erre estalado era ridículo, mesmo assim, não me acostumo, e me sinto excluído, menos paulistano por causa disso.

Aí, aparece um casal que não era bem um casal, eu e o chapeiro olhamos pra eles. Uma bicha velha que usava um cabelo verde estilo Pica-Pau e ao lado dele(a) uma das mulheres mais gostosas que apareceram no Estadão no último milênio. A bicha se irritou, e logo apontou o dedo.

– Tá olhando o quê?

O chapeiro fingiu que não era com ele. Eu, que não queria confusão, pensei: “Ora, tô olhando a bunda da gostosa que você não vai comer” ... mas respondi algo mais ou menos parecido com: “sua namorada é linda”. A bichona, provavelmente censurando meus pensamentos, resmungou:

- Isso é preconceito.

Acionei meu amigo,MM, e falei comigo mesmo: “Ué, elogiar é preconceito? Olhar a bunda de uma mulher gostosa é preconceito? Se fosse a bunda dessa bicha velha, tudo bem?”.
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26 Junho, 2011

O mesmo para todas as brasileiras

Luciana Holtz, EcoD / Envolverde

“Eu quero que todas as mulheres do Brasil tenham acesso às mesmas coisas que eu tive. Sou beneficiária de uma prevenção. Eu tive um câncer, o câncer foi detectado no princípio e eu tive um processo de cura.” A presidente Dilma Rousseff pronunciou tais palavras durante o lançamento das ações de fortalecimento dos programas nacionais de controle do câncer de mama e do colo do útero, em Manaus, no dia 22 de março. Os programas, que integram a Política Nacional de Atenção Oncológica, apresentam ações de abrangência nacional previstas para os próximos quatro anos – com investimentos da ordem de R$ 4,5 bilhões –, de controle do câncer de mama e do colo do útero, neoplasias mais incidentes entre mulheres brasileiras, e que, se diagnosticadas precocemente, apresentam grandes chances de cura. O Brasil terá, este ano, aproximadamente 18,5 mil novos casos de câncer de colo de útero e 49,2 mil de câncer de mama, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

A ampliação da cobertura nacional à mamografia, a criação de 20 centros especializados no diagnóstico e tratamento do tumor no colo do útero nas regiões Norte e Nordeste, e o prazo máximo de 60 dias para o início do tratamento das mulheres diagnosticadas com câncer, foram medidas destacadas pela presidente, mulher curada de um câncer e consciente da importância imperativa na atenção especial à saúde da mulher.

Para que mulheres brasileiras atingidas pelo câncer tenham chances reais de vencê-lo, assim como Dilma Rousseff, algumas prerrogativas são essenciais e fundamentais. A presidente brasileira, assistida pelas mesmas leis que quaisquer das quase 97,5 milhões de conterrâneas, está curada, pois teve acesso ao diagnóstico precoce, foi assistida por profissionais altamente qualificados, realizou a cirurgia diagnóstica imediatamente após ter os primeiros sintomas, obtendo rapidamente o diagnóstico de câncer, iniciou as fases do tratamento posteriores ao diagnóstico em curto espaço de tempo, teve acesso às drogas mais modernas do mercado, mesmo as não incorporadas na lista do Sistema Único de Saúde (SUS) na época do seu tratamento.”
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24 Junho, 2011

Guerra antidrogas, plano perverso

Sexta-feira passada, 17 de junho, completaram-se 40 anos da declarada “guerra contra as drogas” encabeçada por Richard Nixon para combater “o inimigo público número um dos Estados Unidos que é o uso das drogas”

Salvador González Briceño, Alainet / Revista Fórum

Sexta-feira passada, 17 de junho, completaram-se 40 anos da declarada “guerra contra as drogas” encabeçada por Richard Nixon para combater “o inimigo público número um dos Estados Unidos que é o uso das drogas”. Desde então, até a presente data, somente como balanço, a maldita guerra redundou num fracasso em que nenhum dos objetivos foi alcançado.

Pelo contrário, milhões de homens e mulheres foram vítimas – “danos colaterais” – de tal decisão. Tanto pela oferta de opiáceos quanto pelo consumo que aumentou (ver Maniobra Del Poder, 3 de junho, onde se abordou o tema a partir do “informe da Comissão Global de Políticas de Drogas, junho de 2011”, e se fala das consequências “devastadoras para indivíduos e sociedades ao redor do mundo”, contra o qual se recomenda: “São necessárias reformas urgentes e fundamentais nas políticas de controle de drogas nacionais e mundiais” até alcançar um negócio de 320 bilhões de dólares, ou seja, 1% de todo o comércio mundial.

Segundo dados da ONU, de 1988 a 2008 o uso de drogas aumentou em 34,5%; a cocaína, em 27%; a maconha, em 8,5%. Somente este ano, entre 20 e 25 milhões de cidadãos estadunidenses usaram alguma droga ilícita, 10 milhões a mais que em 1970, e cada dia se somam 8 mil à conta fatal. Outro dado indica que os EUA destinam cerca de 15 bilhões para a “guerra contra as drogas”, mas cálculos conservadores afirmam que a cifra chega aos 40 bilhões.

Contudo, entre as máscaras oficiais, nos EUA se destaca a postura do czar antidrogas, Gil Kerlikowske, que diz preferir não usar o termo “guerra”, “porque não estamos em guerra contra nossa própria gente”. Mas nos EUA as cadeias estão cheias de jovens – quase 40 milhões – relacionados com drogas, que não precisamente são delinquentes, mas cometeram delitos não violentos por drogas. Por isso, “para afroestadunidenses e latinos, a guerra contra as drogas se percebe bem mais como uma guerra contra eles, contra a juventude negra. Com o aprisionamento como arma mais empregada nesta ‘guerra’”.

Fora isso, “as cifras comprovam: os Estados Unidos são o país com mais presos no mundo, com somente 5% da população mundial, têm 25% do total dos prisioneiros no planeta – aproximadamente 2,3 milhões, comparando com 300 mil em 1972... O ruidoso aumento da população encarcerada se deve em grande medida ao aumento na detenção de pessoas que cometeram delitos relacionados à drogas – em 1980 eram 41 mil destes, agora há mais de 500 mil (um aumento de 2.000%)”. (Dados do La Jornada, 17/junho/2011)”
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23 Junho, 2011

100 desculpas ou mentiras triviais


Edival Lourenço, Revista Bula

1 — estou aguardando o parecer jurídico;

2 — vai depender da safra da flórida

3 — vou estar providenciando

4 — vou estar passando ao setor competente

5 — se não chegar em 72 horas o senhor volte a nos ligar

6 — o contêiner está retido no porto

7 — sua encomenda estava naquele avião que caiu

8 — vou pagar com o dinheiro da emenda parlamentar

9 — os operários chineses estão em greve

10 — extraviou no correio

11— a artesã que dá o acabamento está de TPM

12 — estou dependendo da nomeação do governo

13 — ainda não tenho solução, mas vou a Aparecida do Norte a pé

14 — vou revisar, mas antes preciso ler Finnegans Wake

15 — só depois que constatar a traição de Capitu a Bentinho

16 — não posso fazer nada, é a prática do mercado

17 — a ponte rodou com a enchente

18 — o trânsito está parado

19 — o pneu furou

20 — minha assistente não veio, não tenho como pagar hoje

21 — pode tomar que é gostoso

22 — não vai doer nada

23 — é só a cabecinha

24 — só um minutinho

25 — o motoqueiro já saiu daqui

26 — se demora mais um minuto não tinha salvação

27 — ainda deu foi sorte (quando tem um tremendo azar)

28 — só quando a Receita Federal me devolver o que paguei a mais

29 — vou te pagar com o dinheiro dos precatórios

30 — vou te retribuir com a valorização dos dólares

31 — nossa! Vocês está mais novo uns dez anos

32 — você é como vinho: quanto mais o tempo passa...

33 — sua consulta será às onze

34 — seu carro ficará pronto amanhã de manhã

35 — só vou tomar um chope com os amigos”
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22 Junho, 2011

Um amor incondicional

O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. O Amor nunca falha. (I Corintios 13)

Leila Cordeiro, Direto da Redação

Alguns pensam que um amor assim é impossível, daqueles incondicionais, difíceis de se ver por aí. Mas este talvez seja o caso dos americanos Richard Adrian Dorr, de 84 anos, e John Mace, de 91.
Juntos há 61 anos, eles já são considerados o casal gay mais antigo e unido que já existiu. Se agora, na era dos computadores, tablets e celulares inteligentes, os homossexuais ainda são discriminados, imagine na época em que se apaixonaram, nos anos 40?

Mas eles que praticamente nunca se separaram nessas seis décadas dizem que ainda tem um sonho a realizar. Estão esperando a legalização da união civil entre pessoas do mesmo sexo em Nova York para se casarem. Já foram até convidados para realizar a cerimônia oficial em Connecticut, onde o casamento homossexual é permitido, mas dizem que preferem esperar para oficializar a relação onde tudo começou em 1948.

Românticos e apaixonados, os dois são o exemplo vivo do verdadeiro amor incondicional. O que, como diz o texto bíblico acima, tudo suporta e não discrimina sexo, condição social, cor da pele. Ele existe e pronto. É uma energia tão forte que une duas pessoas que elas só conseguem ver uma a outra por dentro. Nas entranhas de um sentimento poderoso e indestrutível.

Tem gente que passa pela vida procurando esse amor. Uns encontram parecido, outros conseguem vivê-lo por um tempo, alguns não chegam a senti-lo, mas quando se vê um casal como este, independente da sua orientação sexual, unido dessa forma tão constante e apaixonada, é que a gente vê que não existe amor impossível nessa vida.”
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21 Junho, 2011

A economia da criatividade

Um produto hoje se torna viável e útil muito mais pelo conhecimento incorporado (pesquisa, design, comunicação, etc., os chamados intangíveis) do que pela matéria-prima e o trabalho físico. Trata-se de um deslocamento-chave relativamente à economia dos bens materiais que predominaram no século passado.

Ladislau Dowbor, Le Monde Diplomatique Brasil / Envolverde

O fator-chave de produção no século passado era a máquina. Hoje, é o conhecimento. Podemos chamar este, enquanto fator de produção, de capital cognitivo. O embate que hoje se trava no Brasil em torno da propriedade intelectual, ainda que se apresente sob a roupa simpática da necessidade de assegurar a remuneração do jovem que publica um livro ou do pobre músico privado do seu ganha-pão pela pirataria, envolve na realidade o controle do capital cognitivo. Nas palavras de Ignacy Sachs, no século passado a luta era por quem controlava as máquinas, os chamados meios de produção. Hoje, é por quem controla o acesso ao conhecimento. Estamos entrando a passos largos na sociedade do conhecimento, na economia criativa.

Como sempre, quando se trata de poderosos interesses, há uma profusão de enunciados empolados sobre ética, mas muito pouca compreensão, ou vontade de compreender, o que está em jogo. Este artigo busca trazer um pouco de explicitação dos mecanismos.

Podemos partir da construção teórica muito transparente que nos apresenta Clay Shirky, no seu Cognitive Surplus (Excedente Cognitivo). Primeiro, vem o próprio conceito de excedente cognitivo.

Cada um de nós tem grande quantidade de conhecimentos acumulados, que nos vem tanto de estudos como de experiência prática. Compartilhamos apenas uma pequena parte desse conhecimento acumulado, e utilizamos menos ainda o nosso potencial. Somando o capital cognitivo acumulado em bilhões de pessoas no mundo, temos aí uma fonte impressionante de riqueza parada ou subutilizada.

Uma dimensão do uso desse capital cognitivo é a que utilizamos para a nossa sobrevivência, no emprego, nas pequenas negociações do cotidiano. Mas, de longe, a maior parte fica simplesmente armazenada na nossa cabeça, às vezes partilhada com filhos e amigos, na esperança que não repitam as nossas bobagens. E quando nos vem uma grande ideia, nem sempre a aproveitamos, pois não temos o meio de disponibilizá-la. Fica na nossa cabeça, com fortes possibilidades de mofo, a não ser que pertençamos ao ambiente de criação especializado que corresponde, ou surja um espaço colaborativo aberto em que possamos dar-lhe vazão. Em termos técnicos, é em grande parte um capital parado, ou travado por conceitos estreitos de interesses comerciais fixados na lógica da era dos bens materiais, destes que se trancam em casa ou na garagem.”
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20 Junho, 2011

Nuvem de cinzas do vulcão chileno deve atingir Braxília

Eberth Vêncio, Revista Bula

“A monumental nuvem de cinzas provenientes da erupção do vulcão chileno Puyehue deve atingir Braxília nas próximas horas, estacionar sobre o Congresso Irracional, afunilar como se fora um tufão às avessas e invadir os pulmões da Câmara (de Gás) dos Deputados e do Senado Celerado, penetrando as ventas dos congressistas, provocando uma intoxicação maravilhosa, faxina só comparável à peste negra na Idade Média.

A visão da catástrofe (ou seria “assepsia”?!) foi a mim revelada por uma cigana obesa com vestido de chita (até então, eu me borrava de medo dos ciganos) e prevê que a fumaça vulcânica deva chegar ao Plano Pilates na quarta-feira, dia da semana em que a maioria dos senadores e deputados finalmente dá as caras na cidade, tomando cafezinho nos subterrâneos, fazendo conchavos, xavecando a mulherada e vendendo suas almas ao diabo.

Se Deus quiser (palavras ditas, não por mim, mas pela gorducha sensitiva), a atmosfera venenosa vai invadir o espaço aéreo daquele prédio público, ceifando a vida dos vendidos. Sobrarão apenas os parlamentares éticos de moral ilibada (bonito, não?!). Ou seja, uma espécie de “imunidade parlamentar do bem” garantirá a vida dos raros homens honestos que circulam naquele antro oficial. Os demais cidadãos de Braxília nada devem temer, tampouco se apavorar com este curioso fenômeno da natureza. O enxofre, os metais pesados e outros venenos letais flutuantes no ar tão somente adentrarão as narinas dos deputados e senadores picaretas, principalmente aqueles de bigode aparado, gel nos cabelos, fala mansa, que jamais se dignaram largar o osso. Não me perguntem por que a preferência do pó? Tudo faz parte da total falta de lógica das premonições, presságios e visões oníricas no mundo inteiro. O Homem, criatura frágil e ignorante, em tudo crê.”
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19 Junho, 2011

O cinema, a tevê e o emburrecimento geral

Rodolpho Motta Lima, Direto da Redação

“Ando mesmo convencido, e cada vez mais, de que, para o bem da circulação das ideias e da proposição saudável do contraditório, não devemos “partidarizar” certos assuntos com tratamento maniqueísta ou fundamentalista que não ajuda a esclarecer e estigmatiza posicionamentos em função da coloração política de seus autores. Falo isso, hoje, a propósito de uma crônica do Arnaldo Jabor, que ouvi há dias na CBN, em que ele fazia considerações sobre o filme “Se beber não case II”.

Geralmente, quando o Jabor abre a boca para falar de política (ou seria o bico, pelo viés tucano de suas palavras?), minha tendência é discordar dele em gênero, número e grau, porque, a meu juízo, nesse campo ele se incorpora ao pensamento neoliberal com o qual jamais virei a compactuar, nivelando-se ao grupo “global” de uma mídia que quer ser um partido político sem os ônus de sê-lo e sob o disfarce da “crítica de interesse público”.

Contudo, não nego ao jornalista/cineasta o brilho intelectual que possui. Isso seria a tal visão maniqueísta que não pretendo manifestar. Assim, e voltando à sua crônica, participo do que ali ele disse sobre o filme, na realidade um exemplo por ele escolhido para falar da mediocridade que cerca a maior parte dos filmes que chegam aos circuitos brasileiros, geralmente americanos, do tipo “besteirol”, em um apregoado apelo popular que, na verdade, é um primado de idiotice e, por isso, emburrecedor.

Joãozinho Trinta, em certa oportunidade falsamente guindado pela mídia à condição de “filósofo popular”, teve repercutida frase a ele atribuída de que “quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta de luxo”, para justificar a descaracterização dos elementos populares nos desfiles das escolas de samba, marcados por apoteóticos efeitos especiais. É óbvio que não apenas as camadas populares, mas qualquer cidadão normal, não pode mesmo gostar de miséria. Mas isso não quer dizer, por via de consequência, “gostar do luxo”, do supérfluo, e sonhar com o fausto e a ostentação, trocando, pelo devaneio, a realidade concreta a modificar no plano social. Na verdade, o que o povo quer, aquilo pelo qual deve ser estimulado a lutar, é paz, educação, saúde, dignidade, cidadania.

Essa enxurrada de filmes de quinta categoria, que tratam do escatológico, valorizam o pornográfico e constroem a imbecilidade travestida de humor, apenas reproduz, a meu ver, um processo crônico, tão velho quanto o mundo, de desqualificação e emburrecimento das grandes massas populares, através do empobrecimento cultural.”
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17 Junho, 2011

Encurtando o caminho


Menalton Braff, Revista Bula

“Um dos pilares do existencialismo sartriano é a ideia da responsabilidade. Sem ela, é inviável a liberdade. Somos responsáveis por nossos atos e fim de conversa. Não adianta ficar acusando Deus, o destino; de nada adianta acusar os pais, o namorado, o professor. Cada um deve assumir a autoria de suas escolhas e de suas ações. E mesmo quando você aliena a terceiros seu direito de escolha, está escolhendo a escolha de terceiros. Por razão bem simples: é muito duro admitir o próprio erro. Se algo não dá certo, você continua um ser irrepreensível, pois foram outros que fizeram a escolha e errada, e será então possível dizer: Bem, se fosse eu quem tivesse feito a escolha...

Essa introdução de caráter geral conduz a uma verdade nem sempre aceita: muitas vezes o caminho para alcançar o destino é escolha pessoal. “Destino”, aqui, não com o sentido de força inelutável, mas significando o fim do caminho. E é claro, não estou fazendo qualquer referência à morte como opção, como solução para problemas insuperáveis. Isso daria uma bela polêmica, mas em outro lugar. Quero comentar é a escolha por ignorância ou imprudência.”
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15 Junho, 2011

TV de primeira classe

Leila Cordeiro, Direto da Redação

“Ao participar dos encontros virtuais via Facebook com colegas da extinta TV Manchete, relembrando juntos momentos importantes de uma TV que poderia estar dando certo, me vem a pergunta. Por que os Bloch não conseguiram manter a emissora que ganharam do governo militar, que temia deixá-la nas mãos do então poderoso Jornal do Brasil?

Mas essa é uma outra história. Na coluna de hoje, quero lembrar que, quando o sinal da TV Manchete entrou no ar nos primeiros anos da década de 80, foi um rebuliço. Na época eu era repórter e apresentadora da Globo e soube que a alta direção do jornalismo reuniu-se para ver junta a estréia do primeiro telejornal da emissora do Russel.

O comentário entre os índios da aldeia global foi de que os caciques, apesar de não sentirem ameaçada a sua hegemonia, ficaram com a orelha mais em pé do que de costume, e passaram a observar de perto aquele canal charmoso, com cenários futuristas e liberdade de expressão. Coisa que a Globo nem sonhava, na época.

A Manchete seguiu crescendo. Seus repórteres na rua trabalhavam com tanta garra e determinação que muitas vezes "furavam" os da Globo. A direção da emissora, por sua vez, acompanhava a euforia e a vontade de ser uma TV de verdade, de igual pra igual com a líder de audiência que, até então, nunca perdera o primeiro lugar de audiência, em qualquer horário.

E aí chegou Pantanal, a novela que fez tremer os alicerces do Jardim Botânico. Com direção de Jaime Monjardim, que era apenas mais uma promessa na emissora dos Marinho, tornou-se a maior sensação na dos Bloch usando e abusando dos close ups dos atores para dar mais emoção às cenas.”
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14 Junho, 2011

TERRAMÉRICA – Três refeições por dia

Comer é uma necessidade tão fundamental que é estranho questionar a sabedoria de propor que a FAO faça todo o possível para garantir três refeições em todas as mesas, afirma neste artigo exclusivo o brasileiro José Graziano da Silva.

José Graziano da Silva, Terramérica / Envolverde

Santiago, Chile, 13 de junho de 2011 (Terramérica).- Luiz Inácio Lula da Silva lançou o Programa Fome Zero quando assumiu a Presidência do Brasil, em janeiro de 2003, e se comprometeu a conseguir que toda pessoa em seu país pudesse ter acesso a três refeições diárias. Eu havia encabeçado a equipe que preparou o programa, e Lula me confiou sua execução como ministro da Segurança Alimentar e Luta contra a Fome.

Os êxitos do modelo de desenvolvimento obtidos como o Fome Zero são visíveis: 24 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza no prazo de cinco anos e a desnutrição caiu 25%.Não só cresce o produto interno bruto do Brasil, como um número maior de pessoas se beneficia desse crescimento. Esta inclusão social e econômica é a principal razão de o país conseguir enfrentar melhor do que outras nações a recente crise. Oito anos depois do lançamento do Fome Zero, o Brasil me designou candidato a diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Em minhas prioridades para a FAO, o primeiro lugar é ocupado pela erradicação da fome no mundo. Estou certo de que é uma meta possível. O segundo pilar de minha plataforma é promover a mudança para sistemas de produção de alimentos sustentáveis, que permitam conservar em boas condições os recursos naturais – solo, água, biodiversidade, clima – necessários para proporcionar alimentos aos nossos filhos e netos. Como terceiro pilar, proponho que a FAO e outros organismos internacionais assegurem igualdade no manejo do sistema alimentar mundial.

Há quem me pergunte por que proponho uma agenda tão ambiciosa quando o mundo está envolvido em graves crises, com as derivadas dos altos preços do petróleo e de alimentos, do lento crescimento econômico, da mudança climática, da escassez de terras e de água. Creio que terminar com a fome, conseguir uma produção sustentável de alimentos e melhorar a governança global faz parte da solução dessas crises.

Comer é uma necessidade tão fundamental para nossa existência que é estranho questionar a sabedoria de propor que a FAO – criada em 1945 para acabar com a fome – faça tudo o que esteja ao seu alcance para ajudar todos no mundo a terem acesso a três refeições por dia. Quase um bilhão de pessoas – uma em cada sete habitantes de nosso planeta – sofre fome crônica. Não por falta de alimentos, mas porque não ganham o suficiente para pagar a comida que precisam.”
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13 Junho, 2011

Em defesa do Inferno


Swedenborg, um extraordinário alquimista, descobriu que o Inferno é uma das mais inteligentes obras de Deus, e que estilo de vida ideal para a eternidade é o dos prazeres

Hugo Studart, Brasil 247

O mito da felicidade rege que todo homem ambiciona a liberdade durante a vida e o Céu após a morte. A realidade prova, contudo, que a maior parte dos seres humanos procura viver no Inferno, tanto aqui quanto acolá. Talvez seja o inferno um local aprazível, bem menos aterrorizante do que nossa imaginação cristã cogita. Vejamos qual o teu caso. Responda: qual o estilo de vida ideal para se ter na Eternidade?

a) O de um monge, com muita oração, jejum, celibato e clausura;

b) O de um mega-empresário, com jantares de negócios, jato particular, duas amantes caras, 30 serviçais baratos e seguranças musculosos 24 horas por dia.
Quem marcou a resposta “a”, tem uma grande ambição pelo Céu do imaginário Católico. Aquele Céu com querubins, serafins, enfim, uma tremenda pasmaceira. Quem optou pela “b” tem grandes chances de ser enviado para o quinto dos Infernos. O consolo é que deve lá, junto a Satanás, aparece ser a vida muito mais divertida. Dilema difícil, não? Talvez possamos resolvê-lo apresentando outra opção:

c) Que tal passar a eternidade como um artista pagão, usufruindo de música alegre, conversas inteligentes, comida farta e champanhe francês? Ah, também com amor e sexo, muito sexo!

O teólogo Emanuel Swedenborg foi quem melhor analisou tal assunto ao escrever que o inferno é uma das mais inteligentes obras de Deus. Não se trata, a acertiva acima, de uma heresia. É a síntese da obra de um homem santo. Não estranhes, prezado leitor, caso jamais tenhas ouvido falar desse tal de Swedenborg.

Filho de um bispo luterano, foi também sacerdote e teólogo inspirado. A base do luteranismo é a salvação pela graça. A base da doutrina de Swedenborg é a salvação pelo trabalho, pelas boas obras na terra. Devemos conhecê-lo para procurar entender por que quase todos nós, os humanos, buscamos a felicidade se entregando aos prazeres infernais.

Misterioso Alquimista - Swedenborg nasceu em Estocolmo, Suécia, em 1688, e morreu em Londres, aos 84 anos. Deixou um legado de 50 obras, a maior parte escrita em latim com estilo seco e correto. Seus livros versam sobre física, química, matemática, engenharia militar, mineralogia, anatomia, astronomia, filosofia e teologia. Desenhou máquinas de voar e submarinos. Sua máquina de transportar navios por terra venceu célebres guerras para o rei Carlos VII, O Conquistador.

O filósofo francês Voltaire dizia que Carlos VII foi o homem mais extraordinário registrado pela história. Carlos, O Conquistador, organizou há mais de dois séculos as bases da sociedade sueca para que um dia viesse a se tornar o espelho mundial da liberdade e da democracia. Já o escritor argentino Jorge Luís Borges dizia que, talvez, o mais extraordinário dos homens depois de Jesus Cristo tenha sido Swedenborg, um misterioso e fiel conselheiro de Carlos VII.”
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12 Junho, 2011

Você tem medo de que?


Eberth Vêncio, Revista Bula

“Eu já escrevi isto aqui e repito: tenho medo de avião e altura. Janelas, terraços, a montanha russa, o colo de mulheres altas, o Pão de Açúcar e até o Morro do Macaco. Por isto, desde que me tornei um adulto, não escalo cajueiros, não vivo mais no mundo da lua, e não sonho alto. Tudo por causa do medo injustificável de cair lá de cima.

Tenho muito medo também de animais: cobras, ratazanas, lacraias, marimbondos, vírus, bactérias, baratas (sim, eu assumo: tenho medo de baratas), e fiscais mal humorados de toda espécie. Tenho medo da malha fina. Tenho medo que descubram que eu tenho uma mixaria investida em ações da Bolsa. Tenho medo que o Governo Dilma crie uma nova bolsa assistencialista. Tenho medo de saber o que há dentro da bolsa de uma mulher.

Tenho medo da influenza, mas não me vacino (tenho medo de agulhas). Tenho medo de cólicas nos rins (dizem que dói como um parto). Tenho medo de nascer mulher. Tenho medo de depender do SUS para uma cirurgia de hérnia. Tenho medo do escuro. Tenho medo da conta de energia. Tenho medo de passar sede. Tenho medo de coliformes fecais na água. Tenho de medo de ficar louco. Medo que os cadeados sejam, enfim, usurpados, deixando escapulir um eu verdadeiro, um homem sem papas na língua, sem meios termos, uma mente sem rabo preso. Portanto, se eu me tornar insano, imploro aos doutores da medicina: tenham misericórdia, dopem a minha ira com os sais de lítio! Conduzam-me de volta à inofensibilidade, nem que seja com o mister dos eletro-choques. Familiares, assinem, por gentileza, o consentimento formal para que os cirurgiões procedam à lobotomia no meu cérebro falante. Eu suplico: cerquem a verdade a todo custo, antes que ela fuja do controle.

Tenho medo de perder uma amizade. Quando digo "amigo", refiro-me àqueles que banhariam um corpo caquético em estágio terminal, àqueles que cuidariam dos seus mortos com as próprias mãos, escolhendo a última veste, barbeando-lhes os rostos, aplicando uma maquiagem leve, tapando com algodão os orifícios. Amigo é um destroço flutuando no oceano no qual nos agarramos.”
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10 Junho, 2011

Cultura e desenvolvimento local

Ladislau Dowbor, Mercado Ético

“Antes de tudo, é preciso saber de que cultura falamos. Há uma visão estreita de cultura, no sentido ministerial, digamos assim, e na concepção pre-Gilberto Gil, de que se trata de organizar eventos simpáticos com artistas, inaugurar museus, promover eventos no teatro municipal, canalizar os impostos, com os quais empresas estão desgostosas, para financiar produtos culturais. Nada contra essa visão que é necessária e útil. Mas se trata aqui, de uma faceta apenas, e limitada, muito reminiscente de la culture, com sotaque francês, e de imortais maranhenses. Economicamente, é a cultura do mecenato, da generosidade, do verniz elegante de quem já acumulou.

Há também uma visão mais popular, sem dúvida, mas igualmente estreita, que tem sido chamada de “indústria da cultura”, e que os americanos chamam de entertainment industry. Com a expansão do rádio, do cinema, da televisão e do 3G; com a penetração da TV em praticamente qualquer residência (95% dos lares têm TV no Brasil), com crianças assistindo, em média, 4,5 horas por dia; com o controle dos meios de comunicação pertencente, basicamente, a quatro grupos privados, gerou-se uma máquina de fornecimento de produtos culturais padronizados, de alguns pontos centrais para todo o País. É uma cultura de recepção, passiva e não-interativa, centrada na geração de comportamentos comerciais, já que o seu ciclo econômico passa pela publicidade, cujo financiamento, alias, sai do nosso bolso.

O efeito é, por um lado, o consumismo obsessivo, vitimando, particularmente, as crianças; e, por outro lado, uma cultura apelativa, que trata, essencialmente, de manter a audiência, ainda que seja transformando crime em espetáculo. Trata-se, literalmente, da indústria do consumo, em que a cultura entra apenas como engodo. No conjunto, esta dinâmica gerou uma imensa passividade cultural. A criação, esta depende do criador entrar no seleto grupo que uma empresa irá apoiar, para virar, na melhor tradição do “jabá”, um sucesso. A cultura deixa de ser uma coisa que se faz, uma dimensão criativa de todas as facetas da nossa vida, e passa a ser uma coisa que se olha, sentado no sofá, publicidade de sofá incluída.”
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09 Junho, 2011

O pito na rua

Mônica Martins, Envolverde

“Estava uma manhã normal. De sol e passeio no parque com Lassie, a minha pastora-loba. Normal, se a danada da Lassie não resolvesse empacar bem no meio da rua e fazer o número 2. Normal, se não aparecesse um caminhão de lixo atrasadinho me pedindo passagem, e tivesse que ficar empacado assistindo a cena escatológica que seguia.

Sem coragem pra encarar o motorista, fiz cara de paisagem. Conferi as nuvens da direita… da esquerda… Será que vai chover, hein? Chiii, o tempo vai fechar. Também, que culpa tenho eu, se a Lassie resolveu dar uma de estrela da rua? Que culpa tenho eu, se a danada foi carimbar no Asfalto da Fama sua “obra-prima”?

Ainda tentei salvar a cena dando uma guinada de esquerda com a guia. Mas a Lassie nem tchum. A peluda estava decidida que aquele era o quadrante mais cheiroso do mundo para a função, e pronto. Pegou o embalo da deixa cênica – metida que é –, e deixou correr sooooltooo o improviso do totô pelo chão. Parecia cena de cinema. Com título tipo “Bonequinha de Lixo”. Ou, “O DesLuxo da Fama”, sem direito a óculos e pregador. Afinal, estava num dia de celebridade.

Bem, parecia que o tempo e o mundo todo resolveu empacar na minha frente. Por acaso, eu tenho cara de farol de trânsito?! Claro que não. Mas senti dois olhos, dentro do caminhão, colados em mim, ansiosos por abrir alas. Tomei fôlego e coragem. Fiz minha carinha 33, tipo gatinho do Shreck, sabe? Enfim, tirei os olhos da generosa obra-prima da Lassie e encarei o motorista. Lancei um sorriso pra lá de amarelo, encolhendo os ombros. O cara rebateu acenando para que eu acalmasse – para minha surpresa e sorte. Ufa!

Mas, como desgraça pouca é bobagem (num dia que a Lei de Murph resolve espetar), o pior ainda estava por acontecer. No sentido contrário, um Gol branco encostou. A audiência aumentava, afinal. E, como pra subir os níveis de adrenalina, tocava um som, nas alturas, e que veio bem a calhar. Aquela do Tom, “Luz dos Olhos Teus”, lembra?”
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08 Junho, 2011

Um verdadeiro show da vida

Leila Cordeiro, Direto da Redação

Ao lado da crise econômica, vilã do desemprego, do preço da gasolina nas nuvens e do valor das casas debaixo d’água, e das recentes tragédias causadas pelos tornados, o povo americano vem acompanhando de maneira apaixonada uma tragédia da vida real. Há treze dias, ao vivo e a cores, a TV vem transmitindo o julgamento de uma jovem mãe, Casey Anthony, acusada de matar e esconder o corpo da filha de apenas dois anos, na cidade de Orlando, Flórida, há exatos três anos, em junho de 2008. Uma história que tem todos os ingredientes para virar uma futura produção hollywoodiana.

Pra quem não se lembra, ou não conhece a história, em 16 de julho de 2008, Casey admitiu que a filha Caylee estava desaparecida há 31 dias. Os pais dela e avós da criança, Cindy e George Anthony, só souberam do sumiço da neta depois que a filha lhes disse que a menina desaparecera levada pela babá. Hoje já se sabe com certeza que essa babá não existe, foi um nome inventado pela mãe para justificar o sumiço de Caylee. Somente depois de 31 dias, no dia 16 de julho, o desaparecimento da menina foi comunicado à polícia. O falso sequestro mobilizou a familia, as autoridades e a mídia na busca da babá com quem estaria a criança. Seis meses depois de inciadas as buscas, o corpo decomposto de Caylee foi encontrado dentro de um saco de lixo, em um charco, a quinze casas de distância de onde ela morava com a mãe e os avós.

Por esse pequeno resumo, o leitor já observou que a história é intrincada, embora todas as evidências nos levem à concluir que a mãe, Casey, é a grande culpada pelo desaparecimento e, provavelmente, morte da filha.

Mas no tribunal, com a presença das câmeras de TV e os depoimentos de 43 testemunhas, até esta quarta-feira, a história ganhou nova dimensão, especialmente depois que o advogado da acusada, logo no primeiro dia, criou uma história fantástica, atribuindo alguma culpa ao avô de Caylee, um policial aposentado. Segundo o advogado, ele teria abusado da filha desde os oito anos de idade. Por esse motivo, teria assumido a responsabilidade de desaparecer com o corpo da neta, após um “tragico acidente” na pisicina de casa, que resultou em seu afogamento.”
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07 Junho, 2011

"Indignados" espanhóis debatem futuro do movimento

Não temos que ter medo de sair daqui. Não é isso que vai nos desorganizar. Podemos ir embora, mas já sabemos o caminho de volta”, disse um dos indignados presentes à assembléia geral na Praça Catalunya. A assembléia discutiu estratégias para se deixar o local central dos protestos em Barcelona, expandindo o movimento a outras áreas da cidade e do país. Tendo em vista que o movimento dos indignados vem perdendo espaço na grande imprensa e lembrando o fato de que ele surgiu como uma mobilização espontânea a partir das mídias sociais, agora só há uma alternativa: a comunicação alternativa. O artigo é de Fabíola Munhoz.

Fabíola Munhoz, Carta Maior

“Isso aqui não é um parlamento”. A frase foi dita por um dos indignados da Praça Catalunya, durante a Assembleia Geral realizada no último domingo (5/6), com a finalidade de discutir, dentre outros temas, estratégias para se deixar o local central dos protestos em Barcelona, expandindo o movimento a outras áreas da cidade e do país.

A reclamação do manifestante se deu durante a votação de propostas para a desocupação da praça, em que os ânimos se acirraram porque alguns dos presentes interrompiam a contagem dos votos, carregando cartazes a favor da permanência do acampamento.

“Não estamos reunidos aqui para ver quem ganha, mas sim, para somar forças”, continuou o mesmo jovem, pedindo a todos que mantivessem a disposição para o diálogo e a busca por decisões tomadas em consenso. No entanto, se a grande quantidade de pessoas reunidas na praça já era um obstáculo à contagem fiel dos votos antes, quando os temas tratados despertavam opiniões mais ou menos parecidas, agora, que o movimento cresce em complexidade e discordância interna, a democracia perseguida pela dinâmica da assembleia torna-se ainda mais difícil de ser alcançada.

“Estamos tentando melhorar a metodologia usada até agora, mas não tem sido fácil. Por isso, a Comissão de Organização da Assembleia está sempre aberta a propostas”, pedia calma uma das duas garotas que eram porta-vozes no encontro de domingo.

Seguindo a lógica de se dividirem as ações do movimento por grupos de trabalho, e diante da importância das definições sobre como e quando sair da praça, foi criada uma Comissão de Continuidade. Esse grupo é responsável por planejar a transição da acampada a outros tipos de ativismo, sem que, com isso, percam-se a visibilidade e o poder de mobilização, alcançados até agora pelos indignados.

Os participantes de tal célula do movimento têm se reunido diariamente desde quinta-feira passada, e apresentaram no domingo algumas ideias postas a votação. A primeira delas é a de que seja levantado acampamento já ao longo desta próxima semana, porém, sem uma data definida para que isso ocorra de fato. Segundo uma jovem catalã que lia a proposta, a saída da praça ocorreria quando se mostrasse “logisticamente viável e politicamente clara”.

A definição, vaga demais, não pareceu ter sido compreendida pelas pessoas que votavam a favor. “O que significa uma saída politicamente clara?” perguntei a uma jovem de cabelo vermelho que, sentada ao meu lado, levantava a mão para mostrar que estava de acordo com a sugestão apresentada. “Não sei”, respondeu. Ela, assim como os muitos outros que deram seu sim duvidoso à proposta, demonstrava mais ânsia pela expansão e pela transformação do movimento do que temor frente às incertezas.”
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06 Junho, 2011

Senta a pua, Dona Rita!


Eberth Vêncio, Revista Bula

“Tem muitas coisas na vida que não se precisa de kits e cartilhas do MEC pra gente aprender. Aliás, cartilhas remetem à doutrina, padronização, tutela, normas gerais a serem cumpridas. Ora, já estamos cheios delas na chatice da modernidade. São obrigações demais e prazer de menos.

Quando eu fazia o ginásio (favor não confundir com ginásio de esportes), durante uma aula de Catequese misturada com Educação Sexual, Irmã Amarílis (como é pode uma freira dando as manhas de sexualidade humana?) garantiu que a masturbação, além de ser pecado dos mais graúdos aos olhos do Pai, poderia provocar câncer, loucura, ou as duas coisas ao mesmo tempo.

Não entrava na cabeça da garotada como é que uma simples punhetinha tivesse tantos efeitos colaterais ao ponto de enlouquecer um ser humano. Preferimos apostar que se tratava de mais um blefe ortodoxo, um daqueles dogmas policialescos e sem sentido. Afinal, as irmãs, embora abstêmias de sexo, pareciam gozar (esqueçam o duplo sentido) de saúde físico-mental fragilíssima. Se Deus era assim tão sacana, que viessem o tumor e a loucura, ora essa!

“Senta a pua, Dona Rita”. Dona Rita sorriu, achando engraçado o jeito como eu falei, ao minimizar o seu drama que já se arrastava há mais de cinco anos. Nossa conversa aconteceu na sala de espera de uma Clínica de Psicologia, onde ela se tratava de disfunções da menopausa, e eu, de um “injustificável medo de altura” (acrofobia/aerofobia). Os especialistas em comportamento humano garantem: tudo na vida tem uma explicação, uma razão de ser. Por isto, estávamos ali, para que uma terceira pessoa, uma mulher estranha e muito bem remunerada, nos apontasse a origem dos traumas.

Quebrando o senso comum de jamais conversarmos com estranhos, eu e aquela senhora travamos um diálogo dos mais profícuos e interessantes. Capengando na sétima década de vida, judiada pela artrite e pela solidão, Dona Rita contou-me que há cinco anos “não ouvia os sininhos dos anjos badalarem”, ou seja, perdera completamente contato com o esquisito (porém, gostoso) fenômeno orgasmático. Eu não sei exatamente porque o colóquio evoluiu a um nível tão intimista assim, ao ponto dela me fazer revelações de alcova. Provavelmente, ela estivesse mais solitária que artrítica, que é uma pena. “Velhice é uma merda”, ela emendou.”
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05 Junho, 2011

Assassinos da natureza

Rodolpho Motta Lima, Direto da Redação

“Volta e meia andamos nós, aqui no DR, cercados por rótulos que nos nomeiam como esquerdistas ou direitistas. Alguns rejeitam tais caracterizações, julgando-as anacrônicas, irreais ou inadequadas. Eu não. Considero-me realmente uma pessoa de esquerda, assim entendida aquela que está mais interessada nas causas populares do que nos privilégios de elite, aquela que enxerga o social como um vetor bem mais importante que o individual. Para mim – e não me importa aqui o maior ou menor rigor científico desta conceituação –, ser “de esquerda” é preocupar-se com os mais fracos e privilegiar os valores do coletivo.

Para isso , não julgo necessário um vínculo a qualquer partido político, até porque vivemos em um país onde as agremiações partidárias, com raríssimas exceções, não apresentam um rosto ideológico, e, pelo contrário, ostentam máscaras fisiológicas, quando não dissimuladas e traiçoeiras. Algumas até têm uma elogiável carta de princípios , mas, ou não conseguem colocá-los em prática ou têm uma linha programática de fachada, apenas para ser recitada demagogicamente às vésperas das eleições.

Essa absoluta indefinição ideológica, agravada pela absurda multiplicidade de partidos, é que me faz pensar que o chamado “voto de lista” talvez seja um jeito de dar um formato ideológico aos grupos partidários, apurando o cenário político nacional e fixando identidades claras. Mas essa não é matéria para agora, merecendo, certamente, um próximo artigo.

O assunto aqui é o Código Florestal e o processo de votação que aprovou algumas barbaridades, entre elas a impunidade que se pretende atribuir aos que desmataram as nossas florestas, em flagrante crime ambiental.

É estarrecedor que a nossa Câmara Federal possua, em maioria, legisladores “ruralistas”, um eufemismo que esconde, no geral, aqueles que fazem da terra e dos homens objetos de exploração gananciosa. Alguém dirá que tais parlamentares, se estão lá, é porque lá foram colocados pelo povo. Sim, isso é verdade. Mas também é verdade que a maioria deles não mostra a sua verdadeira cara no momento da eleição, escondendo sua faceta retrógrada em campanhas em que o poder econômico se sobrepõe à clareza política.”
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03 Junho, 2011

Filósofa francesa critica o mito da mãe perfeita em novo livro

Em entrevista, Elisabeth Badinter rechaça o ideal da maternidade atual e diz que não há um modelo único de mãe para ser seguido

Renata Losso, iG

Desde a década de 70 as mulheres vêm tentando conciliar a maternidade à realização pessoal, lutando por direitos e liberdades até então característicos do mundo masculino. Porém, para a escritora e filósofa francesa Elisabeth Badinter, o passar do tempo não foi capaz de quebrar o “mito do maternalismo”, conceito baseado na existência do “instinto materno”, que deixou às mulheres uma ordem aparentemente inquestionável: é natural que elas sejam mães, e elas devem ser mães infalíveis. Mas e os desejos, anseios e vontades destas mulheres, onde ficam?

Autora do livro “O Conflito – A Mulher e a Mãe” (Editora Record), lançado recentemente, Badinter contou ao Delas que, ao longo dos anos, as mulheres acrescentaram às próprias vidas mais do que somente os filhos. Com as possibilidades de escolhas, elas foram sobrecarregadas por todos os lados e cobradas a serem mais do que perfeitas no cumprimento dos deveres maternos. Este estado de coisas, segundo ela, é interessante para a permanência da dominação masculina e para obrigar as mulheres a continuarem se devotando por completo aos filhos. É contra isso que Badinter milita. Segundo ela, a mãe que dá mamadeira ao filho não é menos mãe que aquela que amamenta. "Acrescentamos uma tonelada de culpa nos ombros maternais", diz. Veja abaixo entrevista com a autora, concedida por e-mail.

iG: Como você vê a maternidade e a maneira que as mulheres lidam com ela atualmente? Aconteceram muitas mudanças nesta concepção desde a década de 70 até os dias de hoje?
Elisabeth Badinter: Há 30 anos a vulgarização abusiva da psicanálise engendrou a ideia de que a felicidade, a inteligência e o desabrochar da criança – portanto, o equilíbrio dela no futuro – dependem essencialmente do comportamento da mãe. Deste então, os ecologistas e outros adoradores da natureza contribuíram para que essa crença realmente existisse: de que para ser uma boa mãe, por exemplo, preocupada com a saúde do filho, é necessário amamentá-lo 24 horas por dia. E, de preferência, se devotar inteiramente a ele durante um ou dois anos. O resultado: as mães que não querem se conformar com essas diretrizes são cada vez mais consideradas mães indignas, e suas amigas as olham com suspeita. Com o passar dos anos, de fato, acabamos acrescentando uma tonelada de culpa nos ombros maternais.”
Entrevista Completa, ::Aqui::

02 Junho, 2011

Planeta mentira

Leila Cordeiro, Direto da Redação

“Quer saber? Cansei de ouvir tanta mentira. Parece que ela está no ar e já virou epidemia, tantas são as histórias mentirosas que se ouve em todo lugar do planeta. Haja criatividade para mentirem tanto e, pior, com a cara mais lavada do mundo. De mentira em mentira, tem gente que já nem sabe mais distinguir a ficção da realidade.
A mentira pode ser uma das mais eficazes armas de dissimulação. Ela é covarde, pois privilegia uma das partes, o mentiroso. O outro, o que ouve a mentira, é sempre enganado em sua boa fé e acredita na versão contada pelo mentiroso que nada mais é do que um ser egoísta e oportunista.

Mas não sejamos tão exigentes ! Afinal, mentir virou um hábito entre muitas pessoas como comer, beber água, tomar banho. Ela está tão presente na vida de quem mente que até já se tornou verdade para ela e vem travestida de muitas maneiras.

Tem a mentira ingênua, aquela que não faz mal à ninguém mas que é contada com tantas nuances e detalhes que acaba convencendo e enganando o atento ouvinte que acredita piamente que aquilo tudo é verdade, atribuindo ao mentiroso uma importância que ele está longe de ter.

Tem a mentira vaidosa, que é usada pelos incompetentes que nunca foram nada na vida e mentem que foram o que, no fundo, gostariam de ter sido mas nunca tiveram competência para ser. O pior é que quem conta a verdade tem que conviver e até competir em pé de igualdade com o mentiroso, que acaba levando vantagem, pois no mundo da mentira tudo fica mais fácil.

Tem aquela que é contada para esconder uma culpa. Essa é mais perigosa pois pode estar acobertando um crime, como está se vendo ao vivo e a cores, no julgamento de Casey Anthony, uma jovem de Orlando, na Florida, acusada de ter matado a própria filha, Caylee, de apenas dois anos de idade, em junho de 2008.”
Artigo Completo, ::Aqui::

01 Junho, 2011

Cardápio para tratamento de câncer

Agência FAPESP

“O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), ligado à Secretaria de Estado da Saúde e à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), lançou um serviço na internet com receitas de salgados, doces e bebidas para pacientes em tratamento de quimio e radioterapia.

Segundo o Icesp, a proposta do cardápio, que deverá se tornar um livro, é controlar os efeitos colaterais do tratamento de câncer. Outro objetivo das receitas é incentivar a alimentação dos pacientes, evitando a perda de peso.

Na nova página há diferentes receitas, indicadas para sintomas específicos provocados pelos tratamentos quimioterápicos, radioterápicos e de radioiodoterapia, tais como boca seca, náuseas, dor ao engolir e feridas na boca. Além das receitas, o site fornece dicas para controlar os efeitos colaterais das terapias oncológicas.”
Matéria Completa, ::Aqui::
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