31 Outubro, 2010

Deus, abençoe os nossos crimes!


Edival Lourenço, Revista Bula

“O Homo sapiens é um animau tão çinixtro que chega a pedir perdão pelos crimes que não cometeu. No entanto, em rituais festivos, roga fervorosamente a Deus que o abençoe, pelos crimes que de fato comete. Tentarei inicialmente justificar essas afirmativas, não com argumentos lógicos, como tem sido a praxe desta série de artigos. Mas sobretudo com uma cena que presenciei tempos atrás.

Um amigo me convidou para um churrasco na fazenda de um parente dele, que acabava de concluir uma fase importante num empreendimento agropecuário. Fomos, numa manhã de domingo. O local situava-se numa região onde eu conhecia bem e tinha para mim um alto valor afetivo, pois passara por ali a minha infância. Eu me lembrava que era uma paisagem idílica e exuberante. Um grande vale descansado, com campos limpos e arenosos a sumir de vista, entrecortados por riachos, por matas de galeria, matas de cerradão e vargedos de buritizais, povoado pelas araras, com seu festival de cores e gritos que ecoavam nas colinas levantadas aqui e ali, como espiões de torrão. No meio do cenário passava o rio, como que recolhendo em tributo as águas sempre claras dos ribeiros.

De longe já pude perceber os destroços da terra arrasada. O novo proprietário mandara passar tratores de esteira atrelados com correntes brutais sobre a vasta região. Tudo caiu por terra na mesma levada: Cerrados, matas, árvores frutíferas, buritis. Não houve respeito às nascentes, às matas ciliares, aos declives das colinas, à terras úmidas, nem mesmo reserva legal havia, onde a vista pudesse alcançar. Meu amigo me contara antes que seu parente comprara numa região inóspita uma terra de pirambeira e dera aos órgãos de fiscalização do meio ambiente como reserva legal, compensado a que ele não deixara na propriedade.

Era o jovem proprietário daquelas terras um exemplo de vida para todos. Além de um empreendedor entusiasmado, era prestativo à comunidade e temente a Deus. Fazia-se presente aos festejos o pastor do rebanho ao qual o anfitrião pertencia. Na hora que tinha de ser, um pouco depois do meio dia, fomos todos convocados para nos reunir sob uma grande tenda, próxima à casa principal. Havia muita gente, todas muito felizes, expressando votos de sucesso ao proprietário, bem como congratulações ao cheiro bom de carne assada que se espalhava a partir da enorme churrasqueira em forma de vala no chão a céu aberto, no meio do quintal, onde a sombras das mangueiras haveria de alcançar dali a pouco.”
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29 Outubro, 2010

O Papa e o aborto

É bom que mantenhamos o espírito crítico face a esta inoportuna intervenção do Papa na política brasileira. Mas o povo mais consciente tem, neste momento, dificuldade em aceitar a autoridade moral de um Papa que durante anos ocultou o crime de pedofilia entre padres e bispos.

Leonardo Boff, Carta Maior

É importante que na intervenção do Papa na política interna do Brasil acerca do tema do aborto, tenhamos presente este fato para não sermos vítimas de hipocrisia: nos catolicíssimos países como Portugal, Espanha, Bélgica, e na Itália dos Papas já se fez a descriminalização do aborto (Cada um pode entrar no Google e constatar isso). Todos os apelos dos Papas em contra, não modificou a opinião da população quando se fez um plebiscito. Ela viu bem: não se trata apenas do aspecto moral, a ser sempre considerado (somos contra o aborto), mas deve-se atender também a seu aspecto de saúde pública.

No Brasil a cada dois dias morre uma mulher por abortos mal feitos, como foi publicado recentemente em O Globo na primeira página. Diante de tal fato devemos chamar a polícia ou chamar médico? O espírito humanitário e a compaixão nos obriga a chamar o médico até para não sermos acusados de crime de omissão de socorro.

Curiosamente, a descriminalização do aborto nestes países fez com que o número de abortos diminuísse consideravelmente. O organismo da ONU que cuida das populações demonstrou há anos que, quando as mulheres são educadas e conscientizadas, elas regulam a maternidade e o número de abortos cai enormente. Portanto, o dever do Estado e da sociedade é educar e conscientizar e não simplesmente condenar as mulheres que, sob pressões de toda ordem, praticam o aborto. É impiedade impor sofrimento a quem já sofre.”
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28 Outubro, 2010

Vá ao teatro, mas não me chame

Obras da brasileira Lygia Clark são vendidas a altos preços em feira

Luiz Antonio Mello, Direto da Redação

A arte latino-americana está em alta, mostrou a Feira de Arte Contemporânea parisiense (Fiac), na qual colecionadores pagaram altos preços por obras da brasileira Lygia Clark, do mexicano Gabriel Orozco e do venezuelano Jesús Soto, entre outros.

As esculturas de Lygia Clark foram algumas das obras vendidas por mais de US$ 500 mil nesta 37º edição da Fiac, após deixar claro que o mercado de arte, que em 2008 sofreu uma contração de 40% por causa da crise financeira internacional, se recuperou.

"Comprovei o interesse em criadores latino-americanos de parte de colecionadores internacionais", disse à AFP Natalie Seroussi, dona de uma das 185 galerias de 24 países que participaram da feira. "As pequenas peças de Clark foram vendidas por 300.000 euros (US$ 420 mil)", acrescentou.

REcine terá maior mostra de filmes sobre música brasileira já feita


A maior mostra já realizada no país de filmes dedicados à música brasileira pode ser vista no Rio de Janeiro. A 9ª edição do REcine – Festival Internacional de Cinema de Arquivo - vai apresentar um total de 115 filmes que documentam a trajetória dos cantores, compositores, músicos e gêneros que fizeram a música brasileira do século 16 até os dias atuais. Na programação, que será exibida no Arquivo Nacional, no centro da cidade, estão preciosidades guardadas há décadas.

“O espírito do REcine é esse, tirar das prateleiras aquilo que está esquecido, que está guardado”, afirma o curador do festival, Clovis Molinari Jr. Cada edição é dedicada a filmes sobre um determinado tema, que têm como marca a utilização de imagens, áudio e documentação de arquivo. “Este ano, teremos filmes sobre samba, choro, música sertaneja, bossa nova, rock e até funk. O Brasil é um país enorme, e de Norte a Sul os gêneros são os mais diferentes. A nossa intenção foi mostrar essa diversidade musical brasileira”, diz Molinari Jr.”
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27 Outubro, 2010

Matar é com a gente mesmo


Eberth Vêncio, Revista Bula

“Não se compreende a maldade humana. Estudiosos debruçam-se sobre livros e compêndios, derretem as retinas defronte os computadores, testam drogas e dúvidas nos dadivosos ratinhos de laboratório sem, no entanto, concluírem a respeito da natureza humana ruim. Culpar o diabo não soma. É fuga, subterfúgio, enganação. Imagine só: que animal se deita à noite maquinando contra a vida de outro?

As pessoas simplesmente se indignam com a ruindade dos seus pares, criaturas promotoras da dor física e moral. Tolos vão debitando o ônus da própria ignorância na conta de um ser supremo que é ovacionado das mais variadas formas pelas agremiações religiosas, muitas delas arrogantes, detentoras da “verdade absoluta”. Se há mesmo o pecado, se ele não passa de mera invencionice humana para o autocontrole, a intolerância será o pior deles.

Dois animais impopulares inspiraram em mim esta crônica. Ontem, na boquinha da noite, quando eu corria pela pista que margeia uma bela lagoa da cidade, pelejando contra a “barriguinha de jibóia”, deparei com duas moçoilas apavoradas por causa da presença de um sapo no caminho (no meio do caminho tinha um sapo, tinha um sapo no meio do caminho). O lerdo, porém, esperto animal fazia tocaia debaixo de um mini-poste de iluminação, capturando com sua língua pegajosa um farto banquete de insetos que por ali sobrevoavam em busca da luz. Ora, vejam: não só os homens buscam a luz, mas também as aleluias, os besouros e os sapos feios.

A desmedida reação das poposudas siliconadas (elas clamavam que alguém trucidasse aquele pobre anfíbio) reacendeu na minha memória uma cena da infância, quando eu assistia ao meu avô liquidando sapos com um arpão improvisado (um arame grosso amarrado na ponta de um cabo de vassoura). Recomendações da minha avó: onde tem sapo, tem cobra também. Portanto, melhor acabar com eles e se proteger da peçonha.”
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25 Outubro, 2010

Lição de vida

Antonio Tozzi, Direto da Redação

“Recentemente, assisti a um filme que tocou fundo na alma. Trata-se de God Grew Tired of Us (Pátria Proibida), que foca a vida de quatro refugiados sudaneses que emigram para os Estados Unidos fugindo da matança no sul do país promovida por paramilitares que contam com a simpatia do governo do presidente Omar al Bashir. São os chamados meninos perdidos do Sudão.

Antes de falar do filme, vale a pena fazer uma reconstituição de como está a situação no Sudão. O país africano, um dos maiores do continente, vem sofrendo com uma guerra civil. Ou melhor, vem sofrendo com o massacre promovido pela guerrilha Janjaweed, formada por muçulmanos, que partiu com tudo para o sul do país a fim de dizimar a população dos sudaneses cristãos.

Para alcançar este objetivo, tudo é válido. Queima de vilas, execução da população masculina e estupro das mulheres foram (e estão sendo) as armas usadas pelos guerrilheiros muçulmanos para erradicar a presença dos negros cristãos que habitam – ou, melhor, habitavam – o sul do país. No norte, a presença dos negros muçulmanos é marcante, uma vez que o país faz fronteira com os países da África árabe, predominantemente muçulmana.

E o governo do ditador al Bashir, em vez de intervir no conflito, toma claramente o partido da guerrilha Janjaweed e ataca a comunidade internacional que vem criticando a matança dos cidadãos sudaneses do sul. A defesa é a mesma usada pelos ditadores de plantão, isto é, que ninguém tem direito de se imiscuir nos assuntos internos do país.”
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24 Outubro, 2010

"Se os homens engravidassem, o aborto seria um sacramento..."

Juliete Oliveira, Blog In-di-gestão pública / Envolverde

"Se os homens engravidassem, o aborto seria um sacramento..."(Florynce Kennedy, advogada e feminista americana, revista Ms., Março 1973).

Ao ser questionada por um amigo português sobre as eleições no Brasil, no primeiro dia após o primeiro turno, disse-lhe que a minha candidata infelizmente não conseguiu votos suficientes que a levassem ao segundo turno, ele por sua vez, perguntou-me qual era, pois, a minha opção para o segundo turno. Respondi que a outra candidata que permanecia na disputa, por duas razões: primeiro por ser mulher e segundo, por ser a continuidade do governo atual. Ele se disse surpreso, por eu tão naturalmente verbalizar isso. Disse-me que em Portugal a questão da violência contra a mulher é uma rotina, é colocada como algo aceito e pouco ou quase nada discutido.

Temos no Brasil uma equivalência entre homens e mulheres, e em alguns casos uma superioridade de números em relação à mulher: já temos hoje, um número maior para elas nas universidades, no ensino médio, a ocupar algumas áreas do mercado de trabalho como é o caso da educação, e ainda, em alguns estados e municípios o número de eleitores dividido por gênero, o maior é para o sexo feminino.

Em compensação, ou melhor, operando na contramão temos: Em dez anos, dez mulheres foram assassinadas por dia no Brasil, média que fica acima do padrão internacional. A motivação geralmente é passional. Estes são alguns dos resultados do estudo intitulado Mapa da Violência no Brasil 2010, realizado pelo Instituto Sangari, com base no banco de dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS).”
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O atentado de Campo Grande

Luciano Martins Costa, Observatório da Imprensa

“Foi mais ou menos como num jogo de futebol: o zagueiro encosta no atacante, o atacante se atira dentro da área, rolando, se contorcendo, na esperança de que o árbitro apite um pênalti. Mas as câmaras são soberanas. Elas mostram que o zagueiro mal tocou no centroavante, que o atacante se atirou, que não está machucado, que está simulando. Ainda assim, alguns narradores gritam: "Pênalti!". E no dia seguinte, os analistas vão bater boca o dia inteiro: foi, não foi, o juiz acertou, o juiz roubou.

Na cena reproduzida pelo Jornal da Record, o candidato José Serra vem caminhando, sorridente, pela rua do comércio de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Vem cercado de correligionários e seguranças. Mais adiante, seu caminho está bloqueado por uma passeata de petistas, que podem ser identificados por suas bandeiras vermelhas.

A comitiva do candidato oposicionista segue na direção dos adversários, arma-se um rápido entrevero, no qual um petista é agredido por três acompanhantes do candidato Serra, que está abrigado à porta de uma loja.

Apartam-se as brigas, Serra retoma a caminhada.

Então, alguma coisa o atinge na cabeça.

Pela câmara da TV Record, observa-se que o candidato apenas passa a mão na cabeça, constatando que não está ferido. É levado, então, por seus acompanhantes para um hospital.

Corta para o médico que o atendeu. A frase é clara: ele não tem nem um arranhão. A reportagem esclarece: o candidato foi atingido por um rolinho de plástico, um desses adesivos de campanha amarrotado.

Agora, a mesma cena no Jornal Nacional, da TV Globo: tudo quase igual, exceto no momento em que José Serra é atingido. Substitui-se, então, a imagem em movimento, que mostra apenas um susto da vítima, por uma fotografia, tirada de cima para baixo, de efeito muito mais dramático.

Quando chega o trecho da entrevista do médico, sua voz desaparece e em lugar da versão oficial do hospital entra o locutor, que apaga a informação de que o canditado não sofreu sequer um arranhão e a substitui por uma versão mais grave. A encenação se completa com o candidato sendo entrevistado, sob uma tensa luz azulada, com olhar de vítima.

Simulando uma contusão

O episódio, condenável sob todos os aspectos, deve, no entanto, ser visto como resultado da irracionalidade e radicalização da campanha eleitoral.

Mas as versões apresentadas pela imprensa merecem uma análise à parte.

Uma curiosidade: quem teria descido do Olimpo global para comandar a edição de tão importante reportagem? Que critérios do manual de ética e jornalismo da Rede Globo foram brandidos para justificar a transformação de um episódio banal, mais do que esperado no ambiente de conflagração que os próprios candidatos andaram estimulando, em uma crise republicana?”

22 Outubro, 2010

Os perigos do fanatismo

Mauro Santayana, JB

“Vejamos os fatos com serenidade, não obstante o ensandecido comportamento de militantes das duas candidaturas. Podemos debitar a Serra a aproximação com o neoliberalismo globalizador e antinacional, como ministro de Fernando Henrique, mas isso não o transforma em traidor do povo e da pátria. Os adversários de Dilma incriminam-na por ter participado da luta armada, embora não haja, até o momento, provas de que tenha realmente alvejado alguém. Ainda que ela tivesse participado de combates guerrilheiros, isso não a tornaria menos humana e menos brasileira. A história dos povos é plena de exemplos de como o insurrecto de ontem é o estadista de hoje. Em princípio, todos os que abraçam uma causa o fazem por considerá-la justa.

Postular a mais alta posição republicana é direito de todos os possuidores de um título de eleitor que preencham as condições exigidas pela justiça, com a observação de que a lei é muito condescendente nesse particular. Pelo que se sabe, tanto Dilma quanto Serra obtiveram o registro normal e correto de suas candidaturas. Neste segundo turno está bem definida a posição de cada candidato, em que Dilma representa a coligação no poder, e que nele pretende continuar, e Serra é o escolhido pela oposição. E, a menos que mintam, o que também é possível, embora não muito provável, ambos prometem avançar na construção de uma sociedade justa e desenvolvida, sem violar o contrato republicano ratificado pela Constituição. É certo que eles têm sido, em seu proselitismo, muito avaros na revelação de sua inteligência política e de seus conhecimentos doutrinários, dando aos observadores a impressão de que não sabem exatamente o que é Estado e o que é o Brasil.”
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21 Outubro, 2010

A dor da perda

Leila Cordeiro, Direto da Redação

“Acho que a perda seja talvez o sentimento mais difícil de ser aceito pelo homem. Afinal todos nós nascemos para ser vencedores e perder qualquer coisa na vida, pode, muitas vezes, representar uma derrota . A perda tem muitas formas e nuances e representa, por exemplo, um demérito quando perdemos algo que nos faz sentir seguros, como um emprego, um cargo importante, o salário do mês e o poder de estar no controle de alguma situação. Ela só é irreversível quando não se está preparado para enfrentá-la, mas nos oferece uma volta por cima na medida em que cutuca nosso amor próprio e a capacidade que temos de enfrentá-la com dignidade e força de vontade.

A perda da juventude, por exemplo, torna-se um pesadelo quando tem que ser enfrentada por aqueles que não se conformam com os traços do tempo, indelevelmente, marcados no rosto. Não tem maquiagem, cirurgia ou qualquer outro artifício que apague as marcas da experiência, que nada mais são do que a prova da sabedoria de ter vivido por tanto tempo. Para os inconformados com a velocidade da ampulheta, perder o viço é como um castigo, uma provação. Para os que vêem muito além das frivolidades mundanas, é um aprendizado e a certeza de ter cumprido uma missão na vida.

Materializando a perda, não podemos deixar de citar, aquela que nos afasta de objetos pessoais que representam momentos importantes do passado, verdadeiras relíquias que também podem nos reportar a bons tempos ao lado de alguém que já se foi e nos deixou objetos de estimação. Parece supérfluo citar perdas materiais, mas elas podem significar muito mais do que apenas coisas, elas nos fazem sentir impotentes diante do que nunca mais vai se ter para usar ou relembrar o que nos foi tão importante.”
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20 Outubro, 2010

A pequena burguesia "viajou" na onda da alta burguesia

Fatima Oliveira, Vermelho.org

"Adoro eleições. A aura que paira sobre elas desperta renovação de esperanças... Mas, em 3 de outubro, acordei esquisita. Adulta, era a primeira vez que não fazia boca de urna (quando criança, acompanhava mamãe). Votei cedo e fui dar plantão. Por todo o dia senti falta de zanzar pelas ruas. Amo a muvuca de dia de eleição. Minha tristeza era não estar naquilo que o sociólogo Marcos Coimbra verbalizou tão bem: "O dia da eleição é sempre diferente. Há uma mágica no ar, as pessoas se olham de uma maneira única. Talvez seja a percepção da democracia como realidade".

Sob domínio ideológico da burguesia, a democracia como realidade não é fácil de ser fortalecida e consolidada; mesmo assim, é instigante e repleta de ensinamentos. Cada dia nos reserva novos aprendizados e de vez em quando nos deparamos com enigmas da esfinge, verdadeiros e falsos - como o encantamento da pequena burguesia urbana com o canto de sereia do PV, que não tem nada de "onda verde", só demonstra que a luta de classes não acabou.

Na reta final da campanha, todas as frações da alta burguesia se mobilizaram coesas para incensar Marina para garantir Serra no segundo turno! E se valeram de outro regato para jogar água no moinho da luta de classes: o fervor religioso fundamentalista, que deu voto verde fundamentalista. Usemos de franqueza: a façanha de Marina é trágica. No fundo, e de cálculo pensado, serviu de escada para o conservadorismo e ainda canta vitória!

A explicação está em textos clássicos do marxismo sobre as "viagens" da pequena burguesia, uma classe em transição, vacilante e não confiável, desde sempre, que não compreendeu que, sufragando Marina, servia ao Serra, que não a encantava pela triste memória dos tempos FHC, pois sabe que viver sob o jugo tucano é prostrar-se de joelhos. Pobres e não ricos conscientes e ricos patriotas sabem de que fel se trata e o rechaçaram, elegendo Lula presidente duas vezes, bem ao estilo da frase lapidar de La Pasionaria - Isidora Dolores Ibárruri Gómez (1895-1989), personalidade comunista espanhola: "É melhor morrer em pé do que viver de joelhos".
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19 Outubro, 2010

Fascismo “do bem” abortou a democracia

“Para cientista social, Igreja Católica paulista se pôs a serviço da “casa grande”


Eduardo Sales de Lima, Brasil de Fato

“Ela é a favor de matar criancinhas”. A frase é de Mônica Serra, mulher de José Serra (PSDB), proferida no dia 14 de setembro, no município de Nova Iguaçu (RJ), durante a campanha tucana. O flagra sobre a mulher de Serra tentando convencer um eleitor evangélico a não votar em Dilma revelava qual o caminho “abençoado” os tucanos iriam percorrer.

Junto à atitude de Mônica, mais boatarias e mensagens fundamentalistas de cristãos teriam tido um papel preponderante para que houvesse o segundo turno das eleições presidenciais, segundo analistas. Na internet, correios eletrônicos carregavam conteúdos que ligavam a imagem de Dilma e seu vice, Michel Temer (PMDB), ao “demônio”. Num ataque paralelo, e mais sério, bispos católicos do estado de São Paulo “apelaram” para que seus fiéis não votassem no Partido dos Trabalhadores.

O título do texto que a Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recomendou, há cerca de dois meses, que suas paróquias distribuíssem aos seus fiéis é “Apelo aos Brasileiros”. A carta acusa o PT de ser parceiro do “imperialismo demográfico representado por fundações estadunidenses” e de “apoiar o aborto”.
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18 Outubro, 2010

Revelações de ex-alunas de Monica Serra reacendem polêmica do aborto

Mulher do candidato tucano teria abortado no período em que o marido viveu exilado no Chile. Assessoria do candidato nega

Redação, Carta Capital

O tema descriminalização do aborto voltou ao centro do debate eleitoral com a informação de que Monica Serra, mulher do candidato a presidência José Serra (PSDB), teria feito um aborto durante o período em que o tucano viveu exilado no Chile. A bailarina e ex-aluna de Monica Serra na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Sheila Canevacci Ribeiro, publicou, um dia após o debate da Rede Bandeirantes, uma mensagem na rede social Facebook em que mostrava indignação pelo posicionamento do candidato em relação ao tema. “Com todo respeito que devo a essa minha professora, gostaria de revelar publicamente que muitas de nossas aulas foram regadas a discussões sobre o seu aborto traumático”, escreveu Sheila.

Procurada pela Folha de S.Paulo, a bailarina manteve o relato. “Não sou uma pessoa denunciando coisas, mas (ela é) uma pessoa pública, que fala em público que é contra o aborto, é errado. Ela tem responsabilidade ética”, disse Sheila ao jornal. O posicionamento da mulher de José Serra sobre o aborto foi amplamente debatido após um comício no Rio de Janeiro, há um mês, em que ela teria dito a um evangélico que Dilma Rousseff (PT) é “a favor de matar criancinhas”, de acordo com o publicado pela Agência Estado.

O mesmo jornal fez contato com outra aluna de Monica Serra, que, sob condição de anonimato, confirmou o revelado por Sheila. Segundo a aluna, nas aulas de psicologia ministradas por Monica Serra, em 1992, as pessoas sentavam-se em círculos e compartilhavam suas histórias. Foi numa dessas situações em que ela teria dito que realizou um aborto durante o exílio de José Serra no Chile. Após o golpe de Augusto Pinochet, em 1973, o casal mudou-se para os Estados Unidos.”
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17 Outubro, 2010

O admirável mundo novo digital

Ethevaldo Siqueira, O Estado de S.Paulo / AdNews

“Vivemos hoje a era digital em sua plenitude. Ela significa comunicação instantânea, em qualquer lugar e a qualquer hora, TV digital com imagens de alta definição e 3D, chips multinúcleos, internet de banda larga, softwares de produção gráfica, realidade virtual, sistemas de multimídia e dispositivos de armazenamento de muitos terabytes.

A maior parte dessa revolução ocorreu nos últimos 20 anos. Nesse curto período da história humana, a tecnologia criou um Admirável Mundo Novo Digital, designação que escolho por analogia com o título do famoso livro de ficção científica de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo, publicado em 1932.

Esse novo mundo está sendo construído a cada dia por bilhões de seres humanos, com a crescente popularização e disseminação do computador pessoal, do celular, da internet, da fibra óptica e, em breve, do Blu-ray e da TV digital com imagens tridimensionais (3D).

A fotografia é um caso exemplar das profundas mudanças de nosso tempo. Em apenas duas décadas, a tecnologia digital sepultou os velhos, custosos e lentos processos fotoquímicos dos velhos filmes e substituiu-os por avançados processos eletrônicos e digitais. Por isso, posso fazer 10 fotos ou uma centena, pelo mesmo preço. Ou distribuir milhares de fotos pela internet, gastando uma quantia ínfima.”
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O caluniador, figura da barbárie

Juarez Guimarães, CartaCapital

“De todas as eleições presidenciais realizadas após a redemocratização, esta é certamente aquela que a calúnia cumpre um papel mais central na definição do voto. Ela foi utilizada em um momento decisivo por Collor contra Lula, compareceu sempre todas as vezes nas quais Lula foi candidato mas agora ela mudou de intensidade e abrangência, tornou-se multiforme e onipresente.

A calúnia foi ao centro da nossa vida democrática. A senhora ao lado no ônibus me diz que recebeu a informação que Dilma desafiou Jesus Cristo em um comício realizado na Praça da Estação, em Belo Horizonte. O motorista de táxi conta que um médico lhe assegurou que um outro médico, seu amigo, diagnosticou gonorréia em Dilma.

Um e-mail recebido traz documento do TSE impugnando a candidatura de Dilma por ter “ficha suja”. Um aluno me diz ter recebido carta em casa da Regional 1 da CNBB, contendo mensagem para não votar em Dilma por ser contra a vida. Um comerciante na papelaria me diz que “não vota em bandida”. Após divulgar o resultado da primeira pesquisa Sensus/CNT para o segundo turno, o sociólogo Ricardo Guedes, afirmou que “nessa eleição, principalmente no final do primeiro turno, temos um fenômeno sociológico de natureza cultural de desconstrução de imagem. O processo de difamação, até certo ponto, pegou.” Quem conhece alguém que não recebeu uma calúnia contra Dilma ?

Houve uma mudança nos meios: a internet permite o anonimato e a profusão da calúnia. A Igreja brasileira, sob a pressão de mais de duas décadas de Ratzinger, tornou-se mais conservadora na sua cúpula e mobiliza hoje uma mensagem de ultra-direita, como não se via desde 1964. A mídia empresarial brasileira, já se sabia, vinha trilhando o seu caminho de partidarização e difamação pública, no qual até o direito de resposta tornou-se um crime contra a liberdade de expressão. Mas tudo isso não havia encontrado ainda o seu ponto de fusão: agora, sim.

O que está ocorrendo aos nossos olhos não pode ser banalizado. O caluniador é uma figura da barbárie, o sinistro que mobiliza o submundo dos preconceitos, dos ódios e dos fanatismos. A calúnia traz a violência para o centro da cena pública, pronunciando a morte pública de uma pessoa, sem direito à defesa. Perante a calúnia não há diálogo, direitos ou tribunais isentos. Na dúvida, contra o “réu”: a suspeição atirada sobre ele, visa torná-lo impotente pois já, de partida, a humanidade lhe foi negada.

Mas quem é o caluniador, essa figura de mil caras e rosto nenhum? É preciso dizer alto e bom som, em público, o seu nome, antes que seja tarde: o nome do caluniador é hoje a candidatura José Serra! Friso a candidatura porque não quero exatamente negar a humanidade de quem calunia. É o que fez, com a coragem que lhe é própria, a companheira Dilma Roussef no primeiro debate do segundo turno, apontando o nome de uma caluniadora – a mulher de Serra – e chamando o próprio de o “homem das mil caras”.
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15 Outubro, 2010

Paulo, o Apóstolo

Frei Betto, Adital

“Paulo de Tarso, que dá nome à mais rica e populosa cidade do Brasil, foi sem dúvida um homem singular. Um dos primeiros discípulos de Jesus, é sobre ele que possuímos mais informações, graças às cartas que escreveu, das quais conhecemos 13, e ao relato do evangelista Lucas, com quem fez viagens missionárias, intitulado Atos dos Apóstolos - documentos que integram o Novo Testamento e são considerados pela Igreja fontes de revelação de Deus.

Paulo ou Saulo, nascido provavelmente no ano 1 de nossa era e falecido em 64, aos 63 anos, em Roma, falava de si mesmo sem o menor pudor e se gabava de sua cultura (2 Coríntios 11, 6) e do título de "cidadão romano" (Atos 16, 37), herdado do pai. O que comprova que certa dose de narcisismo ou vaidade não é prejudicial à santidade… Ou melhor, demonstra que os santos são tão humanos como qualquer um de nós, imperfeitos e pecadores. A diferença é que, em tudo, buscam realizar a vontade de Deus.

Observe o leitor como Paulo se apresenta: "Sou judeu de Tarso da Cilícia, cidadão de uma cidade de renome (Atos 21, 39), circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamin, hebreu, filho de hebreus segundo a Lei (de Moisés), fariseu… Pela justiça da Lei, considerado irrepreensível." (Filipenses 3, 5-6).

Como quase todos os judeus inseridos na cultura grega, ele acresceu ao próprio nome judeu, Saulo, outro grego, foneticamente semelhante: Paulo.

Seus pais haviam emigrado da Palestina para Tarso. Judeus piedosos, resistiram à ideia de matricular o filho em escolas gregas. Tão logo completou 14 anos, Paulo foi remetido a Jerusalém, onde morava sua irmã casada e estudou na mais renomada escola rabínica da época: "aos pés de Gamaliel" (Atos 22, 3). Seus textos demonstram que tinha sólida formação teológica. E era excelente escritor. Seu "Hino ao Amor" (1 Coríntios 13, 1-13) é um dos mais belos poemas da literatura universal:
Ainda que eu falasse
A língua dos homens e dos anjos,
E não tivesse amor,
Seria como o bronze que soa
Ou o címbalo que tine…”
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14 Outubro, 2010

A Solidão dos Números Primos

Alex Sens Fuziy, Revista Bula

“Mais do que um estado de isolamento, em que o sujeito experimenta sua própria companhia, a solidão é também uma espécie de liberdade truncada e inconstante, aberta às surpresas e acasos da vida, e por isso mesmo passível a tudo. Na maioria das vezes pensamos na solidão como algo triste, indesejado, uma condição humana causal de uma sociedade individualista que quer cada vez mais espaço e menos presença — até mesmo de si, por que não? Mas ela também pode ser, se encarada ou “tratada” como fase, uma saudável oportunidade de observar o mundo com um olhar distante e ainda assim muito íntimo, particular, em busca de algo que se está à procura, embora não se saiba bem o quê. Em alguns casos a solidão é escolha absoluta e consciente, e disso trata o romance do italiano Paolo Giordano, “A Solidão dos Números Primos” (Editora Rocco, 288 páginas, tradução de Y. A. Figueiredo).

Numa extremidade do romance está Mattia Balossino, um garoto que cresce com uma secreta parcela de solidão por causa de Michela, sua irmã gêmea mentalmente doente, da qual se envergonha. Aqui seu mundo solitário é autogerado a partir desta vergonha e do distanciamento que ele mesmo provoca com os colegas e conhecidos. Convidados para a festa de um colega de sala com o qual têm pouquíssimo contato, os irmãos Balossino se separam a caminho da festa. Mattia, preocupado com o possível comportamento de Michela, (“Ela vai deixar cair todas as batatas fritas no chão.”), deixa a irmã numa praça dizendo que voltará logo. Mas quando volta, a praça está vazia e escura, como fica seu coração por muitos anos seguintes. A narração avança um ano após o desaparecimento e mostra um Mattia ainda mais introspectivo, obscuro, marcado pelas cicatrizes de uma frustrada tentativa de suicídio.”
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13 Outubro, 2010

Mais de um terço das mulheres é obrigada a manter relações sexuais

JB / Agência AFP

“Mais de um terço das mulheres do mundo já foi ou é constantemente surrada, abusada ou forçada a manter relações sexuais por um companheiro ou um membro da família, alertou Zou Xiaoqaio, vice-presidente do Comitê para a Eliminação da Discriminação Contra as Mulheres, órgão da ONU.

Zou Xiaoqaio disse que a violência sexual só aumenta no mundo, apesar das campanhas da ONU e de outras organizações para combatê-la.

"Pelo menos uma em cada três mulheres já foi surrada, coagida a fazer sexo ou abusada de alguma outra maneira, geralmente por um companheiro íntimo ou por um membro da família", indicou Zou, citando dados de um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a População.

"As mulheres continuam sendo estupradas e vítimas de outras formas de violência sexual com impunidade em todo o mundo", destacou - afirmando que, em alguns países, as acusações de estupro podem ser invalidadas se o agressor aceitar se casar com a vítima.
"Mulheres e meninas continuam sendo vendidas para o sexo em todo o mundo. Duas milhões de meninas entre cinco e 15 anos entram para o mercado sexual a cada ano", advertiu.

Ainda de acordo com o relatório, entre os 186 países que assinaram a Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, de 1979, são poucos os exemplos de governos que de fato implementaram medidas para ajudar as mulheres de maneira efetiva.

Estados Unidos, Irã e Sudão são os únicos três países que ainda não assinaram a convenção, lembrou Zou.”

12 Outubro, 2010

Cansei

Beócios dizem a néscios o que devem comer e beber. E a turba de seguidores cresce a cada segundo

Marcio Alemão, CartaCapital

Sou ruim com datas. Por isso não sei dizer em que ano escrevi minha primeira coluna para o JT, o Jornal da Tarde. Lembro-me bem do que escrevi: “Comida da moda. Existe isso?” Se não consigo precisar a data, posso afirmar que mais de 20 anos se passaram e eu continuo achando isso bem esquisito. Mas cá estamos, mostrando um interesse fora do comum por tudo que está na moda. Melhor não generalizar? Também prefiro, até porque conheço o leitor de Carta e sei que ele não se identifica com os desesperados caçadores de tendências.

A má notícia é que eles estão à solta e se multiplicando de maneira, diria eu, nociva. Quase resignadamente não me espanta que sejam cada vez mais numerosos. Pensar e escrever bem é tarefa rara, que poucos desenvolvem com talento. É muito mais simples escrever frases breves e contundentes: “Preste atenção nos brancos do norte da Mongólia. Espumas? Só se forem do mar! Azeite trufado? Você deve estar brincando, né? A nova aposta está no sertão mineiro”.

Não me seduz esse tipo de escrita, mas quem sabe seja essa a nova… tendência da mídia. São frases boas para “tuitar”. Boas para compartilhar em redes sociais. Cada uma delas gera profunda reflexão e reações notáveis: Uhahahahahahahah! Hiiiiiiii! kkkkkkkkk! blzzzzz. wowwow?
huhuhuuuuuuuuuuuuu! A turba de néscios que tendem a obedecer e seguir essas ideias, lamento dizer, cresce a cada segundo.
Eu cansei.
Não que em algum momento tivesse sido seduzido por esse tipo de sugestão.
Cansei de ver beócios dizendo aos citados néscios o que eles devem gostar de comer e de beber. Paro na comida e bebida por ser meu assunto, mas essa gente é capaz de colocar os filhos para adoção se algum trendsetter disser que isso é a coisa mais bacana a se fazer hoje.”
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11 Outubro, 2010

Mostra com fotos de adolescentes se drogando causa polêmica em Paris

A proibição para menores de 18 anos de uma mostra em Paris do fotógrafo e cineasta americano Larry Clark, diretor do filme Kids (1995), está causando grande polêmica na França.

Daniela Fernandes, BBC Brasil

A exposição, no Museu de Arte Moderna da cidade, inaugurada nesta sexta-feira, apresenta fotos explícitas de jovens se drogando, tendo relações sexuais e usando armas de fogo.

A prefeitura socialista da capital, que dirige o Museu de Arte Moderna de Paris, alega que a proibição se baseia no Código Penal, que define como crime a difusão de imagens "com caráter violento e pornográfico, quando essas mensagens podem ser vistas por menores".

"Não sou um puritano, mas muitos que lançaram a polêmica não viram a exposição. Enviei para os jornais seis fotos que causam problemas e nenhum ousou publicá-las. Nós também não podemos mostrá-las aos menores de idade", afirma Christophe Girard, secretário municipal da Cultura.

A proibição de exposições para crianças pode ocorrer na França, mas no caso de jovens de até 17 anos é algo bastante raro.”
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10 Outubro, 2010

Wim Wenders e Akira Kurosawa são destaques da Mostra de São Paulo

Maratona cinematográfica exibe mais de 400 filmes entre 22 de outubro e 4 de novembro

Marco Tomazzoni, iG

A 34ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que acontece entre 22 de outubro e 4 de novembro, tem dois diretores homenageados neste ano, o alemão Wim Wenders e o japonês Akira Kurosawa, em seu centenário. A importância dada para os dois é tanta que, pela primeira vez, o evento conta com um cartaz “dupla face”, ou seja, terá duas versões diferentes. Mais de 400 filmes, em 24 salas da cidade, estão confirmados na programação.

Wenders, que esteve há dois anos no país participando da Mostra, vai inaugurar no Masp, no próximo dia 20, a exposição de fotos “Lugares, Estranhos e Quietos”, inédita no mundo. O diretor de “Paris, Texas” e “Asas do Desejo” desembarca em São Paulo uma semana antes para cuidar pessoalmente dos detalhes. “Serão fotos gigantes, uma ampliação fantástica”, afirmou o diretor e fundador da Mostra, Leon Cakoff, em coletiva de imprensa na manhã deste sábado (9). Alguns títulos da filmografia de Wenders também serão exibidos, entre eles uma versão do diretor de “Até o Fim do Mundo”, com 280 minutos.

Já Kurosawa (1910-1998) receberá, segundo Cakoff, a “maior celebração mundial” de seu centenário. Em parceria com o Instituto Tomie Ohtake, trará ao Brasil, primeiro país depois do Japão, a exposição “Kurosawa – criando imagens para o cinema”, que reúne 80 storyboards produzidos pelo cineasta. Com dificuldades para financiar “Kagemusha” (1980), Kurosawa resolveu desenhar o filme inteiro para não perder as ideias que tinha imaginado.”
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Quando Tiririca é legião

Muniz Sodré, Observatório da Imprensa

“O "caso Tiririca", fartamente discutido na mídia e em rodas de opinião, merece alguma reflexão, não apenas quanto à bizarrice dos comportamentos eleitorais, mas também sobre como raciocinam as elites, repercutidas em última análise pelo senso comum e pela imprensa.

Para começar, um comentário que nos aconteceu fazer em resposta à demanda de um repórter (O Globo, 26/9). É de hábito, nesse tipo de abordagem telefônica, que o entrevistado fale muito, na expectativa de uma plena explicação impressa do que disse. O publicado foi apenas uma pílula explicativa, mas fiel em sua curteza: aventamos a hipótese de um ativo lado estético nessa manifestação de preferência política chamada voto.

A rigor, o fenômeno estético começa desde as táticas propagandísticas dos candidatos a postos eletivos, na medida em que legitimam o seu pleito por marketing ou por interpelações afetivas. Nos dois casos se aciona o emprego racionalista do afeto por meio da retórica, isto é, pela arte da expressão e da persuasão empregada como técnica política, graças a seus efeitos de instrumentalização e controle dos discursos. A retórica serve para convencer, no sentido racionalista do termo, e para agradar ou adular, o que dá a medida de seu escopo afetivo ou irracional. Em linhas gerais, serve para comunicar ideias e emoções, produzindo sensações.

Baixaria e trivialidade

A retórica e, portanto, a estética, sempre esteve presente no âmago do fenômeno político, embora em graus diversos de intensidade. Não raro, a distância temporal permite-nos ver que usuários da retórica política no passado, tidos como sujeitos de "extraordinários" dotes oratórios, parecem-nos hoje simplesmente grotescos. Hitler, por exemplo: nada de realmente excepcional em seus discursos, hoje analisados em filmes e gravações, exceto o fato de que o orador constituía uma espécie de "canal sinergético" para as massas alemãs ávidas por um líder que as resgatasse das históricas humilhações militares e econômicas. Ao modo de um pregador religioso fanático, o führer dizia o que a multidão queria escutar.”
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08 Outubro, 2010

Os cidadãos estão cansados

Mauro Santayana, JB

“É quase certo que a abstenção crescerá no segundo turno. Sem a escolha de candidatos ao Congresso e, nos principais estados, sem a disputa para a chefia do governo local, a campanha tende a desmobilizar-se. A isso se acrescenta o cansaço de grande parte da cidadania. A campanha para o primeiro turno foi a mais morna de todas as realizadas desde a primeira redemocratização do Brasil, em 1945, e não despertou o entusiasmo popular.

Teve razão o senador eleito Itamar Franco ao recomendar a José Serra que deixe de obedecer a seus marqueteiros. Uma das grandes dificuldades do mundo de hoje está na terceirização das responsabilidades – e isso não ocorre apenas nas campanhas eleitorais. Os Estados Unidos contratam empresas para fazer as guerras, como ocorreu no Iraque e está ocorrendo no Afeganistão. Seus altos oficiais militares e civis, nesses dois países que invadiram, não são protegidos apenas por seus soldados, mas também por empresas privadas de segurança.

A grande indústria farmacêutica terceiriza a produção de medicamentos, e se repetem os casos de graves problemas com os remédios, quase sempre por ganância e negligência. Muitas vezes, os medicamentos não só são ineficazes, mas também prejudiciais à saúde dos pacientes.

Há algumas semanas, um dos mais eminentes ministros do Superior Tribunal de Justiça, seu atual presidente, Ari Pargendler, falava sobre a crise na magistratura, com a excessiva carga de trabalho, o que obrigava os juízes a confiarem a seus assessores, e até mesmo a estagiários, o exame dos processos e a consulta à jurisprudência, antes de seu estudo final e da sentença.”
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07 Outubro, 2010

Carta para o jovem eleitor brasileiro

Urariano Motta, Direto da Redação

“Eu estava sem saber o que escrever nesta quarta-feira, ainda de ressaca das eleições do último domingo. Estava como na canção de Zeca Baleiro

Mais sem graça/
Que a top model magrela/
Na passarela/
Eu tava só/
Sozinho!/

Mais solitário/
Que um paulistano/
Que um canastrão/
Na hora que cai o pano/
Tava mais bobo/
Que banda de rock/
Que um palhaço/
Do circo Vostok...”

O sentimento interno era de quarta-feira cinzenta, embora o sol no jardim, no céu azul, fizesse e faça um absurdo contraste entre a paisagem física e o que vem dentro do peito. Com tanto canto de pássaro, com tantos sininhos que passam a anunciar sorvete, pra quê sofrer, ou como lembrava Vinícius, “pra quê sofrer / Se há sempre um novo amor / Em cada novo amanhecer”? Nem precisava dizer, mas sou obrigado, porque ao escrever tenho que ser claro, mais límpido e vivo que o sol agora na rua: estava triste, sem explicação ou norte para o comportamento eleitoral de parte dos jovens no último domingo. Chateado, para dizer o mínimo, porque esperava uma votação majoritária, eloquente, expressiva, para a candidata Dilma.

Para quem já foi professor de jovens, e de muitos deles ou quase todos de área de risco, porque todo jovem sempre está em área de risco, material ou de angústia... Se me entendem, para quem tem filhos na idade dos 20, ou que acompanha os conflitos a ponto de explosão dos filhos de amigos que não adotaram a tática da conformação... Se me entendem, foi como uma traição dentro de casa, dentro do coração, para um bem muito precioso, tão ou mais importante que a vida. O dado objetivo, exterior, de cumprimento de dever eleitoral, cheio de pesquisas e números não nos atinge. Mas as pessoas em quem mais acreditamos, os que vêm depois de nós neste barco e jornada, sim.”
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06 Outubro, 2010

Eleições: A mídia que torcia e distorcia

Nelson Varón Cadena, Portal IMPRENSA

“A mídia sempre teve influência marcante na escolha de nossos governantes, também foi pensada com esse objetivo, além do estritamente pragmático: a publicação de atos de Governo e das transações mercantis que se avolumaram logo após a abertura dos portos brasileiros para as nações amigas e outras nem tanto; negócios de conveniência ao sabor dos ventos da política. A mídia foi pensada para influir no processo de formação de um novo modelo de governo para o Brasil. Daí o surgimento de mais de trinta periódicos, no período entre 1.820 e 1.823, ou seja, entre os acontecimentos da Revolução do Porto em Lisboa e a expulsão do exercito português da Bahia, último reduto de resistência, pelo exercito mercenário financiado pela Maçonaria.

Então surge o Parlamento e esse grupo de pessoas que deveriam assessorar o Rei é escolhido por um pequeno colegiado. A imprensa tenta influir nessa escolha e muitos, a maioria, dos títulos "jornalísticos" nascem com esse objetivo. E por isso mesmo desaparecem logo que ocorrem as eleições. Viviam efemeramente, apenas para os dois momentos aqui relatados: a escolha do colegiado e depois a escolha dos deputados. Com o surgimento dos partidos a mídia, que já tinha uma clara opção política, agora também veste a camisa. Os jornais se autodenominam órgãos dos partidos Conservador, ou Liberal e mais tarde Republicanos. Aceitam anúncios dos candidatos, mas somente dos aliados. As questões partidárias estavam acima das questões financeiras.

O fim do título partidário

Com o advento da República as eleições continuam indiretas e a mídia menos engajada, já que seu caráter era também menos efêmero. O conceito de jornal-empresa já se disseminara no Brasil e com ele também a idéia da mídia como quarto poder, ou seja, capaz de influenciar este, ou aquele Governo. O Jornal do Brasil, por exemplo, nasce Monarquista (defende a volta do sistema parlamentarista com o Rei como coadjuvante), mas, torna-se logo Republicano e em seguida Democrata quando Floriano Peixoto manda para o exílio Ruy Barbosa, um de seus diretores, dentre outras personalidades que divergiam de seu Governo. A mídia com título partidário deixa de existir, mas a sua linha editorial continua a refletir essa clara, e na época, transparente opção por este, ou aquele candidato.”
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05 Outubro, 2010

A onda verde foi uma onda, mas não é verde

Rodolpho Motta Lima, Direto da Redação

“E chegamos ao segundo turno. Antes de mais nada, é preciso reconhecer que essa segunda etapa eleitoral apenas acontecerá em função do que se convencionou chamar “onda verde”, movimento eleitoral que, somado à abstenção a que se refere o excelente artigo de Rui Martins, acabou tendo consistência suficiente para alterar os rumos da eleição, que já parecia definida a favor da candidata Dilma. O irônico, no caso, é que a candidata do PV vai acabar por propiciar, agora, aquilo que pretensamente questionava: um plebiscito entre os governos de FHC e Lula.

É do ambiente democrático o surgimento da chamada “terceira via”, com linhas programáticas e propostas que fujam de um esquema rígido de polarização de ideias . O problema é saber-se até que ponto uma terceira via acaba funcionando, com ou sem intenção, como “linha auxiliar” de um desses polos. No caso presente, outra ironia foi perceber, na reta final, a grande imprensa privilegiando espaços para Marina Silva., cuja ascensão eleitoral, sem os riscos de ultrapassar os votos do Serra, poderia garantir para esse, como aconteceu, o desejado segundo turno.

Não vejo os votos na Marina como resultados de uma “onda verde”, mas de uma “onda Marina”, fruto de positivas características pessoais da candidata e de muitos interessados em repercuti-las. Em sã consciência, não se pode atribuir, no contexto nacional, uma importância política que o PV não tem, restrito que está a um ou dois nomes que, por expressivos que sejam, não criam uma força partidária. Basta, em termos globais, examinar os números e os nomes de expressão desse partido. No Rio de Janeiro, por exemplo, onde Marina teve expressiva votação (e mesmo Gabeira) , o partido como tal obteve um total aproximado de pouco mais de 300 mil votos para deputados federais (elegeu dois) e de 230 mil para os estaduais (idem), o que, convenhamos, não caracteriza uma onda, em um cenário de 11 milhões e meio de votantes. Aliás, alianças como as realizadas no Rio , entre Gabeira e César Maia (grande derrotado, por sinal), aproximando os verdes das posturas direitistas do DEM, colocam em discussão a verdadeira linha ideológica que o PV pretende incorporar ao seu projeto político-ambiental. Numa posição que assumo como bem pessoal, admito minha desconfiança de que certos ideários ecológicos estão aí para escamotear, no cenário da política, questões mais importantes.”
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04 Outubro, 2010

O operário que cruzou os braços diante de Hitler



Euler de França Belém, Revista Bula

“Não é fácil resistir ao poderio de uma ditadura popular... como a nazista. Pois um trabalhador solitário, August Landmesserm, decidiu desafiar o totalitarismo do regime de Adolf Hitler. Em 1936, em Hamburgo, numa solenidade, enquanto todos saudaram o Führer, Landmesserm cruzou os braços.

A fotografia mostra todos ovacionando Hitler, com a tradicional saudação com o braço direito levantado, mas, exibindo com muita coragem sua objeção de consciência, Landmesserm permanece impassível, com os braços cruzados. O jornal espanhol “ABC” diz que se trata de uma das imagens mais famosas da história bélica.

A história de Landmesserm é curiosa. Em 1931, filiou-se ao Partido Nacional-Socialista Operário Alemão, “com a esperança de encontrar um emprego” (os nazistas chegaram ao poder em 1933, e legalmente). Mesmo assim, assinala o jornal, o operário não comungava das ideias nazistas.

Landmesserm “desafiou a famosa lei Rassenschande (‘desonra da raça’)” e casou-se e teve filhos “com uma mulher de origem judia”. Em 1938, e não, portanto, por causa da fotografia, o trabalhador foi preso pela Gestapo. Cometera um crime “grave”, do ponto de vista do nazismo, ao se unir com uma judia. A fotografia foi identificada por uma das filhas de Landmesserm, em 1991, num jornal alemão.”

03 Outubro, 2010

O caso Neymar

Frei Betto, Adital

“Neymar tem 18 anos de idade. É uma revelação como jogador de futebol. Joga pelo Santos, o mesmo time que projetou Pelé. E joga bem, muito bem. A diferença entre ambos é que Pelé procedia com educação em campo.

Neymar é rebelde. Não entra apenas para jogar. Entra para lutar: xinga o técnico, os adversários, até os parceiros de time. Neymar tem pavio curto. Age na base do olho por olho, dente por dente. Não se conforma de a bola não ser só dele.

O então técnico do Santos, Dorival Júnior, em seu papel de educador (como todo técnico deveria fazer), puniu Neymar por mau comportamento. Por falta de ética, suspendeu-o de jogo. De um jogo importante, contra o Corinthians, dia 22 de setembro. A diretoria do Santos, em vez de apoiar o técnico, decidiu apoiar Neymar. Foi como se a escola expulsasse o professor ofendido pelo aluno.
Dorival Júnior foi demitido e Neymar, escalado para o jogo contra o Corinthians. Adiantou pouco. Neymar não fez gol e o Corinthians ganhou por 3 X 2.

Mano Menezes, técnico da seleção brasileira, fez o que o Santos deveria ter feito: puniu o jovem atleta. Mostrou-lhe os limites. Se Neymar quer ver seu talento brilhando nos jogos, terá que aprender a dominar sua fúria. Aprender a saber perder. E admitir que ele pode muito. Mas não pode tudo.

O futebol já foi esporte. Hoje, é competição. Já foi arte. Hoje, é violência. Já foi fator de integração social. Hoje, acirra disputas entre torcidas enfurecidas. Os estádios, em dia de jogo, parecem penitenciárias em dia de visitas. Policiais por todos os lados, torcedores revistados, armas apreendidas.”
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02 Outubro, 2010

Revista piauí comemora quatro anos

adNews

“A revista piauí completa quatro anos de existência neste mês de outubro e, para comemorar, lança uma campanha, criada pela Loja Comunicação, baseada na estória de uma meia.

A personagem sofre por ver tudo na sua vida dar errado, “até que um dia ela teve que fazer um servicinho. Um tipo de transporte de valores”, diz o locutor. “Foi então que através de um pé de um político importante, ela finalmente se tornou um grande assunto”, completa. E, nesta parte, aparece um jornal com a notícia de que a meia foi “pega com a mão na massa”.

O vídeo termina com a mensagem de que “onde tem assunto, tem piauí”. Essa versão, de 45", será veiculada nas salas de cinama do Espaço Unibanco - Rain. Mas a campanha terá ainda um filme em 30" para TV, que será veiculada nos canais TV Cultura, A&E, THC, GNT, Multishow e Canal Brasil.”


01 Outubro, 2010

A guerra pelo poder ou “semeiam ventos, colhem tempestades"

Waldemar Rossi, Correio da Cidadania / Envolverde

“Inúmeras mensagens que nos chegam a cada dia pela internet – tanto de defensores do tucanato quanto de defensores do lulismo - procuram mostrar que há banditismo político do outro lado; que seu grupo, e por extensão o seu candidato à presidência da República, está sendo vítima de incríveis injustiças, vítima de difamações que partem dos seus adversários. Para tentar alcançar o trono do Palácio da Alvorada vale tudo!

Não há dúvidas, para as pessoas bem informadas, que os meios de comunicação (a mídia) dão amplas e claras preferências para os tucanos. Entretanto, foi essa mesma mídia quem, a serviço do grande capital, lançou e promoveu os candidatos que estão na crista da onda. Não se tratava de nomes, mas de partidos para que se mantivessem no poder: PT ou PSDB. Os nomes são circunstanciais. Durante vários meses (quase dois anos a fio), os grandes jornais, a TV, o rádio e as revistas de alcance nacional não faziam outra coisa senão induzir o povo a crer e aceitar que haveria disputa entre os tucanos e o lulo-petismo; que fora desses dois grupos políticos não haveria alternativa para o povo.

Depois de muita reclamação de leitores, telespectadores e rádio-ouvintes, eis que o acaso abriu portas para um terceiro agrupamento e uma eventual "zebra" eleitoral: surgiu a Marina, oriunda do PT e no PV ressuscitada para a política como a Fênix que renasce das próprias cinzas. Mas esta é uma candidatura também domesticada pelo capital, em caso impensável dos já escolhidos não vingarem. Já perceberam que as "pesquisas" só falam dos três, embora tenhamos mais seis ou sete candidaturas?

Claro está que os meios de comunicação estão "fazendo o diabo" para tentar reverter o quadro de preferência popular à candidata do Lula, pois é com os tucanos que seus proprietários mais se afinam. Isto não quer dizer que não aceitam Lula e seus prepostos porque, afinal, nunca tiveram tantos privilégios quanto nos últimos anos, e tantos lucros também. Trata-se, pois, de uma luta pelo controle do poder, apenas isto. Mas essa mídia está querendo nos enfiar goela abaixo que os tucanos não são autoritários, que são vítimas!

Ora, quem não se lembra de como FHC gerenciou este país, passando todas as empresas públicas para o capital privado, em escandalosas negociatas? Quem não se lembra que começou também a "privataria" da Petrobrás, que assaltou direitos dos trabalhadores, que deu início ao desmanche da Seguridade Social, que criminalizou os movimentos sociais? Ou será que o povo se esqueceu de quanto os tucanos vêm tungando o povo paulista há 16 anos e reduzindo criminosamente o padrão da Educação e da Saúde públicas, e que Serra - seja como prefeito, seja como governador - vem revelando que é tão autoritário quanto FHC e Lula? Corrupção? Lá quanto cá, quais as diferenças?”
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