31 Janeiro, 2009
Como as mulheres escolhem os seus homens
“Deu no New York Times, portanto tem que ser verdade. Falido ou não, o vetusto (adoro essa palavra e não encontrava jeito de usar) órgão da tradicional imprensa escrita não mente em serviço, dizem. Então aqui vai: as mulheres não fazem a menor ideia do que elas querem, desejam ou sentem. Ta lá, impresso e claro: a pesquisadora Meredith Chivers fuçou tanto que comprovou o que os homens em geral e esse aqui em particular vêm afirmando há décadas.
Homens são mais simples do que um protozoário quando o assunto é desejo. Sabem o que querem, do que gostam, e o que falam é exatamente o que sentem. Já as mulheres se comportam mais ou menos tão aleatoriamente quanto um elétron super-aquecido. O que sentem não tem a ver com o que veem, o que falam não tem muito a ver com o que sentem, e o que afirmam pode ser tão objetivo e sincero quanto uma entrevista com o Paulo Maluf. Enfim a verdade comprovada!
O tema era um tanto específico: o que homens e mulheres sentem diante de cenas eróticas. O que os excita, o que não excita, o que dizem e o que realmente sentem. No seu rigor científico, Meredith, digamos, matou a cobra e mostrou o pau. Ou o ligou a eletrodos, ao menos. Ela colocou medidores nos eufemisticamente chamados de órgãos sexuais dos entrevistados e deu a eles blocos de notas, onde eles registravam o que sentiam ao presenciar cenas de sexo entre homens e mulheres, homens e homens, mulheres e mulheres, e macacos. Sim, macacos. Parece que a nossa pesquisadora além de rigorosa é também esquisitona.”
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Recessão abala jornais de Hollywood que cobrem o showbusiness
Editores dos jornais do showbusiness dizem que os anúncios diminuíram muito, mesmo agora, na temporada do Oscar, quando os estúdios costumam pagar bem para divulgar seus filmes com anúncios nas primeiras páginas dos jornais especializados.
Além disso, os jornais enfrentam concorrência crescente de blogueiros que oferecem um cardápio diário de notícias e fofocas de Hollywood. É o caso dos blogs DeadlineHollywoodDaily.com, de Nikki Finde, TheDailyBeast.com, de Tina Brown, e MovieCityNews.com, de David Poland.
O Daily Variety e o The Hollywood Reporter continuam a competir fortemente em meio à conjuntura econômica difícil.”
O Estado de São Paulo / Reuters
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30 Janeiro, 2009
Pianista conta como desafiou Mao Tse-tung em 'O rio e seu segredo'
“A pianista chinesa Zhu Xiao-Mei foi obrigada pelo governo chinês a interromper sua carreira como musicista em 1969, auge da Revolução Cultural que assolou o país. No livro O rio e seu segredo, que acaba de ser lançado no Brasil, ela conta como desafiou o regime do ditador Mao Tse-tung.pianista.
Ela passou cinco anos na fronteira da Mongólia num um campo de reeducação onde, graças a algumas cúmplices, conseguiu aperfeiçoar às escondidas a sua habilidade com o piano: a mãe lhe mandou o instrumento e, com ele, a chinesa e seus colegas realizaram um singular e emocionante concerto.
Para a sorte deles, a Revolução Cultural foi tão bem-sucedida que o temido diretor do campo sequer reconheceu Tchaikovski, Dvorak ou Rachmaninoff — proibidos junto com toda música ocidental.
Xiao-Mei foi uma das poucas que resistiram à Revolução Cultural, que durou de 1966 a 1976 e deixou uma geração perdida na China.
Em 1979, com a abertura que se seguiu à visita de Isaac Stern ao país, conseguiu partir para os Estados Unidos. Perdida na cultura ocidental, Xiao-Mei encontrou refúgio nas obras-primas de Johann Sebastian Bach, as Variações Goldberg — que curiosamente abrem a porta à obra do pensador chinês Lao Tse, censurada pela China maoísta.”
JB Online
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Música é uma escola: usos e abusos da arte sonora
"Caro leitor: não é uma crônica e sim um jogo de imaginar tudo que a música ensina - listando os melhores exemplos. Você vai pensando de lá todas as músicas que você conhece e que se enquadram na categoria citada. Pra animar eu coloquei minhas associações nos primeiros doze itens. Claro que a lista pode ir muito mais longe. Na verdade tem assunto para desenvolver durante todo o ano de 2009.
1)música que ensina a reagir contra a ditadura
2)música que ensina a rezar
3)música que ensina a dançar na ponta dos pés
4)música que ensina a comprar sapatos
vá pensando aí comigo exemplos para cada item:1) Vandré e Chico além da Internacional...;2) spiritual; padre marcelo?; candomblé? 3)quebra-nozes; 4)jingle da loja Milisam feito por Gil nos 60
5)música que ensina a fazer amor
6)música que ensina a guerra
7)música que ensina a obedecer à ditadura
8)música que ensina a pertencer a uma cidade, país ou clube
5) há controvérsia: boquinha da garrafa; tigrão; emanuelle; 6)todos os hinos que falam em guerra?; 7) ninguém segura a juventude do brasil... (anos 70); 8)Dobrado de amor a São Paulo, de Vinicius e Antonio Maria, gravado por Araci: São Paulo 400 anos, e eu coitada quatrocentos desenganos de amor...”
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29 Janeiro, 2009
Quando a inocência leva a pior
“Desligue a Internet quem nunca temeu pelo pior ao cruzar com outra pessoa em uma rua escura, vazia, silenciosa. Parece que uma voz avisa: "chegou a sua vez, vá tirando o relógio e o dinheiro". Mas na grande maioria das vezes, apesar dos batimentos acelerados do coração a cada metro mais próximo, tudo não passa de uma sensação de medo que - por sorte - transforma-se em alívio logo que o outro indivíduo cruza sem sequer uma troca de olhares, às vezes também apavorado pelo mesmo temor.
Outras vezes a situação é radicalmente oposta. Acredita-se que todo o mundo é inocente e, quando menos se espera, a malandragem se revela. É um assalto, uma traição, um movimento em falso no universo proibido.
Tudo surge da lógica de que todos nascem inocentes, mesmo os bichos. E não há razão - a priori - para que o quadro se altere. Ou seja, no mundo de Poliana, todos os dias têm sol. Os governantes trabalham, não há corrupção, no ônibus tem sempre um lugar vazio, os voos saem precisamente no horário e até os flanelinhas são educados e se contentam com poucas moedas. Só que as sociedades são diferentes, as convenções sociais variam de grupo a grupo. E nem sempre os inocentes são tão inocentes assim.”
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Você já foi a Bahia?
“Desde a primeira vez que ouvi um famoso samba do Salgueiro em homenagem à Bahia, assumi no meu imaginário aquela idéia de felicidade, mesmo com a ressalva dos coronéis do cacau e das desventuras dos capitães de areia dos livros de Jorge Amado. Na verdade, a Bahia é mesmo essa contradição de paraíso e purgatório, onde a beleza da natureza é agredida pelas injustiças e pelo comportamento de suas elites.
Viajar à Bahia é sempre uma experiência sociológica e um entrar em contato com essa realidade poderosa, que não é diferente de muitas outras partes do Brasil, mas parece que lá explode com mais cores, como a das águas de seu mar e a da beleza de seu povo.
Já tinha passado pelo pobre norte fluminense e cruzado o Espírito Santo de sul a norte, mas parece que as contradições brasileiras só se tornaram visíveis ao cruzar a fronteira da Bahia. Crianças se postavam junto a placas precárias com os dizeres pintados à mão “precisamos de alimentos” por alguns quilômetros da BR 101.
Em meio a um cenário de antigas fazendas e vegetação exuberante, aparecem, mais que nos estados vizinhos, os acampamentos de lona preta dos sem-terra, do MST e de outros movimentos. A contradição latente exposta a quem passa e não fecha os olhos.”
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28 Janeiro, 2009
O romance da década
Luiz Rebinski Junior, Digestivo Cultural“Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir levaram para o relacionamento amoroso a liberdade existencial que pautou o pensamento de ambos durante toda vida. Amantes, sim, mas, sobretudo, livres. Mantra que possibilitou que o relacionamento aberto dos filósofos sobrevivesse aos percalços que uma relação de mais de cinco décadas necessariamente impõe. O caolho Sartre, com sua feiúra proporcional à inteligência, sempre teve seus casos; Beauvoir, mesmo mantendo uma adoração quase que religiosa por Sartre, deixou se envolver em um longo e tortuoso relacionamento com o escritor americano Nelson Algren. Sartre e Beauvoir nunca se casaram, desprezavam os dogmas da igreja, mas fizeram valer como ninguém a máxima católica do "amar até que a morte os separe".
Os existencialistas Sartre e Beauvoir viveram o que para muitos é o relacionamento ideal. Valendo-se da liberdade que só a ficção proporciona, o argentino Alan Pauls foi além. Criou um relacionamento ainda mais perfeito (ou utópico, entenda como quiser) do que o vivido por Sartre e Beauvoir, em que a única saída, paradoxalmente, estava na separação. Um relacionamento que, diferentemente do amor anarquista dos intelectuais franceses, nada tinha de ideológico. Simplesmente o amor em seu estado mais bruto e natural; um amor adolescente e sincero, capaz de não tomar conhecimento das pequenezas do relacionamento a dois; um amor em que a lealdade, a verdadeira lealdade, mais comum em grandes amizades do que em relacionamentos amorosos, se sobrepõe a qualquer tipo de sentimento comezinho; um amor indestrutível, que não se abala com flertes ou paqueras, em que a paixão se coloca como algo superior, fora do plano terreno da possessão e do egoísmo.
Esta é a visão do amor apresentada por Alan Pauls em O Passado (Cosac Naify, 2007, 480 págs.), livro em que o tradutor Rímini e a jovem Sofía vivem uma espécie de catarse amorosa durante 12 anos até que simplesmente resolvem encerrar o relacionamento. Decisão que resultará em algo bem mais complicado do que os anos de monogamia. A ruptura deixará como espólio aos amantes um turbilhão de lembranças que os impedirá de viver. Ou melhor, viverão atormentados pelo espectro de um passado intenso que insiste em não desgrudar da memória. O que resulta em futuro incerto, sempre à sombra da intensidade do que viveram, como se nada pudesse, a partir dali, ser mais forte, interessante e bonito do que o passado.”
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Rousseau - abismo entre o céu e o inferno
Escrever confissões é separar vidas. De um lado, o confessando, e do outro, o confessor, existências que discrepam. Mas, em Rousseau, a escrita confessional é, ao mesmo tempo, uma tentativa de aproximação e ruptura com o outro, e um exercício retórico através do qual dirige-se ao leitor ideal, Deus. Escrever confissões é tarefa ingrata porque é necessário ao escritor saber dosar o que pode ser dito com o que deve omitir, a costura invisível do texto.
Fazendo uso desses artifícios, Rousseau busca despertar o leitor e atraí-lo para o centro de sua ardilosa teia onde habita o seu eu:
- Somente eu conheço meu coração e conheço os homens. Não sou da mesma massa daquelas com que lidei, ouso crer que não sou feito como os outros. Mesmo que não tenha maior mérito, pelo menos sou diferente. Se a natureza fez bem ou mal quando quebrou a forma em que me moldou, é o que poderão julgar somente depois que me tiverem lido.
Acreditando e alardeando seu autoconhecimento, Rousseau exige uma leitura positiva de sua obra, já que ele sofreu pela verdade e a ela dedicou sua vida.
O lamento de Jean-Jacques Rousseau é a forma de mostrar a tranquilidade de um mortal infeliz e o fim de uma existência pessoal que tornou impossível com a de Deus. Jean Starobinski diz com propriedade: "Rousseau enterneceu-se ao som do próprio lamento". É com ardil e dramaticidade que Jean-Jacques aproxima-se do leitor: "Como seria doce viver entre nós, se a atitude exterior fosse sempre a imagem das disposições do coração".
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27 Janeiro, 2009
Leia trecho do romance 'Terrorista', de John Updike
Demônios, pensa Ahmad. Esses demônios querem tomar de mim meu Deus. O dia inteiro, na Central High School, as meninas rebolam, debocham e exibem seus corpos macios, seus cabelos sedutores. Os ventres nus, enfeitados com vistosos piercings no umbigo e tatuagens lascivas em roxo, indagam: O que mais há para mostrar? Os rapazes desfilam, blasés e orgulhosos, com olhares mortos, indicando, com gestos violentos de assassinos e risos indiferentes e sarcásticos, que este mundo é tudo que existe - um corredor barulhento, envernizado, cheio de armários de metal e terminando numa parede lisa, profanada por grafites e tantas vezes pintada e repintada que dá a impressão de estar avançando cada vez mais, milímetro por milímetro.
John Updike
Os professores, cristãos débeis e judeus não praticantes, falam palavras vazias sobre a virtude e a honradez do autocontrole, porém seus olhares esquivos e suas vozes insinceras traem sua falta de fé. Eles são pagos para dizer essas coisas, pagos pela prefeitura de New Prospect e pelo governo estadual de Nova Jersey. Ahmad e os dois mil outros alunos os vêem se enfiando em seus carros depois das aulas no estacionamento apinhado, pontilhado de lixo, como tantos caranguejos pálidos ou escuros que voltassem a suas cascas, e são homens e mulheres como quaisquer outros, cheios de concupiscência e medo e paixão por coisas que podem ser compradas. Infiéis, pensam que a segurança está em acumular coisas deste mundo e nas diversões corruptoras da televisão. São escravos das imagens, imagens falsas de felicidade e riqueza. Mas mesmo as imagens verdadeiras são imitações pecaminosas de Deus, o único ser capaz de criar. O alívio por ter escapado incólumes de seus alunos por mais um dia faz com que os professores se dispersem nos corredores e no estacionamento falando alto demais, como bêbados cada vez mais excitados. Os professores caem na farra quando não estão na escola. Alguns têm as pálpebras avermelhadas, o mau hálito e o corpo inchado daqueles que costumam beber em excesso. Uns são divorciados; outros vivem maritalmente sem ser casados. Fora da escola, levam vidas desorganizadas e libidinosas, sem autodisciplina. São pagos para pregar a virtude dos valores democráticos pelo governo estadual, cuja sede fica em Trenton, e por aquele governo satânico mais longe, em Washington, porém os valores em que acreditam são ímpios: biologia, química, física. Quando se trata dos fatos e fórmulas desses assuntos, suas vozes falsas soam firmes e retumbam na sala de aula. Dizem que tudo provém de átomos cegos e implacáveis, responsáveis pelo peso frio do ferro, a transparência do vidro, a imobilidade da argila, a agitação da carne. Os elétrons fluem por fios de cobre, por portas de computador e pelo próprio ar, quando a interação de gotículas de água provoca relâmpagos. Só é verdade aquilo que podemos medir e deduzir a partir de nossas mensurações. Tudo o mais é apenas o sonho passageiro que chamamos de nosso ser."
Agência Estado
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Documentário sobre web vence Sundance
Felipe Zmoginski, INFO Online"O documentário ´We Live in Public´ sobre o efeito da internet comportamento humano venceu o prestigiado festival de Sundance.
O filme conta a história de Josh Harris, descrito como uma mente inovadora do boom ponto com dos anos 90 e obteve o prêmio máximo na categoria ´Prêmio do Júri´.
Nos anos 90, Josh criou a primeira TV online que transmitia, ao vivo, por mais de 30 câmeras imagens de 100 pessoas vivendo num bunker em Nova York.
A diretora do filme seguiu os passos de Josh por dez anos e acompanhou não só este experimento como também a audácia do biografado em colocar câmeras na própria casa filmando 24 horas por dia seu cotidiano e o de sua namorada."
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Genialidade
"O fim da alma, em sua evolução, é atingir e realizar em si e em volta de si, através dos tempos e das estações ascendentes do Universo, pelo desabrochar das potências que possui em gérmen, esta noção eterna do Belo e do Bem, que exprime a idéia de Deus, a própria idéia de perfeição." (Léon Denis, em O problema do ser, do destino e da dor).
O tema da Genialidade, proposto para o Especial do mês, será aqui abordado com a especialização de premissas gerais que adotamos em nossas reflexões a respeito do Homem e seu papel no planeta. A base maior é a compreensão de um Criador responsável pela existência do que vemos e do que não vemos. Em seguida, a compreensão de que fomos todos criados diretamente por Ele e encaminhados para a trilha da Evolução. Entendemos que a Evolução dá-se em dois planos, o que justifica a existência de um corpo material provisório sobre o qual atua a inteligência individualizada e imortal, atuação pautada pelo seu estágio de amadurecimento. Estamos convictos, enfim, de que uma só existência corpórea é insuficiente para cumprir todo um programa de depuração intelectual e moral, e de que a vida imaginada pelo ser só é plena e real no plano espiritual. Não é questão de Fé, impressão causada pela predominância, no Brasil, do aspecto religioso do Kardecismo.
Todo espírito é criado simples e ignorante, para que desenvolva por si sua própria inteligência e garanta o mérito de seu trabalho. Recorrendo a um Deus que é absoluto em todos seus atributos, não seria fácil explicar Sua Justiça com base na diversificação de privilégios: uns mal sabendo empilhar dois pratos sem quebrar três, outros embasbacando-nos com suas conquistas nas Artes e nas Ciências. Como indivíduos dos mais diversos níveis de intelectualidade e de moralidade coexistem no mesmo plano, e como o homem moderno ignora, ou mesmo rejeita, o conhecimento de encarnações sucessivas e gradativas, o resultado são o pasmo contínuo e a revolta."
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26 Janeiro, 2009
Uma conversa com os leitores sobre a tal de crowdsourcing
"Jornalismo cidadão, produção colaborativa, inteligência coletiva e sabedoria das multidões são algumas das expressões que povoam o universo dos blogs sobre comunicação. Mas entre as idéias que elas propõem e a realidade ainda existe uma distância considerável. A distância é entre o que dizemos e o que fazemos, entre a retórica e a participação.
Há duas semanas publiquei aqui no Código um post sobre comentários publicados pelos leitores, numa tentativa de tornar mais próximo o diálogo. Vou continuar nesta direção porque o jornalismo está deixando de ser um discurso para ser uma conversa. Para que haja um diálogo é preciso que as pessoas troquem a posição de espectadores pela de protagonistas.
Cresce cada vez mais o número de jornais que buscam na aproximação com o leitor a fórmula para encontrar sair da crise em que as publicações impressas estão mergulhadas. Mas estas tentativas, por mais bem intencionadas que sejam, enfrentam todas um mesmo dilema: criar ferramentas para chegar perto do leitor não resolve nada se o leitor não participar.
Esta participação também não surge da noite para o dia. Ela terá que ser construída conjuntamente por autores e leitores. Inclusive aqui no Código Aberto. O norte-americano Dan Gillmor cunhou a frase “os leitores sabem mais do que os jornalistas” e até hoje, quando ela é mencionada, o debate pega fogo. A cultura da imprensa estabeleceu que os jornalistas sabem o que os leitores precisam conhecer para serem bons cidadãos."
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O Homem-Vinho
Alberto Luiz Fonseca, Terra Magazine“Imagine, leitor, leitora, o que aconteceria se resolvêssemos aqui aplicar aquele ditado popular "o homem é como o vinho, só os bons envelhecem bem" ao pé da letra, à vida real.
O que aconteceria se houvesse mesmo um homem-vinho!
Esse nosso homem-vinho imaginário poderia chamar-se "Terra Rossa Cabernet Sauvignon", por exemplo. Ou qualquer nome desse tipo.
Na verdade, verdade mesmo, as características do homem-vinho deveriam ser descritas assim: redondo, pouco frutado, poderoso e intenso. Aromas e perfumes de violeta, couro e madeira ao seu redor.”
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25 Janeiro, 2009
Desdizeres de quem escreve
"Quando tinha pouco mais de 70 anos, o poeta João Cabral de Melo Neto disse estar muito cansado de escrever e que, talvez, não escrevesse mais dali para frente. Durante toda a vida queixou-se da tarefa de escrever e preferia reescrever a escrever (“[...] as mesmas coisas e loisas/ que me fazem escrever/ tanto e de tão poucas coisas...”).
Não me lembro se essa opinião causou algum espanto na mídia, em geral tão atarefada em contar o dia-a-dia de políticos, traficantes e personagens da própria mídia. Não sei dizer se teve algum impacto inibidor em alguém que, naquela época, apenas começava seus primeiros poemas ou qualquer coisa. Se João Cabral estava cansado, qualquer um poderia estar.
Outro poeta, Haroldo de Campos, instigado a declarar-se, foi à imprensa dizer que só raramente escrevia poemas. De um tempo qualquer para frente, levava meses até surgir a idéia de algum – e daí a escrevê-lo... João Cabral e Haroldo de Campos não voltaram à imprensa para dizer: – Pessoal, eu disse aquilo, mas não me leve ao pé da letra, nem tão a sério. Na verdade, mesmo cansado, ainda que as idéias demorem a invocar métricas e frases, continuo a escrever, porque isso, escrever, é quase essência, se de fato não é minha essência.
Disseram o que disseram e continuaram a fazer o de sempre."
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24 Janeiro, 2009
Lábios do tamanho de um Oscar
Alexandre Xavier, Terra Magazine “O ano começou com um monte de filme bom pra ver no cinema (e, pra variar, um monte de perda-de-tempo também). Um longa que vale a pena ver essa semana é "A Troca", do Clint Eastwood.
Por quê?
A história é real, comovente e impressionante. Angelina Jolie faz o papel de uma mãe cujo filho desaparece na Los Angeles de 1928, cidade que sofria com uma polícia corrupta. Para não entregar mais nada sobre o filme, apenas saiba que seu nome original ("Changeling") resume a sinopse. O termo não tem paralelo em português, mas quer dizer algo como "criança substituída por outra logo ao nascer".
Angelina acaba de ser indicada ao Oscar de "melhor atriz" por essa performance. Ela retrata com precisão assustadora todas as emoções pelas quais a mãe atravessa durante a história. Trata-se de mais uma obra do septuagenário Clint Eastwood que te busca as lágrimas lá do fundo do peito.
Desde Sobre Meninos e Lobos (2003), Clint Eastwood só dirigiu longas memoráveis: Cartas de Iwo Jima (2006), A Conquista da Honra (2006) e Menina de Ouro (2004). Tem também Gran Torino, sucesso de público e crítica, mas que não estreou ainda no Brasil. Clint Eastwood hoje dirige atores como ninguém.”
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El Ambia: "Não creio em Deus branco"
"Que tipo, esse poeta Eloy Machado na tarde habanera. Olhos mortiços de quem sorve a delicadeza de viver e morrer num bar, Eloy é "El Ambia", bardo dos negros cubanos, 68 anos. Impõe-se no passo de Changó e de Obatalá, nas contas de seus orishas, na cadência sábia do copo de cerveja.
Sob as árvores do pátio da União de Escritores e Artistas de Cuba, um hermoso casarão do bairro de Vedado, em Havana, Ambia mastiga as palavras; antes que resolva soltá-las, elas pendem da boca, musicalmente:
- Dormia no parque e nas cadeiras com minha mãe. Minha infância terrível... Graças à Revolução me tornei uma pessoa famosa em meu país. Famosa, não. Aceitável.
Nascido na rua San Lázaro, gramou uma pobreza febril. A mãe limpou banheiros de prostíbulos para sustentar os dois filhos (dedicaria a ela o poema "Pobrecita mi mamá"). Mais tarde, no ofício de operário, Ambia cortava pedaços de sacos de cimento para registrar instantes poéticos.
Num dos canteiros de obras, o comandante Efigenio Ameijeiras Delgado, veterano do Granma e da Sierra Maestra, conheceu os versos do poeta municipal. Levou-os ao poeta federal, Nicolás Guillén. Não era um nascimento, mas seu batismo literário.
Bem se refere a Ameijeiras e o general surge entre as cadeiras do bar.
- Um momento. Vou falar com o comandante.
De boné, passo lento, Ameijeiras procura companhia para um trago. Embora cumprimente a granel, não se demora. Uma amiga clama ao poeta que o apresente à mesa. "Não, deixe ele lá", reage Ambia, algo escabriado.
- Um comandante que é um irmão - define.
Passado o minuto da continência, tiremos o chapéu para apresentar o monarca desta tarde. Autor do poema "Soy todo", musicado por José Loyola Fernández e gravado pelo grupo Los Van Van, convertido em sucesso nacional, Ambia entrelaça a nostalgia da ancestralidade africana com o amor telúrico por Cuba. Bêbedo de Abakuá e de rumba."
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Soy Todo (amparame) - Los Van Van
23 Janeiro, 2009
Glória Pires roda filme sobre vida de Lula
Chico Feitosa, pe360graus.com “Imagens mostram atriz no set como mãe do presidente. 'Fiz muita pesquisa para construir a personagem', diz Glória.
No interior de Pernambuco, numa região massacrada pela seca, a perspectiva maior dos seus personagens se limita a permanecer vivo no dia seguinte. Ao enxergar tal região, onde a pouca água que há é barrenta e precisa ser compartilhada com animais, entende-se a razão da falta de esperança.
Quando se convive com essa realidade, até mesmo por poucos dias, é difícil acreditar que foi desse local que uma pessoa saiu e conseguiu se tornar presidente do maior país da América Latina. É justamente isso que o cineasta Fábio Barreto pretende com o filme "Lula, o filho do Brasil", que começou a ser rodado esta semana no município de Garanhuns, Agreste de Pernambuco, a
“O Luiz Inácio Lula da Silva que fundou o PT e que se tornou presidente todo mundo conhece. O que as pessoas não conhecem, tanto no Brasil como fora, é onde esse homem nasceu, em que condições ele migrou para São Paulo, o que ele estudou, como ele viveu e virou operário, como ele virou um líder sindical”, explica.”
Adaptação
De acordo com o diretor, o filme é baseado no livro homônimo da historiadora Denise Paraná e pretende levar essa realidade às telas do cinema ainda este ano. “Começamos a gravar esta semana em Pernambuco, finalizamos até julho e fazemos a estréia em setembro ou outubro, no máximo”, revela o diretor.”
Foto: divulgação
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Ambiguidades e azia
Sírio Possenti, Terra Magazine
Sobre azia
“A afirmação de Lula de que não lê jornais porque tem azia deixou muita gente da imprensa chateada. Até pareceu que repórteres e colunistas imaginavam que o presidente não vivia sem seus textos, que eles eram para Lula o que o primeiro café do dia é para muitos de nós. Mesmo os que vivem repetindo que ele não lê. Ora, se não lê, se sabem que não lê, por que esperavam que lesse os textos deles? Muita gente ficou chateada e baixou o porrete no homem. Achei a reação meio infantil. A imprensa, além de indispensável, é cheia de não-me-toques.
De minha parte, confesso que, muitas vezes, em finais de semana ou em viagens, quando poderia dormir um pouco mais ou, pelo menos, sair mais tarde da cama, levanto mesmo assim para ler jornais. É que minha azia nunca piora lendo, mesmo textos ruins (deriva da mistura, cada vez mais rara, de álcool, gordura e doce; nunca de notícias ou comentários).
Ao contrário, o jornalismo me diverte. Por exemplo, eu rio quando leio opiniões como a que comentei acima sobre a relevância do acento diferencial para a eliminação de ambigüidades. Meu humor, que é usualmente mais ou menos o mesmo pela manhã e durante o restante do dia, melhora muito com bobagens.
Meu estado de espírito melhora também com feitos noturnos do jornalismo - sim, também assisto a noticiosos da TV.
Dou exemplos: a Band cobriu em detalhes o pouso do avião no rio Hudson. Segundo jornal da emissora, o voo demorou quatro (4) minutos. Logo depois, vejo na Globo ainda mais detalhes, inclusive uma simulação e um mapa do voo, que, disse seu jornal, demorou seis (6) minutos (que o leitor considere, por favor, o que são dois minutos em um voo como esse!). Juro que acho engraçado. Agora, suponhamos que eu devesse tomar alguma decisão grave com base nestes noticiosos: não seria mesmo melhor ouvir os assessores ou pedir ajuda aos universitários?”
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Heath Ledger perto do Oscar, enquanto 'Benjamin Button' lidera indicações
Bianca Kleinpaul, O Globo “A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood fez sua parte e embarcou no que era unanimidade entre críticos e fãs. Heath Ledger recebeu indicação póstuma ao Oscar de melhor ator coadjuvante por seu inesquecível Coringa, de "Batman - O cavaleiro das trevas".
Para uns pode até soar como homenagem, neste dia em que é lembrado pelo primeiro ano de aniversário da sua morte (ocorrida por overdose acidental de remédios em seu apartamento). No entanto, as chances do galã australiano são grandes, principalmente com a vitória no Globo de Ouro, no último dia 11. E no dia 22 de fevereiro (entrega dos bonecos dourados) poderá ser a segunda vez em que alguém já falecido seja louvado com uma estatueta. A primeira foi em 1976 para Peter Finch, por "Rede de Intrigas".
Ledger, que morreu antes mesmo da estreia de "O cavaleiro das trevas", vai concorrer com Philip Seymour Hoffman, de "Dúvida"; Michael Shannon, de "Foi apenas um sonho"; Josh Brolin, de "Milk - A voz da igualdade"; e Robert Downey Jr., de "Trovão tropical".
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22 Janeiro, 2009
A dança que escancarou um mundo de aparências
Francisco Quinteiro Pires, O Estado de São Paulo “Ao narrar a trajetória do casal Luis e Ana, Céu de Tango, da argentina Elsa Osorio, examina a história de uma nação marcada pela violência, hipocrisia e esperança
As línguas não se entendem, mas os corpos se comunicam. Apesar da história marcada pela violência, a Argentina é um país onde a esperança não se apagou. Segundo a escritora Elsa Osorio, o tango é a dança que melhor representa seus compatriotas. É singular porque nela há o abraço, apesar das diferenças sociais. Elsa é autora de Céu de Tango (406 págs., R$ 49,90), romance recém-lançado pela Planeta, com tradução de Sandra Martha Dolinsky.
Ao falar sobre a relação de um casal - Luis e Ana - que se encontra numa casa de tango em Paris, Céu de Tango passa em revista 100 anos da história argentina. "Penso que as chaves do drama e da esperança argentinos estão na sua memória." Luis e Ana vêm de famílias dos extremos da escala social e vivem nos anos 2000, "quando tudo parecia perdido". Por ter nascido com a imigração, o tango ensinaria a aceitar as diferenças, das quais os argentinos podem extrair sua força hoje. Quando escreveu Céu de Tango - segundo romance lançado no Brasil, depois de Há Vinte Anos Luz -, ela não perdeu de vista uma ideia que povoa o imaginário argentino: aqueles que ousaram levar a vida como um tango vão para um paraíso onde dançam e amam. Leia trechos da entrevista a seguir.”
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Hédio Jr.: Obama desarma racistas brasileiros
Diego Salmen, Terra Magazine
“Militante notório do movimento negro, o advogado e professor Hédio Silva Jr. comenta, nesta conversa com Terra Magazine, a posse de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos. Para ele, a presença de Obama no cargo tem um efeito pedagógico "extraordinário".
- Com Obama, nós podemos, neste plano tão importante que é o simbólico, educar a humanidade para que aprenda definitivamente que os negros, como qualquer outro agrupamento humano, são capazes e criativos.
Ex-secretário de Justiça do Estado de São Paulo, Silva Jr. aponta outro benefício ao se ter um negro no comando da maior potência econômica e militar do planeta: a desarticulação de argumentos racistas no Brasil. Explica:
- Os americanos são tão racistas, conseguem eleger um presidente negro; aqui, onde não há racismo, não se elege um prefeito - ironiza.
- Desse ponto de vista, tem um impacto real na luta contra o racismo no Brasil.
Confira a seguir a entrevista com Hédio Silva Jr.:
Terra Magazine - Qual o impacto da eleição de Obama para o movimento negro como um todo?
Hédio Silva Jr. - É um impacto extraordinário, não só em termos da diáspora africana e da população negra, mas também dos diferentes grupos que são vítimas de discriminação. As democracias contemporâneas foram incapazes de preparar as pessoas para valorizar a diversidade. Veja que no dia 11 de fevereiro de 2001 encerrou-se a última conferência da ONU contra o racismo. E a conferência perdeu importância, obviamente, por conta dos atentados ao World Trade Center. Agora, passados oito anos, o mundo volta os olhos para o aparentemente interminável conflito árabe-israelense. Então um dos grandes problemas da humanidade neste século 21, que começou no 11/9, é a questão da diversidade. O Obama representa essas novas identidades políticas. É só ver as preocupações, na posse, com homossexuais, com grupos religiosos... É um alento o fato de que uma pessoa que encarna a diversidade seja a grande esperança do mundo no século
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Por carta, maestro John Neschling é demitido da Osesp
"Carioca estava à frente da orquestra desde 1996. Demissão teve relação com críticas feitas por ele a jornal.
John Neschling, maestro da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) nos últimos 12 anos, foi demitido do cargo por carta divulgada nesta quarta-feira (21) no site oficial da instituição (clique para ler).
O documento assinado pelo presidente da Fundação do Conselho de Administração da Fundação Osesp, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, afirma que a demissão veio como resposta a declarações dadas por Neschiling, em dezembro, ao jornal "O Estado de São Paulo", que FHC classificou como "conduta indesejável e inconciliável com o desempenho das atribuições contratuais."
Em junho do ano passado, Neschling já havia apresentado suas intenções de não renovar com a Osesp. Seu contrato, que vence em outubro de 2010, não seria renovado. Apesar de a carta - datada de 20 de janeiro de 2009 - só ter sido publicada nesta quarta (21), Neschling só será comunicado oficialmente da sua demissão, também por escrito, nesta quinta.”
G1
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21 Janeiro, 2009
Sessão de cinema "comemora" fim da Era Bush
Aloisio Milani, Terra Magazine
“O final do documentário Um novo século americano, dirigido pelo italiano Massimo Mazzucco, decreta o silêncio do cinema na Avenida Paulista,
Como outros autores, também sugere que o 11 de Setembro foi montado pelo próprio governo dos Estados Unidos para causar medo e justificar suas guerras unilateralmente. No bate-papo póstumo, o diretor Fernando Meirelles, autor de Ensaio sobre a cegueira, e que comprou a exclusividade de exibição da fita no Brasil, crucifica sem pudores: "Esse filme é a comemoração do fim da Era George W. Bush".
Recentemente, Meirelles repassou o troféu "Paulistanos do Ano 2008", da Veja São Paulo, para o juiz Fausto de Sanctis, que condenou o banqueiro Daniel Dantas à prisão. Agora, o diretor de Cidade de Deus e Jardineiro fiel ajuda a trazer para as salas brasileiras o manifesto contra a política do seleto grupo dos neocons de Bush: Dick Cheney, Donald Rumsfeld, Paul Wolfowitz e Richard Perle.
"Eu vi uma versão anterior desse filme na Mostra de São Paulo. Pouca gente assistiu, acho que só 40 pessoas viram. Mas, comprando as teses dele ou não, é um filme que merece ser visto. Por isso, eu comprei os direitos", diz Meirelles na exibição desta segunda-feira, 19, véspera da posse de Obama. De propósito, a pré-estréia foi escolhida para coincidir com o fim do governo Bush.”
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Cenas: Novo Século Americano
Enquanto a crise não vem
João Luiz Sampaio, O Estado de São Paulo
“Com patrocínios ainda vinculados a receitas do ano passado, entidades de concerto e orquestras montam temporadas repletas de estrelas para 2009
"Para nós, foi como um rolo compressor depois do qual ainda estamos tentando nos recuperar", diz o superintendente da Sociedade de Cultura Artística Gerald Peret sobre o segundo semestre do ano passado. Primeiro, o incêndio que pôs abaixo o histórico teatro da entidade; em seguida, a crise financeira mundial. "Foi necessário fazer alguns ajustes, mas, enfim, temos de seguir em frente, não podemos parar", diz, resumindo de alguma forma a tendência da programação erudita prevista para 2009, contra todas as probabilidades, uma das melhores dos últimos anos, em quantidade e qualidade.
Na verdade, como lembrou Sabine Lovatelli, do Mozarteum Brasileiro em entrevista recente, o ano está garantido em parte porque os recursos de leis de incentivo utilizados referem-se ao - bom - ano de 2008 das empresas. Peret completa. "Nós não tínhamos tanto dinheiro assim na bolsa", brinca. "Enfim, o fato é que neste momento ainda vivemos a fase da incerteza, do medo. Os ajustes que precisamos fazer foram motivados pela desistência de Buenos Aires com relação a algumas atrações. "Trocamos algumas atrações e, para outras, fomos atrás de subsídios", diz.
Foi o caso das orquestras francesas, que vêm ao País com ajuda do governo do França, no espírito da programação do Ano da França no Brasil. Pelo Cultura Artística, estão programados a Orquestra dos Champs-Elysées, com regência do grande Philippe Herreweghe; o pianista Jean-Yves Thibaudet, que sola ao lado da Orquestra da Suisse Romande (o maestro é outra estrela da regência, Marek Janowski); e a meio-soprano Nathalie Stutzmann. Outras atrações incluem o Concerto Köln, a violinista Hilary Hahn, o Emerson String Quartet, a Filarmônica de Israel, a Camerata Salzburg, o pianista Arcadi Volodos e a Orquestra da Wiener Akademie.”
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20 Janeiro, 2009
Eco-simplicidade
Leonardo Boff, Adital“O que se opõe à nossa cultura de excessos e complicações é a vivência da simplicidade, a mais humana de todas as virtudes, presente em todas as demais.
A simplicidade exige uma atitude de anti-cultura pois vivemos enredados em todo tipo de produtos e de propagandas. A simplicidade nos desperta a viver consoante nossas necessidades básicas. Se todos perseguissem esse preceito, a Terra seria suficiente para todos. Bem dizia Gandhi: "temos que aprender a viver mais simplesmente para que os outros simplesmente possam viver".
A simplicidade sempre foi criadora de excelência espiritual e de liberdade interior. Henry David Thoreau (+1862) que viveu dois anos em sua cabana na floresta junto a Walden Pond, atendendo estritamente às necessidades vitais, recomenda incessantemente em seu famoso livro-testemunho: Walden ou a vida na floresta:
"simplicidade, simplicidade, simplicidade". Atesta que a simplicidade sempre foi o apanágio de todos os sábios e santos. De fato, extremamente simples eram Buda, Jesus, Francisco de Assis, Gandhi e Chico Mendes entre outros.
Como hoje tocamos já nos limites da Terra, se quisermos continuar a viver sobre ela, precisamos seguir o evangelho da eco-simplicidade, bem resumida nos três "erres" propostos pela Carta da Terra:"reduzir, reutilizar e reciclar" tudo o que usamos e consumimos.”
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A raposa virou Fox
Marcio Alemão, Terra Magazine
“E eu começo 2009 fazendo as pazes com a FOX, outrora por mim alcunhada de RAPOSA, posto que decidira dublar todos os seus filmes e séries. Finalmente é possível escolher: dublado ou o som original com legenda. Por sorte, assisti a um episódio brilhante de Boston Legal, quando Alan Shore enfrenta a Corte Suprema dos EUA. Seu discurso é uma pequena obra prima que deverá estar em algum museu da TV em algum momento. Assim eu espero. Mas por não estar certo de que a TV venha a ter um museu, assim que estiver disponível o DVD dessa temporada, irei adquirí-lo. E parabéns sem fim à FOX.
BBB 9? Decidi ignorá-lo solenemente. Um idéia muito velha, muito gasta e que não terá a minha audiência. Sem poder comparar, citei 4 linhas acima o maravilhoso episódio de Boston Legal onde vi James Spader proferir um discurso de altissimo nível sobre a ética, sobre a justiça, sobre a hipocrisia. E nesse momento, mesmo com todas as queixas diárias e corriqueiras que temos das Tvs a cabo, eu, pelo menos, dou graças à existência delas. Posso escolher. Não preciso ficar confinado. Todos podemos. Ainda assim ouço: "você viu que absurdo, que besteira, que nojeira?" Um clássico. Lembro bem de minha avó e de minhas tias que não perdiam a oportunidade, quando o assunto vinha à tona, de imprecar fortemente contra autores e atores das novelas. Poderiam desligar a TV. Qual o que!”
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Mulheres sentem mais prazer com homens mais ricos, aponta pesquisa
“Quanto mais rico é o parceiro, mais frequentemente sua parceira chega ao orgasmo. Este é o resultado de uma pesquisa realizada por dois cientistas da Universidade de Newcastle, na Grã-Bretanha, sobre a população da China.
A tese central da pesquisa tem as bases na teoria da evolução de Charles Darwin. Segundo os autores, Thomas Pollet e Daniel Nettles, as mulheres, instintivamente, selecionem seus parceiros de acordo com a sua percepção de qualidade.
Das 1.534 mulheres com maridos ou namorados que responderam à pesquisa, 121 delas disseram ter atingido o orgasmos durante suas relações sexuais. Já 408 disseram ter orgasmos com freqüência, 762 tiveram orgasmos 'às vezes' e 243 raramente chegaram ao orgasmos.”
Correio
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19 Janeiro, 2009
Nostalgia marca documentário sobre os Titãs
"Titãs – A vida até parece uma festa' estreia neste fim de semana. Longa reúne imagens inéditas de 25 anos de história da banda. O documentário “Titãs – A vida até parece uma festa”, que chega aos cinemas neste fim de semana, revê os 25 anos de história da banda e deixa a nostalgia prevalecer.
Dirigido pelo próprio Branco Mello, ao lado de Oscar Rodrigues Alves, o longa-metragem reúne imagens captadas pelos membros da banda de rock desde a década de 80, misturadas a registros de programas de televisão e apresentações.
O documentário - já exibido nas mostras de cinema do Rio e de São Paulo - traz raridades como a performance de Tony Belotto no grupo Mamão e as Mamonetes e o show de estreia do Titãs do Iê-Iê, como ainda era chamada a banda na época, em 1982, no Sesc Pompeia,
Carla Meneghini, G1
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Ônibus com slogan ateu são proibidos de circular na Itália
“A associação italiana União dos Ateus e Agnósticos Racionalistas (UAAR) foi proibida de divulgar uma campanha publicitária nos ônibus de Gênova. A concessionária de publicidade nos meios de transporte públicos IgpDecaux considerou que o slogan “Má notícia: Deus não existe; Boa notícia, você não precisa dele” é provocatório e não se enquadraria no código de ética da propaganda italiana.
“Não esperávamos a proibição da campanha, mas levávamos em conta o risco que corríamos. O contrato já estava pronto para ser assinado”, disse à BBC Brasil Giorgio Villella, organizador dos eventos da UAAR e ex-secretário nacional da associação.
A IgpDecaux, com sede em Milão, argumentou que segundo os códigos 10 e 46 de autodisciplina regulamentar, a publicidade não deve ser ofensiva e as campanhas não devem lesar o interesse de ninguém.
“Se irão apresentar outro slogan poderemos examinar. Não se trata de seguir ou não as indicações da Igreja”, afirmou Fabrizio DuChene, administrador-delegado da empresa ao jornal
Guilherme Aquino, BBC Brasil
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Crise mundial, meio ambiente e minorias vão dominar debates no evento
O FSM é realizado sempre em janeiro na mesma data em que na Suíça ocorre o Fórum Econômico Mundial de Davos. É por essa razão que no início era conhecido com anti-Davos. A Carta de Princípios do Fórum define o evento como "um espaço aberto de encontro para o aprofundamento da reflexão, voltado para o debate democrático de idéias e a formulação de propostas para superar o processo de empobrecimento gerado pela globalização”.
A primeira edição foi realiza em 2001,
Jornal Luzilândia
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18 Janeiro, 2009
Os limites do capital são os limites da Terra
“Em 1961 precisávamos de metade da Terra para atender as demandas humanas. Em 1981 empatávamos: precisávamos de um Terra inteira. Em 1995 já ultrapassamos em 10% de sua capacidade de regeneração, mas era ainda suportável. Em 2008 passamos de 40% e a Terra está dando sinais inequívocos de que já não agüenta mais. Se mantivermos o crescimento do PIB mundial entre 2-3% ao ano, em 2050 vamos precisar de duas Terras, o que é impossível. A análise é de Leornado Boff, em seu artigo de estréia como colunista da Carta Maior. Uma semana após o estouro da bolha econômico-financeira, no dia 23 de setembro, ocorreu o assim chamado Earth Overshoot Day , quer dizer, "o dia da ultrapassagem da Terra". Grandes institutos que acompanham sistematicamente o estado da Terra anunciaram: a partir deste dia o consumo da humanidade ultrapassou em 40% a capacidade de suporte e regeneração do sistema-Terra. Traduzindo: a humanidade está consumindo um planeta inteiro e mais 40% dele que não existe. O resultado é a manifestação insofismável da insustentabilidade global da Terra e do sistema de produção e consumo imperante. Entramos no vermelho e assim não poderemos continuar porque não temos mais fundos para cobrir nossas dívidas ecológicas.
Esta notícia, alarmante e ameaçadora, ganhou apenas algumas linhas na parte internacional dos jornais, ao contrário da outra que até hoje ocupa as manchetes dos meios de comunicação e os principais noticiários de televisão. Lógico, nem poderia ser diferente. O que estrutura as sociedades mundiais, como há muitos anos o analisou Polaniy em seu famoso livro A Grande Transformação, não é nem a política nem a ética e muito menos a ecologia, mas unicamente a economia. Tudo virou mercadoria, inclusive a própria Terra. E a economia submeteu a si a política e mandou para o limbo a ética.”
Leonardo Boff, Carta Maior
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Marcelo Yuka é tema de biografia e documentário
"Desde a fatalidade que o deixou paraplégico em 2001 e culminou no desligamento do grupo O Rappa em 2002 – que ajudou a consagrar compondo sucessos como Minha alma (a paz que eu não quero) e A feira – Marcelo Yuka não produziu algo que novamente atravessasse as fronteiras do país. O projeto F.U.R.T.O. (Frente Urbana de Trabalhos Organizados) está congelado, mas seu mentor prepara uma série de lançamentos para 2009, que, se não vão cair na boca do povo como antes, prometem revelar sua intimidade de uma forma nunca antes vista.
Em sua casa, na Tijuca – um largo cômodo sem divisórias, repleto de livros e com credenciais de shows antigos do Rappa penduradas – Yuka recebeu o Jornal do Brasil para contar o que está planejando.
Jornal do Brasil: Você foi convidado para ser biografado e ganhar um documentário...
- A idéia do filme surgiu primeiro. Estou sendo filmado há dois anos e ainda há muito a ser registrado. É de uma jovem diretora, Daniela Broitman. O livro é do Bruno Levinson (organizador do festival Humaitá Pra Peixe e autor de um livro sobre Marcelo D2) e também está em fase de produção. A diferença é que o livro será mais divertido porque eu sou brother do Bruno há 20 anos, por isso fico mais à vontade na presença dele. O documentário é muito invasivo. Pensei que seria mole, mas descobri que não fico relaxado com câmeras e luzes. Mas assinei o contrato e vou ter que ir até o fim. O que me motivou a fazer esses projetos foi divulgar a causa das células-tronco. O problema é que um autor, quando tem um protagonista na mão, vai descobrindo cada vez mais sobre a pessoa e pode acabar perdendo o foco.
Jornal do Brasil: Como está seu envolvimento na questão do uso das células-tronco para a recuperação de alguns tipos de doenças e traumatismos?
- Cada vez mais estou fazendo meu lobby declarado a favor do uso das células-tronco. Vou a Brasília, quando necessário, para fazer pressão. A possibilidade de isso ocorrer é real. Vejo que é um momento tão importante quanto a criação da penicilina. Continuo forte na luta, apesar de saber que é provável que eu, que já tenho 43 anos, não terei idade para receber a célula-tronco e regenerar meu corpo quando a lei for aprovada.”
Leandro Souto Maior, JB Online
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17 Janeiro, 2009
Verdades e mentiras
“A imagem do mágico cujo truque não funciona direito é bem conhecida. Sempre tem uma criança que descobre e aponta para algo errado durante o número e todos vaiam. Ou riem, o que é pior. A mentira foi descoberta. O bom é que não fosse.
Em F for Fak, Orson Welles especula sobre a verdade e a mentira. O filme mistura ficção e documentário, só que muitas vezes ficamos sem saber o que é um ou outro; a maior parte do tempo, inclusive, ele conta a história de um falsificador de arte, cuja obra é tão boa que praticamente é impossível saber qual a cópia e qual o original.
Welles, ele mesmo um falsificador - um mestre na mentira e na ilusão - já havia causado histeria na população americana ao transmitir pelo rádio o anuncio de que os Estados Unidos estavam sendo invadidos por marcianos; na verdade ele encenava A guerra dos mundos, uma novela de ficção científica.
No jornal Zero Hora há um questionário destinado a famosos. Uma das perguntas é a seguinte: "Em que situação vale a pena mentir?" As respostas - acompanho sempre - variam entre "nunca" ou "só se for para proteger alguém". Ninguém diz "sempre", que seria a resposta menos mentirosa. Eu, você, sabemos - o Orson Welles, velho zombeteiro, sabia ainda mais - que a verdade é uma ilusão. E o carvão da ilusão é a mentira.”
José Pedro Goulart, Terra Magazine
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Confira lista de 'bushismos' ditos nos últimos oito anos
“Ao longo dos anos, George W. Bush tornou-se notório por gafes e comentários
Todos os políticos cometem gafes e falam coisas sem pensar. Mas o presidente americano, George W. Bush, conseguiu tornar-se notório por isso. Os americanos até cunharam o termo "Bushismo" para classificar os lapsos verbais que se tornaram comuns nos últimos oito anos. Confira abaixo alguns dos "Bushismos" que se tornaram célebres.
"Eles me mal-subestimaram."
(Bush inventou a palavra 'misunderestimated')
Bentonville, Arkansas, 6 de novembro de 2000
"Não há dúvida de que no minuto em que eu fui eleito, as nuvens de tempestade no horizonte estavam chegando quase diretamente sobre nós."
Washington, 11 de maio de 2001
"Eu quero agradecer ao meu amigo, o senador Bill Frist, por se juntar a nós hoje. Ele se casou com uma menina do Texas, eu quero que vocês saibam. Karyn está conosco. Uma menina do Oeste do Texas, exatamente como eu."
Nashville, Tennessee, 27 de maio de 2004
"Há um século e meio, os Estados Unidos e o Japão formam uma das maiores e mais duradouras alianças dos tempos modernos."
(Bush se esquecendo da Segunda Guerra Mundial)
Tóquio, 18 de fevereiro de 2002
"A guerra contra o terror envolve Saddam Hussein por causa da natureza de Saddam Hussein, da história de Saddam Hussein, e a sua determinação de aterrorizar a si mesmo."
Grand Rapids, Michigan, 29 de janeiro de
O Estado de São Paulo / BBC Brasil
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A arte de usar o tempo e o espaço a favor da boa literatura
"Ao notar o vazio editorial e a tendência de crescimento da literatura fantástica, Fábio Fernandes e Jacques Barcia idealizaram a revista “Terra Incognita”
A literatura categorizada como “de gênero” no Brasil cresce, atualmente, em ritmo que causa euforia – nos que vêem consistência e desdobramentos – e desconfiança, naqueles que gostam de dizer “isso já aconteceu antes e não deu em nada”.
Aos pessimistas, cabe indicar que existem dois diferenciais importantes entre este e os booms anteriores. O primeiro é a existência da internet como plataforma de divulgação e aproximação entre leitores, escritores e editores. O segundo – e talvez mais importante – é que o público consumidor atual sempre esteve cercado de referências aos gêneros fantásticos – seja nos filmes, seriados de TV, quadrinhos ou RPGs. Ao contrário da geração que nasceu antes de 1975, que precisava buscar, esta nova geração teve as referências inculcadas, especialmente pela TV.
Não é meu objetivo debater se essas pessoas que cresceram vendo ficção científica na TV realmente procuram consumir algo além das trilogias cinematográficas. Esse debate é antigo entre os estudiosos e fãs do gênero e sempre foi realizado sem dados que realmente o alimentem. O que existe é cada vez mais gente procurando por informações, livros, revistas, etc. – uma busca que pode ser objetivamente verificada nas diversas comunidades on-line.”
Fernando S. Trevisan, LMD Brasil
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16 Janeiro, 2009
Fábio Barreto filma vida de Lula antes da presidência
“Lula havia acabado de perder a eleição para Fernando Collor e não parava de olhar para o copo em cima da mesa, enquanto almoçava com assessores próximos. Denise Paraná estava entre eles e perguntou o que tanto Lula olhava. A resposta foi contundente. "Agora estou tomando água mineral. Mas, quando eu tinha cinco anos, bebia junto com o gado em uma poça suja de barro." Ali estava o sujeito que acabava de ganhar milhões de votos na primeira eleição direta após a ditadura militar, e media seu sucesso na vida por poder tomar um copo d'água limpo. Denise jogou fora a tese de doutorado que estava escrevendo e durante um ano fez várias entrevistas com Lula e seus irmãos. Estas entrevistas deram origem ao livro Lula, o Filho do Brasil, base para o filme de mesmo nome que o diretor Fábio Barreto começa a gravar na próxima quarta-feira,
Yahoo Brasil! / AE
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Cesare Battisti conta em livro "Minha fuga sem fim”
“Culpado ou inocente? Curiosamente, “Minha fuga sem fim”, o livro de Cesare Battisti, ex-militante italiano do grupo Proletários Armados para o Comunismo (Pac), conta como ele conseguiu ser ambas as coisas, ao mesmo tempo. Battisti, que teve reconhecida, esta semana, a sua condição de refugiado político no Brasil, diz que é “culpado de conspiração, mas jamais de crimes de sangue”.Ele alega que foi vítima de uma série de erros e abusos judiciários, tanto da Itália quanto da França, onde primeiramente se exilou. Battisti foi transformado em bode expiatório, segundo o prefaciador do livro, Bernard-Henri Lévy.
Foi condenado na Itália à prisão perpétua e, em 2007, preso no Rio de Janeiro, em uma ação conjunta dos governos brasileiro, francês e italiano. A partir desta terça-feira (13), passou a ser refugiado político no Brasil, após decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro.
Cesare Battisti é uma figura típica dos “anos de chumbo” da Itália, um reflexo prolongado e ampliado do Movimento de 1968 francês, mas com envolvimento além da classe estudantil. Nele acabou se infiltrando uma série de organizações criminosas como, entre outras, a máfia, grupos terroristas da Europa e do Oriente Médio, saudosistas do Fascio e agentes mais ou menos secretos.”
Vermelho.org / De Brasília
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De Guernica a Gaza
“Ao olhar para cima já não se vê uma lâmpada, mas uma bomba que explode. Membros espalhados nas montanhas de destroços de casas, de animais, de gente. Ao centro, um cavalo, um país, relinchando em agonia enquanto o mundo explode. Uma mãe com a cabeça inclinada para trás, a olhar o céu, numa mistura de choro, oração e urro, com lenço cobrindo os cabelos e os braços segurando o corpo inerte do bebê morto. Os mortos com expressões de dor lancinante e horror. Os vivos com olhar chocado e nervoso de quem só avista destruição por todos os lados e tem que decidir entre a paralisia ou a fuga desesperada, sem saber onde a morte lhe espera.
Foi assim em Guernica aos dias 26 de abril de 1937 - momento de horror de um povo indefeso eternizado por Picasso. É assim diariamente em Gaza desde 27 de dezembro de 2008. É assim sempre que se bombardeia um povoado, uma cidade indiscriminadamente. Foi assim nos bombardeios massivos a cidades européias na Segunda Guerra Mundial. Foi assim também cá pras nossas bandas quando em 1897 o Exército brasileiro massacrou milhares de sertanejos em Canudos, alvejando os casebres de Belo Monte com canhões postados em cima do Morro da Favela, e quando a FAB (Força Aérea Brasileira) bombardeou a Chapada do Araripe em 1937 para destruir os remanescentes da comunidade de Caldeirão, massacrando mais de setecentas pessoas.Será assim até quando? Até quando a humanidade assistirá o bombardeio sobre civis para os poderosos satisfazerem suas veleidades econômicas e políticas?”
Igor Moreira, Adital
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15 Janeiro, 2009
Altamiro Borges: Repórter da Globo é do exército de Israel?
“Uma informação bombástica circula na globosfera: a jornalista Renata Malkes, correspondente da Globo News e do jornal O Globo em Gaza, seria uma sionista militante. A denúncia foi feita pelo blog Cloaca, que monitora as práticas do ''jornalismo esgoto''. Ele vasculhou e descobriu alguns textos da repórter da Globo, postados no seu blog pessoal Balagan - que, curiosamente, já foi deletado. No topo da página, a imagem de um palestino, associado à figura de um terrorista, e a chamada: ''Não lhes dê um estado''. Os textos revelam o mais abjeto preconceito racista. Entre outras sandices, Malkes escreveu: ''Parece piada! Eles querem criar um Estado Palestino independente e ainda entupir Israel com seus milhares de refugiados mortos de fome. Faça-me o favor''. Noutra postagem, considera ''patética'' até uma declaração de FHC favorável à criação do Estado Palestino. ''Tupiniquim tem mais é que cuidar de dengue''.
Ele também ataca o MST, que enviara uma delegação de solidariedade à região, e ridiculariza a Venezuela por ser ''amiga dos brimos''. Vários artigos tratam os árabes e os palestinos como ''burros'' e ''mentirosos''.
Altamiro Borges, Vermelho.org
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E a Turma da Mônica cresceu
“Quando em 1959 o jornalista policial Mauricio de Sousa ofereceu aos seus redatores uma tira em quadrinhos sobre um cãozinho e seu dono, Bidu e Franjinha, não imaginava o sucesso que sua turma de personagens alcançaria no Brasil. Dos anos sessenta pra cá, pelo menos três ou quatro gerações conhecem os gibis, tirinhas, filmes e brinquedos com a marca da Mônica. E isso não é pouca coisa! Num tempo de avalanche norte-americana, de Mickey, Pateta e Pato Donald a todo vapor, a Mônica resistiu, e depois resistiu aos Jaspions e Power Rangers, ao Chaves, ao Shrek, firmando-se como a única referência cultural brasileira para crianças.
Claro que os adultos que um dia leram a Turma da Mônica, e por vezes se alfabetizaram lendo a Turma da Mônica, guardam carinho e saudade pelos personagens. Quem já não se identificou com Cascão, Mônica, Cebolinha, Magali, Franjinha, Chico Bento? Quem já não chamou algum cachorro de Floquinho por causa dos pelos, algum menino de Cascão pela falta de banho, alguma menina de Mônica pelo vestido vermelho, ou pelos dentões, ou pela brabeza? Quem não lembra da Magali ao comer melancia, do Cebolinha ao falar elado, da Rosinha ao ver alguém de tranças? Prova de que a maior qualidade de Mauricio de Sousa é a de criar tipos, personagens simples, carismáticos, transpostos do dia-a-dia das famílias brasileiras e reproduzindo, de certa forma, seus valores e preocupações.
Mas não quero aqui voltar aos quadrinhos de minha infância, nem antecipar as comemorações de 50 anos da primeira publicação da Turma. A novidade do momento é a Turma da Mônica Jovem. Na nova série, "eles cresceram", como anuncia a capa, mas não tanto quanto a idade da criação, e sim uns 10, 12 anos, o suficiente para atingir a idade de um grupo de leitores que continuou lendo quadrinhos. Sim, de uma geração para cá as crianças não substituem necessariamente quadrinhos por livros, muitas seguem na leitura de quadrinhos e prova disso são as edições de luxo dos quadrinhos de heróis e a onda de publicações japonesas que chegam por aqui. E é essa a geração que convenceu Mauricio de Sousa a entrar em novo mercado, mexer nas consagradas figuras de Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão.”
Marcelo Spalding, Digestivo Cultural
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14 Janeiro, 2009
O café esfriou na xícara
“Quase ninguém no Crato, uma cidade do sul do Ceará onde nasceu o Padre Cícero, lembra quem foi Izabel Virgínia. O nome dessa senhora e os acontecimentos que faziam do Crato a cidade mais importante depois da capital Fortaleza, dormem sob camadas de esquecimento, como os peixes fósseis sob camadas de calcário, prova de que a cidade foi um oceano no período cretáceo. A memória já não possui tanto prestígio como na antiguidade e é preferível armazená-la nos computadores. Izabel Virgínia, uma senhora preta e gorda, que parecia estacionada nos sessenta anos, era dona de um café frequentado por políticos e intelectuais da cidade. É claro que o estabelecimento cratense nem se comparava ao Café Savoy de Praga, onde Franz Kafka costumava passar os finais de tarde. Nenhum dos nossos intelectuais se destacou no cenário mundial e os políticos não ficaram conhecidos além das fronteiras do Cariri. Mas Izabel Virgínia, para glória dos homens, fazia um doce de leite divino e uma pamonha cozida em folha de bananeira que era um supremo invento da culinária.
O café ficava numa das ruas principais da cidade, próxima ao cinema Moderno e Cassino, numa casa que servia de morada e ponto comercial, com duas águas, um pé direito acima dos oito metros, no estilo porta e janelas com sacadas, piso de tijoleiras e um corredor comprido que atravessava da sala de visitas até a sala de jantar. As mesas eram toscas, com bancos ou cadeiras de assento de couro de boi. Tudo modesto e sem brilho, despojado como a sábia cozinheira, que na maioria das vezes nem cobrava dos seus fregueses importantes.”
Ronaldo Correia de Brito, Terra Magazine
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Redes sociais vão para além dos próprios sites
“Em 2008, conceito de “social” saiu só das mãos de Orkut e Facebook e passou a estar em jornais e até campanha política
As redes sociais saíram dos sites das redes sociais. Em 2008, quando o conceito de “social” deixou os domínios dos gigantes Orkut, Facebook ou MySpace, a síntese do novo momento foi a eleição do presidente norte-americano Barack Obama. Ele não só tinha o seu perfil no Facebook e no Twitter, como criou a sua própria rede social, nos moldes do Orkut.
Foi com seu “próprio Orkut” que Obama arregimentou seis milhões de pequenas doações, que não passaram de US$ 100. Foi por meio de sua rede também que ele colocou eleitores em contato com eleitores para que eles se organizassem e fizessem campanha espontânea para sua corrida à Casa Branca. Para sua mensagem se espalhar ainda mais, no Twitter e no Facebook, o candidato informava os eleitores.
A experiência de Obama também foi replicada em jornais, portais e até
Rodrigo Martins, Link / O Estado de São Paulo
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13 Janeiro, 2009
Homer Simpson chama muçulmanos de terroristas e gera polêmica
“A popular série de desenhos animados "Os Simpsons" gerou polêmica no Reino Unido depois que Homer acusou seus vizinhos muçulmanos de serem terroristas. Na nova temporada da série, o pai da popular família norte-americana convence seus amigos de que seus vizinhos vindos do Oriente Médio planejam explodir um centro comercial de Springfield.
Homer descobre mais tarde que Amid, o chefe da família muçulmana em questão, trabalha para uma companhia de demolição.
Quando Homer convida a família vizinha para um jantar, demonstra sua ignorância em relação ao Islã, chamando Alá de "Oliver" e Alcorão de "A Coroa".
Folha Online / Ansa
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12 Janeiro, 2009
O caminho que leva à Casa Branca
“Eu nunca fui fã de Obama. Nem mesmo no auge da Obamania, quando comentaristas liberais e muitos dos meus amigos entravam literalmente em extase à simples menção de seu nome, eu era capaz de aceitar plenamente essa insidiosa forma de negação que as pessoas adotam quando elogiam o Presidente eleito.
Não tenho nada contra o homem pessoalmente. Como advogado e escritor ele tem sido muito bem sucedido. Foi um dos primeiros alunos na faculdade de Direito de Harvard, um autor de dois best sellers autobiográficos, é o exemplo típico do americano self-made man, um verdadeiro cara do tipo Horatio Alger (autor americano (1832-1899) que escreveu aproximadamente 135 novelas baratas). Mas, como politico, não vejo nada excepcional nele. Como todos que concorreram à presidência dos Estados Unidos, desde o final da II Guerra Mundial, ele fez promessas que sabia que nunca poderia cumprir. Bajulou entusiasticamente sua base democrática, prometendo mudar tudo. Jurou que acabaria com a guerra no Iraque e traria de volta a paz ao Oriente Médio. Reformar o sistema de saúde e reconstruir nossas escolas, fazendo com que os americanos voltassem a sentir orgulho de serem americanos, eram suas prioridades. Iria em suma restaurar a honra e a dignidade do país no cenário mundial, fazendo-nos esquecer os anos de obscenidades de Bush.
Mas, mesmo antes de ser eleito, ele foi mostrando suas verdadeiras cores. Tão logo ele costurou sua indicação à corrida presidencial, esmagando o sonho de Hillary de ter outro Clinton no banco do motorista, ele declarou seu amor eterno ao sionismo numa reunião do AIPAC (Comitê Americano-Israelense de Assuntos Públicos),
John Hemingway, Direto da Redação
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2090
“(Estamos em Londres, julho de 2090. Algumas décadas após o fim da III Guerra Mundial. Ou "Grande Guerra do Petróleo e da Água", que é o nome pelo qual ficou mais conhecido o conflito que devastou o mundo entre 2056 e 2063, logo após o fim das reservas mundiais daqueles recursos.
A cidade está reconstruída. Mas não é mais a mesma.
Abre a cena. Uma sala iluminada, neutra, sem janelas. Um homem sentado numa cadeira. Confortável, mas não reclinado.
A câmara está distante dele, de lado, a
Nesse momento, ele começa sua fala. Sereno, mas convicto.)
Meu nome é Winston George. A descrição dos fatos que passo a fazer em seguida, sei que poderá causar algum mal-estar àqueles que conseguirem assistir esse filme. Se eu conseguir levá-lo ao mundo exterior.
Devo tentar com todas as minhas forças, pois são terríveis as minhas experiências de vida atual. Eu sou apenas um, mas estou sendo usado como cobaia deles.
Alguém do mundo exterior precisa saber, para evitar que eles façam isso com todos. Eles querem controlar toda a população mundial.”
Alberto Fonseca, Terra Magazine
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