28 Fevereiro, 2009
Eu + Você = ?
“Desde que nascemos, escutamos muitas coisas a respeito das relações com o "sexo oposto" (vejam só que expressão curiosa!). Mais influentes do que as histórias que escutamos são as que vemos e vivemos. Nas relações entre tios, pais, vizinhos e amigos temos alguma noção e até fazemos julgamentos sobre o que seja um namoro, uma paquera, uma abordagem afetiva ou um casamento. As relações de amor e poder que vivemos em casa talvez ajudem a definir (e a desdefinir) o que faremos e seremos quando constituirmos nossos lares, que talvez nem cheguem a ser isso. Nossa propensão ao desleixo, nossa tendência ao desarrazoado, nossa vontade de sexo, nosso infinito respeito ao outro, nosso jeito de pedir, nosso modo de ser a dois estão ligados aos modelos que tivemos.
Essas histórias presentes e futuras não vêm do nada. Elas são embrionárias em histórias passadas que terminaram por nos unir ou desunir, por nos tornar menos ou mais passíveis de amor, de abordagens, de vínculos. Não estávamos, no entanto, determinados a ser bons ou maus amantes. Estávamos influenciados, de alguma maneira. Ainda bem que é possível aprender, gostar e melhorar. Sabemos, no entanto, que é necessária uma força muito intensa para que isso ocorra.
Conheço gente que mudou muito com o tempo. Largas décadas foram necessárias para que aquela agressividade imensa fosse dissipada e se tornasse uma paciência quase inacreditável. Sei de gente que passou a se cuidar mais e melhor, barba, cabelo e bigode, para agradar a parceira. Ela, por sua vez, deixou de lado umas picuinhas e ficou mais doce. Sei de gente que arranjou emprego, voltou a estudar, passou no concurso, mudou de endereço, deu uma guinada na vida, só para acompanhar uma pessoa que valia a pena. Esta pessoa, por sua vez, também se influenciou pela outra, claro.”
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Para indianos, 'Caminho' está atrasada no tempo
"Os dalits não são mais pessoas discriminadas na Índia. A autora precisa atualizar essa novela, tudo o que vejo lá é de, pelo menos, 60 anos atrás", patrulha Dinesh Rajput, de 36 anos, que vive no Brasil há 11 anos. Mas Dinesh não aponta só a questão dos dalits como equivocada na trama. "Nós indianos ficamos aflitos em ouvir as gírias erradas. 'Badi', por exemplo, que é usada em referência ao pai, está errada. 'Badi significa balde, 'Babadi' que significa pai", explica.”
Yahoo Brasil / AE
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27 Fevereiro, 2009
É tudo mentira
Renata Miloni, LMD Brasil
Sabemos identificar as mais variadas ficções, reconhecemos e aceitamos detalhes de outras culturas reproduzidos nelas. Mas a forma como lidamos com a literatura quando a ficção está desligada, digamos, poderia mudar o leitor que somos? Tenho minhas dúvidas. Não falo só em leitor de livros mas da compreensão de mundo. A literatura nem sempre traduz quem realmente somos, a força está na tradução exata de como reagimos.
Levamos nossas reações enquanto leitores e comentadores literários, no meu humilde caso, a extremos. Reagimos à vida como se a ficção fosse a realidade e, daí, nascem as categorias de caráter (os tipos que nos rodeiam), texto (divisão do cotidiano em três ou quatro partes) e trama (o controle, ou falta de, que temos dessa junção).
Munidos de descrições precisas e julgamentos que somente nós validamos, pisamos em cada frase não para descobrir o que acontecerá, mas para confirmarmos que estávamos certos desde o início. É assim com um livro que não surpreende, de fácil leitura e cujo final já estava ali desde o começo, escancarado.
Usamos a literatura para basear opiniões, para seguir exemplos pessoais e, freqüentemente, enganar o inconsciente e analisar fatos que nós mesmos construímos. E ainda chamamos, num tom abaixo, tais feitos de geniais. Na ficção, eles sempre são. Arrancamos cada pedaço de onde repousamos nossas mãos para, depois, exibirmos como troféu de nossas aventuras. Assim fazem os personagens de nossos livros preferidos. Não de maneira tão clara, como é o jeito sábio.”
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26 Fevereiro, 2009
Veja o primeiro minuto do filme 'Lula, o Filho do Brasil'
O primeiro trecho do filme, exibido no site da revista Época, mostra o instante em que o pai de Lula, seu Aristides, deixa a mulher e os filhos para trás e vai à procura de emprego em São Paulo. Na capital paulista, porém, Aristides arrumou outra mulher e formou outra família. A mãe de Lula, dona Lindu, é vivida pela atriz Glória Pires.
O filme é baseado na única biografia oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O livro, homônimo ao filme, foi escrito pela jornalista e historiadora Denise Paraná nos anos 90.
Lula, o Filho do Brasil mostrará a infância miserável de Lula no agreste de Pernambuco, a viagem de 13 dias de sua família para São Paulo num caminhão pau-de-arara, a juventude em Santos e na periferia de São Paulo, as dificuldades enfrentadas como metalúrgico e o início de sua carreira sindical, em 1980.
Com um orçamento recorde para produções nacionais, R$ 16 milhões, o longa-metragem está sendo 100% financiado por empresas privadas e sem leis de incentivo — o que é muito raro no Brasil.”
Vermelho.org / Época
25 Fevereiro, 2009
Diferenças parecidas
Leila Cordeiro, Direto da Redação“Como explicar tanta unanimidade em torno de um filme como aconteceu com (Slumdog Millionaire) "Quem quer ser um milionário?". Alguns críticos dizem que ele foi feito da maneira certa, no momento certo, ou seja, com um orçamento enxuto num momento de crise. O diretor Danny Boyle, resolveu apelar para o realismo total sem efeitos especiais ou tecnologia sofisticada. Um filme de ator, como diriam alguns.
O melhor é que muitos nem eram atores de verdade. Os personagens foram interpretados por gente desconhecida. A maioria indianos, alguns até que vivem na miséria das favelas de Mumbai na Índia, chamados de "Slumdogs". O casal protagonista, apesar de ter feito algumas participações na "Bolywood" dos indianos ainda não tinham feito o "crossover" para a Hollywood dos americanos. Agora, com tanto sucesso, ambos já têm convite de trabalho em produções nos EUA.
Desde que começou a concorrer em festivais de cinema pelo mundo em 2008, o filme foi premiado dezenas de vezes. Só no Globo de Ouro foram cinco e no Oscar, 8 estatuetas. Um fenômeno daqueles que só acontecem de vez em quando, mesmo assim envolvendo grandes e luxuosas producões, como o "Titanic" por exemplo, que levou 11 Oscars, mas custou US$ 200 milhões. Slumdog, custou US$ 5 milhões e levou 8. Se levarmos em conta a relação custo/benefício …
A verdade é que "Quem quer ser um milionário?" conseguiu que Hollywood fizesse um mea culpa ao derrubar seus muros, deixando entrar em seus salões de premiação, uma nova cultura, uma concepção de cinema mais realista e verdadeira, sem muitos efeitos ou artifícios, revelando a vida como ela é em cada canto do mundo.”
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24 Fevereiro, 2009
EU estou boquiaberto até agora
Márcio Alemão, Terra Magazine“O velho "speaker" Luciano do Valle simplesmente arrasou, ao lado de Renata Fan, na cobertura de ontem do sensacional bloco Galo da Madrugada. Antes de mais nada, gostaria de mais uma vez parabenizar a Band pela qualidade das imagens, pela riqueza de tomadas, pela exuberância da imaginação que sempre caracterizou suas coberturas carnavalescas.
O telespectador é brindado com mais de dois posicionamentos de câmera durante algumas horas. É uma sacada genial porque são justamente os pontos de vista que só os amigos da Band podem ver. São locais, vamos assim dizer, "VIP". E haja coração! Não é mesmo, Luciano? Para vocês que não viram terem uma ideia, ele disse que a alegria havia tomado conta de todo mundo. Era meio difícil de ver se isso era mesmo verdade. A imagem mostrava uma turba de milhões de pessoas que poderiam estar procurando a lente de contato de um amigo querido ou discutindo o estruturalismo alemão. Mas o Luciano tudo sabe e tudo vê. Se ele conseguiu ver no Maguila um lutador de boxe, quem sou eu para duvidar.
Mais uma que a prendi na tarde de sábado: o Galo da Madrugada é o maior bloco do mundo. Vocês sabiam disso? Eu jurava que o maior bloco estava na China. O famoso Frango Xadrez da Madrugada. Se bem que amigos me informam que os franceses, loucos por blocos, não querem ficar para trás e já estão colocando nos bulevares, o Coq au Vin du Matin. E prometem arrebentar com Carla Bruni de destaque.”
Foto: Divulgação
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Saudade
“Vejo as luzes da cidade mais brilhantes do que ontem. A chuva que caí lá fora me desperta um sentimento de saudade.
Saudade de um tempo que não existe mais. De momentos que se passaram e não voltam mais. Saudade de um olhar, saudade de um sorriso, saudade de uma canção; a mesma canção que as estrelas embalavam meu coração.
Na janela, sinto a brisa tocar meu rosto levemente. Lembro-me das tuas mãos macias acariciando minha face. Ah! Quanta saudade!
E vendo a chuva cair, vaguei pelos meus pensamentos percorrendo todas as recordações de nós dois. Ali, perdido em sonhos, eu senti paz. Meu coração batia tranquilamente enquanto assistia ao filme de nós dois.
Um sorriso maroto, um olhar sereno. Lábios tão doces quanto mel. Sua pele parecia seda deslizando sobre meu corpo.
Ainda lembro-me do nosso primeiro encontro! Mãos frias e olhares inquietos. Respirando fundo, posso sentir o seu perfume.
Saudade! Quanta saudade!
Sinto saudade de mim quando me lembro de você. Minha alegria, a paixão que eu tinha pela vida. O amor que sentia no meu peito. Felicidade era o seu codinome. Paz era minha habitação.”
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23 Fevereiro, 2009
Um Carnaval movido a drogas
Carolina Leal, JB Online
Durante o Carnaval, não apenas as bebidas alcoólicas são escolhidas como forma de potencializar as sensações de diversão. O consumo de drogas sintéticas, que ganhou popularidade nos últimos anos no país, também vem embalando o clima de festa que envolve o feriado.
Especialistas alertam para os efeitos e riscos no uso dessas substâncias, que vão desde desidratação a paradas cardiorespiratórias. Ecstasy, LSD, crystal, anfetaminas, GHB, special K e lança-perfume são alguns dos entorpecentes mais conhecidos. Essas drogas são chamadas de sintéticas por serem o resultado de uma produção, em laboratório, a partir de uma ou várias substâncias químicas que estimulam ou deprimem o sistema nervoso central.
Segundo dados da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, da Polícia Federal, a apreensão de LSD foi 30 vezes maior em 2008, em relação a 2007. O grupo das anfetaminas já vinha apresentando um crescimento de 250% no consumo em 2006, levando o Brasil ao título de campeão mundial no uso dessas substâncias, segundo relatório anual das Nações Unidas, feito pela Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes.
Em duas operações que ocorreram na segunda semana de fevereiro, nas proximidades do Carnaval, a Polícia Federal encontrou 112 mil comprimidos de ecstasy e 115 mil micropontos de LSD, resultando em uma das maiores apreensões de drogas sintéticas do país.”
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Oscar 2009
Melhor filme:
**“Quem quer ser um milionário?”
**“Frost/Nixon”
**“O curioso caso de Benjamin Button”
**“Milk - A voz da liberdade”
**“O leitor”
Melhor ator:
**Mickey Rourke - “O lutador”
**Sean Penn - “Milk - A voz da liberdade”
**Frank Langella – “Frost/Nixon”
**Brad Pitt - "O curioso caso de Benjamin Button"
**Richard Jenkins - "The visitor”
Melhor atriz:
**Meryl Streep – “Dúvida”
**Kate Winslet – “O leitor”
**Anne Hathaway – “O casamento de Rachel”
**Angelina Jolie – “A troca”
- Melissa Leo - "Rio congelado"
Melhor diretor:
**Danny Boyle - “Quem quer ser um milionário?”
**Ron Howard - “Frost/Nixon”
**David Fincher - “O curioso caso de Benjamin Button”
**Gus Van Sant - “Milk - A voz da liberdade”
**Stephen Daldry - "O leitor" (filme, atriz, roteiro adaptado, fotografia)
Melhor atriz coadjuvante:
**Amy Adams - "Dúvida"
**Penélope Cruz - "Vicky Cristina Barcelona"
**Viola Davis - "Dúvida"
**Taraji P. Henson - "O curioso caso de Benjamin Button"
**Marisa Tomei - "O lutador"
Melhor filme em língua estrangeira:
**"Revanche", de Gotz Spielmann (Áustria)
**"The class", de Laurent Cantet (França)
**"Departures", de Yojiro Takita (Japão)
**"The Baader Meinhof Complex", de Uli Edel (Alemanha)
**"Waltz with Bashir", de Ari Folman (Israel)
Melhor canção original:
**“Down to Earth”, de Peter Gabriel and Thomas Newman - “Wall.E”
**“Jai Ho” de A.R. Rahman – “Quem quer ser um milionário?”
**“O Saya”, de A.R. Rahman e Maya Arulpragasam – “Quem quer ser um milionário?”
Melhor trilha sonora original:
**Alexandre Desplat - “O curioso caso de Benjamin Button”
**James Newton Howard – “
**Danny Elfman – “Milk – A voz da liberdade”
**Thomas Newman – “Wall.E”
**A.R. Rahman – “Quem quer ser um milionário?”
Melhor edição:
**“O curioso caso de Benjamin Button”
**“Batman – O cavaleiro das trevas”
**“Frost/Nixon”
**“Quem quer ser um milionário?”
**“Milk – A voz da liberdade”
Melhor mixagem de som:
**“O curioso caso de Benjamin Button”
**“Batman – O cavaleiro das trevas”
**“Quem quer ser um milionário?”
**“Wall.E”
**“Procurado”
Melhor edição de som:
**“Batman – O cavaleiro das trevas”
**“Homem de Ferro”
**“Wall.E”
**“Procurado”
**“Quem quer ser um milionário?”
Melhores efeitos especiais:
**“Batman - O cavaleiro das trevas”
**“Homem de Ferro”
**“O curioso caso de Benjamin Button”
Melhor documentário de curta-metragem:
**“The conscience of Nhem En”
**“The final inch”
**“Smile Pinki”
**“The witness - From the balcony of room
Melhor documentário de longa-metragem:
**“The betrayal”
**“Encounters at the end of the world”
**“The garden”
**“Man on wire”
**“Trouble the water”
Melhor ator coadjuvante:
**Heath Ledger - “Batman – O cavaleiro das trevas”
**Josh Brolin - "Milk - A voz da liberdade"
**Robert Downey Jr. - "Trovão tropical"
**Philip Seymour Hoffman - "Dúvida"
**Michael Shannon - "Foi apenas um sonho"
Melhor curta-metragem:
**“Auf der strecke (On the Line)”
**“Manon on the asphalt”
**“New Boy”
**“The Pig”
**“Spielzeugland (Toyland)”
Melhor fotografia:
**“A troca”
**“O curioso caso de Benjamin Button”
**“O leitor”
**“Batman – O cavaleiro das trevas”
- “Quem quer ser um milionário?”
Melhor maquiagem:
**"O curioso caso de Benjamin Button"
**"Batman – O cavaleiro das trevas"
**"Hellboy II – O exército dourado”
Melhor figurino:
**“Austrália”
**“O curioso caso de Benjamin Button”
**“A duquesa”
**“Milk – A voz da liberdade”
**“Foi apenas um sonho”
Melhor direção de arte:
**“A troca”
**“O curioso caso de Benjamin Button”
**“Batman – O cavaleiro das trevas”
**“A duquesa”
**“Foi apenas um sonho”
Melhor animação de curta-metragem:
**“La maison en petits cubes”
**“Lavatory - Lovestory”
**“Oktapodi”
**“Presto”
**“This Way Up”
Melhor longa de animação:
**“Wall.E”
**“Kung Fu Panda”
**“Bolt – Supercão”
Melhor roteiro adaptado:
**“O caso curioso de Benjamin Button”
**“Dúvida”
**“Frost/Nixon”
**“O leitor”
**“Quem quer ser um milionário?”
Melhor roteiro original:
**“Rio congelado”
**“Na mira do chefe”
**“Wall.E”
**“Milk – A voz da liberdade”
**“Happy-go-lucky”
22 Fevereiro, 2009
Invasão pornô no cotidiano é tema de mostra na Áustria
Marcio Damasceno, BBC Brasil"A invasão da pornografia no cotidiano é tema de uma exposição aberta nesta semana em um dos mais respeitados museus de arte contemporânea da Europa.
"The Porn Identity - Expeditionen in der Dunkelzone" ("The Porn Identity - Expedições na zona escura") é o título da mostra inaugurada nesta quinta-feira no Kunsthalle Wien, na capital austríaca. O título faz um trocadilho com o nome original do filme americano A Identidade Bourne.
O evento discute, conforme afirmam os organizadores, a infiltração da iconografia pornô na arte, na mídia e na sociedade.
"Pornô é aquilo com que não queremos que alguém nos flagre na hora", classifica o texto de apresentação.
"Entretanto, a pornografia está em todo lugar, infiltrada nomainstream e se reproduzindo rapidamente em todos os nichos. No cotidiano, no pop e na arte", prossegue. "Essa 'pornetração' invade as mídias", resume o texto, assinado por um dos curadores da exposição, Thomas Edlinger.”
Foto: Divulgação
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Monopólio é isso aí
“A Globo que tem o direito exclusivo no Brasil tanto de transmitir a festa do Oscar, que acontece em Los Angeles quanto o desfile das Escolas de Samba que acontece no Rio, acabou evidentemente optando pela transmissão do segundo evento. Afinal, além dele ser "coisa nossa", a Globo tem contratos comerciais de patrocínio e um compromisso de exclusividade há anos com a Liga das escolas e com o público. Apesar dela não conseguir uma grande audiência com o desfile não larga o osso para a concorrência e quer continuar a ser exclusiva na avenida.
Para os cinéfilos o jeito será acompanhar os vencedores da noite de gala do cinema num canal a cabo da Globo, já que ela também tem os direitos de transmissão na TV fechada , onde possui tantos canais que pode até escolher em qual deles vai transmitir a festa. Qualquer monopólio permite isso, quem o tem não se aperta, quando não pode esticar um braço para alcançar o alvo, apela para o outro disponível. Assim ela nunca fica na mão.
Esse privilégio é mais evidente quando se trata de uma empresa de comunicação e a Globo é o maior exemplo disso. O mesmo aconteceu em relação aos direitos de transmissão das Olimpíadas de 2012, em Londres. A Record saiu na frente e em silêncio deu o bote. Conseguiu a exclusividade da Olimpíada deixando a Globo a ver navios, procurando culpados para a derrota.”
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21 Fevereiro, 2009
O Bloco dos Unidos pela Carne
Marcelo Carneiro da Cunha, Terra Magazine“Como todos sabem, somos unidos por ela, nós brasileiros. Ao menos os gaúchos, paulistas e mineiros, com certeza. Pois que quando descobrirão ouro nas Gerais, o ouro se recusava a sair sozinho dos terrenos onde ele vivia, feliz e brilhando ao longo de milhões de anos. Era necessário trabalho, mãos, milhares e milhares delas, pra extrair minério e fazer Portugal feliz, naqueles tempos pré-dinamite. Creio que levaram muita gente, escravos em sua maioria, pra ralar as montanhas de Minas e dar trabalho ao Aleijadinho e companheiros artesãos daquelas igrejas todas.
E como todos sabem, gente come. E então surgiu a questão de o que oferecer para aquela Serra Pelada do século 18 comer.
Breve pausa. Vamos agora ao Rio Grande do Sul.
Lá, não havia ouro, e, provavelmente, não havia mais nada. Mas, para sorte de todo mundo, havia muitas, mas muitas mesmo, vacas. Os jesuítas tinham trazido gado para as Missões, parece, e a vacaria tinha apreciado muito o pampa. Bons cristãos, as vacas e touros jesuítas tinham crescido e se multiplicado e lá estavam, prontinhos para virarem decoração de feijoada nas Minas Gerais. Faltava quem fizesse a logística, claro.
E lá estavam eles, nossos bravos desbravadores paulistas. Que criaram um sistema de busca e apreensão das vaquinhas missioneiras, vindo até ali pelo mar, subindo o planalto da costa e levando de volta carne para as minas de ouro.
Essa coluna também vale por uma verdadeira aula de história.”
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20 Fevereiro, 2009
Quem é você? - Carnaval e Psicanálise
Paulo Costa Lima, Terra Magazine“Ser uma coisa é não ser susceptível de interpretação." Fernando Pessoa
1.
Colocando Descartes no meio da Timbalada ou melhor, da Mudança do Garcia, no dia certo, ouviríamos uma variante nada ortodoxa da célebre máxima. Ele nos diria: rebolo, logo existo. O rebolado é condição do sujeito, significa literalmente girar sobre si próprio. Re-bola, bola duas vezes: jogo de cintura, se quiserem.
A Mudança do Garcia é uma das manifestações mais díspares e legítimas do Carnaval da Bahia. Sempre na 2ª feira de carnaval, alguns milhares de pessoas saem pelas ruas acompanhando carroças com muita folhagem, gente fantasiada, batucadas refinadas, e um tom geral de anarquia e protesto. Vale tudo!
2.
O sujeito é um movimento e o desejo do carnaval é o desejo de aceleração desse movimento, uma aceleração que caminha contra a ordem das coisas, que invoca uma espécie de mergulho na dissolução. Há, portanto, uma espécie de revolta no carnaval, uma recusa a ficar quieto, instalado e satisfeito, mas é uma revolta pela alegria. O carnaval é uma sede, o que dá todo o sentido ao sucesso da canção de Brown, Água Mineral. O que a música pergunta é justamente isso: Tá com sede? Mas essa sede é outra, é uma outra sede.
3.
O saudoso arquiteto e fotógrafo Silvio Robatto contava que um belo dia, tendo saído para fotografar coisas do Carnaval, no Centro Histórico de Salvador, foi surpreendido por uma chuva repentina e forte, dessas que acontecem por aqui. Chateado com a interrupção do serviço, entrou numa igreja para esperar a chuva passar. Qual não foi sua surpresa: o rebolado estava todo lá dentro da igreja, nas alegorias de anjos e santos feitos pelos escravos. A espiral do barroco e o êxtase do batuque podem caminhar juntos na Bahia. O barroco rebola, concluiu ele - e organizou uma contundente exposição fotográfica sobre o tema (Cf. O barroco no rebolado).”
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Ouvir o silencio
“Para os ouvintes, os sons de antemão já tem um sentido, os movimentos tem linhas esperadas, as palavras se fecham. Tudo se repete. Na surdez, som, palavra e objeto, esperam ser desvendados. Talvez, com o silêncio, o corpo desperte e perceba que é capaz de falarSíndia Santos, LMD Brasil
“As mãos dançantes estão em toda parte. Quem passa na Rua das Laranjeiras, Zona Sul do Rio, logo percebe. Pontos de ônibus, lanchonetes, bares, lá estão elas a nos hipnotizar. A cadência dos movimentos destoa do barulho atordoante de carros e buzinas do acentuado trânsito do final de tarde. Seguindo-as, chegamos até o Instituto Nacional de Educação de Surdos, o INES. A primeira escola de surdos do Brasil foi criada em 1857 por um francês, também surdo, chamado Eduard Huet.
Durante o primeiro ano de existência, o INES funcionou na Rua dos Beneditinos. No ano seguinte, mudou-se para o Morro do Livramento, em seguida, para o Palacete do Campo da Aclamação, depois para a Chácara Laranjeiras, e por fim para a Rua Real Grandeza. Somente em 1877 foi transferido para a Rua das Laranjeiras. Em 1890, mudou-se para o atual prédio, no nº 232. Por fora, a imponente construção amarela nem parece uma escola pública, onde estudam 600 dos quase seis milhões de surdos do país. Esse número corresponde 1,2 % dos surdos do Estado do Rio de Janeiro.
Por dentro, numa das salas de pintura desgastada, cujas paredes são enfeitadas por desenhos dos alunos da educação infantil, encontraremos Ana Barbosa, professora de música e dança, que há 15 anos trabalha com surdez. Na recém reformada biblioteca, estará Aulio, o contador de histórias que um dia jogou o aparelho fora e decidiu nunca mais ouvir. Numa outra sala do Jardim da Infância, conheceremos Andréa, a professora que usa um bolo como desculpa para que seus alunos descubram o mundo.”
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19 Fevereiro, 2009
A Criação em tempos de Crise
Marcelo Spalding, Digestivo Cultural "Muito já se escreveu e foi dito, se escreverá e se dirá sobre a Crise Econômica Mundial, que parece realmente digna do banalizado termo. Queda nas bolsas, inadimplência, demissões, retração. Obama, de certa forma, já é um produto da crise, tanto sua eleição quanto a enorme expectativa gerada em torno dele. Assim como o desprestígio do antes queridinho Sarkozy na Europa, a confusão das eleições israelenses, a aceleração do nosso PAC. Até a demissão do Felipão pelo Chelsea tem alguma coisa a ver com a crise... Mas permitam-me esquecer, neste fórum de debates culturais, dos números, das bolsas que caem ou sobem, dos empregos perdidos e das empresas que se aproveitam da onda para demitir, enxugar. Quero me concentrar no processo criativo, na criação em tempos de crise.
Quantos contos não nasceram de uma perda?
Quantas músicas não surgiram de uma traição?
Quantos tratados não foram escritos por raiva, vingança?
Henry David Thoreau, o fundador do anarquismo, teria escrito A desobediência civil depois de ser preso por sonegação de impostos. Machado de Assis, o gênio brasileiro, escreveu seu melhor conto, O Alienista, e seu melhor romance, Memórias Póstumas de Brás Cubas, num período de grave debilidade física. Vinicius de Moraes, o poeta do "eterno enquanto dure", casou e descasou diversas vezes para viver (ou para compor?) algumas das mais belas canções da nossa música. E se assim o é com os gênios, que dirá conosco, os mortais.
Caio Fernando Abreu já dizia que escrever é vomitar, vomitar aquilo que há de mais oculto em nosso interior, vomitar fantasmas, medos, iras. Clarice Lispector, em sua derradeira e emocionante entrevista, conta que quando não está escrevendo, está morta, vazia. Porque o ato da criação é, em geral, muito particular, muito inspiração, sentimento, ainda que cada vez mais se exija técnica mesmo dos não-gênios, como nós. Um bom texto, uma boa música, não é apenas uma construção tecnicamente perfeita, é também aquela pitada da nossa existência que compartilhamos, que deixamos naquela história, naquele poema, naquela canção. É a dor que o poeta sente, ou não sente, como diria Pessoa, que dá alma à criação, que a diferencia de uma tese de doutorado, de um processo criminal, de uma notícia de jornal. Criar é se expor, é transbordar-se, e nada melhor que um momento de crise para criar.”
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Descriminalização do uso da maconha como forma de combater o crime
“Pouco antes de morrer, Evandro Lins e Silva, um dos mais brilhantes juristas que o Brasil já teve e autor do pedido de impeachment de Fernando Collor de Mello, defendeu em entrevista uma mudança essencial na política de combate às drogas e à violência: descriminalizar o uso da maconha.
Já tive oportunidade aqui, em artigo anterior, de formular meu ponto de vista quanto aos aspectos jurídico-constitucionais da questão, me parecendo como inconstitucional a criminalização do uso de drogas. Neste momento, pretendo me cingir à mera opinião política, de lege ferenda, de mérito quanto a questão.
A idéia, que então já era defendida pelo deputado Fernando Gabeira, ganhou na semana passada apoio de três ex-presidentes na América Latina: Fernando Henrique Cardoso (Brasil), César Gaviria (Colômbia) e Ernesto Zedillo (México). Com a experiência do exercício presidencial e aliados ao escritor peruano Mario Vargas Llosa e a Paulo Coelho, os três participaram da 3ª Reunião da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, que resultou na propositura à ONU (Organização das Nações Unidas) do documento “Rumo a Uma Mudança de Paradigma”. O texto propõe que se altere a forma de combater o tráfico de drogas, a partir do incremento de políticas de saúde, de campanhas de conscientização e da descriminalização do uso da maconha.
“Essa história de guerra contra as drogas não resolve”, chegou a declarar Fernando Henrique Cardoso. E não poderia ter dito melhor. O mundo já está suficientemente experimentado na questão para concluir que os mecanismos de repressão adotados por diversos países, inclusive o Brasil, já se revelaram improdutivos. Nas duas últimas décadas, assistimos ao avanço das organizações criminosas, mesmo diante de orçamentos na área de segurança cada vez mais elevados. É um sinal claro de que a política repressiva não surte efeito.”
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18 Fevereiro, 2009
Globo prepara pesquisa para entender fiasco de suas novelas
"Jornalistas, publicitários, pedagogos e psicólogos são alguns dos profissionais que estão sendo procurados com afinco por pessoas ligadas à Globo nos últimos dias, informa o colunista Ricardo Feltrin, do UOL. O objetivo da busca: convidar esses profissionais para integrar as famosas comissões de telespectadores que, de tempos em tempos, opinam sobre as produções da casa — especialmente as novelas.O resultado dessas pesquisas pode definir não só o rumo de qualquer novela, mas também decretar a morte ou ascensão de um personagem. O interesse da Globo é tentar entender o que está ocorrendo com a teledramaturgia.
Duas das três novelas da casa em horário nobre vivem um fracasso de audiência sem precedentes na história da emissora: A novela das 18 horas, Negócio da China, tem registrado ibope médio de 17 pontos — o menor da história da dramaturgia da Globo. Já a produção das 19 horas, Três Irmãs, também é um fiasco, embora de proporções menores: média de 23 pontos.
Por fim, Caminho das Índias, às 21 horas, uma superprodução de Gloria Perez, é a novela mais importante da casa, mas ainda não decolou no ibope. Durante a exibição dos primeiros 25 capítulos, a trama vem registrando médias de 34,5 pontos e 53,7% de share (porcentagem de aparelhos sintonizados na Globo) — índices bem menores que o desejado para o horário.
A audiência da novela conseguiu um desempenho pior que a de A Favorita, segundo dados do Ibope. Com um mês de exibição, A Favorita obteve 35,2 pontos de média e 52,6% de share. Cada ponto no Ibope equivale a 60 mil residências da Grande São Paulo.
De acordo com a coluna “Outro Canal”, da Folha de S.Paulo, o desempenho de A Favorita possuía a pior média de audiência de um primeiro mês de uma novela das oito. No entanto, a estreia de Caminho das Índias registrou 39 pontos de média, superando a de A Favorita, que marcou 37 pontos.”
Vermelho.org / UOL
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Kierkegaard, o espião de Deus
“O tormento, a melancolia... os delírios acompanhados por uma verve irônica fizeram de Kierkegaard um dos personagens mais interessantes do universo filosófico e, ao mesmo tempo, um dos herdeiros do testamento socrático. Sua obra constitui-se em busca dolorosa, sofrida, em torno de si mesmo, na procura de afirmar-se como indivíduo. Tal escolha contrapunha-o diretamente à massificação - a pior das tiranias.
Ao morrer, aos 42 anos (1813-1855), o jornal satírico O Corsário perdeu seu alvo predileto; os trocistas de Copenhague, o motivo de suas pilhérias e os padres, o acusador da ignorância que proliferava no interior da Igreja. A nascente sociedade industrial tornara-se satisfeita, burguesa.
Os valores verdadeiramente humanos perderam o significado e o indivíduo viu-se esmagado pelo desejo da massa: o Império da multidão. Kierkegaard, por trazer 'espinho na carne' tornou-se, de tal império, o crítico feroz e irônico. Preocupa-se em mostrar a nudez - a multidão gera a ausência de arrependimento e atenua a responsabilidade dos indivíduos.
Em decorrência de sua atitude crítica à nascente sociedade burguesa, Kierkegaard aproxima-se de Marx e Nietzsche, apesar das radicais diferenças existentes entre eles: Marx, o arauto do proletariado como sujeito da história; Nietzsche, o rebelde envolto na própria solidão; Kierkegaard, o defensor da individualidade sob o ponto de vista cristão. Mas, para os três precursores da modernidade, um ponto existe em comum: o homem em busca da explicação da própria existência.”
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17 Fevereiro, 2009
Novelas brasileiras influenciam nos divórcios
“Dois estudos recentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostram que as novelas exibidas na TV nos últimos 40 anos vêm moldando as famílias em pelo menos dois aspectos: menos filhos e mais divórcios. As pesquisas foram realizadas pelo economista Alberto Chong, economista e pesquisador do BID, que analisou as 115 novelas transmitidas pela TV Globo entre 1965 e 1999 nos horários das 19 horas e das 20 horas.
Em entrevista à revista Época, Chong diz que hoje a família tem um número reduzido de filhos porque nas novelas a realidade é essa. "A família pequena é uma imposição da produção, que tem limitações de elenco. Para que a história aconteça, são necessários pelo menos cinco ou seis núcleos. Então nenhum pode ser grande demais", diz.”
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Ex-globais, Daniel Filho e Boni atacam a TV aberta no Brasil
“A televisão brasileira e seus veículos passam por uma crise sem precedentes. A opinião é dois dos mais célebres ex-globais — o executivo José Bonifácio de Oliveira, o Boni, criador do "padrão Globo de qualidade”, e o produtor e cineasta Daniel Filho, que foi diretor da Globo por mais de 30 anos.Em nota publicada por Daniel castro na coluna “Outro Canal”, do jornal Folha de S.Paulo, Boni é implacável: “A TV aberta brasileira está perdendo audiência porque piorou nos últimos dez anos e segue um modelo de grade de programação esgotado”. Além disso, o empresário afirma que é difícil resolver o problema.
Para Boni — que deixou o comando da Rede Globo há cerca de 11 anos —, os veículos se acomodaram com a perda de espaço para o videogame e a internet. Ele ainda acredita que as redes levam as pesquisas com a audiência pouco a sério e "ninguém corre atrás de inovação e qualidade". O problema é geral, segundo ele, e as críticas são dirigidas a todas as emissoras.”
Vermelho.org / Folha de São Paulo
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Novos valores para nova civilização
"No Fórum Social Mundial de Belém se concluiu que as alternativas ao neoliberalismo e à construção do ecossocialismo não se engendram na cabeça de intelectuais ou de programas partidários, e sim na prática social, através de lutas populares, movimentos sindicais, camponeses, indígenas, étnicos, ambientais, e comunidades de base.
Para gestar tais alternativas exigem-se pelo menos quatro atitudes. A primeira, visão crítica do neoliberalismo. Este aprofunda as contradições do capitalismo, na medida em que a expansão globalizada do mercado acirra a competição comercial entre as grandes potências; desloca a produção para áreas onde se possa pagar salários irrisórios; estimula o êxodo das nações pobres rumo às ricas; introduz tecnologia de ponta que reduz os postos de trabalho; torna as nações dependentes do capital especulativo; e intensifica o processo de destruição do equilíbrio ambiental do planeta.
A segunda atitude - organizar a esperança. Encontrar alternativas é um trabalho coletivo. Elas não surgem da cabeça de intelectuais iluminados ou de gurus ideológicos. Daí a importância de se dar consistência organizativa a todos os setores da sociedade que esperam outra coisa diferente do que se vê na realidade atual: desde agricultores que sonham lavrar sua própria terra a jovens interessados na preservação do meio ambiente.
Terceira atitude - resgatar a utopia. O neoliberalismo não visa a destruir apenas as instâncias comunitárias criadas pela modernidade, como família, sindicato, movimentos sociais e Estado democrático. Seu projeto de atomização da sociedade reduz a pessoa à condição de indivíduo desconectado da conjuntura sócio-política-econômica na qual se insere, e o considera mero consumidor. Estende-se, portanto, também à esfera cultural. Como diria Emmanuel Mounier, o individualismo é oposto ao personalismo. Pascal foi enfático: "O Eu é odioso".
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16 Fevereiro, 2009
Mais de mil livros, mais ainda a escrever
Roberto de Sousa Causo, Terra MagazineRubens Francisco Lucchetti: O Homem de 1000 Livros, R. F. Lucchetti & Jerusa Pires Ferreira. São Paulo: Com-Arte, 2008, 158 páginas. Ilustrado.
“A ficção científica e fantasia brasileira (e outros gêneros populares) têm poucos herois, ícones ou referências obrigatórias. Acabamos buscando nossos herois e referências no exterior. Como resultado, consciente ou inconscientemente aceitamos que os argumentos quanto ao valor e à importância, às tendências e aos objetivos desses gêneros também tenham que vir de fora - problema de que o mainstream literário brasileiro certamente não padece (ou não na mesma proporção).
Rubens Francisco Lucchetti é um heroi da literatura popular no Brasil, sendo o decano dos nossos autores de ficção pulp, pioneiro dos quadrinhos e do cinema de horror. Ele já havia recebido uma homenagem do fandom, por meio do livro amador compilado por Edgar Guimarães, Rubens Lucchetti Nico Rosso (1994). Esse livro trouxe quadrinhos produzidos pela dupla, mas também textos de Marco Aurélio Lucchetti (filho de Rubens), Fábio Santoro, Reinaldo de Oliveira, Vasco Granja, Paulo Lerosi, Edson Rontari, Rudolf Piper, Jaime Rodrigues, André Setaro, Ivan Cardoso, Gonçalo Junior, Fernando Mojica, A. Carvalhaes, Luciano Ramos, e da própria Jerusa Pires Ferreira, pesquisadora da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, que conduziu a entrevista com R. F. Lucchetti compilada
Trata-se de um livro produzido pela COM-ARTE ( http://www.eca.usp.br/comarte), editora-laboratório do Curso de Editoração da ECA/USP, editado por Andréia Moroni & Magali Oliveira Fernandez, com um grupo grande alunos que participou da transcrição das fitas. O livro abre justamente com um depoimento coletivo de treze alunos envolvidos no projeto, com suas reações a ele - seguido então de introdução Magali Oliveira Fernandes (que aparece com "z" na página de rosto), discutindo um pouco mais o trabalho com os alunos, na empreitada conduzida no segundo semestre de 2002. Deixam claro que o trabalho foi interessante e que consideram o livro uma homenagem - agora a partir do ambiente acadêmico - a R. F. Lucchetti.”
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Crise fecha 'Domino'
Penelope Green, THE NEW YORK TIMES / O Estado de S.Paulo
- Quando a revista Domino encerrou suas atividades no fim de janeiro, gritos de protesto foram ouvidos pela blogosfera. Fãs da revista de decoração da editora Condé Nast manifestaram decepção nos sites de design, como o Design Sponge - que chegou a receber 498 mensagens em poucas horas.
Os leitores choraram a morte de uma revista com a qual compartilhavam um "sentimento", manifestando a preocupação de que a renovação da assinatura, já paga, seria transferida para a Architectural Digest, a revista que resta da Conté Nast (e cuja idade média dos leitores é de 50 anos). "Nãããão", lamentou Sewbettie no Design Sponge. "Domino trazia projetos aos quais eu podia aspirar - em vez de dizer, ?bem, um dia, quando ganhar na loteria...?." Sewbettie é pseudônimo de Cara Angelotta, de 25 anos. Domino tinha uma presença interessante na web. Mas, embora a circulação fosse crescente, os números da publicidade decretaram seu fim: em 2008 ela teve menos da metade do volume de propaganda veiculada no Architectural Digest (queda de 26% em relação a 2007).
Deborah Needleman era editora da House & Garden em 2004, quando apresentou a ideia de uma revista de decoração para James Truman, diretor da Condé Nast. "Eu só queria conversar com o leitor, saber como ele desejaria viver e dar os instrumentos para isso." Foi um sucesso. As assinaturas chegaram a 850 mil em janeiro passado, segundo Jack Hanrahan, consultor de mídia. Acontece que revistas se mantêm com receitas dos anúncios e não com vendas do produto - os anunciantes andam nervosos... E foi assim, num comunicado recente, que Charles Townsed, presidente da Condé Nast, anunciou que "a decisão de encerrar a publicação da revista e seu website deveu-se à crise econômica".
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15 Fevereiro, 2009
USP: 75 anos de histórias várias
Elisa Andrade Buzzo, Digestivo Cultural “Quando tentei entrar no departamento, fui barrada, vai onde? Boa pergunta, quase respondi. Vinha matar as saudades, não sei ao certo, rever as salas de aula, os murais, as carteiras e aquele clima intacto de década de 1970. Minhas asas foram cortadas em pleno voo e o segurança nem ligava, ordens eram ordens e não havia espaço para piedade com uma ex-aluna. Dá até pra entender essas medidas de segurança, há loucos soltos pela Universidade de São Paulo, você às vezes topa com eles na Praça do Relógio, no Bandejão Central, e não há como fugir. Melhor impedi-los de entrar.
Ainda assim, a USP é generosa, pois mesmo quando te fecha uma porta, ela te abre outras janelas, te apresenta pessoas que vão mudar radicalmente sua vida. Lembra da escadaria da FFLCH? Dos bancos da Matemática? Do Mickey na Física ou do Cinusp? Sempre há recantos de amor e estudos marcados em cada um que passa por uma cidade universitária. Velhas histórias às vezes tão atuais. Ou banais. O dó é não poder mais comer no bandejão. Mas tem, logo ao lado, o Super Hot Dog, o melhor cachorro-quente de São Paulo. Portas e janelas disponíveis.
São anos de convivência, e descubro que ainda há muito para se conhecer na Cidade Universitária Armando de Oliveira Salles neste seu aniversário de 75 anos. Fiquei empolgada quando soube que haveria uma exposição de fotografias da época de sua construção. Corri para o Memorial da América Latina, já que a mostra tinha duração de uma semana (de 26 de janeiro a 1º de fevereiro). USP em obras: a construção da Cidade Universitária, organizada por Maria Arminda do Nascimento Arruda, Lilia Moritz Schwarcz e Plínio Martins Filho, contava com 60 fotos, dentre elas 43 inéditas tiradas por um desconhecido funcionário que acompanhou as obras na década de
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Os trotes que nos rodeiam
“O conceito de uma vida obsessivamente voltada para a produtividade, alta competitividade e alta performance - expresso na frieza dos números ou suavizado pela retórica da responsabilidade social e sustentabilidade - produz diariamente más notícias, que alimentam a crise financeira mundial, milhões de desempregados, quebra de empresas. Também resulta, de uma maneira ou de outra, naqueles fatos do cotidiano, que envolvem os amigos e suas famílias, os amigos dos amigos, alguém da vizinhança. Enfim, aquelas notícias, com gosto de terror, que dão a sensação de que cada um pode ser a próxima vítima do desemprego, do assalto, da perda de alguém ou algo querido por conta da brutalidade, descaso, ou qualquer pretexto que nomeie a estupidez.
Quer um exemplo, pinçado do noticiário que tece nossa trama de insegurança social?
Na última segunda-feira, o calouro Bruno César Ferreira, de medicina veterinária de uma universidade paulista, em Leme, quase não sobreviveu ao violento rito de trote, ministrado por quase uma classe de alunos veteranos. O ritualismo que lhe aplicaram teve diferentes momentos: ingestão excessiva de bebidas alcoólicas (que resultaram em coma alcoólico), "mergulho" em uma piscina de lona cheia de pedaços de animais em decomposição e fezes, e uma sessão de chibatadas. O caso faz lembrar as sessões de tortura e abuso sexual promovidas por militares norte-americanos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, em atmosfera adolescente - e insana - de quem está a produzir fotos para um site de relacionamento, sem responsabilidade, por nada, pela fama.”
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O pecado sempre morou ao lado de Marilyn Monroe e John Kennedy
Ubiratan Brasil, O Estado de São Paulo“Para François Forestier, a atriz era uma suicida em potencial e a morte do presidente é segredo da CIA
Ele era adorado por sua simpatia, destemor e saudável bronzeado, mas não passava de um homem egoísta, constantemente doente e maníaco sexual. Ela era amada pela estonteante beleza, carisma e sex-appeal, mas era uma mulher depressiva, viciada em remédios e de higiene quase inexistente. John Fitzgerald Kennedy (1917-1963) e Marilyn Monroe (1926-1962) ainda habitam o imaginário de milhões de pessoas como exemplos na política e no cinema. Mas não para o romancista e crítico de cinema francês François Forestier, que destrinchou a vida de ambos no livro Marilyn e JFK (tradução de Jorge Bastos, 216 páginas, R$ 33,90), que a editora Objetiva lança na terça-feira.
Durante seis anos, o maior símbolo sexual dos Estados Unidos e o senador que se tornou presidente tentaram manter em segredo um relacionamento amoroso. O caso não se tornou público por conta de precauções da imprensa, mas um farto material foi coletado pela espionagem da máfia, FBI e da inimiga KGB. Afinal, a América vivia a insanidade da Guerra Fria, o que justificava o voyeurismo do Estado, as chantagens, manipulações, eleições compradas e dinheiro ilícito.
Forestier conta, logo na abertura do livro, que se valeu de um defeito crucial para ir fundo na pesquisa: uma má índole. De fato, o fel transborda em quase todas as páginas, na construção do retrato de um casal doentio. Nascida Norma Jeane, Marilyn era uma manipuladora da piedade. Conhecida por comédias memoráveis como Quanto Mais Quente Melhor, ela era, na verdade, segundo Forestier, uma atriz egoísta, que não se importava com os colegas. Utilizava o sexo como forma de conquista, habitualmente acordando em lençóis estranhos. Também era viciada em remédios, que criavam um sono artificial e um universo fictício, que a levaram à morte.”
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13 Fevereiro, 2009
A arte de se apaixonar por São Paulo
Marcelo Carneiro da Cunha, Terra Magazine“Amores tardios podem ser não tão passionais, mas isso não faz deles algo menos intenso. Goethe, por exemplo. Já velhinho, dizem, foi para uma estação de águas onde conheceu uma jovenzinha, pela qual seu coração passou a palpitar. Sendo o Goethe afinal o grande Goethe, não fez aquelas besteiras típicas de velho apaixonado, dar jóias, um Fiat Stilo vermelho, apartamento nos Jardins, nada disso. Fez um poema definitivo sobre a dor de cotovelo: "Eu te amo, tu não me amas. Eu SEI, e SINTO, amargamente".
O meu amor tardio por São Paulo chegou só agora, mas nem por isso bate menos forte no peito. Minha amada é enorme e não para de engordar. Quando ando de trem pela margem do rio Pinheiros penso que ela poderia se caprichar mais no desodorante. Fuma, a desgraçada, e nada que não seja óleo diesel com mais de 50 ppm.
Tem uma arquitetura que passou dos belos prédios do século 19 para o ainda belo modernismo do centro e Higienópolis e desandou para essas coisas neoclássicas pra lá de bregas, mediterrâneas que nunca viram o mar, pós-modernas com vidros azul de gosto escandaloso; usa muito alumínio, mas recentemente fez um lift legal quando resolveu se expor ao mundo livre dos out-doors que a cobriam em parte, nos revelando os segredos de uma beldade que passou um tempão por trás de uma burca.
Pra um neo-apaixonado, os seus eventuais defeitos e até mesmo a Cracolândia a fazem ainda mais bela. Bom, talvez a Cracolândia, não. Apaixonado, sim. Neo-bobo, nem tanto.”
Foto: Luiz Henrique Assunção
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Caminho (desrespeitoso) das Índias
Washington Araújo, Observatório da Imprensa “Convenço-me cada vez mais que Caminho das Índias é o folhetim mais fantasioso – e também desrespeitoso para com outra cultura – jamais produzido pela televisão brasileira. Se existe algum traço de realidade naquela trama, esse traço ficou submerso no sagrado rio Gânges. Visitei Nova Déli em dezembro de 1987, quando pude participar da dedicação a Deus e à humanidade do Templo Bahá´í, o belo templo de nove lados na forma de flor de lótus, ladeado por igualmente 9 espelhos d´água. E tenho bem viva na memória a noite do dia 27 de dezembro daquele ano quando ninguém menos que Ravi Shankar, o grande músico e poeta indiano, apresentou a sinfonia especialmente criada por ele para aquela ocasião. São as imagens daquela Índia que vi e vivi que não se casam, nem à força, com a Índia que estou me esforçando para ver e quem sabe vivenciar em nossa telinha mágica que é a TV.
Voltando ao folhetim das 8 da noite na TV Globo. Em pouco mais de uma semana que estive em Déli e em Agra, onde fica o Taj Mahal, não encontrei qualquer sinal de opulência, riqueza material, balés artísticos e trajes esvoaçantemente coloridos nas ruas daquelas cidades. Ao contrário, testemunhei muita miséria, pobreza ao cubo, caos no trânsito, multidões se sobrepondo umas às outras. O barulho de buzinas, nas mais variadas tonalidades e em volume sempre muito além do usualmente aceitável, bem caracterizaram qualquer passeio nas ruas de Déli.
Claro que existem famílias abastadas, afinal é uma das mais pujantes economias do planeta nessa primeira década do século 21, além de estar na vanguarda da revolução tecnológica, notadamente no campo da informática. Mas assim posto, fica muito difícil ser condescendente com a trama de Glória Perez, diga-se, uma das mais brilhantes autoras de telenovela do Brasil.”
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36º Festival de Angoulême: Paraíso dos Quadrinhos
“Se existir um paraíso para quem gosta, lê ou trabalha com quadrinhos ele deve ser muito parecido com o Festival International de la Bande Dessinée de Angoulême, que acontece toda última semana de janeiro na pequena cidade do sudoeste da França.
A cidade, que tem suas origens no século XIII, é tomada durante quatro dias por uma infinidade de eventos, exposições e atividades ligadas aos quadrinhos e é invadida por autores, editores e fãs de toda a Europa.
A cada ano Angoulême sintetiza e evidencia o que de melhor as histórias em quadrinhos mundiais podem oferecer. Ali, o aspecto cultural é colocado em destaque e, apesar do grande apelo comercial dos lançamentos, é o aspecto artístico e pessoal do trabalho do quadrinhista que recebem a maior atenção.
Este ano, o grande acontecimento foi a presença maciça de autores independentes de língua inglesa: Chris Ware (Jimmy Corrigan), Daniel Clowes (Ghost World), Adrien Tomine (Shortcomings), Posy Simmonds (que foi premiada este ano por Tamara Drewe), Melinda Gebbie (Lost Girls), James Kochalka, Conrad Botes e outros.”
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12 Fevereiro, 2009
Estudo revela: 99% dos brasileiros têm preconceito contra homossexuais
O estudo revela que a homossexualidade é um pecado contra as leis de Deus para quase 60% dos entrevistadosDesirèe Luíse, Radioagência NP
"Chega a 99% a fração de brasileiros que manifestaram ter algum grau de preconceito contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, o público LGBT. É o que revela um estudo conduzido pela Fundação Perseu Abramo e pela fundação alemã Rosa Luxemburgo Stiftung, que entrevistaram mais de dois mil adultos nas cinco Regiões do país.
Um dos coordenadores da pesquisa, Gustavo Venturi, esclarece que se feita a pergunta direta “você tem preconceito contra o público LGBT?”, nem todos diriam. Assim, após uma série de questões, a pesquisa conseguiu captar de forma indireta a manifestação do preconceito.
O estudo revela que a homossexualidade é um pecado contra as leis de Deus para quase 60% dos entrevistados. Aproximadamente 50% dos brasileiros disseram ser contra a união entre pessoas do mesmo sexo. E cerca de 30% apontam a homossexualidade como uma doença.”
Brasil de Fato
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Táxi é táxi em qualquer lugar
“O táxi é um universo em miniatura de qualquer comunidade. Basta entrar em um carro, trocar as primeiras palavras com o motorista que você já vai entender um pouco da cidade que está visitando.
Não tem erro. O modo de conversar - ou o silêncio -, a limpeza do veículo, a maneira como se enfrenta o trânsito, a simpatia, o preço, a cobrança. Tudo faz do táxi uma sociedade compacta.
O fotógrafo italiano Oliviero Toscani, que revolucionou a publicidade com os anúncios da Benetton, diz que basta observar os outdoors de uma cidade para se conhecer seu povo.
Talvez Toscani não tenha andado de táxi. É ali que se aprende a entender a comunidade. As curvas acentuadas, o mau humor, as risadas, o taxímetro desligado de propósito, o caminho mais longo, coisas como essas.
Táxi em Santiago do Chile é um primor: na maior cara-dura os motoristas desligam o taxímetro, alegam qualquer problema, e querem impor tarifas dobradas. O desavisado embarca nessa canoa furada. Quem sabe os empresários chilenos também aprontam dessa maneira.
Em Buenos Aires a elegância de um tango ajuda no golpe. Não tente pegar um táxi no aeroporto de Ezeiza, o roubo parece certo. Há quem já tenha sido assaltado em um suposto estrago do carro, que para no acostamento enquanto um segundo carro chega, simula um roubo e leva malas, dinheiro e documentos. O motorista jura que ele também foi assaltado.”
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Chico Buarque, caro amigo
Quando ouvi pela primeira “Meu caro amigo”, eu estava angustiado e fodido em São Paulo, sufocado em um quarto do tamanho de uma cama, um passa-discos e um banquinho.
“Meu caro amigo, me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra ‘tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta.....”
Ouvir Chico naqueles anos não era bom. Era necessário, vital, urgente. Nós buscávamos a música de Chico como um viciado que procura a sua salvação, agora, para ontem. Isto, se aliviava, deixava em seu próprio alívio a ferida mais aberta. Até onde a memória alcança, lembro que nos momentos em que ouvíamos Chico a alegria não tinha morada. E dividam comigo a dúvida, não sei se isso vinha da própria natureza da sua composição ou das circunstâncias, do tempo miserável da ditadura militar em que vivíamos. Pois ele era a expressão musical da nossa asfixia.
Não pensem que reagimos como cães amestrados de Pavlov. Isto é, como ouvíamos muito Chico durante a ditadura militar, teríamos para sempre associado o azinhavre da baioneta à sua música. Ouçam, por exemplo, o Chico sem panfleto, sem mensagem antiditadura:
“O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele inteira fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh’alma se sentir beijada, ai
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai...”.
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11 Fevereiro, 2009
Brasileira grávida é atacada por neonazistas na Suíça
Segundo o pai da brasileira, Paulo Oliveira, o ataque aconteceu entre 19h10 e 19h30 (horário de Brasília), quando sua filha voltava do trabalho para casa. Devido ao inverno rigoroso, poucas pessoas estavam na rua.“Ela levou mais de cem estiletadas, no braço, na perna, no peito, no ventre, onde você possa imaginar”, afirmou Oliveira, dizendo que a filha ficou em estado de choque. “Em determinado momento, ela se refugiou no banheiro do metrô e ligou para o companheiro, que chamou a ambulância e a polícia”.
Oliveira, que viajou a Zurique, disse que a filha está melhor fisicamente, mas “emocionalmente péssima”. “Ela está tratando as sequelas do aborto e voltou ao hospital para tomar coquetel antiviral, já que não se sabe se o instrumento que a cortou estava contaminado de alguma forma”, contou.
O pai da brasileira afirmou, ainda, que ela teria sido constrangida pela polícia durante o socorro. “Eles disseram que ela seria processada caso estivesse mentindo (sobre o ataque)”, disse Oliveira.“Dizer isso para alguém em estado de choque não é uma atitude humanitária em nenhum lugar civilizado. Deveriam dar o atendimento, fazer os exames necessários e, caso restasse dúvidas, questionar”, afirmou, acrescentando que “ninguém faz tantas e tão sofisticadas marcas no próprio corpo”.
Último Segundo / Fotos: Blog do Noblat, O Globo
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Brasil - Meninos do tráfico
“Infelizmente já morreu muito inocente
Nessa guerra deprimente
Onde reina a lei do cão
Dizem que a bala é perdida
Mas quem tá perdido é a gente
Salve-se quem puder
Porque no Rio o chumbo é quente
O funk "Rio de Janeiro Chumbo Quente" retrata a dificuldade de se viver nas favelas cariocas. O dono da voz é o cantor MC Leonardo, que faz rimas há 17 anos. Junto com o irmão, MC Junior, ele gravou em 1995 o primeiro cd de funk do Brasil. Denominado "De Baile em Baile", o cd foi lançado pela Sony Music.
MC Leonardo nasceu e viveu praticamente a vida inteira no Bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro, mais especificamente na favela da Rocinha, a maior e mais conhecida do Brasil, com mais de 55 mil habitantes. Há dois anos, passou a morar no bairro de Jacarepaguá, mas, segundo ele, a sua vida inteira ainda está na Rocinha. É da favela que ele tira toda a sua inspiração para rimar.
Em entrevista, MC Leonardo fala sobre um dos maiores problemas na favela que o influencia na hora de compor o funk: os jovens que entram para o tráfico de drogas.
Os jovens na favela tornam-se presas fáceis para qualquer tipo de crime, mas especialmente para o tráfico de drogas. Por quê?
Pela facilidade que ele tem de não precisar sair de onde mora. O que acontece? O combate à criminalidade no Rio de Janeiro gera marginal. Por quê? Porque eles não se sentem protegidos, não se sentem representados por nenhuma força militar. As forças militares para executar o trabalho que a Secretaria de Segurança impõe entram na favela e enxergam todo morador como se fosse inimigo.
Pois bem, a criança cresce vendo o pai "tomar geral", como é chamado ser revistado de maneira arbitraria, vê a polícia matando ao invés de prender... Crescem, não sabem falar, não tiveram educação à altura para procurar emprego, para poder obedecer a uma professora. Ela [a criança] vai partir para o tráfico, porque fora da favela ela vai ser marginalizada só pela maneira de falar, pela maneira de comer, de andar...”
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10 Fevereiro, 2009
Da vontade cega
Fernando Rego (In memoriam), Terra Magazine"O filósofo que é triste atribui à tristeza estatuto metafísico. Com ela nutre suas necessidades e, assim, transforma-se no mais triste dos homens, prisioneiro de uma privação ontológica que não consegue saciar. Solidão e infelicidade o transformam em construtor de um saber específico: o saber da morte. Específico porque dele não se tem experiência e quem a possui não pode mais falar.
Schopenhauer (1788-1860) foi um filósofo triste, à maneira de T. Lucrécio Caro, que viveu entre 96 e 55 a.C. Deste, conta-se que enlouqueceu por haver ingerido um filtro amoroso e suicidou-se aos 41 anos de idade, tendo marcado, porém, sua presença no mundo com o poema Da Natureza, que finaliza com o belo e triste relato da peste em Atenas.
Os emblemas carnais, a vontade e a dor estão presentes na filosofia de Schopenhauer como elementos fundamentais da vida humana. O homem é o único ser a deter razão, o que, entretanto, não o protege de sentir-se continuamente enganado pela vida. É a razão que irá transformar e dotar de segredos e motivos manifestos o animal homem. Este animal metafísico é dotado de um corpo que o anuncia como fenômeno limitado por uma finita quantidade de energia. Uma limitação ontológica marca, então, as perguntas que o ser humano faz sobre si mesmo e as causas das secretas feridas que marcam sua essência.
O homem é, para Schopenhauer, o ser de segredos, fundamentado em considerações éticas, portanto, um animal singular, dotado de erros secretos e do segredo de seus erros, que algumas vezes estampa candidamente no rosto. Ardorosamente anseia o homem transformar a razão em cidadela inviolável; mas vã é sua luta, já que a vontade a transforma em um meio, em simples mecanismo no qual se expressa.”
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Nova era: TV está perdendo a soberania no Brasil
"A fartura de audiência deixou há tempos de ser rotina na televisão brasileira. Havia épocas em que grande parte do país se reunia em frente à TV de forma fiel e garantia a felicidade das emissoras, que esbanjavam pontos no Ibope. Mas isso foi moda idos da década de 80, um tempo em que o consumo de mídia era basicamente restrito à TV, rádio e impressos.Certa vez, por exemplo, a líder TV Globo conseguiu o feito de marcar 90% de audiência do país, sendo que todos esses televisores estavam "presos" no último capítulo de uma mesma novela: Roque Santeiro. Porém, a evolução foi implacável e a chegada da internet com seus aparatos tecnológicos, aliada a opções como a TV paga, tratou de minimizar a soberania deste meio tradicional e começar a repartir o bolo da audiência. É chegada, portanto, uma nova era de consumo de mídia.
Uma das provas mais recentes deste novo cenário foi confirmada por dados do Ibope. O índice de TVs desligadas bateu recorde na Grande São Paulo no fim do mês de janeiro. No horário considerado nobre (das 18 às 24 horas), apenas 48% dos aparelhos permaneceram ligados, de acordo com dados referentes ao último sábado (31/01). Na semana anterior a esta data, o índice era de 54%.
“Graças a Deus”
Em meio às mudanças, nem mesmo novela das oito se safou. O mesmo produto que fisgava o país em frente à telinha despencou com o passar dos anos e atingiu o patamar dos 20 pontos no Ibope. Caminho das Índias, a atual trama da emissora global, chegou a marcar 27 pontos recentemente e não representa uma exceção à regra. Apenas segue o curso constante de queda das novelas, num processo que alerta para o desgaste de um modelo que sofre concorrência.
“Graças a Deus os tempos são outros e acabou a época em que 80 milhões de pessoas assistiam à mesma coisa. Isso é esquizofrenia aguda”, diz Nelson Hoineff, jornalista e diretor do Instituto de Estudos de Televisão, em menção ao antigo sucesso das novelas da Globo. Para ele, é uma “aberração” imaginar que grande parte de um país tão plural consuma exatamente a mesma dose de conteúdo cultural. Baseado neste contexto, ele decreta: “A TV está perdendo cada vez mais a soberania no Brasil. E isso é ótimo para o país”.
Vermelho.org / Adnews
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09 Fevereiro, 2009
Carmen Miranda é revisitada no dia em que completaria 100 anos
Leandro Souto Maior, JB Online“No dia em que completaria 100 anos, Carmen Miranda (nascida em 9 de fevereiro de 1909 em Várzea da Ovelha, Marco de Canaveses, no norte de Portugal, mas radicada no Rio) vai ganhar uma homenagem à altura em... Portugal. A Cinemateca de Lisboa abre na próxima terça-feira uma mostra de nove filmes da atriz e cantora em Hollywood, produzidos nos anos 40 e 50. O ciclo Carnaval com Carmen Miranda abre com um curto documentário de Maria Guadalupe e Jorge Ilelli, de 1969, sobre a cantora e prossegue com Sinfonia de estrelas (1943), de Busby Berkeley, filme no auge do technicolor e um dos mais conhecidos de sua trajetória. O (nosso) Canal Futura exibe hoje, às 22h30, o documentário Banana is my business, sobre a “pequena notável”, que também terá sessão na Vivo Summer House, às 18h e 20h.
– Acredito que a visão em relação à figura de Carmen está mudando, as pessoas estão vendo com mais clareza o impacto que ela causou tanto na nossa cultura como na dos Estados Unidos – observa Helena Solberg, diretora de Banana is my business. – O legado dela está sendo mais valorizado, na época havia uma elite que não queria ver a imagem do país associada a Carmen e às músicas que cantava. Mas ela continua sendo um ícone tão forte que jamais envelheceu e segue despertando o interesse de diferentes gerações.”
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São Paulo: heterogenética cidade literária
(Antonio Candido)
Mauro Rosso, LMD Brasil
São Paulo, desde seus primórdios, sempre foi pólo fundamental da literatura brasileira. E a aura do pioneirismo sempre a acompanhou desde seus primórdios. Não surpreende, pois, que
A cidade pioneira e precursora
A par da própria fundação da São Paulo de Piratininga, a existência literária da cidade teve na instalação da Companhia de Jesus e no movimento de catequese seu impulso original, por meio de obras de caráter semiliterário, destinadas precipuamente a desígnios pedagógicos e ecumênicos. Embora modestos, quanto a méritos artísticos, estéticos e literários, os textos compostos pelos jesuítas – com as obras de Manuel da Nóbrega e José de Anchieta – inauguram, no terreno propriamente literário, e não apenas documental, de informação, a história das letras no País, desde a mais antiga página literária brasileira, o Diálogo sobre a conversão do gentio, em 1557 ou 58. Os escritos de Nóbrega, por exemplo, formam um marco literário genuinamente produzido no Brasil: com a carta que noticia sua chegada ao território brasileiro, o padre inaugura, em
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Publicação de Salvador (Bahia) é precursora no conceito de ‘jornal de rua’ no NE
Na busca por fontes para sustentação econômica, ele conduziu um grupo de pessoas na organização de um jornal, o "Aurora da Rua", que inicialmente tinha a função de geração de renda, complementando as outras atividades desenvolvidas pela comunidade.
No entanto, os principais interessados, aqueles que eram acolhidos na Comunidade da Trindade, viram que a publicação poderia dar margem à projeção de outro aspecto importante: a visão hegemônica que a sociedade tinha deles não espelhava em nada a imagem que produziam de si. Segundo Henrique, além de fortalecer as pessoas para assumir uma vida independente, esse "olhar particular" das pessoas em situação de rua foi a motivação que faltava para iniciar a produção do jornal, cujo nome vem de uma poesia de sua autoria.”
Adital
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08 Fevereiro, 2009
A visão sagrada de Israel
José Luís Fiori, LMD Brasil
Se o Hamas quer acabar com Israel, Israel tem que acabar com o Hamas antes". Efraim, 23 anos, estudante de uma escola religiosa de Jerusalém, FSP 24/01/2009
Durante vinte um dias de bombardeio contínuo, Israel lançou 2.500 bombas sobre a Faixa de Gaza – um território de 380 km2 e 1.500 milhão de habitantes. Deixou 1.300 palestinos mortos e 5.500 feridos e 15 israelenses mortos.
A infra-estrutura do território foi destruída completamente, junto com milhares de casas e centenas de construções civis. E é provável que Israel tenha utilizado bombas de "fósforo branco" - proibidas pela legislação internacional - com conseqüências imprevisíveis , no longo prazo, sobre a população civil, em particular a população infantil. Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, declarou estar "horrorizado", depois de visitar o território bombardeado e considerou "escandalosos e inaceitáveis" os ataques israelitas contra escolas e refúgios mantidos em Gaza, pelas Nações Unidas. Richard Falk, relator especial da ONU sobre a situação dos Direitos Humanos em Gaza, também declarou que, "depois de 18 meses de bloqueio ilegal de alimentos, remédios e combustível, Israel cometeu crimes de guerra e contra a humanidade na sua última ofensiva contra os territórios palestinos. Crimes ainda mais graves, porque 70% da população de Gaza tem menos de 18 anos".
Dentro de Israel, entretanto - com raras exceções - a população apoiou a operação militar do governo. Mais do que isso, as pesquisas de opinião constataram que o apoio da população foi aumentando na medida em que avançavam os bombardeios - chegando a índices de 90%. E no final, na hora do cessar-fogo, metade era favorável à continuação da ofensiva, até a reocupação de Gaza e a destruição do Hamas. (FSP, 24/01/09).”
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