Mauro Santayana, JB Online
“Na entrevista que concedeu ao jornalista David Leonhart, do New York Times, o presidente Barack Obama tocou em tema delicado na civilização atual: para que mesmo servem as universidades? Obama defende uma educação de qualidade, do jardim de infância ao fim do curso médio, que prepare as pessoas para a vida comunitária e o trabalho. As universidades devem ser centros de reflexão e de alta pesquisa. Ele deu o exemplo de seus avós maternos, que não fizeram a universidade, tiveram êxito em sua vida profissional e foram felizes. A avó, lembrou o presidente, escrevia melhor do que muitos de seus colegas na Faculdade de Direito da Universidade de Chicago, e, com um bom curso secundário, chegou a diretora de banco.
A graduação universitária, por si só, não garante o êxito profissional. O presidente lembrou que o desemprego entre os de formação universitária, em seu país, é três vezes superior aos que só têm o equivalente ao nosso segundo grau. Entre nós, os que não conseguem ocupação equivalente à sua formação são bem mais numerosos. Encontramos todos os dias egressos de universidades, em geral privadas, dirigindo táxis, jornalistas diplomados vendendo planos de saúde, bacharéis sem o exame da OAB vivendo de pequenos expedientes. Segundo o presidente, o mundo necessita de pessoas que sejam capazes de produzir durante a sua vida adulta, e que, para isso, bastam de 14 a 20 anos de boa escolaridade.
O ponto de vista de Obama é divulgado três dias depois que o mesmo jornal publicou instigante artigo do professor Mark C. Taylor, professor da Universidade de Columbia. Ele lamenta que as universidades estejam formando especialistas em coisas diminutas, pessoas que sabem o máximo sobre o mínimo. Conta que o melhor aluno de um de seus colegas fizera dissertação de mestrado sobre o método usado pelo filósofo medieval Duns Scotus a fim de escolher suas citações. Podemos acrescentar ao raciocínio de Taylor que, se a dissertação fosse sobre o pensamento do grande franciscano, que combinava a visão realista do mundo com a intransigente defesa da virgindade de Maria, já seria reduzir muito o campo de estudo. Ele poderia situar Scotus na razão escolástica do fim do século 13 – e ofereceria boa contribuição para o exame da história da filosofia cristã.”
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30 Abril, 2009
CNBB reafirma que homossexual não pode ser padre
“Documento ressalta que o celibato é exigência da Igreja e reafirma que homossexuais não devem ser ordenados
José Maria Mayrink, O Estado de São Paulo
O documento Diretrizes para a Formação dos Presbíteros , aprovado nesta quarta-feira, 29, na 47.ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que se encerra na sexta-feira em Itaici, município de Indaiatuba (SP), dá ênfase à dimensão humano-afetiva dos seminaristas, ressalta que o celibato é exigência da Igreja e reafirma que, por orientação da Congregação para a Educação Católica, do Vaticano, homossexuais não devem ser ordenados padres.
O texto do episcopado, ao qual o Estado teve acesso em sua terceira versão, será divulgado depois de autorização do papa Bento XVI, nos próximos meses, para só então entrar em vigor. Sem grandes novidades conceituais em comparação com as diretrizes aprovadas na assembleia de 1994 e referendadas, no ano seguinte, por João Paulo II, o novo documento é mais extenso e dá maior espaço a questões como a formação intelectual, a prática pastoral e o amadurecimento psicológico.
Ao enumerar os desafios que o presbítero - chamado de padre na tradição popular, como observa o texto - enfrenta, os bispos alertam que a Igreja está vivendo "uma mudança de época que, além de alterar paradigmas estabelecidos, questiona, prescinde ou nega os valores de muitas instituições". No campo afetivo, "percebem-se mudanças no modo de as pessoas se relacionarem, com a reinvenção dos vínculos amorosos e da transformação da intimidade..."
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José Maria Mayrink, O Estado de São Paulo
O documento Diretrizes para a Formação dos Presbíteros , aprovado nesta quarta-feira, 29, na 47.ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que se encerra na sexta-feira em Itaici, município de Indaiatuba (SP), dá ênfase à dimensão humano-afetiva dos seminaristas, ressalta que o celibato é exigência da Igreja e reafirma que, por orientação da Congregação para a Educação Católica, do Vaticano, homossexuais não devem ser ordenados padres.
O texto do episcopado, ao qual o Estado teve acesso em sua terceira versão, será divulgado depois de autorização do papa Bento XVI, nos próximos meses, para só então entrar em vigor. Sem grandes novidades conceituais em comparação com as diretrizes aprovadas na assembleia de 1994 e referendadas, no ano seguinte, por João Paulo II, o novo documento é mais extenso e dá maior espaço a questões como a formação intelectual, a prática pastoral e o amadurecimento psicológico.
Ao enumerar os desafios que o presbítero - chamado de padre na tradição popular, como observa o texto - enfrenta, os bispos alertam que a Igreja está vivendo "uma mudança de época que, além de alterar paradigmas estabelecidos, questiona, prescinde ou nega os valores de muitas instituições". No campo afetivo, "percebem-se mudanças no modo de as pessoas se relacionarem, com a reinvenção dos vínculos amorosos e da transformação da intimidade..."
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29 Abril, 2009
Borges - o tempo e o espaço da memória
Fernando Rego (In memoriam), Terra Magazine"A subversão do cotidiano é tema caro à literatura borgeana. Para tal, transforma a memória e a imaginação nas fontes principais de seu processo criativo. Em 1976, Cioran escreve a Fernando Sarater dizendo que Borges é desenraizado. Um cidadão do mundo. No entanto, lamenta o excesso de reconhecimento universitário obtido pelo escritor argentino. Ocorrência deplorável, diz Cioran.
Pontuando e lastreando o fazer literário de Borges, destaca-se o idealismo subjetivista de Berkeley (1684-1753) e a psicologia empirista formulada a partir de David Hume (1711-1776). Do primeiro, Borges faz uso das representações como realidade, enquanto, do segundo, apropria-se da associação das ocorrências para a formação das representações.
O modelo literário exemplar é o da literatura de aventura: antípoda, portanto, ao da psicologia intimista, à maneira de Proust. Isto é dito pelo escritor em famoso prólogo - ao livro de Bioy Casares, A invenção de Morel, datado de 1940: "A novela de aventura não pretende ser uma transcrição da realidade: é um objeto artificial, que não sofre nenhuma parte injustificada". A novela psicológica sofre de excesso de artifício verbal, uma "lânguida imprecisão" que pretende ser o retrato da realidade. A escrita literária perfeita é marcada, não pelo tema abordado, e sim ao adquirir invulnerabilidade ao tratamento retórico.
Walt Whitman (1819-1892) toma a si mesmo como núcleo de sua poética. Borges o imita, constrói uma certa representação que, com o decorrer do tempo, irá ocupar o lugar de seu criador: "Assim, minha vida é uma fuga e tudo perco e tudo pertence ao esquecimento, ou ao outro. Não sei qual dos dois escreve esta página" (El Hacedor). Sorrindo, Borges reparte, democraticamente, o esquecimento entre os homens, mas reserva a imortalidade àqueles que permanecem na memória do outro, aos eleitos. O artista, através da criação, iguala-se aos deuses.
A doutrina fatalista assombra e aterroriza, dado que o existir pressupõe uma escritura prévia. Dotá-la de certa candura, forma lânguida do poder, é uma das características marcantes na obra borgeana. Assim, cada indivíduo é parte da criptografia chamada, vulgarmente, de História Universal. Esta estranha escrita compõe um texto no qual somos a letra. A eternidade arquetípica é escritura indecifrável: chave que dá acesso a todos os labirintos possíveis.
O leitor é também autor do texto. Assim, cada leitor de Borges é, no momento da leitura, Borges. Como tal, sentirá a infinitude espacial como um dom dos cegos e imaginará, através da concepção cíclica da história, a possibilidade de construir um livro infinito, cuja última página é idêntica à primeira e, assim, indefinidamente. Jogo de metamorfose, onde a multiplicidade das ocorrências termina por criar uma duplicidade que irá complementá-la. Cada ser possui seu similar e este poderá ser responsável pela explicação de sua existência. Deste modo, o poeta nascido em 1889, na Rua Tucumán, em Buenos Aires, é o mesmo que, na temporalmente longínqua Grécia, cantou as aventuras de Ulisses, aquele cujo nome significa ninguém; e foi ainda um certo inglês, que tinha por hábito, em virtude da cegueira, ditar versos às suas visitas para que estas as copiassem, já que os trazia armazenado na memória durante dias. Este inglês chamava-se Milton (1608-1674), autor do Paraíso Perdido.”
Foto: Reprodução
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28 Abril, 2009
Cyberbullying
Rosana Hermann, Digestivo Cultural"A internet não é simplesmente uma rede que interliga as pessoas do mundo. Ela conecta todas as pessoas reais junto com suas personalidades irreais, perfis virtuais e doenças mentais. Talvez você mesmo tenha vários nomes, pseudônimos e personagens, todos vivos e ativos na mesma rede. Conviver na Internet com essa complexa massa é aceitar a possibilidade de se relacionar com qualquer coisa que se assemelhe a um ser humano, desde manequins de loja, bonecas de brinquedo, bichos de pelúcia, animais empalhados e fantoches até muppets de meia, bonecões de Olinda e personagens de ficção.
Protegidos pela possibilidade de anonimato, garantida pelos provedores que só revelam os nomes reais dos usuários mediante longas batalhas judiciais, muitos seres humanos usam a internet para dar vida a seus demônios internos. Alguns abrem a jaula para que as feras passeiem por alguns instantes, um ato que, enquanto exercício esporádico, talvez tenha até algum benefício psíquico. Mas outros vão mais longe. Muito mais longe. Abandonam seus "eus" reais e virtualmente transmutam-se em monstros grotescos e perigosos, prontos para atacar homens, mulheres e crianças sem compaixão, critério ou benefício aparente. A coisa é feita apenas pelo prazer perverso de infligir sofrimento ao outro.
O termo técnico para estes ataques nefastos é "cyberbullying", que poderia ser traduzido como "coerção cibernética" ou, simplesmente, "abuso on-line". É algo que está acima da "encheção de saco". O cyberbullying é um ato criminoso, cruel e, sobretudo, covarde, enquadrado na mesma categoria da tortura psicológica com agravantes de humilhação social.
O cyberbullying pode ir de um e-mail ameaçador, um comentário ofensivo, um boato maledicente publicado de forma aberta numa comunidade virtual até uma perseguição que ultrapassa o mundo do teclado e vai para o universo físico. As formas são variadas, assim como os conteúdos. A intenção é sempre a mesma: desestabilizar a vítima.
Há registros horripilantes de cyberbullying. Em alguns casos a pressão sobre pessoas jovens é tão grande que pode resultar em atos drásticos como suicídio. Blogueiros adultos, jornalistas, também sentem o peso do ataque e chegam a abandonar suas atividades on-line para recuperar o equilíbrio emocional depois de um longo período de perseguições.”
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A última Flor do Lácio: gramática e civilidade
“A mais recente reforma ortográfica do português no Brasil subordina a língua às contingências do mercado. A reforma em curso atende à pura funcionalidade da circulação das mercadorias no mercado consumidor e à carência de tradição alfabética no país.
Olgária Mattos, Carta Maior
Na Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Kant separava a vida do espírito e o mercado, observando que todas as coisas que podem ser comparadas, podem ser trocadas e têm um preço. Mas aquelas que não podem ser comparadas, não podem ser trocadas, por isso não têm preço, mas dignidade. Para garanti-la, o ideário iluminista e democrático da constituição do espaço público—comum a todos e acessível a todos—estabelecia uma esfera de autonomia com respeito às determinações econômicas e às razões do mercado. Porque privilégios e carências pertencem ao âmbito do que não pode se universalizar como modo de vida sem comprometer os laços sociais, porque de privilégios resultam, no plano ético e político, patrimonialismo e injustiça, porque a carência produz privações e ressentimentos, a invenção democrática é a criação contínua de novos agentes sociais e do imaginário do direito a ter direitos. Para isso, era função do Estado a separação dos interesses particulares e do interesse público.
Divergem a temporalidade do Estado e a do mercado, pois se, por sua natureza, as instituições privadas estão sujeitas às contingências da concorrência e ao cálculo dos custos e dos benefícios, ao Estado cabe velar, no longo prazo e na alternância das gerações, pela sobrevivência de todos os seus cidadãos, propiciando o acesso universal aos direitos sociais, civis e políticos,como o atendimento à saúde, à educação, à cultura. Razão pela qual ceder ao mercado o que é prerrogativa do Estado revela o encolhimento da esfera pública, determinando a privatização da vida e sua queda em valor de troca. No que diz respeito à aposentadoria, por exemplo, a vida, como valor de mercado, se submete às oscilações da cotação do dia. A civilização do consumo, a ideologização do conforto material e a determinação de todas as esferas da vida pelo fator econômico determinaram as transformações do papel filosófico e existencial da educação e da cultura, não mais valorizadas como quintessência do laço afetivo e das relações sociais.”
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Olgária Mattos, Carta Maior
Na Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Kant separava a vida do espírito e o mercado, observando que todas as coisas que podem ser comparadas, podem ser trocadas e têm um preço. Mas aquelas que não podem ser comparadas, não podem ser trocadas, por isso não têm preço, mas dignidade. Para garanti-la, o ideário iluminista e democrático da constituição do espaço público—comum a todos e acessível a todos—estabelecia uma esfera de autonomia com respeito às determinações econômicas e às razões do mercado. Porque privilégios e carências pertencem ao âmbito do que não pode se universalizar como modo de vida sem comprometer os laços sociais, porque de privilégios resultam, no plano ético e político, patrimonialismo e injustiça, porque a carência produz privações e ressentimentos, a invenção democrática é a criação contínua de novos agentes sociais e do imaginário do direito a ter direitos. Para isso, era função do Estado a separação dos interesses particulares e do interesse público.
Divergem a temporalidade do Estado e a do mercado, pois se, por sua natureza, as instituições privadas estão sujeitas às contingências da concorrência e ao cálculo dos custos e dos benefícios, ao Estado cabe velar, no longo prazo e na alternância das gerações, pela sobrevivência de todos os seus cidadãos, propiciando o acesso universal aos direitos sociais, civis e políticos,como o atendimento à saúde, à educação, à cultura. Razão pela qual ceder ao mercado o que é prerrogativa do Estado revela o encolhimento da esfera pública, determinando a privatização da vida e sua queda em valor de troca. No que diz respeito à aposentadoria, por exemplo, a vida, como valor de mercado, se submete às oscilações da cotação do dia. A civilização do consumo, a ideologização do conforto material e a determinação de todas as esferas da vida pelo fator econômico determinaram as transformações do papel filosófico e existencial da educação e da cultura, não mais valorizadas como quintessência do laço afetivo e das relações sociais.”
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Cada parlamentar custa R$ 139 mil por mês aos cofres públicos
Leandro Kleber, Contas Abertas“A democracia brasileira não tem preço, mas um levantamento realizado pelo Contas Abertas mostra qual é o custo de um deputado federal e de um senador aos cofres públicos em meio à série de escândalos que assombra o Congresso Nacional. A conta desembolsada pela Câmara para pagar as despesas diretamente relacionadas a cada deputado chega a R$ 108,6 mil por mês, incluindo o salário e os benefícios concedidos, totalizando quase R$ 1,3 milhão em um ano. Já no Senado, cada senador tem um custo mensal de R$ 168,8 mil, também incluindo o vencimento e as regalias existentes, o que contabiliza R$ 2 milhões por ano. Com isso, cada parlamentar da Câmara e do Senado recebe mensalmente, em média, R$ 138,7 mil. O cálculo dos parlamentares não inclui despesas médicas.
A soma engloba o salário e a estrutura direta a que o parlamentar tem direito. Cada deputado federal e senador recebem R$ 16,5 mil por mês. Além do 13º salário, o parlamentar recebe ainda o mesmo valor no início e no final de cada sessão legislativa, correspondendo ao 14º e ao 15º salário. Os parlamentares também contam com a verba indenizatória no valor de R$ 15 mil destinada ao ressarcimento de despesas com aluguel, manutenção de escritórios, locomoção, alimentação e despesas diretamente relacionadas ao exercício do mandato parlamentar. A Câmara e o Senado disponibilizam em seu portais na Internet a prestação de contas de verbas indenizatórias utilizadas. O parlamentar é obrigado a apresentar nota fiscal com os gastos para obter o ressarcimento.
Deputados
Além do vencimento e da verba indenizatória, cada um dos 513 deputados tem direito a verba de gabinete no valor de R$ 60 mil, destinada ao pagamento dos funcionários. Cada deputado pode empregar de cinco a 25 funcionários no gabinete. Eles também recebem o auxílio-moradia (R$ 3 mil). A quantia é destinada aos que não moram em apartamentos funcionais em Brasília. O deputado deve comprovar o gasto com notas de hotéis ou imóveis que tenha alugado. A taxa de ocupação dos imóveis funcionais da Câmara girava em torno de 50% no começo de 2008. No ano passado, por exemplo, a Casa gastou R$ 8,1 milhões com reparos e conservação dos imóveis.”
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27 Abril, 2009
Aprender do sofrimento
Leonardo Boff, JB Online“O sofrimento é a grande escola do aprendizado humano. Contém verdade, a frase atribuída a Hegel: "O ser humano aprende da história que não aprende nada da história, mas aprende tudo do sofrimento". Prefiro a formulação de Santo Agostinho em suas Confissões: "O ser humano aprende do sofrimento, mas muito mais do amor".
O amor fati (o amor à realidade crua e nua) dos antigos e retomado por Freud se impõe nos dias atuais em que a humanidade se vê assolada por grave crise de sentido, subjacente à crise econômico-financeira. Devemos reaprender a amar de forma desinteressada e incondicional a Terra, todos os seres, especialmente os humanos, os que sofrem, respeitá-los em sua diferença e em suas limitações. O amor é uma força cósmica que "move o céu e as estrelas" no dizer de Dante. Só quem ama transforma e cria.
Os grandes se reúnem, estão confusos e não sabem exatamente o que fazer. É que amam mais o dinheiro que a vida. Se amor houvesse, aprovariam o que está sendo proposto: uma Declaração Universal do Bem Comum da Humanidade, base para uma nova ordem global e multilateral contemplando toda a humanidade, a Terra incluída. Mas não. Perplexos, preferem repetir fundamentalmente as fórmulas que não deram certo. Caberia, entretanto, perguntar: que capacidade possuem 20 governos de decidir em nome de 172? Onde estão os títulos de sua legitimidade? Apenas porque são os mais fortes?
Mesmo assim, vejo que se podem tirar algumas lições úteis para as próximas crises que estão se anunciando.”
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Cadela, puta ou lésbica
Eliakim Araujo, Direto da Redação
“As mulheres que servem ao exército norte-americano no Iraque têm que enfrentar dois inimigos: os iraquianos , que querem matá-las, e os próprios americanos, que querem violentá-las se elas não os atendem em seus instintos sexuais. Leia o relato de Mickiela Montoya, que passou onze meses na guerra.
Montoya conta que, certa noite, quando terminava sua guarda, o companheiro que veio substitui-la lhe disse:
"Sabe de uma coisa, eu poderia te possuir agora mesmo e ninguém te ouviria gritar ou ficaria sabendo do que aconteceu".
Com presença de espírito, Montoya respondeu: "se você tentar, eu mato você com o meu punhal ".
Ela não tinha o punhal, mas daquele dia em diante passou a andar com um punhal amarrado à perna. Não para se defender dos iraquianos, mas dos próprios companheiros.
Montoya termina seu depoimento com uma afirmação que é, ao mesmo tempo, um desafio aos comandantes militares e ao próprio governo dos EUA: “Só há três coisas que eles deixam a mulher ser no exército: cadela, puta ou lésbica”.
Essa história real está narrada no livro "O soldado solitário: a guerra particular das mulheres que servem no Iraque", da professora de jornalismo Helen Benedict, da Universidade de Columbia, recentemente lançado nos EUA.
No livro, a professora reuniu os depoimentos de quarenta mulheres soldados que foram apresentados no mês de março em teatros de NY, em forma de monólogos. Das quarenta ouvidas pela autora, todas ex-combatentes no Iraque, 28 foram violentadas, agredidas ou assediadas sexualmente.”
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“As mulheres que servem ao exército norte-americano no Iraque têm que enfrentar dois inimigos: os iraquianos , que querem matá-las, e os próprios americanos, que querem violentá-las se elas não os atendem em seus instintos sexuais. Leia o relato de Mickiela Montoya, que passou onze meses na guerra.
Montoya conta que, certa noite, quando terminava sua guarda, o companheiro que veio substitui-la lhe disse:
"Sabe de uma coisa, eu poderia te possuir agora mesmo e ninguém te ouviria gritar ou ficaria sabendo do que aconteceu".
Com presença de espírito, Montoya respondeu: "se você tentar, eu mato você com o meu punhal ".
Ela não tinha o punhal, mas daquele dia em diante passou a andar com um punhal amarrado à perna. Não para se defender dos iraquianos, mas dos próprios companheiros.
Montoya termina seu depoimento com uma afirmação que é, ao mesmo tempo, um desafio aos comandantes militares e ao próprio governo dos EUA: “Só há três coisas que eles deixam a mulher ser no exército: cadela, puta ou lésbica”.
Essa história real está narrada no livro "O soldado solitário: a guerra particular das mulheres que servem no Iraque", da professora de jornalismo Helen Benedict, da Universidade de Columbia, recentemente lançado nos EUA.
No livro, a professora reuniu os depoimentos de quarenta mulheres soldados que foram apresentados no mês de março em teatros de NY, em forma de monólogos. Das quarenta ouvidas pela autora, todas ex-combatentes no Iraque, 28 foram violentadas, agredidas ou assediadas sexualmente.”
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26 Abril, 2009
Para a história não virar ruína
Paulo Nassar, Terra Magazine
“Os recentes acontecimentos no Congresso Nacional, na triste lambança das passagens aéreas, ou no Supremo Tribunal Federal, STF, no bate-boca de ministros ao vivo em rede nacional de televisão, já são más memórias, que, por sua vez, alimentarão ruínas institucionais, com reflexo na sociedade, pela importância dessas instituições, Poderes da República: o Poder Legislativo e o Poder Judiciário.
Estas instituições já tiveram, em tempos passados, suas liberdades cerceadas por defenderem a democracia, seus líderes e seus instrumentos. Hoje deveriam ser automaticamente identificadas com as garantias de segurança social, econômica e jurídica, vitais e básicas para que se acredite e invista no país.
Como contraponto às memórias ruins, há lembranças memoráveis como o momento em que, no Congresso, Mário Martins, em 24 de maio de 1961, renunciou ao seu mandato de deputado federal por divergências partidárias. Ou a atuação do Deputado Federal Márcio Moreira Alves, cassado pelo AI-5, quando o presidente Costa e Silva decretou o recesso do Congresso Nacional, que se prolongou até outubro de 1969. Ali foram presos diversos jornalistas e políticos opositores ao governo, entre eles o ex-presidente Juscelino Kubitschek, o ex-governador Carlos Lacerda e vários deputados federais e estaduais da Arena e do MDB.
Da mesma forma, é no ambiente do STF que se dão as discussões contemporâneas de questões de suma importância ligadas, entre outras, à bioética, a demarcação de terras indígenas etc., exemplos pinçados para apontar a importância dessas instituições, cujos membros parecem fazer um trabalho diário para que sejam percebidas como incompatíveis ou descoladas da sociedade.”
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“Os recentes acontecimentos no Congresso Nacional, na triste lambança das passagens aéreas, ou no Supremo Tribunal Federal, STF, no bate-boca de ministros ao vivo em rede nacional de televisão, já são más memórias, que, por sua vez, alimentarão ruínas institucionais, com reflexo na sociedade, pela importância dessas instituições, Poderes da República: o Poder Legislativo e o Poder Judiciário.
Estas instituições já tiveram, em tempos passados, suas liberdades cerceadas por defenderem a democracia, seus líderes e seus instrumentos. Hoje deveriam ser automaticamente identificadas com as garantias de segurança social, econômica e jurídica, vitais e básicas para que se acredite e invista no país.
Como contraponto às memórias ruins, há lembranças memoráveis como o momento em que, no Congresso, Mário Martins, em 24 de maio de 1961, renunciou ao seu mandato de deputado federal por divergências partidárias. Ou a atuação do Deputado Federal Márcio Moreira Alves, cassado pelo AI-5, quando o presidente Costa e Silva decretou o recesso do Congresso Nacional, que se prolongou até outubro de 1969. Ali foram presos diversos jornalistas e políticos opositores ao governo, entre eles o ex-presidente Juscelino Kubitschek, o ex-governador Carlos Lacerda e vários deputados federais e estaduais da Arena e do MDB.
Da mesma forma, é no ambiente do STF que se dão as discussões contemporâneas de questões de suma importância ligadas, entre outras, à bioética, a demarcação de terras indígenas etc., exemplos pinçados para apontar a importância dessas instituições, cujos membros parecem fazer um trabalho diário para que sejam percebidas como incompatíveis ou descoladas da sociedade.”
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Olodum 30 anos: Por uma cultura africana não colonizada
“Quando o Olodum foi fundado, no dia 25 de abril de 1979, o Pelourinho era reduto de marginalidade e prostituição, e as únicas metas do bloco eram chamar a atenção para a degradação do centro histórico de Salvador e divulgar a música, a dança e os costumes africanos. "Ao contrário da maioria dos blocos de Salvador, que veem apenas o lado comercial em seus desfiles, o Olodum leva para as ruas da cidade uma história de luta contra o preconceito e a injustiça sociais", diz a médica mineira Cinara Rodrigues, que desde 2001 desfila com o grupo.Vermelho.org / Terra Magazine
Em 1979, o bloco-afro Olodum nasceu no coração do centro histórico de Salvador, o Pelourinho. Segundo Nelson Mendes, diretor cultural, o objetivo era celebrar a cultura africana no carnaval baiano. "Isto significou o renascimento do Pelourinho, que estava completamente abandonado pelos órgãos públicos".
- O Olodum foi o principal divulgador do Pelourinho, não só internacionalmente, com pressões para a restauração do bairro, mas também por atrair as atenções regionais para o bairro.
Ilê Aiyê é o primeiro bloco afro do Brasil. Surgiu em 1974 com o mesmo propósito: discutir a cultura africana e racial. "Esta é a semelhança entre nós", diz Nelson. E acrescenta que "grandes blocos afros valorizam a cultura africana e lutam contra o preconceito racial".
Pós-carnaval, Olodum desenvolveu seminários e exibições de filmes. As ações eram voltadas para a comunidade afro-descendente. Isto fez com que o Olodum se aproximasse do movimento negro e se transformasse em uma ONG.
"Nos denominamos afro-brasileiros por sermos descendentes africanos nascidos no Brasil", explica o diretor cultural. E acrescenta, mais do que depressa, que "queremos mostrar uma cultura africana não colonizada".
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25 Abril, 2009
Carta a uma velha
Frei Betto, Adital“Para Nina Garcia Alencar.
Querida amiga Nina,
Por que a trato com familiaridade? Ora, agora você me conhece intimamente: meu nome é Velhice. É bem verdade que muitas pessoas de avançada idade se sentem constrangidas, até humilhadas, ao se aproximarem de mim. Como se a Velhice fosse um mal a ser evitado.
Não se conformam com a progressiva e irrefreável degradação do organismo: a audição reduzida, as restrições alimentares, a mobilidade contida, o uso de bengala etc. Por isso, até se recusam a pronunciar meu nome. Esquecem que, à decadência do corpo, deveria corresponder a ascendência do espírito. Mas a vida ensina que não se colhe o que não se plantou.
Já não convém chamar uma pessoa de velha. Inventam-se eufemismos, como se a cobertura do bolo modificasse o sabor do recheio: terceira idade, melhor idade, dign/idade... Ora, se devemos encarar a realidade, sugiro ‘eterna idade’, já que os velhos estão mais próximos dela.
Aterrorizadas pela certeza de que um dia serão velhas, e iludidas pela busca ilusória de imortalidade, muitas pessoas, respaldadas pelos simulacros científicos que prometem juventude perene, se esforçam ao máximo para evitar o encontro comigo. Ingerem drágeas que prometem reduzir o desgaste das células, fazem cirurgias plásticas, passam horas a malhar o corpo. E ainda se dão ao ridículo de se fantasiarem de jovens, de adotar vocabulário de jovens, de frequentar festas de jovens. Como é triste ver uma velha de 70 anos bancando a mocinha de 20! Peruca na cabeça vai bem, mas na alma...
Nina, sei o quanto a sua vida valeu a pena: a família, a fé, as flores de seu acalanto, a sabedoria de permanecer numa cidade do interior e não acompanhar os filhos no rumo das metrópoles.”
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24 Abril, 2009
Aos que estão por vir
"Na crista da crise mundial, sopram ventos de mudanças. No norte, banqueiros e executivos tornam-se vilões. Aqui, políticos sofrem um bombardeio.
Pelos seus traços fortes, caricaturais, os Parlamentos são alvo predileto. É perigoso concentrar só neles.
Às vezes, acho que o governo escapa, sobretudo porque é um grande anunciante. Mas, pensando melhor, não é esse o ponto.
O caso dos cartões corporativos ganhou grande espaço. Tanto ele como o escândalo das passagens são de fácil entendimento.
Licitações, editais, relações com ONGs são temas ásperos, que não se reduzem a falas de 30 segundos nem se traduzem na linguagem visual.
O que dizer da transparência no Judiciário, no Ministério Público? Não há demanda para saber como se comportam juízes e procuradores nem como é gasto o dinheiro com eles.
Não são eleitos pelo voto popular. Independem dessa confiança básica, renovável. Com suas limitações, o processo que o avanço social e técnico deflagrou é a semente dos novos tempos.
Na internet e entre os leitores, a sensação é a de que todos os políticos são iguais e deveriam desaparecer. É um equívoco.
Depois de uma explosão nuclear, nem todos desaparecem: as baratas sobrevivem. Um Congresso fantasma ou um Congresso fechado não interessam à democracia.
Vale um esforço para ajustar sua conduta agora e renová-lo em 2010. Quem dá um passo à frente?
A sociedade avançou, a política envelheceu. É uma crise de crescimento da democracia. Jamais alcançaremos a perfeição. Mas vai melhorar.
E os que estão por vir, como no poema de Brecht, serão compreensivos com os tempos sombrios que vivemos.
Resta trabalhar para que a energia dos escândalos não esgote a busca de soluções. Devem andar juntas, como luz e sombra".
Deputado Fernando Gabeira (PV-RJ)
Pelos seus traços fortes, caricaturais, os Parlamentos são alvo predileto. É perigoso concentrar só neles.
Às vezes, acho que o governo escapa, sobretudo porque é um grande anunciante. Mas, pensando melhor, não é esse o ponto.
O caso dos cartões corporativos ganhou grande espaço. Tanto ele como o escândalo das passagens são de fácil entendimento.
Licitações, editais, relações com ONGs são temas ásperos, que não se reduzem a falas de 30 segundos nem se traduzem na linguagem visual.
O que dizer da transparência no Judiciário, no Ministério Público? Não há demanda para saber como se comportam juízes e procuradores nem como é gasto o dinheiro com eles.
Não são eleitos pelo voto popular. Independem dessa confiança básica, renovável. Com suas limitações, o processo que o avanço social e técnico deflagrou é a semente dos novos tempos.
Na internet e entre os leitores, a sensação é a de que todos os políticos são iguais e deveriam desaparecer. É um equívoco.
Depois de uma explosão nuclear, nem todos desaparecem: as baratas sobrevivem. Um Congresso fantasma ou um Congresso fechado não interessam à democracia.
Vale um esforço para ajustar sua conduta agora e renová-lo em 2010. Quem dá um passo à frente?
A sociedade avançou, a política envelheceu. É uma crise de crescimento da democracia. Jamais alcançaremos a perfeição. Mas vai melhorar.
E os que estão por vir, como no poema de Brecht, serão compreensivos com os tempos sombrios que vivemos.
Resta trabalhar para que a energia dos escândalos não esgote a busca de soluções. Devem andar juntas, como luz e sombra".
Deputado Fernando Gabeira (PV-RJ)
Árvores Abatidas, Thomas Bernhard
Vinicius Jatobá, Terra Magazine“Raros autores são capazes de abarcar e relacionar tantos assuntos, até mesmo díspares e contraditórios, com tanta lógica e engenho quanto Thomas Bernhard - seus romances de maturidade, sem exceção, demonstram os graves acidentes de percurso que um pensamento apaixonado e expansivo pode sofrer. As personagens do austríaco vociferam, caluniam, analisam e diminuem seus objetos de contemplação em todos os sentidos e direções, acusando fracassos, denunciando preconceitos e, de modo intenso e arrebatado, reclamando uma Áustria perdida (e que talvez nunca tenha existido).
Desse modo, pela acidez de sua visão, pela ira de sua voz, seus textos tortuosos e densos poderiam ser facilmente contra-indicados a todos os espíritos frágeis desejosos de leituras leves e fantasiosas - o mundo de Bernhard, amargo e asfixiante, parece não possuir espaço para a inocência: as frases de sintaxe complexa, as constantes repetições, a detalhada exposição das fraquezas de tudo e de todos: um universo em plena decomposição, que o narrador recupera e lamenta enquanto busca culpados que possam responder por tudo aquilo que se perdeu.
Porém, com uma mecânica difícil de precisar, Thomas Bernhard opera o excepcional milagre de gerar, apesar de tudo, um prazer genuíno no leitor que se aventura pelos tortuosos caminhos de suas narrativas nada convidativas: vencidas as dificuldades do primeiro contato, e uma vez acostumado ao estilo inconfundível do autor, resta apenas a fascinação de estar diante de um escritor completo, com uma forte visão do mundo, e uma profunda compreensão de suas criaturas. Em Bernhard há um pouco de tudo: pensamento, narração (reduzida ao essencial), humor, erotismo, música, pintura, filosofia, complexidade psicológica, imaginação verbal e uma pitada, curiosa, de grotesco.
Árvores Abatidas tem uma trama irrisória: o narrador é convidado a uma reunião artística por um casal que o encontra, por acaso, numa rua e que ocorrerá no mesmo dia do enterro de sua amiga Joana, também uma velha conhecida do casal. Três décadas de ausência antecede o retorno do narrador, agora um escritor de razoável sucesso, à sua Viena natal.”
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Barraco no Supremo
Luciano Martins Costa, Observatório da Imprensa
“Todos os jornais de circulação nacional destacam nas edições de quinta-feira (23/4) o bate-boca entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa, ocorrido na sessão de quarta-feira. Foi, segundo a imprensa, o mais sério entrevero entre as excelências que compõem a mais alta corte de Justiça no Brasil.
E não foi pouco: não fosse o vocabulário culto utilizado pelos magistrados em questão, as expressões usadas bem poderiam ser comparadas ao linguajar das torcidas de futebol.
Pois é exatamente nesse ponto que o relato dos jornais deixa a desejar. As palavras proferidas no calor da discussão foram reproduzidas fielmente, mesmo porque a sessão estava sendo transmitida pela TV Justiça e tudo que foi dito ficou gravado.
Os jornais também oferecem ao leitor um histórico das desavenças havidas anteriormente na corte, e a Folha de S.Paulo se estende em explicar as causas do desentendimento específico entre Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes, que vem desde a época em que ambos militavam no Ministério Público.
Mas nenhum dos principais diários explicita a divergência de fundo político que separa as duas autoridades.”
Artigo Completo, ::Aqui::
“Todos os jornais de circulação nacional destacam nas edições de quinta-feira (23/4) o bate-boca entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa, ocorrido na sessão de quarta-feira. Foi, segundo a imprensa, o mais sério entrevero entre as excelências que compõem a mais alta corte de Justiça no Brasil.
E não foi pouco: não fosse o vocabulário culto utilizado pelos magistrados em questão, as expressões usadas bem poderiam ser comparadas ao linguajar das torcidas de futebol.
Pois é exatamente nesse ponto que o relato dos jornais deixa a desejar. As palavras proferidas no calor da discussão foram reproduzidas fielmente, mesmo porque a sessão estava sendo transmitida pela TV Justiça e tudo que foi dito ficou gravado.
Os jornais também oferecem ao leitor um histórico das desavenças havidas anteriormente na corte, e a Folha de S.Paulo se estende em explicar as causas do desentendimento específico entre Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes, que vem desde a época em que ambos militavam no Ministério Público.
Mas nenhum dos principais diários explicita a divergência de fundo político que separa as duas autoridades.”
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Simplesmente feliz
Marta Barcellos, Digestivo Cultural
“A sensação pode durar segundos. Sim, tudo isso. Do nada, surge uma sensação de plenitude. Você está inteiro, se sente vivo e integrado àquele momento. Ao mesmo tempo, consegue contemplar a si próprio e ao mundo com certo distanciamento, como se estivesse em suspenso. Está cheio de si, mas sem o orgulho bobo das conquistas mundanas ― tanto que nem lhe ocorre exibir aquele sentimento para ninguém. Você guarda em segredo: está feliz.
Aproveite a minha modesta tentativa de descrever o tal momento e desencave do fundo da memória o instante fugidio em que se sentiu assim. Passou, é verdade, e nem lembramos como foi. Provavelmente nos distraímos com uma buzina, uma interrupção qualquer, e nem tentamos guardar um resquício daquela emoção, como se tivesse sido um sonho. Não foi. Todos já nos sentimos assim e por isso andamos por aí como se a tal felicidade estivesse à espreita, alcançável por um lance de sorte, acaso ou destino ― a gosto do freguês e das convicções filosóficas.
Uma dessas ocasiões eu guardei bem na memória, porque a sensação veio junto com uma lufada de ar quente. Eu descia do avião no Santos Dumont, no Rio, antes dos abomináveis fingers de hoje. Tratava-se de uma rotina ― o tal instante de felicidade cisma de aparecer em situações banais. A lufada veio junto com o cheiro de maresia, e ainda era dia; talvez fosse horário de verão. Uma entrevista burocrática em São Paulo acabara se transformando em uma conversa instigante, e me ocorreu, naquela viagem de volta, a máxima: "e ainda me pagam pra isso".
Crônica Completa, ::Aqui::
“A sensação pode durar segundos. Sim, tudo isso. Do nada, surge uma sensação de plenitude. Você está inteiro, se sente vivo e integrado àquele momento. Ao mesmo tempo, consegue contemplar a si próprio e ao mundo com certo distanciamento, como se estivesse em suspenso. Está cheio de si, mas sem o orgulho bobo das conquistas mundanas ― tanto que nem lhe ocorre exibir aquele sentimento para ninguém. Você guarda em segredo: está feliz.
Aproveite a minha modesta tentativa de descrever o tal momento e desencave do fundo da memória o instante fugidio em que se sentiu assim. Passou, é verdade, e nem lembramos como foi. Provavelmente nos distraímos com uma buzina, uma interrupção qualquer, e nem tentamos guardar um resquício daquela emoção, como se tivesse sido um sonho. Não foi. Todos já nos sentimos assim e por isso andamos por aí como se a tal felicidade estivesse à espreita, alcançável por um lance de sorte, acaso ou destino ― a gosto do freguês e das convicções filosóficas.
Uma dessas ocasiões eu guardei bem na memória, porque a sensação veio junto com uma lufada de ar quente. Eu descia do avião no Santos Dumont, no Rio, antes dos abomináveis fingers de hoje. Tratava-se de uma rotina ― o tal instante de felicidade cisma de aparecer em situações banais. A lufada veio junto com o cheiro de maresia, e ainda era dia; talvez fosse horário de verão. Uma entrevista burocrática em São Paulo acabara se transformando em uma conversa instigante, e me ocorreu, naquela viagem de volta, a máxima: "e ainda me pagam pra isso".
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23 Abril, 2009
A Educação como campo de disputa política
“Governo federal troca farpas com governo estadual e municipal de São Paulo. Movimentos sociais e sindicais saíram a campo para se posicionar sobre temas variados que impactam os dois pólos políticos.Sérgio Haddad, Brasil de Fato
Os meses de abril e março vêm sendo marcados por uma intensa batalha de posições no jogo político, tendo a Educação como foco da cena. Ainda no final do mês de março, um artigo do Ministro Fernando Haddad ateou fogo ao debate por classificar como progressistas e conservadoras, posições tomadas no campo da educação onde, evidentemente, colocava as políticas do governo Lula no campo progressista e estocava as políticas do PSDB/DEM do Estado e Município de São Paulo como dentro do campo conservador. Afirmava que os conservadores - tucanos e democratas – defendem menores volumes de recursos, acusando os adversários por trabalhar contra a vinculação constitucional dos recursos para a educação.
Confrontava a utilização das avaliações como mecanismo para premiar e punir trabalhadores da educação por parte da oposição, enquanto o MEC amplia os recursos daqueles que, a partir dos resultados, se comprometem com melhorias pedagógicas e de valorização do professorado. Por fim, acusa os conservadores de colocar toda a culpa dos males do ensino nas costas dos professores e sua formação, não assumindo a parte de responsabilidade que cabe ao poder público, enquanto o MEC está preocupado em valorizar o professorado e punir as agências formadoras que não cumprem com a qualidade necessária.
Dias depois, o secretário municipal de Educação de São Paulo, Alexandre Schneider, respondeu ao ministro, também em artigo publicado no mesmo jornal, desqualificando a classificação de conservadores e progressistas, acusando-o de simplificar e politizar a questão educacional. Ironicamente acusa o ministro de proclamar resultados utilizando as mesmas políticas do PSDB/DEM, de defender aumento de recursos no final da sua gestão para aumentar os encargos dos governos que virão, e saiu em defesa das políticas do governo Serra de bônus ao professorado como uma “forma de premiar aqueles que cumprem melhor o seu papel: educar”.
Reforço no time
Ainda no mês de março, novos lances ocorreram. No dia 11, o ministro Fernando Haddad anunciou, em solenidade na Andifes - A Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior, a proposta de mudança no acesso às universidades pelo novo Enen. . No dia 30, as diretrizes da proposta foram enviadas formalmente à associação e a discussão ganhou visibilidade pública provocando polêmicas entre os principais contendores da batalha política.
O governo Serra, por sua vez, substituiu a secretária de Educação Maria Helena Guimarães pelo ex-ministro do governo FHC e atual deputado federal, Paulo Renato de Souza. Depois de uma desastrada gestão, que culminou com a distribuição de livros didáticos com mapas onde havia dois países com nome de Paraguai e o Equador não existia, Maria Helena Guimarães saiu para dar lugar a um profissional da política, um dos caciques do PSDB, que chegou com a clara intenção de reforçar a campanha do Governador Serra.”
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Justiça desvalorizada
Rui Martins, Direto da Redação
“Aquela conclusão popular de que prisão é só para gente pobre e que rico pode pintar e bordar sem qualquer perigo é verdade batida e chapada.
Getúlio dizia “para os amigos tudo, para os inimigos a lei”, mas como ele mesmo dizia, “a lei, ora a lei”. A lei nua e crua é para a massa e sobra também para a classe média. Não é muito diferente aqui no Exterior, mas no Brasil parece ser o extremo total. Quem tem dinheiro, mesmo que seja roubado, para pagar uns 50 mil a cem mil reais para um advogado elaborar um bom habeas-corpus pode enganar deus e todo mundo, que nunca será preso. Pimenta Neves, ex-diretor do Estadão, e Paulo Roberto de Andrade, dono da falida Boi Gordo, que o digam.
Mas quem nos interessa agora é o filho de fazendeiro da região de Botucatú, de Pardinho hoje Santa Cruz do Rio Pardo, que, depois de ter tirado o dinheiro de cerca de 34 mil pessoas, uma versão nossa, tupiniquim, das pirâmides ou correntes de Bernard Madoff, de ter desviado uma boa parte para as Ilhas Caymãs, tem uma alegre e desprecocupada vida de rico, enquanto o processo de falência da Boi Gordo se arrasta no Forum de São Paulo, sem qualquer esperança dos investidores recuperarem uma parcela do dinheiro.
Paulo Roberto de Andrade se beneficia de um habeas-corpus, que lhe garante aguardar em liberdade até transitar em julgado sua condenação pela justiça penal paulista que o tinha condenado a quatro anos de prisão, reduzido em apelação para três. O relator do Supremo Tribunal Federal argumentou que constitui constrangimento prender o ex-dono da Boi Gordo, antes de transitar em julgado sua sentença, embora não tenha ficado claro quanto tempo vai levar ainda para que transite em julgado. A decisão quanto ao mérito deverá ser tomada pela Sexta Turma do STF, mas não se sabe também quando isso ocorrerá.”
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“Aquela conclusão popular de que prisão é só para gente pobre e que rico pode pintar e bordar sem qualquer perigo é verdade batida e chapada.
Getúlio dizia “para os amigos tudo, para os inimigos a lei”, mas como ele mesmo dizia, “a lei, ora a lei”. A lei nua e crua é para a massa e sobra também para a classe média. Não é muito diferente aqui no Exterior, mas no Brasil parece ser o extremo total. Quem tem dinheiro, mesmo que seja roubado, para pagar uns 50 mil a cem mil reais para um advogado elaborar um bom habeas-corpus pode enganar deus e todo mundo, que nunca será preso. Pimenta Neves, ex-diretor do Estadão, e Paulo Roberto de Andrade, dono da falida Boi Gordo, que o digam.
Mas quem nos interessa agora é o filho de fazendeiro da região de Botucatú, de Pardinho hoje Santa Cruz do Rio Pardo, que, depois de ter tirado o dinheiro de cerca de 34 mil pessoas, uma versão nossa, tupiniquim, das pirâmides ou correntes de Bernard Madoff, de ter desviado uma boa parte para as Ilhas Caymãs, tem uma alegre e desprecocupada vida de rico, enquanto o processo de falência da Boi Gordo se arrasta no Forum de São Paulo, sem qualquer esperança dos investidores recuperarem uma parcela do dinheiro.
Paulo Roberto de Andrade se beneficia de um habeas-corpus, que lhe garante aguardar em liberdade até transitar em julgado sua condenação pela justiça penal paulista que o tinha condenado a quatro anos de prisão, reduzido em apelação para três. O relator do Supremo Tribunal Federal argumentou que constitui constrangimento prender o ex-dono da Boi Gordo, antes de transitar em julgado sua sentença, embora não tenha ficado claro quanto tempo vai levar ainda para que transite em julgado. A decisão quanto ao mérito deverá ser tomada pela Sexta Turma do STF, mas não se sabe também quando isso ocorrerá.”
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22 Abril, 2009
Professor Temporário é produto perverso de José Serra
Marilene Felinto, Caros Amigos“Metade dos professores da escola pública paulista não existe – são aparições temporárias, que perambulam de uma periferia a outra, lugares aos quais não pertencem e com os quais não lhes dão tempo de criar vínculo. Manter estes cem mil cidadãos na incerteza trabalhista (são contratados sem concurso público) e no modo de vida nômade que não escolheram, tratá-los como peças de um jogo sem regras, expor todos ao ridículo e desqualificá-los mediante seus colegas profissionais e mediante a sociedade foi o ato mais recente da criminosa “política educacional” do governo de José Serra em São Paulo.
Pior educação pública que a paulista não há no país – e ela é a cara do tucanato (o PSDB), é a obra máxima do descompromisso com a coisa pública quando se trata do interesse da maioria da população pobre. Estes governos afinados com a classe dominante, como os oito anos de Fernando Henrique Cardoso na presidência da República (1995-2002) ou os quase quinze anos em que o grupo de José Serra infesta o Estado de São Paulo deram golpes de morte na educação pública.
Em dezembro último, a Secretaria Estadual de Educação de SP aplicou uma prova ao professorado temporário da rede estadual para utilizar a nota como critério classificatório na atribuição de aulas deste ano letivo de 2009, uma armadilha para demitir milhares de professores que os próprios governos tucanos de Serra e sua turma contrataram em condições de absoluta precariedade e com os quais não sabem o que fazer.
A prova, mal elaborada, cheia de questões visivelmente erradas, avaliaria o conhecimento dos professores sobre a proposta curricular da Secretaria. Concorreram com os quase cem mil temporários outros milhares de novos candidatos a lecionar na rede pública, professores recém-formados. Na concorrência desleal, muitos dos temporários perderiam para os novos seus empregos e um mínimo de direitos conquistados. O professorado recorreu à Justiça e ganhou a causa.”
Fazendo Media
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Susan, A Feia
Leila Cordeiro, Direto da Redação
“Como explicar alguém que nunca viveu em outro lugar a não ser na mesma casa numa aldeota da Escócia, que nasceu com problemas de oxigenação no cérebro o que retardou sua capacidade de aprendizado, que aos 47 anos aparenta ter mais de 60 e que nunca beijou um homem na boca, levar o mundo às lágrimas quando entoou os primeiros acordes da difícil “I dreamed the dream” de "Os Miseráveis", num show de calouros britânico?
Que se cuide a famigerada “Beth, a feia”, fenômeno de seriado televisivo representado em vários países, inclusive no Brasil, com estréia já prevista na Record , porque Susan, que também não tem atributos de beleza, já ultrapassou a fama de Beth, conquistando o planeta com sua simplicidade e modéstia, apesar do tipo físico desengonçado e sem graça.
Susan é daqueles fenômenos que aparecem de vez em quando para acordar a humanidade trazendo alguma mensagem. No caso dela, os mais espiritualistas dizem ter sido um alerta do Universo às frivolidades mundanas dos dias de hoje quando o que conta é a aparência das pessoas, que no caso da escocesa, era a última coisa que podia transformá-la em estrela.”
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“Como explicar alguém que nunca viveu em outro lugar a não ser na mesma casa numa aldeota da Escócia, que nasceu com problemas de oxigenação no cérebro o que retardou sua capacidade de aprendizado, que aos 47 anos aparenta ter mais de 60 e que nunca beijou um homem na boca, levar o mundo às lágrimas quando entoou os primeiros acordes da difícil “I dreamed the dream” de "Os Miseráveis", num show de calouros britânico?
Que se cuide a famigerada “Beth, a feia”, fenômeno de seriado televisivo representado em vários países, inclusive no Brasil, com estréia já prevista na Record , porque Susan, que também não tem atributos de beleza, já ultrapassou a fama de Beth, conquistando o planeta com sua simplicidade e modéstia, apesar do tipo físico desengonçado e sem graça.
Susan é daqueles fenômenos que aparecem de vez em quando para acordar a humanidade trazendo alguma mensagem. No caso dela, os mais espiritualistas dizem ter sido um alerta do Universo às frivolidades mundanas dos dias de hoje quando o que conta é a aparência das pessoas, que no caso da escocesa, era a última coisa que podia transformá-la em estrela.”
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21 Abril, 2009
Revista da Cultura
Julio Daio Borges, Digestivo Cultural"Dentro da estratégia de ser mais que uma loja, assumindo sua vocação de centro cultural e produzindo, inclusive, mídia de qualidade, a Livraria Cultura deu mais um passo, neste mês de abril, renovando o projeto gráfico de sua revista mensal, a Revista da Cultura. Se, no ano passado, inaugurou seu próprio blog e, em matéria de eventos, promoveu uma maratona cultural de fazer inveja a centros estabelecidos como o Itaú Cultural e o CCBB-SP, neste ano a Cultura resolveu conceder à sua Revista ainda maior autonomia, transcendendo as lojas e se comunicando com um público ainda mais amplo. De origem gratuita, com 25 mil exemplares espalhados pelas oito filiais da rede, a Revista da Cultura igualmente segue, na íntegra, para uma base de 950 mil clientes cadastrados por e-mail. Entre os destaques desta edição, estréia o ranking “10+”, com o desempenho semana a semana, ao longo do último mês, dos dez títulos mais vendidos pela Livraria Cultura. Concebido com a sugestão de Matinas Suzuki Jr., o último ranking permite acompanhar, por exemplo, a performance de Milton Hatoum, Vinicius de Moraes e Alan Moore frente a best-sellers como os de Stephenie Meyer, Bernhard Schlink e Augusto Cury. Na mesma Revista, chamam a atenção uma entrevista com a tatuadora Kat Von D, uma matéria sobre o ocaso do ritmo drum'n'bass, uma discografia escolhida por Charles Gavin e as principais atrações da “agenda”, incluindo a participação da Livraria Cultura na próxima Virada Cultural. Num momento em que os cadernos de cultura dos jornais se rendem, cada vez mais, aos releases e às assessorias de imprensa, e as revistas culturais se escondem atrás de embalagens ou tiragens minúsculas, a Revista da Cultura vai ocupando, habilmente, um nicho por vezes abandonado pelos próprios jornalistas culturais.”
20 Abril, 2009
Economia solidária pode ser saída para a crise, afirma Paul Singer
Luciana Lima, Agência Brasil"Se a crise econômica bate mais forte para os mais pobres, é também nas comunidades carentes que surgem iniciativas que provocam maior dinamismo para as atividades comerciais locais. Clube de trocas, cooperativas de trabalhadores e de consumidores e bancos comunitários são fenômenos da chamada economia solidária que vêm experimentando no Brasil um verdadeiro boom e têm dado condições de sobrevivência a comunidades das periferias das grandes cidades, do campo e de cidades menores.
O economista Paul Singer está à frente da Secretaria de Economia Solidária, do Ministério do Trabalho e Emprego. Ele avalia que, em momentos de dificuldades, há a tendência de que as pessoas busquem alternativas ao modo de produção excludente. “O que menos se troca em um clube de trocas é mercadoria. Troca-se afeição, trocam-se histórias”, cita o economista em entrevista à Agência Brasil, destacando o caráter inclusivo da economia solidária. “O desemprego é horrível porque ele tira as pessoas do meio social delas”, considerou.
Singer evitou previsões sobre o futuro próximo, tentou se esquivar de responder se o pior da crise já passou, mas acabou revelando que vê no atual cenário econômico brasileiro sinais de recuperação. “As vendas no varejo estão crescendo, a indústria automobilística bateu recorde em março, mas não ouso dizer que o pior já passou. Primeiro, porque eu não tenho bola de cristal, segundo, não estou falando como economista profissional. Mas acho que a chance é boa. Saberemos disso daqui a alguns meses”, disse.
Agência Brasil – A economia solidária pode ser vista como alternativa para comunidades que sofrem com o colapso da economia de mercado?
Paul Singer – Com certeza. A economia solidária surge no Brasil em um momento de forte crise. Uma crise à qual eu chamaria de tragédia, que foi a abertura do mercado nos anos 1990. Essa abertura começou no governo de Fernando Collor e depois continuou no governo de Fernando Henrique Cardoso. Nessa época, cerca de 7 milhões de postos de trabalho foram eliminados, porque começamos a importar em uma quantidade maluca todo tipo de mercadoria. Importávamos desde ursinho de pelúcia até guarda-chuvas, da China, da Coréia do Sul e de outros lugares onde o custo era menor. Foi uma tragédia para os trabalhadores brasileiros. O desemprego subiu a patamares nunca vistos. Os salários baixaram e também houve mais pobreza. Nesse contexto é que surge a economia solidária. Ela surge como reação a isso, como estratégia de sobrevivência. As pessoas precisam sobreviver e surgiram experiências na época quase desconhecidas.
ABr – Que experiência lhe chamou mais a atenção nessa época?
Singer – Surgiram as empresas cooperadas, que iriam fechar, mas os trabalhadores conseguiram se juntar e ficar com ela. De empregados passaram a ser donos. Isso é o sinal mais concreto de que a economia solidária é uma solução para a crise. Ela evita deixar pessoas sem meios e sem trabalho. Milhares deixaram de ser empregados e passaram a ter participações. Na economia solidária, não há emprego. O que existe é participação. Essa é também uma experiência internacional, mas acho que nós, brasileiros, estamos na frente.
ABr – Qual a importância da economia solidária no Ministério do Trabalho?
Singer – Exatamente por causa dessas empresas cooperadas, que surgiu diretamente da iniciativa dos sindicatos. Quando há uma falência, os trabalhadores são credores da empresa, seja porque ela não pagou os últimos salários, as contribuições para o INSS [Instituto Nacional de Seguridade Social]. No fundo, os trabalhadores têm um crédito e, com esse crédito, se candidatam a ficar com a empresa e mantê-la funcionando. Todas as empresas cooperadas no Brasil, e são muitas centenas hoje, se formaram a partir de iniciativas dos sindicatos. Por isso é que o movimento da economia solidária faz parte do movimento operário e camponês.
ABr – O senhor acha que os efeitos da crise no Brasil já estão sendo superados ou essa crise é mais profunda do que se imagina?
Singer - Se as pessoas acreditarem que estamos saindo da crise, elas vão agir como se estivéssemos mesmo já saindo. E aí sairemos mesmo. Esse é um ponto que as pessoas, em geral, entendem logo, mas não descobrem sozinhas. A previsão faz o futuro. Se as pessoas forem pessimistas, o futuro será ruim, porque elas vão se preparar para esse futuro ruim. Os mais conservadores estavam exigindo que o governo cortasse gastos. Mas se o governo fizesse isso com a previsão de que iria arrecadar menos, iria mesmo arrecadar menos. O governo está gastando por conta. A arrecadação subiu um pouco, mas o governo está gastando mais. Agora, claramente a economia está se recuperando. As vendas no varejo estão crescendo, a indústria automobilística bateu recorde em março, mas não ouso dizer que o pior já passou, primeiro porque eu não tenho bola de cristal, segundo, não estou falando como economista profissional. Mas acho que a chance é boa. Saberemos disso daqui a alguns meses.”
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Estudo aponta para aumento de assassinatos de homossexuais em 2008
Mariana Jungmann, Agência Brasil
"Mais de 190 homossexuais morreram assassinados no ano passado, com um aumento de 55% em relação ao ano anterior. Desse total de crimes, 65% deles foram cometidos por pessoas com menos de 21 anos. Segundo os dados do Relatório de Assassinatos de Homossexuais no Brasil – 2008, feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), os estados da Região Nordeste são os que mais tiveram destaque neste tipo de violência. Pernambuco é o campeão de notícias sobre assassinatos de homossexuais: 27 casos.
De acordo com o relatório, um gay nordestino correria 84% mais risco de ser assassinado do que se estivesse na região Sul ou Sudeste do país. O estudo foi elaborado a partir de dados coletados apenas em notícias de jornal.
O presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, reconhece que esta fonte de informação pode não ser totalmente condizente com a realidade.
- A violência está tão banalizada nos grandes centros urbanos, que crimes como estes não são noticiados - explica. Segundo ele, a presença de grupos de apoio a homossexuais no Nordeste estimula a veiculação de notícias sobre esses crimes.
O que também chama a atenção para os crimes é o envolvimento de adolescentes. Segundo Cerqueira, a falta de uma educação voltada para a tolerância sexual nas escolas é parte do problema.”
JB Online
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"Mais de 190 homossexuais morreram assassinados no ano passado, com um aumento de 55% em relação ao ano anterior. Desse total de crimes, 65% deles foram cometidos por pessoas com menos de 21 anos. Segundo os dados do Relatório de Assassinatos de Homossexuais no Brasil – 2008, feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), os estados da Região Nordeste são os que mais tiveram destaque neste tipo de violência. Pernambuco é o campeão de notícias sobre assassinatos de homossexuais: 27 casos.
De acordo com o relatório, um gay nordestino correria 84% mais risco de ser assassinado do que se estivesse na região Sul ou Sudeste do país. O estudo foi elaborado a partir de dados coletados apenas em notícias de jornal.
O presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, reconhece que esta fonte de informação pode não ser totalmente condizente com a realidade.
- A violência está tão banalizada nos grandes centros urbanos, que crimes como estes não são noticiados - explica. Segundo ele, a presença de grupos de apoio a homossexuais no Nordeste estimula a veiculação de notícias sobre esses crimes.
O que também chama a atenção para os crimes é o envolvimento de adolescentes. Segundo Cerqueira, a falta de uma educação voltada para a tolerância sexual nas escolas é parte do problema.”
JB Online
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A literatura em perigo
Tony Monti, Terra Magazine
"Eu diria que a literatura é, igualmente, uma forma de alegria. Se lemos algo com dificuldade, o autor fracassou. Por isso, acho que um escritor como Joyce fracassou, em sua essência, já que sua obra requer esforço para ser lida".
A observação de Borges, embora uma das mais célebres, não é a única a retratar a experiência da leitura como uma alegria simples. Parece-me bastante temeroso, no entanto, universalizar este modo de ler, defendê-lo como único. O prazer sem grande esforço é uma das possibilidades de fruição, mas elimina os prazeres complexos sem um argumento razoável que defenda tal universalização.
O que me trouxe à memória esta passagem do Borges foi a leitura do último livro de Tzvetan Todorov, "A literatura em perigo". O texto de Todorov defende a idéia de criar meios a partir dos quais a literatura deixe de ser um domínio apenas de especialistas. Segundo ele, o poder que a teoria e a crítica exercem no pensamento francês sobre literatura fez com que a literatura tenha perdido sua dimensão de fruição pouco elaborada. Em outras palavras, Todorov acredita que a literatura que se estuda nas universidades é cada vez menos acessível a um público mais amplo porque as figuras de poder e os discursos que circundam a atividade da leitura valorizam teorias e estruturas distantes do mundo concreto em que se vive. É claro que teoria não é distante do mundo dos teóricos, pode ser um elemento bastante vivo em seu dia-a-dia. Mas o leitor que não dedica o cotidiano aos livros não consegue com este tipo rarefeito de experiência atender a sua busca por discursos que dêem sentido a sua existência.”
Artigo Completo, ::Aqui::
"Eu diria que a literatura é, igualmente, uma forma de alegria. Se lemos algo com dificuldade, o autor fracassou. Por isso, acho que um escritor como Joyce fracassou, em sua essência, já que sua obra requer esforço para ser lida".
A observação de Borges, embora uma das mais célebres, não é a única a retratar a experiência da leitura como uma alegria simples. Parece-me bastante temeroso, no entanto, universalizar este modo de ler, defendê-lo como único. O prazer sem grande esforço é uma das possibilidades de fruição, mas elimina os prazeres complexos sem um argumento razoável que defenda tal universalização.
O que me trouxe à memória esta passagem do Borges foi a leitura do último livro de Tzvetan Todorov, "A literatura em perigo". O texto de Todorov defende a idéia de criar meios a partir dos quais a literatura deixe de ser um domínio apenas de especialistas. Segundo ele, o poder que a teoria e a crítica exercem no pensamento francês sobre literatura fez com que a literatura tenha perdido sua dimensão de fruição pouco elaborada. Em outras palavras, Todorov acredita que a literatura que se estuda nas universidades é cada vez menos acessível a um público mais amplo porque as figuras de poder e os discursos que circundam a atividade da leitura valorizam teorias e estruturas distantes do mundo concreto em que se vive. É claro que teoria não é distante do mundo dos teóricos, pode ser um elemento bastante vivo em seu dia-a-dia. Mas o leitor que não dedica o cotidiano aos livros não consegue com este tipo rarefeito de experiência atender a sua busca por discursos que dêem sentido a sua existência.”
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''Política é um troço chato, mas necessário''
“Depois de pesquisa indicar que 2 milhões de pessoas o apoiariam se disputasse o Senado, rapper admite que “balançou” com idéia
Alexandre Rodrigues, O Estado de São Paulo
Quando suas letras saíram dos limites da Cidade de Deus, na zona oeste do Rio, o rapper MV Bill já sabia que sua pregação social não ficaria restrita à sua música. Aos 35 anos, Alex Pereira Barbosa ainda mora naquela favela, mas o MV Bill percorre a periferia de todo o País. Na esteira da natureza política do hip-hop, documentou a atração de jovens pobres para o crime e, com o parceiro Celso Athayde, fundou a Central Única das Favelas (Cufa), mas nunca havia cogitado inscrever seu nome numa urna.
A aversão ao sistema político começou a ruir no mês passado, quando Caetano Veloso, num show na Cidade de Deus, sugeriu que Bill virasse senador. O que pareceu uma brincadeira ganhou a adesão de jovens da rede de comunidades da Cufa, que contratou uma pesquisa. Das 1.100 pessoas ouvidas no Rio, 23% votariam nele para senador. Entre os eleitores de até 24 anos, o porcentual seria de 37%.
Em entrevista ao Estado, o rapper admite que a repercussão "balançou" suas certezas, mas esbarra na necessidade de uma legenda. Com um sentimento que cresce principalmente na juventude, mesmo com mais informação disponível em fontes como a internet, ele não se identifica com partido algum. Além do PT do presidente Lula, com quem tem experimentado o palanque em eventos do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), PC do B e outras siglas já o sondaram, mas ele vê em todas os vícios de um modelo em que não acredita.
Caetano defendeu seu nome para o Senado. De onde vem essa ideia?
Foi uma maluquice do Caetano, fiquei até constrangido no palco. Nunca tive pretensões políticas. Ao contrário. Sempre dei declarações me mostrando mais à vontade na forma apartidária, com liberdade e sem rabo preso, para falar o que quero e penso. Porém, quando a Cufa faz uma pesquisa e estima 2 milhões de pessoas, a maioria de jovens, apoiando uma candidatura que nem sequer existe, isso me faz rever posições. Ainda não mudei de opinião, mas deu uma balançada.
Para ser candidato é preciso ter um partido. Você tem filiação?
Não tenho. Não consigo enxergar um partido mais próximo do povo, talvez consiga enxergar o menos distante. Não tenho identificação ideológica. Recebi convites de alguns partidos, que prefiro não citar, mas não pensei ainda numa sigla que possa representar.”
Entrevista completa, ::Aqui::
Alexandre Rodrigues, O Estado de São Paulo
Quando suas letras saíram dos limites da Cidade de Deus, na zona oeste do Rio, o rapper MV Bill já sabia que sua pregação social não ficaria restrita à sua música. Aos 35 anos, Alex Pereira Barbosa ainda mora naquela favela, mas o MV Bill percorre a periferia de todo o País. Na esteira da natureza política do hip-hop, documentou a atração de jovens pobres para o crime e, com o parceiro Celso Athayde, fundou a Central Única das Favelas (Cufa), mas nunca havia cogitado inscrever seu nome numa urna.
A aversão ao sistema político começou a ruir no mês passado, quando Caetano Veloso, num show na Cidade de Deus, sugeriu que Bill virasse senador. O que pareceu uma brincadeira ganhou a adesão de jovens da rede de comunidades da Cufa, que contratou uma pesquisa. Das 1.100 pessoas ouvidas no Rio, 23% votariam nele para senador. Entre os eleitores de até 24 anos, o porcentual seria de 37%.
Em entrevista ao Estado, o rapper admite que a repercussão "balançou" suas certezas, mas esbarra na necessidade de uma legenda. Com um sentimento que cresce principalmente na juventude, mesmo com mais informação disponível em fontes como a internet, ele não se identifica com partido algum. Além do PT do presidente Lula, com quem tem experimentado o palanque em eventos do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), PC do B e outras siglas já o sondaram, mas ele vê em todas os vícios de um modelo em que não acredita.
Caetano defendeu seu nome para o Senado. De onde vem essa ideia?
Foi uma maluquice do Caetano, fiquei até constrangido no palco. Nunca tive pretensões políticas. Ao contrário. Sempre dei declarações me mostrando mais à vontade na forma apartidária, com liberdade e sem rabo preso, para falar o que quero e penso. Porém, quando a Cufa faz uma pesquisa e estima 2 milhões de pessoas, a maioria de jovens, apoiando uma candidatura que nem sequer existe, isso me faz rever posições. Ainda não mudei de opinião, mas deu uma balançada.
Para ser candidato é preciso ter um partido. Você tem filiação?
Não tenho. Não consigo enxergar um partido mais próximo do povo, talvez consiga enxergar o menos distante. Não tenho identificação ideológica. Recebi convites de alguns partidos, que prefiro não citar, mas não pensei ainda numa sigla que possa representar.”
Entrevista completa, ::Aqui::
19 Abril, 2009
O corpo como capital
Mirian Goldenberg (Antropóloga), JB Online“Nos últimos anos, pesquisando homens e mulheres das camadas médias do Rio de Janeiro, elaborei uma ideia que venho discutindo em meus livros e palestras: no Brasil, o corpo é um verdadeiro capital. Determinado modelo de corpo, na cultura brasileira contemporânea, é uma riqueza, talvez a mais desejada pelos indivíduos das camadas médias urbanas e também das camadas mais pobres, que percebem seu corpo como um importante veículo de ascensão social e, também, um importante capital no mercado de trabalho, no mercado de casamento e no mercado sexual. Neste sentido, além de um capital físico, o corpo é, também, um capital simbólico, um capital econômico e um capital social. No entanto, é preciso ressaltar que este corpo capital não é um corpo qualquer. É um corpo que deve ser sempre sexy, jovem, magro e em boa forma. Um corpo conquistado por meio de um enorme investimento financeiro, muito trabalho e uma boa dose de sacrifício.
Ao analisar algumas das questões da minha atual pesquisa, fiquei surpresa com a recorrência da categoria "o corpo" nas respostas femininas e masculinas. Por exemplo, ao perguntar às mulheres: O que você mais inveja em uma mulher? Elas responderam: beleza em primeiro lugar, o corpo, em seguida, e inteligência em terceiro lugar. Quando perguntei aos homens: O que você mais inveja em um homem? Tive como respostas: inteligência, poder econômico, beleza e o corpo.
Em outra questão, perguntei às mulheres: O que mais te atrai em um homem? Elas responderam: inteligência e o corpo. Quando perguntei aos homens: O que mais te atrai em uma mulher? Encontrei: beleza, inteligência e o corpo. O corpo aparece ainda com maior destaque quando perguntei às mulheres: O que mais te atrai sexualmente em um homem? As respostas foram: tórax e o corpo. Para os homens: O que mais te atrai sexualmente em uma mulher? Tive: bunda e o corpo.”
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18 Abril, 2009
SOS internacional: pintora iraniana será enforcada segunda-feira.
Wálter Fanganiello Maierovitch, Terra Magazine"Delara Darabi tinha 17 anos de idade quando foi presa no Irã. Foi acusada de ter matado com uma punhalada a prima de 58 anos de idade. Respondeu, também, por furto na casa da prima morta e por manter relacionamento sexual com o namorado Amir Hossain de 19 anos de idade: no Irã, sexo só com o casamento e a adúltera recebe pena capital.
Hoje, Delara Darabi está com 23 anos. Continua presa desde os crimes consumados em 2005. Na segunda-feira, 20, será enforcada por ter sido considerada autora da punhalada, com intenção de matar.
Pelo furto e intimidade com o namorado, cumpriu pena de 3 anos de cadeia. Recebeu, em público, 50 chicotadas pelo furto e mais 20 pelas relações amorosas com o namorado.
Delara Darabi nega ter matado a prima.
Ela disse que confessou quando presa para “salvar” o namorado da pena de morte. Frisou que imaginava, pelos seus 17 anos, que não seria condenada à morte. Errou nos cálculos pois a responsabilidade criminal no estado teocrático do Irã começa aos 15 anos de idade para homens e 9 anos para as do sexo feminino.
O crime de homicídio, frise-se, consumou-se em 2005 e a sentença condenatória à pena de morte foi confirmada pela Corte Suprema em 2007.
A única chance legal para Delara Darabi seria a família da vítima, — sua prima–, aceitar uma indenização em dinheiro.
O pai da condenada já fez a oferta, mas não houve aceitação. O genitor da vítima pretende renovar a proposta até o último momento, ou seja, até antes de o cadafalso se abrir e a filha ficar pendurada.
Segundo o advogado e as organizações internacionais de defesa de direitos humanos ficou provado nos autos, por laudo pericial oficial e único, que Delara Darabi é inocente. Para os peritos, o golpe de punhal foi desferido por uma pessoa destra. Darabi é canhota.
PANO RÁPIDO. Depois da China, o Irã é o país que mais condena e executa penas capitais.
No dia 18 de dezembro de 2007, — e ainda em face do impacto causado pela morte por enforcamento de Saddam Hussein–, houve Assembléia Geral da ONU para aprovar uma suspensão (moratória) das penas capitais.
Dos estados-membros da ONU, 104 votaram a favor, incluído o Brasil. Ocorreram 29 abstenções. Votaram contra a moratória 54 países, dentre eles o Irã, a China e os EUA.
Segundo a Human Rights, o Irã, em 2008, enforcou oito menores de 18 anos de idade. Neste 2009, um menor já foi executado. No chamado corredor-da-morte, aguardam 150 menores de 18 anos de idade.
Para Delara Darabi, que pinta quadros na cadeia e se tornou uma pintora conhecida internacionalmente, só resta a pressão internacional por clemência ou a família da vítima aceitar uma indenização.
Vamos torcer por ela, pois pena de morte é inaceitável.”
Sem Fronteiras / Foto: (Human Rights), Delara Darabi
Educação é o que mais precisa mudar no Brasil, aponta pesquisa
Leandro Kleber, Contas Abertas“Uma pesquisa realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) revela que a educação é o tema que mais precisa ser melhorado no Brasil. A informação faz parte de um levantamento da campanha do PNUD “Brasil Ponto a Ponto”, que ouviu mais de 360 mil pessoas sobre o que elas acreditam que precisa mudar no país. Cerca de um quinto das respostas analisadas trazem a educação como o tema mais tratado, o que corresponde às mensagens de 20% dos participantes.
O volume de menções à educação é bastante significativo, já que as respostas para a consulta são abertas, ou seja, não há alternativas e as possibilidades são infinitas. A qualidade do aprendizado liderou as preocupações do tema educação – cerca de 25% das respostas dos entrevistados. A violência nas escolas foi o segundo assunto mais criticado por aqueles que elegeram a educação a maior dificuldade. Foram 20% das respostas sobre o tema.
Os internautas brasileiros participaram registrando comentários, em texto ou vídeo, no site da campanha, até o último dia 15 (clique aqui para ir ao site). Jovens de oito a 18 anos foram a maioria (pelo menos 60%) dos participantes da campanha Brasil Ponto a Ponto. A campanha tem o objetivo de estimular o debate em todo o país sobre o que precisa ser mudado no Brasil para melhorar a vida das pessoas. A partir dessa discussão, será definido o tema do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional (RDH) do PNUD, que deverá ser publicado no começo de 2010. Em maio, o PNUD lançará um documento com os resultados desse processo de consulta pública.”
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Seja breve! No Juízo Final isso não passa de pum!
Paulo Costa Lima, Terra Magazine
“Goethe sabia das coisas. Colocou essa belíssima frase na boca do seu personagem demoníaco - Mefistófeles - só que rimando, e em alemão*.
E hoje a recomendação do diabo está na ordem do dia em todos os cantos, principalmente na internet.
Tem valor especial quando aplicada aos personagens políticos - de quem tanto dependemos - e seus intermináveis discursos. Imagine se as casas legislativas de todo o mundo colocassem essa insígnia em seus plenários...
Mas também se aplica ao fazer artístico com igual relevância. O que dizer das óperas?
Fico admirando a imagem de um juízo final montado como um grande resumo de tudo, lembrando uma espécie de 'vale a pena ver de novo', ou BBB total.
Seria (ou será) fantástico. Assistir tudo que importa da vida humana numa única sessão. Pelo menos podemos ter esperança de que a ótica da narração não será a mesma dos filmes americanos.
Vale lembrar que naquela cena de julgamento divino no 'Auto da Compadecida' de Suassuna, Jesus é negro. E sua visão não é a dos senhores do nordeste. Há esperança.
Lembro de pelo menos dois criadores que reconstruíram essa imagem da visão ciclópica final: Machado de Assis no fantástico delírio de Brás Cubas, e Raul Seixas em 'Eu nasci há dez mil anos atrás'. Ambos deliciosos.”
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“Goethe sabia das coisas. Colocou essa belíssima frase na boca do seu personagem demoníaco - Mefistófeles - só que rimando, e em alemão*.
E hoje a recomendação do diabo está na ordem do dia em todos os cantos, principalmente na internet.
Tem valor especial quando aplicada aos personagens políticos - de quem tanto dependemos - e seus intermináveis discursos. Imagine se as casas legislativas de todo o mundo colocassem essa insígnia em seus plenários...
Mas também se aplica ao fazer artístico com igual relevância. O que dizer das óperas?
Fico admirando a imagem de um juízo final montado como um grande resumo de tudo, lembrando uma espécie de 'vale a pena ver de novo', ou BBB total.
Seria (ou será) fantástico. Assistir tudo que importa da vida humana numa única sessão. Pelo menos podemos ter esperança de que a ótica da narração não será a mesma dos filmes americanos.
Vale lembrar que naquela cena de julgamento divino no 'Auto da Compadecida' de Suassuna, Jesus é negro. E sua visão não é a dos senhores do nordeste. Há esperança.
Lembro de pelo menos dois criadores que reconstruíram essa imagem da visão ciclópica final: Machado de Assis no fantástico delírio de Brás Cubas, e Raul Seixas em 'Eu nasci há dez mil anos atrás'. Ambos deliciosos.”
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17 Abril, 2009
A salvação pela literatura
Urariano Mota, NovaE"Nos tempos em que pensei ser professor, sempre tentei dizer a jovens estudantes que a literatura era fundamental na vida de todos. Mas quase nunca tive sucesso nessas arremetidas rumo a seus espíritos. Minhas palavras pareciam não fecundar. Primeiro porque a literatura ministrada a eles, em outras aulas, destruía todo o gozo de viver. Os mestres, profissionais ou burocratas, ensinavam-lhes a anti, a literatura para antas, com listas de nomes, datas e resumos de obras, nada mais. Em segundo lugar eu não fecundava porque o valor do sentimento, o sentido de uma rosa, o cântico de amor ou o desajuste de pessoas em uma sociedade corrupta nada significava para as tarefas mais práticas, que se impunham.
- O que eu ganho com isso, professor?
E com isso, o jovem, quando de classe média, queria me dizer, que carro irei comprar com a leitura de Baudelaire? Que roupas, que tênis, que gatas irei conquistar com essa conversa mole de Machado de Assis? Então eu sorria, para não lhes morder. A riqueza do mundo das páginas dos escritores, a gratidão que eu tinha para quem me fizera homem eu sabia. Mas não achava o que dizer nessas horas quando o petardo de uma frase de Joaquim Nabuco ganhava a zombaria de toda a gente. Eu sorria e me punha a gaguejar coisas estapafúrdias do gênero os poetas são os poetas, Cervantes era Cervantes. E me calava, e calava a lembrança dos sofrimentos e humilhações em vida do homem Cervantes que dignificou a espécie.
- O que eu ganho com isso, professor?
Quando essa pergunta me era feita por jovens da periferia, excluídos, isso me ofendia muito mais que a pergunta do jovem classe média. Aos de antes eu respondia com uma oposição quase absoluta, porque não me via em suas condições e rostos. Mas a estes periféricos, não. Eu passava a ser atingido nos meus domínios, na minha gente, porque eu olhava os seus rostos e via o meu, no tempo em que fui tão perdido e carente quanto qualquer um deles. Então eu não sorria. Aquilo, do meu semelhante, me acendia um fogo, um álcool vigoroso, e eu lhes falava do valor da literatura com exemplos vivos, vivíssimos, da minha própria experiência. (Há um relato sobre isso em “Histórias para adolescentes pobres”.) Então eu vencia. Então a literatura vencia. Mas já não tinha o nome de literatura. Tinha o nome de outra coisa, algo como histórias reais de miseráveis que têm a cara da gente. Mas tudo bem, eu me dizia, que se dane o nome, vence a literatura.”
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O Orkut, o Twitter e o Existir
Marcos Donizetti, Digestivo Cultural
“Moro na periferia, e gosto, pelo menos na maior parte do tempo. Agora há pouco havia um carro parado em minha rua, volume do alto-falante no máximo e mensagens de gosto duvidoso, acompanhadas de música sertaneja, homenageando alguma vizinha "sortuda" que não pude identificar. Ao que parece a telemensagem já não é o bastante, e o que importa é gritar o que se sente para todo mundo ouvir. Não estou nem aí para as maneiras exageradas e cafonas escolhidas por muitos quando vão declarar seu amor. Acho mesmo que o direito ao exagero e à cafonice deveria ser garantido a todo cidadão apaixonado, pela Constituição Federal; e sonho viver num mundo em que as pessoas fiquem emocionadas ouvindo Roberto Carlos e Odair José.
Fiquei pensando mesmo é na estranha (para mim) relação que essas pessoas costumam ter com o conceito de privacidade. Logo lembrei dos programas de auditório nas tardes da TV aberta, em que os conflitos mais íntimos são discutidos diante de toda uma audiência nacional, e em outras situações do gênero. Mas acho que o melhor ponto de partida para entender essa questão é mesmo o fenômeno Orkut ou, de maneira mais ampla, o das redes sociais on-line. O momento é oportuno também porque uma série de reportagens em revistas de grande circulação deixou alguns usuários do Twitter apavorados com a possibilidade de ter sua rede "invadida" pelo povão. "Onde já se viu", dizem, "nosso espaço será tomado pelo povo, essas pessoas que ficam se expondo sem qualquer noção, que falam errado e tiram fotos de péssimo gosto. Maldita inclusão digital!".
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“Moro na periferia, e gosto, pelo menos na maior parte do tempo. Agora há pouco havia um carro parado em minha rua, volume do alto-falante no máximo e mensagens de gosto duvidoso, acompanhadas de música sertaneja, homenageando alguma vizinha "sortuda" que não pude identificar. Ao que parece a telemensagem já não é o bastante, e o que importa é gritar o que se sente para todo mundo ouvir. Não estou nem aí para as maneiras exageradas e cafonas escolhidas por muitos quando vão declarar seu amor. Acho mesmo que o direito ao exagero e à cafonice deveria ser garantido a todo cidadão apaixonado, pela Constituição Federal; e sonho viver num mundo em que as pessoas fiquem emocionadas ouvindo Roberto Carlos e Odair José.
Fiquei pensando mesmo é na estranha (para mim) relação que essas pessoas costumam ter com o conceito de privacidade. Logo lembrei dos programas de auditório nas tardes da TV aberta, em que os conflitos mais íntimos são discutidos diante de toda uma audiência nacional, e em outras situações do gênero. Mas acho que o melhor ponto de partida para entender essa questão é mesmo o fenômeno Orkut ou, de maneira mais ampla, o das redes sociais on-line. O momento é oportuno também porque uma série de reportagens em revistas de grande circulação deixou alguns usuários do Twitter apavorados com a possibilidade de ter sua rede "invadida" pelo povão. "Onde já se viu", dizem, "nosso espaço será tomado pelo povo, essas pessoas que ficam se expondo sem qualquer noção, que falam errado e tiram fotos de péssimo gosto. Maldita inclusão digital!".
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16 Abril, 2009
Lula faz 'participação especial' em episódio 'South Park'
“O presidente Lula virou personagem na série de animação "South Park". É possível assistir ao episódio no site South Park Studios.No episódio que foi ao ar nesta quarta-feira (15), nos Estados Unidos, intitulado "Pinewood Derby", Stan mata um alienígena tido como perigoso. Em seguida, a polícia espacial aterrissa na cidade e pergunta pelo alienígena.
O pai de Stan, que está conversando por telefone com diversos líderes mundiais, entre os quais Lula, questiona se alguém viu o alienígena.
Nesse momento, a tela se divide em quatro, mostrando vários políticos que negam ter visto a criatura. O presidente Lula aparece nesse momento no canto inferior direito, sentado com a bandeira do Brasil ao fundo.
A polícia espacial explica que o alienígena é procurado por roubar milhões em dinheiro do espaço, que é logo encontrado pelos personagens. Eles mentem sobre desconhecerem o paradeiro do dinheiro.”
Folha Online
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Bangu pioneiro
Mair Pena Neto, Direto da Redação
“O bairro carioca de Bangu está prestes a reescrever a história do futebol brasileiro. Depois de provar que o Bangu Atlético Clube foi o primeiro time a ter um jogador negro, em 1905, fato que era atribuído ao Vasco da Gama, cujo futebol só começou em 1915, o bairro proletário aposta que a primeira partida de futebol no país foi disputada em campo improvisado nos jardins da fábrica de tecidos que lhe deu origem.
Até agora, a chegada do futebol no Brasil é atribuída ao paulista filho de ingleses Charles Miller, que retornou de uma temporada de estudos na Inglaterra, em 1894, trazendo duas bolas e algum material. Miller organizaria a primeira partida em 14 de abril do ano seguinte, entre as equipes da The Gas Work Team e a The São Paulo Railway, onde trabalhava.
O historiador Carlos Molinari defende que a história é diferente e que foi o escocês Thomas Donohoe, um técnico tecelão que imigrou para trabalhar na Companhia Progresso Industrial do Brasil, mais conhecida como Fábrica de Tecidos Bangu, o responsável pela primeira partida de futebol no Brasil.
Donohoe embarcou no porto de Southampton, na Inglaterra, e chegou ao Rio de Janeiro em 1893, ainda antes da inauguração da fábrica. Segundo Molinari, o escocês acreditava que o futebol já era popular no Brasil e que jogaria aqui contra estudantes universitários. Só que Bangu, anota Molinari, não tinha clubes de futebol e muito menos universidade.”
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“O bairro carioca de Bangu está prestes a reescrever a história do futebol brasileiro. Depois de provar que o Bangu Atlético Clube foi o primeiro time a ter um jogador negro, em 1905, fato que era atribuído ao Vasco da Gama, cujo futebol só começou em 1915, o bairro proletário aposta que a primeira partida de futebol no país foi disputada em campo improvisado nos jardins da fábrica de tecidos que lhe deu origem.
Até agora, a chegada do futebol no Brasil é atribuída ao paulista filho de ingleses Charles Miller, que retornou de uma temporada de estudos na Inglaterra, em 1894, trazendo duas bolas e algum material. Miller organizaria a primeira partida em 14 de abril do ano seguinte, entre as equipes da The Gas Work Team e a The São Paulo Railway, onde trabalhava.
O historiador Carlos Molinari defende que a história é diferente e que foi o escocês Thomas Donohoe, um técnico tecelão que imigrou para trabalhar na Companhia Progresso Industrial do Brasil, mais conhecida como Fábrica de Tecidos Bangu, o responsável pela primeira partida de futebol no Brasil.
Donohoe embarcou no porto de Southampton, na Inglaterra, e chegou ao Rio de Janeiro em 1893, ainda antes da inauguração da fábrica. Segundo Molinari, o escocês acreditava que o futebol já era popular no Brasil e que jogaria aqui contra estudantes universitários. Só que Bangu, anota Molinari, não tinha clubes de futebol e muito menos universidade.”
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BNDES eleva volume de recursos para o cinema nacional
Alana Gandra, Agência Brasil “O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) decidiu ampliar de R$ 12 milhões para R$ 14 milhões o apoio ao setor cinematográfico nacional. O anúncio foi feito hoje (15) pelo banco, durante o lançamento do Edital BNDES de Cinema 2009, cujas inscrições serão abertas no próximo dia 20.
Os interessados terão até o dia 8 de junho para se candidatarem a receber os recursos, que objetivam apoiar projetos de produção e finalização de obras audiovisuais cinematográficas brasileiras. Do total previsto, R$ 2 milhões serão destinados para a realização de até dez documentários, enquanto o restante visa a execução de até 15 filmes de longa metragem nos gêneros ficção e animação, de acordo com informação da assessoria de imprensa do BNDES.
O banco quer estimular a produção de documentários no país, que já se mostra bastante representativa. A assessoria destacou que, dos 34 filmes documentários levados aos cinemas no ano passado, 23 foram produzidos no país. Os vencedores do edital deverão ser divulgados até o final de setembro.”
Muito além do chocolate
Marina Silva, Terra Magazine
“Contardo Caligaris, numa entrevista memorável à revista Primeira Leitura (maio de 2006), diz que o exercício da subjetividade é muito cansativo. Ser indivíduo, ele afirma, é um negócio complicado, pesado, e há uma tendência perigosa a se renunciar à individualidade e de se tornar instrumento de um funcionamento coletivo.
Por que estou citando Caligaris e o que isso tem a ver com o chocolate do título? Porque àquele finalzinho saboroso dos ovos de Páscoa, dos quais ainda nem demos conta totalmente, quero acrescentar uma reflexão motivada pela data.
Caligaris associa a origem do individualismo moderno ao cristianismo, no qual a relação com Deus é do foro íntimo de cada um. Independe do pertencimento a nação, grupo familiar ou condição social.
Ao mesmo tempo em que está profundamente vinculado à escolha do indivíduo, o Deus do cristianismo é também universal. A Páscoa, tanto a judaica quanto a cristã, fala de superação, de passagem de uma situação a outra. Para os cristãos, o sentido da passagem é marcado pelo sacrifício de Jesus, para salvação da humanidade. Um ato supremo de renúncia de si mesmo, transmutado em gesto de amor.”
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“Contardo Caligaris, numa entrevista memorável à revista Primeira Leitura (maio de 2006), diz que o exercício da subjetividade é muito cansativo. Ser indivíduo, ele afirma, é um negócio complicado, pesado, e há uma tendência perigosa a se renunciar à individualidade e de se tornar instrumento de um funcionamento coletivo.
Por que estou citando Caligaris e o que isso tem a ver com o chocolate do título? Porque àquele finalzinho saboroso dos ovos de Páscoa, dos quais ainda nem demos conta totalmente, quero acrescentar uma reflexão motivada pela data.
Caligaris associa a origem do individualismo moderno ao cristianismo, no qual a relação com Deus é do foro íntimo de cada um. Independe do pertencimento a nação, grupo familiar ou condição social.
Ao mesmo tempo em que está profundamente vinculado à escolha do indivíduo, o Deus do cristianismo é também universal. A Páscoa, tanto a judaica quanto a cristã, fala de superação, de passagem de uma situação a outra. Para os cristãos, o sentido da passagem é marcado pelo sacrifício de Jesus, para salvação da humanidade. Um ato supremo de renúncia de si mesmo, transmutado em gesto de amor.”
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Afiliada da Globo demite jornalista após discussão com colega cair no YouTube
Ana Luiza Moulatlet, Portal IMPRENSA
“A gravação de uma discussão entre dois jornalistas de Fortaleza, no Ceará, foi parar no site de compartilhamento de vídeos YouTube e causou a demissão de um deles. Há quinze dias, Mário Costa, jornalista da TV Verdes Mares, afiliada da Globo no estado, entrevistava duas testemunhas oculares de um crime quando se desentendeu com a repórter Emanuella Braga, da TV Jangadeira, afiliada do SBT.
Segundo o jornalista, ele cobria a queda de uma garota do segundo andar de um prédio - que supostamente tentava fugir de uma tentativa de estupro - e duas testemunahs que prestavam depoimento na Delegacia da Mulher da cidade aceitaram conversar com ele, sob a condição de não serem identificadas.
"Eu cubro notícias factuais do dia-a-dia, e convenci as duas testemunhas a saírem da delegacia e conversarem comigo na rua. Neste momento, a colega da TV Jangadeira passava de carro, viu a movimentação e abordou as minhas entrevistadas. Assustadas, elas se afastaram, e eu reclamei que Emanuella estava atrapalhando o meu trabalho", declarou Costa ao Portal IMPRENSA.”
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O Vídeo: “coleguismo explicito”
“A gravação de uma discussão entre dois jornalistas de Fortaleza, no Ceará, foi parar no site de compartilhamento de vídeos YouTube e causou a demissão de um deles. Há quinze dias, Mário Costa, jornalista da TV Verdes Mares, afiliada da Globo no estado, entrevistava duas testemunhas oculares de um crime quando se desentendeu com a repórter Emanuella Braga, da TV Jangadeira, afiliada do SBT.
Segundo o jornalista, ele cobria a queda de uma garota do segundo andar de um prédio - que supostamente tentava fugir de uma tentativa de estupro - e duas testemunahs que prestavam depoimento na Delegacia da Mulher da cidade aceitaram conversar com ele, sob a condição de não serem identificadas.
"Eu cubro notícias factuais do dia-a-dia, e convenci as duas testemunhas a saírem da delegacia e conversarem comigo na rua. Neste momento, a colega da TV Jangadeira passava de carro, viu a movimentação e abordou as minhas entrevistadas. Assustadas, elas se afastaram, e eu reclamei que Emanuella estava atrapalhando o meu trabalho", declarou Costa ao Portal IMPRENSA.”
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O Vídeo: “coleguismo explicito”
15 Abril, 2009
Dois amigos
Frei Betto, Adital
“A comemoração (=fazer memória) da Paixão de Jesus me remete a dois amigos recentemente transvivenciados e a quem me ligavam laços de fraternura: Victor Siaulys e Márcio Moreira Alves.
Vítima de leucemia, Victor me chamou ao hospital no domingo, 15 de março. Mulher, filhos e alguns amigos rodeavam-lhe o leito. Após anos de incansável luta contra a doença, o homem que fabricava remédios - era sócio do laboratório Achê - sabia que a ciência chegara a seu limite. Seu organismo definhava, a dor o consumia, embora o espírito estivesse impregnado da fé que, sobretudo nos últimos anos, lhe dilatava o coração.
Disse-me desejar atravessar a linha da vida. Perguntou-me se tal anseio é pecado. Respondi-lhe que não; é direito. A ciência esgotara seus atuais recursos. Agora, nem se devia apressar-lhe a transvivenciação, nem adotar procedimentos que trazem lucro aos hospitais sem esperança ao paciente. Melhor permitir que a natureza cumprisse, no seu ritmo, os desígnios de Deus.
Victor queria saber se Deus haveria de recebê-lo bem. Lembrei-lhe que Deus é Amor e ele, Victor, a amorosidade personificada, como atestam todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo. Seu testemunho de vida, ele o registrou em sua autobiografia, "Mercenário ou missionário?" (São Paulo, ed. Laramara, 2008), redigida durante os meses de enfermidade.
Entre as muitas obras da família Siaulys se destaca a Laramara, a mais respeitada instituição do Brasil destinada à qualificação profissional de cegos de baixa renda.
Frisei que, à porta do Céu, ele seria bem acolhido por são Pedro que, como ele, veio de uma família de peixeiros. Victor sorriu. Orgulhava-se de ser filho de imigrante lituano que, graças à banca de peixes nas feiras-livres de São Paulo, sustentou a família e o estudo dos filhos.
Oramos juntos, dei-lhe a bênção e, em seguida, ele fechou os olhos e dormiu. Quatro dias depois, faleceu. Deixou escrito o próprio epitáfio, um poema de louvor à existência. E predeterminou que cada pessoa presente ao velório saísse dali levando em mãos um símbolo da vida: num pequeno jarro, a muda de ipê amarelo. Doravante, todos os ipês amarelos são, para mim, sacramentos da presença amorosa de Victor Siaulys.
No sábado, 4 de abril, foi a vez da partida de Marcito, como os amigos tratavam Márcio Moreira Alves. Jornalista e político, foi o primeiro a desnudar, em livro, a ditadura militar, ao relatar seu caráter desumano no livro "Torturas e torturados" (Rio, Idade Nova, 1966). Foi também o primeiro a perceber que uma nova Igreja Católica brotava de comunidades populares reunidas para celebrar a fé em Jesus libertador.”
Artigo Completo, ::Aqui::
“A comemoração (=fazer memória) da Paixão de Jesus me remete a dois amigos recentemente transvivenciados e a quem me ligavam laços de fraternura: Victor Siaulys e Márcio Moreira Alves.
Vítima de leucemia, Victor me chamou ao hospital no domingo, 15 de março. Mulher, filhos e alguns amigos rodeavam-lhe o leito. Após anos de incansável luta contra a doença, o homem que fabricava remédios - era sócio do laboratório Achê - sabia que a ciência chegara a seu limite. Seu organismo definhava, a dor o consumia, embora o espírito estivesse impregnado da fé que, sobretudo nos últimos anos, lhe dilatava o coração.
Disse-me desejar atravessar a linha da vida. Perguntou-me se tal anseio é pecado. Respondi-lhe que não; é direito. A ciência esgotara seus atuais recursos. Agora, nem se devia apressar-lhe a transvivenciação, nem adotar procedimentos que trazem lucro aos hospitais sem esperança ao paciente. Melhor permitir que a natureza cumprisse, no seu ritmo, os desígnios de Deus.
Victor queria saber se Deus haveria de recebê-lo bem. Lembrei-lhe que Deus é Amor e ele, Victor, a amorosidade personificada, como atestam todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo. Seu testemunho de vida, ele o registrou em sua autobiografia, "Mercenário ou missionário?" (São Paulo, ed. Laramara, 2008), redigida durante os meses de enfermidade.
Entre as muitas obras da família Siaulys se destaca a Laramara, a mais respeitada instituição do Brasil destinada à qualificação profissional de cegos de baixa renda.
Frisei que, à porta do Céu, ele seria bem acolhido por são Pedro que, como ele, veio de uma família de peixeiros. Victor sorriu. Orgulhava-se de ser filho de imigrante lituano que, graças à banca de peixes nas feiras-livres de São Paulo, sustentou a família e o estudo dos filhos.
Oramos juntos, dei-lhe a bênção e, em seguida, ele fechou os olhos e dormiu. Quatro dias depois, faleceu. Deixou escrito o próprio epitáfio, um poema de louvor à existência. E predeterminou que cada pessoa presente ao velório saísse dali levando em mãos um símbolo da vida: num pequeno jarro, a muda de ipê amarelo. Doravante, todos os ipês amarelos são, para mim, sacramentos da presença amorosa de Victor Siaulys.
No sábado, 4 de abril, foi a vez da partida de Marcito, como os amigos tratavam Márcio Moreira Alves. Jornalista e político, foi o primeiro a desnudar, em livro, a ditadura militar, ao relatar seu caráter desumano no livro "Torturas e torturados" (Rio, Idade Nova, 1966). Foi também o primeiro a perceber que uma nova Igreja Católica brotava de comunidades populares reunidas para celebrar a fé em Jesus libertador.”
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14 Abril, 2009
Investimento público em educação no ano de 2007 atingiu 4,6% em relação ao PIB
Amanda Cieglinski, Agência Brasil“Em 2007, o investimento público anual em um aluno da educação básica foi de R$ 2.005. Já o estudante do ensino superior custou ao governo R$ 12.322, seis vezes mais do que o primeiro. A meta do Ministério da Educação (MEC) é reduzir para quatro essa proporção, recomendação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em 2000 um aluno do ensino superior chegou a custar 11 vezes mais do que o da educação básica.
Os dados levantados pelo Instituto Nacional de Estudos Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontam ainda que o investimento público na educação em 2007 foi de 4,6% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Em 2006, esse montante havia sido de 4,4%. O cálculo inclui investimentos dos governos federal, estaduais e municipais. O maior incremento foi na educação básica, com um aporte de 3,9% em relação ao PIB.
O Escritório das Nações Unidas para Educação e Cultura (Unesco) recomenda que o investimento público em educação deve ser no mínimo de 6% do PIB. O ministro da Educação, Fernando Haddad, diz que pretende chegar ao patamar de 5% até 2010. Ele compara que, em termos absolutos, 1% do PIB representa algo em torno de R$ 30 bilhões.
“O Estado brasileiro tem condições de priorizar a educação. O que houve foi uma tomada de decisão política para incrementar o investimento na área”, afirmou.”
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13 Abril, 2009
Esta é demais
Cláudio Lembo, Terra Magazine
“Passaram-se cem anos. A frase de Silvio Romero permanece com validade plena. Este é um país onde a mais elevada prova de talento consiste em dizer a maior cópia de tolices nas mais retumbantes frases.
É o que se vê por ai. Um senador, investido de mandato representativo, prega um plebiscito para ouvir a sociedade sobre o fechamento do Congresso. Quer revisão dos procedimentos das duas casas.
Certo. Realmente, as duas casas - Câmara Federal e Senado da República - têm procedido de forma lamentável. O uso indevido da máquina administrativa para proveito próprio é regra.
Ora, no regime republicano, nada mais lamentável, que a utilização dos bens públicos em proveito particular. Empregadas domésticas remuneradas pelos cofres públicos. Aviões suportados pelo erário. Mordomias infinitas.
Ainda assim é melhor a existência de um parlamento a ser fiscalizado que o silêncio das ditaduras. No interior destas, os descalabros são muitos e ninguém pode elevar a voz.”
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“Passaram-se cem anos. A frase de Silvio Romero permanece com validade plena. Este é um país onde a mais elevada prova de talento consiste em dizer a maior cópia de tolices nas mais retumbantes frases.
É o que se vê por ai. Um senador, investido de mandato representativo, prega um plebiscito para ouvir a sociedade sobre o fechamento do Congresso. Quer revisão dos procedimentos das duas casas.
Certo. Realmente, as duas casas - Câmara Federal e Senado da República - têm procedido de forma lamentável. O uso indevido da máquina administrativa para proveito próprio é regra.
Ora, no regime republicano, nada mais lamentável, que a utilização dos bens públicos em proveito particular. Empregadas domésticas remuneradas pelos cofres públicos. Aviões suportados pelo erário. Mordomias infinitas.
Ainda assim é melhor a existência de um parlamento a ser fiscalizado que o silêncio das ditaduras. No interior destas, os descalabros são muitos e ninguém pode elevar a voz.”
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O drama e o humor
José Pedro Goulart, Terra Magazine
“O Guel Arraes, ao apresentar o último filme dele, "Romance", no Festival do Rio do ano passado, disse que "pela primeira vez ficaria chateado se pessoas rissem muito durante a projeção". O Guel, um cara acostumado com a comédia, temeu o riso . Imaginou a gargalhada como uma subversão à sua idéia de fazer um filme com profundeza dramática. Temeu perder as pessoas, a concentração delas, se estivessem subjugadas pelo riso. E o pior é que ele deve ter ficado bem chateado, consta que as pessoas deram boas risadas durante o filme.
E o Guel não está sozinho nas suas aflições, nada menos que o Woody Allen concorda com ele: "Também não tenho nenhuma dúvida de que a comédia tem menos valor do que a coisa séria." Ele disse isso no livro/entrevista, "Conversas com Woody Allen", recentemente lançado. E disse mais, disse "que quando a comédia aborda um problema, ela brinca com ele, mas não resolve." E foi mais longe: "Não quero parecer brutal, mas existe algo de imaturo, de segunda linha, em termos de satisfação, quando se compara a comédia com o drama". Woody Allen também falou do seu desejo de fazer filmes sérios: "...todas aquelas coisas dramáticas que são feitas pelo Bergman, pelo Antonioni..." E ainda saiu-se com uma pérola: "Os diretores sérios são os que mais se divertem." He, he. Não é engraçado?”
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“O Guel Arraes, ao apresentar o último filme dele, "Romance", no Festival do Rio do ano passado, disse que "pela primeira vez ficaria chateado se pessoas rissem muito durante a projeção". O Guel, um cara acostumado com a comédia, temeu o riso . Imaginou a gargalhada como uma subversão à sua idéia de fazer um filme com profundeza dramática. Temeu perder as pessoas, a concentração delas, se estivessem subjugadas pelo riso. E o pior é que ele deve ter ficado bem chateado, consta que as pessoas deram boas risadas durante o filme.
E o Guel não está sozinho nas suas aflições, nada menos que o Woody Allen concorda com ele: "Também não tenho nenhuma dúvida de que a comédia tem menos valor do que a coisa séria." Ele disse isso no livro/entrevista, "Conversas com Woody Allen", recentemente lançado. E disse mais, disse "que quando a comédia aborda um problema, ela brinca com ele, mas não resolve." E foi mais longe: "Não quero parecer brutal, mas existe algo de imaturo, de segunda linha, em termos de satisfação, quando se compara a comédia com o drama". Woody Allen também falou do seu desejo de fazer filmes sérios: "...todas aquelas coisas dramáticas que são feitas pelo Bergman, pelo Antonioni..." E ainda saiu-se com uma pérola: "Os diretores sérios são os que mais se divertem." He, he. Não é engraçado?”
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12 Abril, 2009
Somos todos excluídos digitais
Eugênio Bucci, Observatório da Imprensa"Reproduzido do Estado de S.Paulo, 9/4/2009; título original “Eu sou um excluído digital”, intertítulos do OI
"Vamos almoçar/ Sentados na calçada/ Conversar sobre isso e aquilo/ Coisas que nóis não entende nada." (Torresmo à Milanesa, samba de Adoniran Barbosa e Carlinhos Vergueiro)
Acaba de sair no Brasil um livro polêmico: O culto do amador, de Andrew Keen (Rio de Janeiro: Zahar, 208 páginas). Já no subtítulo, ele deixa claro a que veio: "Como blogs, MySpace, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores". Para Keen, a internet promoveu os amadores – em música, cinema, educação, jornalismo, saúde etc – à condição de donos da verdade. Por isso ela seria destrutiva.
Há que se conceder que o autor se fundamenta em fatos. Relata, por exemplo, a agonia de jornais impressos, que enfrentam dificuldades sem precedentes diante da oferta esmagadora de "informações" na rede. "Informações" entre aspas, bem entendido. Produzidas por gente que a gente nunca sabe direito quem é, elas têm credibilidade nula. Mesmo assim, às vezes "colam" e viram "verdade" por alguns dias. Enquanto isso, as redações tradicionais encolhem, cambaleantes, em sucessivas ondas de demissões. O jornalismo mergulhou numa crise que, sem exagero, podemos chamar de histórica. Se qualquer um pode fazer as vezes de repórter em suas horas vagas, por que é que a sociedade vai precisar de jornalistas profissionais? Por que vai pagá-los?
Os estragos perpetrados pela rede mundial de computadores não ficam por aí. O autor mostra a agonia da indústria fonográfica num mundo em que as pessoas já não compram CDs: "baixam" as músicas diretamente da internet. Em geral, pirateadas. Keen também critica frontalmente a Wikipédia, a enciclopédia virtual em que qualquer um pode escrever ou corrigir qualquer verbete e que desbancou a Britannica.com, que conta com dezenas de prêmios Nobel no seu quadro de colaboradores e é editada por profissionais."
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Leite da vaca ou leite da mãe?
Rui Martins, Direto da Redação
“Foi quase por acaso que descobri a notícia e aproveito para louvar o trabalho dos colegas da Agência Câmara e igualmente o governo responsável pela criação desse serviço, que permite-nos acompanhar o trâmite de projetos de leis ou emendas na Câmara. Existe um serviço similar de informação no Senado.
Acompanhei há alguns anos a luta que se travava, em Genebra, na Assembléia Mundial da Saúde, para se evitar que grandes multinacionais desistimulassem o uso do leite materno em favor do leite maternizado. O Brasil tinha ação de linha de frente e se contrapunha aos grupos que controlam o mercado do leite em pó para crianças principalmente em países menos desenvolvidos e conseguem convencer as mães, de maneira indireta, como proteção do busto feminino, comodidade e daí para frente, a usarem a mamadeira tão logo nasça o bebê. Em muitas maternidades, a mamãe recebe como presente todo um kit ou equipamento para amamentar seu bebê dessa maneira.
Em países desenvolvidos, os europeus e na Suíça por exemplo, essa ação de marketing ou de marqueteiros que chegam a agir em colaboração com maternidades é proibida. A Organização Mundial da Saúde nessa assembléia citada confirmou orientações já dadas pela Unicef em favor do aleitamento materno e recomendou aos países participantes a adoção de leis proibindo a amamentação por substitutivos maternizados, pelo menos até os seis meses do bebê.
Além de ser uma constatação científica que o leite materno protege o bebê de uma série de infecções e mesmo de doenças no futuro, esse incentivo ao aleitamento materno tem repercussões na própria economia do país, já que bebês mais sadios e menos propensos a doenças significam menos despesas com a saúde pública. Fala-se também que dar o seio ao bebê evita o câncer da mama, enquanto bebês alimentados com leite não materno têm propensão para a obesidade.”
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“Foi quase por acaso que descobri a notícia e aproveito para louvar o trabalho dos colegas da Agência Câmara e igualmente o governo responsável pela criação desse serviço, que permite-nos acompanhar o trâmite de projetos de leis ou emendas na Câmara. Existe um serviço similar de informação no Senado.
Acompanhei há alguns anos a luta que se travava, em Genebra, na Assembléia Mundial da Saúde, para se evitar que grandes multinacionais desistimulassem o uso do leite materno em favor do leite maternizado. O Brasil tinha ação de linha de frente e se contrapunha aos grupos que controlam o mercado do leite em pó para crianças principalmente em países menos desenvolvidos e conseguem convencer as mães, de maneira indireta, como proteção do busto feminino, comodidade e daí para frente, a usarem a mamadeira tão logo nasça o bebê. Em muitas maternidades, a mamãe recebe como presente todo um kit ou equipamento para amamentar seu bebê dessa maneira.
Em países desenvolvidos, os europeus e na Suíça por exemplo, essa ação de marketing ou de marqueteiros que chegam a agir em colaboração com maternidades é proibida. A Organização Mundial da Saúde nessa assembléia citada confirmou orientações já dadas pela Unicef em favor do aleitamento materno e recomendou aos países participantes a adoção de leis proibindo a amamentação por substitutivos maternizados, pelo menos até os seis meses do bebê.
Além de ser uma constatação científica que o leite materno protege o bebê de uma série de infecções e mesmo de doenças no futuro, esse incentivo ao aleitamento materno tem repercussões na própria economia do país, já que bebês mais sadios e menos propensos a doenças significam menos despesas com a saúde pública. Fala-se também que dar o seio ao bebê evita o câncer da mama, enquanto bebês alimentados com leite não materno têm propensão para a obesidade.”
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